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sábado, 9 de fevereiro de 2019

Sonhando


Há sonho pairando
no horizonte
para lá do que vejo,
para além do que imagino.

Navega por céus
nunca antes vislumbrados,
nunca antes vistos.

Está longe,
tão longe
como minha alma
chamando o que sou.

Há sonho distante,
profundo,
viajando sem rumo
à espera de mim.

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Que te posso eu dar?

Que te posso eu dar?

Apenas uma mão cheia de mim,
vida de raízes sem chão,
terra onde me semeio,
floresço
e desvaneço.


Somente uma caricia de saudade,
de outros tempos
por onde ervas 
se derramaram,
ocultando as pétalas
que te perfumaram
em minhas mãos.

Que te posso eu dar?

Tão só uma insanidade
de te querer,
vontade de matar minha
sede de ti
nesta espera muda
do teu toque,
do teu beijo,
qual seiva
correndo no meu corpo
em ânsias de saciar o teu.


sexta-feira, 2 de junho de 2017

casa fechada


Veio o vento 
e soprou
tempo 
em casa
que não era minha,
teceu
fios de saudade,
embaraços,
que me toldam o olhar
porque tu
já não moras aqui.

Chegou a madrugada
e acordou
outro dia,
outra história,
outra fechadura
de chave própria
onde eu
já não tenho morada.

terça-feira, 18 de abril de 2017

escondendo-me


coube numa caixa escura
o meu medo,
a minha alma
cortada pelas nesgas de luz
insistentes no chamamento
de outro eu.

confinei-me em espaço escasso,
pequenez definida,
no receio de outras dimensões,
da vastidão do mundo,
de flores por desabrochar
e mares por navegar.

Sabotei vontades,
quereres, desejos
e sonhos
sabendo da minha dor,
perdida algures por aí,
em mim, talvez.

domingo, 19 de fevereiro de 2017

teu último beijo



Guardo teu último beijo
a sete chaves,
poção de amor
húmida,
sabor de mim
na tua boca.

Não me chames louca
pois 
se não me deixas escolha,
ou te guardo
ou te odeio.

Ajeito este meu tesouro
em minha mão,
frágil cristal,
cravado na memória
de meu ser.

Fecho a caixa
de outros dias,
outras vezes
onde me fui
louca,
quiçá.

Arrumo o liquido
do meu olhar,
amor salgado,
o mar,
 teu último beijo.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

do teu colo


Meu amor não é simples,
não é linha reta
e não é frágil.
Não!

Meu amor é embaraçado,
é novelo sem ponta
e é forte.
É!

Meu amor tem dia sem hora,
ano sem começo,
contorno sem arte,
ferro sem solda.

Meu amor me faz enfrentar
 tempestades dispersas,
nesse jeito de amar,
despovoado de primaveras,
onde o fio do coração
pende no metal sem ouro,
por entre frios antigos.

Meu amor traça o ar,
em movimentos impulsivos,
oxigenados na busca 
de miragens ásperas,
na esperança da fundição morna
do teu colo.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

balada triste

Fazes ritmo na toada
em harmonias improváveis,
na textura dos sentidos,
que se bailam
por entre dedos
e solfejos soltos
em pressas demoradas.

Tocas perfumes
de outros aromas,
de outras cores,
de outros tons.

És assim,
maestro e instrumento
de esquecimentos em sinfonia,
orquestra e batuta,
de delírios meus 
ao te querer,
em filarmónica,
por pautas nossas
no dó por ti escolhido,
restando-me no refrão
por acontecer.

Racionalizas cores,
os sons da música,
pulsar do meu ser,
cadência solta 
nas lágrimas 
de nevoeiro 
por onde me cego
nesta balada triste.


terça-feira, 24 de janeiro de 2017

sou-me



Sou-me em outras eras,
outras histórias,
outras vidas,
sonhos e desejos
escritos em miragens,
ilusões,
sombras 
do que quero.

Escrevo-me em pergaminhos.
 desbotados,
com letras confundidas,
nas palavras trocadas
de tempos sem vida,
em dores mal apagadas.

Sou-me na escrita triste
de verso sem rima,
poema por escrever,
angústia na inquietação
de me alinhavar 
em rascunhos carentes
de tinta,
de caneta,
de mim.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

impressões musicais

´
São 
     Lembranças,
vestígios inscritos
em minh' alma.
    Sensações,
traços tatuadas
em minha pele,
     Ecos,
melodias pautadas
em minha medula.

É
a música da tua impressão
que me faz dançar
neste  rodopio lento
de te amar com som.


quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

ensaio para S


Engarrafei aquele amor de outrora,
os beijos roubados
e outros tantos por dar.

Foram oceanos de ti,
trazidos em marés sem gaivotas,
de horizontes rasgados
com lâminas de inocência.

Guardei-te em lágrimas
salgadas como
embargos enfrascados
nas inquietações
do meu (nosso) querer.

Selei o teu corpo no meu,
a humidade da tua pele na minha boca
em eternidade fechada a sete chaves
de acesso restrito.

Fui flor colhida,
seiva derramada no viço
desse amor de outrora.

Tapei ousadias,
atrevimentos e partes de mim,
restando-me no todo
sem ti.


domingo, 8 de janeiro de 2017

encarcerada



Erguem-se paredes,
fecham-se jardins,
esgotam-se ares
na masmorra de me ser.

