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domingo, 9 de dezembro de 2018

Por hoje . . .


E o dia cinzento lá fora
alheia-se das chamas
que me aquecem a pele.

Sou só eu!
Eu,
no novelo aquecido
pelo fogo,
no livro em minhas mãos
 onde as letras  se atropelam,
desfazem palavras,
quebram parágrafos
em ritmo de batalha longíqua.

Distraio-me em quietudes de lá de fora
e sobressaltos d'alma.

Medos,
Dúvidas,
Incertezas,
não me vestem,
não me servem.
A modos que se passeiam por ali
em demanda de pouso.

De nada importam.

Mergulho num suspiro,
inflamo naquele lume
do tamanho de Tudo
e sorrio.

Por Hoje,
sou só Eu!


sábado, 1 de abril de 2017

Desjejum


Apetece-me barrar-te
de cima a baixo,
por todos os lados,
como torrada de amor.

A noite foi longa,
vazia de ti,
horas onde se forjaram
fomes e apetites 
por entre sonhos e lençóis.

Desperto no desjejum
de te abocanhar,
trincar,
 sem tréguas ou dietas
onde saboreio cada migalha tua
em satisfação
de resgatar o gozo
na quietação da carência.

Lambuzo manteigas,
doces,
 e não sei que mais.
pela manhã,
na alvorada
do teu coração.

sábado, 11 de fevereiro de 2017

à janela


Vejo-te para além
da tristeza,
para além do cinzento
que me rodeia.

Toco-te sem o saberes,
ao de leve,
tão devagarinho
que ninguém me ouve.

Desejo-te tanto
que meu corpo se contorce
em espasmos de agonia,
aflição irrespirável.

Procuro-te nas brumas
da lembrança,
névoa nascida
desta demanda por ti.

Quero-te sem esta ansiedade
por demais sentida,
como quem está à janela
de outra casa,
de outra rua,
de outro eu.

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Não !


Não!
Não quero ser grito sem eco,
vela sem mastro,
flor sem perfume.

Não!
Não quero ser preço sem valor,
laço sem presente
dor sem sentido.

Não!
Não quero ser estrela sem luz,
nuvem sem vento,
pérola sem ostra.

Não!
Não quero ser confusão sem clareza,
outono sem primavera,
poesia sem vida.



quinta-feira, 28 de abril de 2016

tua


William Oxer

Entardece, amor,
no abraço da noite 
traficante de ilusões.

Tolda-me o sentir do Sol 
que sempre nasce
e a primavera
que sempre chega.

Penumbra-se o mar
em marés que sempre vêm,
umas como quem quer engolir a terra,
outras de mansinho,
em afagos húmidos.

Deixa a névoa encastelar-se
na própria sombra
em brumas sem diferença,
importâncias de outros.

Vem, amor,
no beijo da luz,
olha-me como se fora única
aquela que se despe,,
de alma só tua
para ti.


segunda-feira, 16 de março de 2015

Tudo !




Não te disse já?
Quão tola sou!?

Agarro a lua,
sou o sol,
nada mais que o teu tudo.

Tolice minha,
a de querer ter-te
como luz dona das trevas,
devorar-te por inteiro,
ser buraco negro
de onde não queres voltar.

Fazes-me enlouquecer,
esquecer-me de ciclos,
fases ou tempos
pois se és o  meu tudo,
mundo sem fim,
por onde sou senhora de ti.

Deixa-me que te diga!
Ouve de mansinho!

Minha pele fala-te,
meu corpo te sussurra,
meu coração ecoa 
pelo infinito.

Não ouves?

Sou tudo
onde tu me és tudo.



segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Dores



Respiro o ar difuso
da inquietação,
em noite sem sono,
de coração acelerado.

Escoa-se o tempo,
fico presa na dúvida,
escolha minha,
cárcere de tortura.

Dói-me a alma,
a incerteza de mim,
a vida que não espera,
não explica
e não faz sentido.

Agrilhoada a passados
 que o futuro não convida,
sou refém só,
desabrigada de tecto,
de tudo, afinal.

Peço à Lua 
que me leve a tristeza,
ilumine a escuridão,
seja guia
nesta noite de dores 
sem fim.




domingo, 22 de junho de 2014

Quereres nocturnos


Mima-me, amor.

A noite esfria
na respiração das estrelas
arrepiando-me toda.

Procuro o amornado de ti
enrolando-me em tuas mãos.

Canta o teu ninar
no berço do aconchego
e deixa-me adormecer.

Leva-me as fragilidades,
dá-me de beber teu sabor,
deixa-me respirar teu fôlego.

Minguada em carências
que o tempo plantou,
afaga-me, amor.

São tenros os meus quereres,
dedicados os teus cuidados.

Quero secar as lágrimas
por entre teus braços,
enrolar-me em tua pele
e ser mimada . . . por ti.



sexta-feira, 2 de maio de 2014

Pedido



Serve-me um banquete de meiguice,
doces de tantas cores,
ternura a extravasar copos erguidos.

