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quarta-feira, 22 de julho de 2015

Doçura de receita . . .



Adiciono à nata do teu corpo
o açucar do meu desejo,
incorporo-lhe uns frutos vermelhos,
como paixão em ferida,
e eis a minha bagunça preferida:
o doce de te amar!



sábado, 18 de julho de 2015

Amor meu



O vento fez-se ao mar
e nele embarquei como clandestina.
Deixo-me levar
na ondulação uivante
como sopro vital.

Sou mar,
sou vento,
já nem sei.

Aporto noutro hemisfério,
continente desconhecido,
por onde deslizo
na respiração de ti.
como fantasma.

Abraço-te o sono,
beijo-te a respiração,
revogo-me em tua respiração,
na poeira da quietude
do vento quebrado.



quinta-feira, 16 de julho de 2015

Para o teu fundo



Desço-me por degraus
que me chamam,
oceanizo-me na descida
do abismo que és tu.

Para o teu fundo
é meu tempero,
sal da minha vida,
exigida no desejo
de tuas águas.

Dissolvo-me em fogos molhados,
 toques sem pudor,
onde és mar meu
e eu,
tua naufraga,
presa no querer-te
aqui e agora.

Adoço-me na escala decrescente
onde te sei,
para o teu fundo
é minha fortuna.



sábado, 11 de julho de 2015

Corte e Costura



Entorno este desejo 
na ponta da agulha 
a olhar-me por entre dedos.

Alinhavo humidade de beijo
no fio com que teço
a costura de te querer.

Vejo-te no fundo da linha
em que me debato
por coser.

Nasço em cada fiada
na sutura do teu corpo
que me visita 
por entre cortes e costuras.



domingo, 21 de junho de 2015

D' Paz e d' Amor



"Certos graus de amor só são perceptíveis 
a partir da impossibilidade de se exercerem 
ou da ameaça de não poderem jamais vir à tona."
Artur de Távola




Bilhete

"Se tu me amas, ama-me baixinho

Não o grites de cima dos telhados
Deixa em paz os passarinhos
Deixa em paz a mim!
Se me queres,
enfim,
tem de ser bem devagarinho, Amada,
que a vida é breve, 
e o amor mais breve ainda..."

Mário Quintana


sábado, 13 de junho de 2015

Tem um fio . . .



Tem um fio de vida
escapando-me por entre respirações,
no novelo de histórias por contar.

Tem um fio de cabelo,
tecendo-me a aparência em caracóis,
na espera do teu deslizar de dedos.

Tem um fio sem prumo,
equilibrando-me por breves intermitências,
no instante em que sonho seres meu.

Tem um fio de ligação,
agarrando-me em nós de desejo,
no querer ser teu destino.

Tem um fio com nós,
alisando-me em (em)baraços de amor,
por onde as palavras ganham sentido,

Tem um fio que não se vê,
que me acorrenta a ti.



quarta-feira, 10 de junho de 2015

. longe .



faço-me ao mar,
nesta noite de luar;

levo-me de rumo traçado,
sem desvios ou demoras;

quero-me bem perto de ti,
de boca na boca;


navego-me na cobiça
de te tocar;

encurto-me na distância
do teu corpo;


pois se há um oceano
que nos separa,
um tempo com pressa,
um desejo a queimar,
esse querer desmedido
a chamar por ti;

nessa lonjura de tudo,
assalto o pudor,
cedo a tentações
e . . . 
faço-me ao mar.



terça-feira, 9 de junho de 2015

DesejosTalvez




Tem esse chão sem fim,
o horizonte muito para
além de mim.

Tem esse desejo dorido,
o mundo que
se quer colorido.

Tem meu grito mudo,
minha dor controlada,
até um dia.

Não quero ter !

Basta-me ser !

Talvez o olhar turvo
de paixão,
quiçá o instante
do êxtase
em que existes em mim.