Soltam-se cheiros a bafio,
passados trancados,
entre quatro paredes
onde a respiração
se dificulta.

Sei duma nesga,
pequena janela
do lado de fora
onde o ar é puro
e o perfume das flores
me fazem sonhar.

Quero rasgar 
esse pequeno nada,
esventrar a brecha
com unhas,
dentes,
e tudo o que me restar.

Viro-me do avesso,
procuro forças
em busca desse lado de  fora,
porque,
por aqui,
tudo é escuro,
tudo é fechado,
em asfixias
onde perco a consciência,
a vontade de me ser.

Fechadas portas,
acessos
e travessias,
há que transcender 
a ausência de luz,
tem de ser . . .


sábado, 7 de janeiro de 2017

dança com flores


Oferece-me flores,
brancas,
harmonia perfumada
enlaçada
nas tuas mãos.

Simples,
como meus balanceios
desassossegados,
seguros em teu corpo.

Oferece-me flores,
belas,
como a música
entoada ao ritmo  
da nossa private dance.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

histórias


Desenrola-se a narrativa
como pergaminho antigo,
enrolado sob pedaço de cordel,
atada no fio do tempo.




Sou uma vida
de começos vários,
recomeços ainda mais
sem me faltarem inquietações,
dúvidas e falta de chão.

Falto-me a mim,
meu maior medo,
sobro-me em aparas de arrependimentos,
escorro-me no não
quando me apetece sim.

Oh! História da minha vida!
Vem contar-ma outra vez!



terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Não !


Não!
Não quero ser grito sem eco,
vela sem mastro,
flor sem perfume.

Não!
Não quero ser preço sem valor,
laço sem presente
dor sem sentido.

Não!
Não quero ser estrela sem luz,
nuvem sem vento,
pérola sem ostra.

Não!
Não quero ser confusão sem clareza,
outono sem primavera,
poesia sem vida.



quinta-feira, 22 de setembro de 2016

sem mãos


Faço o mundo
com uma mão cheia de nada
e outra vazia de tudo.

Tenho na mão
um punhado de alguém,
flores de outras sementeiras,
pedaços de outras partes.

Floresço-me por entre dedos
nascidos por aí,
em raízes íntimas
da natureza em germinação.

Sou-me vida bravia,
perdendo-me e achando-me
na palma da mão,
minha ou, talvez, não.

terça-feira, 14 de junho de 2016

ao sol-pôr

Há um sol que se põe,
há um caminho que me aguarda,
há um barco que me chama.

Há praia perdida
que me diz para ir,
chamamento de luz
em tempos que se esgotam.

Há que meter pés ao caminho,
entrouxar dúvidas, certezas
e partir com coisanenhuma.

Há alguém que me espera,
em entardecer que me demora,
pois se a vida é fugaz,
breve no seu sopro
e as marés se impacientam.

Há que ir,
encontrar rasto dessa invocação,
perder-me e achar-me,
em terras reservadas
por onde me ouso,
em busca do sol que se põe!


sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Sou flor



Na preguiça morna daquele abril
soltaram-se sementes
por terra solta
como colheita prometida.

Fui flor ao acaso
em jardim de pai presente
com mãe ao sabor do vento.

Eis-me herdeira da avó margarida,
desabrochada no regato do agrião
naquela horta colorida,
uma flor única,
menina de viço inocente
pois se os cuidados eram tamanhos.

Daquelas sementes encontradas
na primavera última,
perdi-me em janeiro
rasguei mundos,
nasci 
e para sempre desassosseguei.







domingo, 29 de novembro de 2015

Trilhando



Piso as fendas deste chão estéril,
procuro as estrelas da ponta do teu indicador,
a vida adivinhada nas tuas palavras
ou no deserto delas.

Vinco-me nas rugas do tempo,
alheia à vastidão de outros céus,
trilhos húmidos por onde te encontras.

Cicatrizo-me neste vão de bainha descosida,
querendo a água fresca que se descortina,
 mais ali,
como prémio desta míngua.

Esgueiro-me em dobras tuas,
sinto-te o fôlego,
a frescura dos teus lagos,
e sei da minha chegada.



quarta-feira, 23 de setembro de 2015

em outono


Mauvais
Randall Hobbet
2015

Definham as marcas,
dos dias longos,
do dourado beijado 
pelo sol em areias 
já baças.

Atrofiam os tempos 
de luz sem relógio,
da claridade constante
do verão que
que se esvai.

Enfraquecem as árvores
em época de colheita
na promessa de  nova semente.

Murcham as folhas
em tons quentes,
qual ironia outonal,
a abrir caminho
à frialdade
que se adivinha.

Renunciam as planícies verdejantes,
restam as mínguas desfloridas,
o hibernar na nudez crua
da espera
de nova primavera.


segunda-feira, 27 de julho de 2015

! Com Medo !


Adivinho água fresca
no ribeiro 
que tropeçou em mim.

Hesito na travessia,
as pedras estão soltas,
escorregadias,
a desafiarem-me
em chamamento ardiloso.

Há um caminho,
mais além,
a vereda que devo escolher.

Que faço?
Pois se meus pés se calçaram
no medo . . . de mim . . . do mundo.