Não te acanhes e vem.

Dá-me um abraço,
beija-me o sal dos olhos,
não me deixes.

Permite-me que te ofereça fragilidades,
aceita-as,
são-me demais.

Hoje só quero mimo,
o afago dos teus dedos,
o colo do teu corpo,
o embalo do teu olhar,
o agasalho do teu pensamento.

Agarra-me sem favores
e enlaça-me, 
tão somente, 
na minha totalidade.

Não permitas que me vá,
o esfaimado desvario espera-me,
mas eu quero saciar-me em ti.




quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Além no Aquém


Frank Mellech

Aquém da fantasia, 
paira um bafio gélido.

Sentem-se assomos de lembranças,  
ecos de outrora.

Em prisão sem chave, 
o tempo evade-se por rios de instantes.

A ternura desenrola-se do colo do amor,
deixando o seu lugar morno sem dono.

No sonho passante, 
recolho a tristeza desembrulhada.

Escorrem-me líquidos de cristal
pelo rosto refém do passado.

Esqueço bagagens, 
destinos e caminhos.

Cubro-me no véu  do infinito,
vacilo ante a imensidão do incondicionado.

Atrevo-me no além do abismo
e voo no fantástico desconhecido.


quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Bruxa ou Anjo?


Tem instantes que sou bruxa.

Mágica em maldades indecentes.

Despudorada nos sonhos em que voo.

Uma mariposa negra,
linda de assustar.

Sou feiticeira aluada,
vestida de prazeres carnais.

Sombria, passeio os meus fantasmas em noites de insónia.


Tem momentos que sou Anjo.

Nascida  no bem perfumado por flores coloridas.

Uma arauta de branco coberta, libertando pétalas em formas de amor.

Sou querubim caído em sonhos puros.

Reluzente, atravesso horizontes azuis e persigo a luz do Sol.

Afinal, talvez seja apenas uma confusão de pecado sem arrependimento.

Mistura indissociável que sou eu: Bruxa e Anjo !


sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Era Uma Vez . . .



. . . Sombra que queria ser gente, 
fugir da silhueta que imitava.

Escapulia-se na escuridão
onde a existência lhe dava tréguas.

Logo uma nesga de luz
lhe devolvia os contornos,
negando-lhe liberdade.

Insatisfeita,
percorria caminhos impostos,
assumia formas reflexas.

Em noite de Lua Nova
evadiu-se de coração descompassado.

Diluiu-se no véu das trevas e,
já que não podia ser gente,
preferiu ser Nada.

Mar.Maria


quarta-feira, 26 de junho de 2013

À LUA !


Foto By Pérola

Vem, meu amor !
Desnuda-te em noite mascarada de dia !
Vem banhar-te no luar cristalino !
Deixa que a luz te afague o corpo !
Atreve-te na descoberta !

As sombras destapam-me de lençol brilhante.
Vem partilhar o meu esconderijo !
Sê o meu par no bailado cósmico !
Dancemos sob a cumplicidade da arcada celeste !

Sou filha da Lua que abençoa.
Nada temas, ousa-me, te peço !
Agarra-me bem !
Olha-me !
Silencia-me !

Permitamos que o desejo e a paixão sejam os únicos falantes.

Deito-me em terra aquietada pelas estrelas.
Acompanha-me neste repouso aluado !
Vem, meu amor!

Ser eclipse total em alinhamento perfeito de corpo e alma !



sexta-feira, 21 de junho de 2013

Com Chuva


I
O entardecer abafado trouxe nuvens carregadas de  noite. 
Com ela as sombras abraçaram o tempo. 
A atmosfera encheu-se de precipitadas e nervosas gotículas.
 Húmidas, deixavam rasto de si  em ramos de árvores mirradas.

II

Ele vagueava de prancha às costas. 
O mar tinha sido a sua casa durante a tarde. 
Tentara silenciar a mágoa ensolarada da manhã. 
As vagas vigorosas não lhe cansaram a mente.
Somente o corpo lhe estava dorido.

III

Ela espreitava a rua, em ávida exploração . 
A rua enchia-se em lago extemporaneo.
 No calor banhado a silhueta surgiu, do outro lado da rua. 
Correu na liberdade de si e o rosto molhado dele convidava-lhe os lábios sequiosos.

IV

Em sacríficio instintivo as bocas cumpriram rituais desregrados.
A benção da chuva conspirou na ousadia das mãos que desenhavam contornos apetecidos.
Despediram-se da negritude exterior.
Fundiram-se em corpos com sabor a chuva em dilúvios de prazer.
Ela era rio caudaloso onde a enchente dele provocava êxtases profanos.
Tormentas dobradas em aguaceiros providenciais.




sábado, 25 de maio de 2013

A Vela




Movimento-me sem sombra.