Talvez a loucura
sem fronteiras,
peias ou correntes,
de sorrir,
por entre marés felizes,
onde tu e eu 
nos consumimos.





terça-feira, 26 de maio de 2015

O Mundo és Tu !



O mundo és tu,
nele me sei
ao perder-me
por não saber de ti.

Levaste-me 
para parte incerta
ao soltares a resignação
do mal acorrentado
em teu respirar.

Partiste,
quebrando meu chão,
deixando-me só
na deriva de me tentar ser.

O mundo ainda és tu
por onde te procuro,
te busco,
em pescarias de outrora,
sem a paciência 
de me igualar a ti.

Na ausência
de teu farol,
resto-me na saudade,
desisto-me,
em renúncias
que nunca aprovarias.

Amo-te tanto!

Foste, 
és 
e serás 
o meu grande amor.
(Não possuo outra forma de amar.)

Aguardo o teu resgate,
o teu sinal,
por mim,
onde o mundo és tu.


Margarida Farinha





segunda-feira, 25 de maio de 2015

Provocadora



Teu jeito invasivo,
teu olhar disposto,
tua palavra semeada,
deixa-me sem limites.

És assim,
como ponto sem retorno,
um pretexto sem argumento,
uma interrogação sem pergunta.

Ai, quem me dera!
Saber ler tua mensagem,
decifrar teus códigos,
matar tuas fronteiras,
desatar teu nó,
em enleamentos só nossos
como se fora provocadora.
Ai!
Quem dera! 



segunda-feira, 18 de maio de 2015

Como orvalho



Aquieta-se a noite nos primeiros raios de sol.,
antigua-se o desejo de ontem
no (re)começo de outro.

Desdobro a ânsia de te ver acordado,
quedo-me como bicho
na espera de luz.

Os teus braços amornam-me a pele,
vestem-me como o orvalho da manhã
que adorna o lá fora.

Olho-te na fresquidão do regaço 
que aurora,
no colo oferecido por entre
palavras por dizer.

Escorro-me como gota matinal
nos jeitos de teu cabelo,
macio,
 como o desabrochar tenro 
de semente longe do fruto.

Faz-se o dia,
na poeira da noite,
como orvalho de prazer,
em madrugada por acontecer,
onde tu és meu.




quinta-feira, 7 de maio de 2015

. . . banquete . . .



 . .. dou a mão à tarde
que se anoitece . . .

. . . acendem-se as luzes
da minha vontade . . .

. . . preparo um banquete
para quem me quer bem . . .

. . . dispo expectativas
e ponho o avental de mim . . .

. . . espero . . .



sábado, 25 de abril de 2015

Por acontecer . . .



Na loucura de imaginar teu beijo,
balanço na vontade de mais.

Acolho a vertigem do quase real,
sei-te neste equilíbrio de desejo comum,
perco o rumo 
em ânsias de ti.

Vem!
Não temas!

O Mundo, 
lá fora, 
não é pertença nossa.

Quero essa fusão
de almas,
de corpos,
de insuspeitáveis apetites,
só nossos.

Desfaleço no abismo 
de te saber,
na espera do teu beijo
que me apetece.




domingo, 19 de abril de 2015

Depois de ti . . .


Desdobro o cheiro ainda enlaçado pelo branco do lençol enrugado.

Que lhe importa?


A indiferença do seu poder cresce na impaciência da minha inalação.


O odor é tudo.


Percorre-me sem autorização, torna-me refém, prisioneira, ao sabor da minha entrega.


Nesta posse evaporada por entre dedos, sou-me no leito do ainda há pouco.


O cheiro não se alisa, mas continuo a desdobrá-lo . . .






quinta-feira, 19 de março de 2015

Quero voltar a esse ninho . . .



Tenho um pai
mestre em arquitectura,
construiu um ninho 
para onde posso voltar
com lágrimas na bagagem.

É um lar com cheiro a doce,
local único,
por lá nada de mal me acontece,
tenho a certeza.

Meu pai carrega 
esse aconchego com ele,
tatuou-o em sua pele
e só nele me sei.

Perdida na ausência de seus braços,
sem o seu ninho,
onde volto a ser menina
e o seu olhar me protege,
resto-me por recordações
feridas por cicatrizar.

Com saudades,
ando perdida,
paizinho,
para onde foste?


segunda-feira, 16 de março de 2015

Tudo !




Não te disse já?
Quão tola sou!?

Agarro a lua,
sou o sol,
nada mais que o teu tudo.

Tolice minha,
a de querer ter-te
como luz dona das trevas,
devorar-te por inteiro,
ser buraco negro
de onde não queres voltar.

Fazes-me enlouquecer,
esquecer-me de ciclos,
fases ou tempos
pois se és o  meu tudo,
mundo sem fim,
por onde sou senhora de ti.

Deixa-me que te diga!
Ouve de mansinho!

Minha pele fala-te,
meu corpo te sussurra,
meu coração ecoa 
pelo infinito.

Não ouves?

Sou tudo
onde tu me és tudo.



domingo, 1 de março de 2015

Por entre Intermitências . . .


"Não chegamos realmente a viver durante a maior parte da nossa vida.
Desperdiçamo-nos numa espraiada letargia a que, 
para nosso próprio engano e consolo, 
chamamos existência.
No resto, vamos vagalumeando, acesos apenas por breves intermitências."
Mia Couto


Lampejas-me em momentos
iluminados de prazer,
em que me amas,
chamas tua,
me ateias por completo.

Vens carregado de promessas,
fogo devastador
em que me envolves,
devorando-me inteira
como faúlha em palha seca.

Existo nessas intermitências,
no calor desse ardor,
em que me consomes
de ânsias apressadas,
em que somos fogueira,
queimadura que dói.

Acordas-me da vida fria,
em ousada impaciência,
ao tornar-me viva
na explosão dos sentidos,
no abismo de me ser.

Acendes-me o olhar,
o brilho de desejo,
a vontade despida 
de me consumir em ti,
por entre intermitências . . .




segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

A melodia do silêncio



" E todo o silêncio é música em estado de gravidez."
Mia Couto



Quando me olhas
és música que me harpeja,
melodia que me faz sonhar,
o canto que me enfeitiça.

Quando me tocas
és gemido de prazer,
desejo por fazer,
vontade a recomeçar.

Quando me emudeces
és o som que quero ser,
refrão vicioso, 
ao ritmo de repetições desiguais.

Quando me chegas
és sinfonia de sentidos,
harmonia que me desconjunta,
és o sentido de mim.




sábado, 14 de fevereiro de 2015

Je t'aime com Pablo Neruda


Para não Deixar de Amar-te Nunca

"Saberás que não te amo e que te amo 
pois que de dois modos é a vida, 
a palavra é uma asa do silêncio, 
o fogo tem a sua metade de frio. 

Amo-te para começar a amar-te, 
para recomeçar o infinito 
e para não deixar de amar-te nunca: 
por isso não te amo ainda. 

Amo-te e não te amo como se tivesse 
nas minhas mãos a chave da felicidade 
e um incerto destino infeliz. 

O meu amor tem duas vidas para amar-te. 
Por isso te amo quando não te amo 
e por isso te amo quando te amo. "

Pablo Neruda, in "Cem Sonetos de Amor" 




quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

São gostos . . .



Gosto do olhar que me despe,
das palavras que me extasiam,
do húmido do teu corpo.

Gosto desses dedos marotos,
do que ainda ficou por fazer,
do tanto que me dás.

Gosto de desejos loucos,
vontades doidas,
alheias à sensatez,
do momento prolongado
nesse 'quero mais'.

Gosto do teu gosto,
das tuas conversas carnais,
dos sentires por onde me perco
e me sei.

Gosto do amor com cheiro,
sabor a pele
por entre bocas ávidas,
em bailado desvairado,
ao ritmo da nossa luxúria.

Gosto-te tanto . . .