Na escuridão o instinto acaricia-me a mão.

Permito a orientação cega do olhar.

Pesa-me o silêncio sombrio,
a ausência de cores.

Caminho neste corredor sem paredes
onde os inúteis sentidos me abandonaram.

Inspiro o ar em busca de cheiros,
quiça do teu.

Em tempo sem horas
canso-me na perdição vestida de trevas.

Procuro a luz redentora duma vela
onde sou a cera e tu o pavio.

No encontro insuspeito
eis que careço de faísca, somente.


terça-feira, 23 de abril de 2013

Sou Fera . . . bravia . . .



Eu, Selvagem, mostro-te as garras.
Movimentos vertiginosos deixam-te desarmado.
Ouso lançar-te olhar carnívoro.
Desequilibras-te na minha insídia.
Estonteado buscas o norte.
Demasiado tarde.
Caíste na minha armadilha.
Acerco-me do teu corpo.
Farejo-te o suor que me faz estremecer.
De pele nua, permito que o vento me despenteie a insinuação.
De quereres silvestres, vontades não domesticadas.
Rude na aparência, cuidadosa na procura.
Sou Fera caçadora, predadora faminta.
Tu, a presa assustada, 
surpreso no momento em que te toco.
Torno-te meu.
Vitima do meu apetite, rendes-te.
Agreste, doce,
sou tudo o que me dás.
No banquete sacio-me de festim apetecido.
Entre gemidos, agatanhamentos e improvisos,
ronrono como gata que encontrou dono.
Amansas-me.
E . . . ao luar transformamo-nos em animais apaixonados.


quarta-feira, 3 de abril de 2013

História de uma Prisioneira ! ?


Furtada nas desoras da sede esfomeada do desejo, abandonou-se ao cárcere sem reservas. 
Conduzida por veredas que sussurravam o seu nome. 
Palavras que lhe recordavam o corpo mergulhado nela. 
Pressentia a pele arrepiada entre gemidos acorrentados em doces demoras. 
Absorvia-se, envolta em ternura, no vácuo do tempo.
Adivinhava cada átomo seu na descoberta das partículas dele.
Cativa na emoção da masmorra acolhida.
Perdera-se!
De Si!
Por Si!
Não ousava achar-se.
Não queria!
Não podia!
Na penumbra a névoa do arrebatamento tomava conta de cada poro.
Murmurava vontades indomáveis que ele abrigava como se fossem suas.
Rebeldes, fugindo ao tempo, ocultos pelo abrigo, enclausurados.
Prisioneira voluntária, caprichosa, teimava na delonga do véu da paixão.
Ansiava mais, por mais...
Mas . . . o Sol veio libertar as horas e soltou-lhe os grilhões.
Os sentidos despertavam no tempo alterado. 
Vagarosamente, desenergizada, num torpor apetecido, acordava no morno perfumado de odores inebriantes.
Espreguiçava-se lentamente, de olhos cerrados. 
Recusava-se a pactuar com a medição dos momentos que a convocavam para a vida.
Vida?
Quem lhe dera continuar no limbo da cadeia onde fora Ela, na nudez da sua essência.



domingo, 24 de março de 2013

Cúmplices da LUA ☪




Apanha-me . . . na Lua Nova.
Antes que a noite estenda os seus braços
tornando-me em sombra fugidia.

Segura-me . . . na Lua Crescente.
Vem prender-me pela cintura
observando as negras pupilas a dilatarem-se.

Agarra-me . . . na Lua Cheia.
Deixemos a luz envolver nossos corpos
em hinos de graças ao Universo.

Tranca-me . . . na Lua Minguante.
Abandonemo-nos aos ciclos de prazer.
Instante regidos na cumplicidade lunar.

Nos vales encantados, do feitiço do querer insaciado e louco.
Nos picos arrebatados onde não sou mais eu e tu és mais meu.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Ilusão




Delírio
que me arranca da realidade.

Alucinação
que me tranporta para a fantasia.

Desvairio
que me deixa de cabeça oca.

Loucura
que me faz sonhar.

Estusiasmo
que me impulsiona.

Insânia
que me deixa irreconhecível.

Demência
que me torna cristalina.

Alienação
que me faz perder-me.

Devaneio
que me deixa sem tino.

Pesadelo
que me prende.




sábado, 7 de julho de 2012

Sopro

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Os sentidos estão dormentes, a mente passeia-se.
No mesmo instante, sonhos são trespassados pelo arrepio morno.
O ar em movimento faz tenções despertar a preguiça.
Esta recusa-se, convicta.
Um torpor apetecido, voando na atmofesfera da fantasia.
Insiste, a alheia cobiça que sopra; nova aragem é experimentada.
Instala-se renovado calafrio que materializa a realidade.

Ah! Afinal, és só tu que me massajas o pescoço com teus lábios, soprando, de mansinho, para me dares os bons dias.