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domingo, 13 de abril de 2014

. . . confusa . . .



Há palavras que se apertam
na boca selada pelo silêncio.

Sou campo de batalha visceral
em conflito com a normalidade.

Pesam-me os excessos
de sílabas, entoações e pontuação.

Grito mudez em quietude adoentada,
invisível na dessemelhança de  mim.

Renego-me e fujo em pés pesados,
corpo carregado do que não disse.


Sei da recusa de regularidades carrascas,
mas desconheço caminhos únicos, só meus.

Pesam-me pensamentos,
este amor que não sei pegar,
as letras que me habitam.

Povoam-me singulares vontades
em pluralidades que me impedem
de ser normal.

Assim,
encho-me em engordas suicidas.

Nutro-me do íntimo,
prisioneira (en)farta(da),
quando só me quero soltar.


terça-feira, 1 de abril de 2014

Grão de Areia



Sou areia perdida
em areal tocado pelas marés,
rolando ao sabor de ventos,
de  rumo incerto,
p'ra aqui estou.

Fiz parte de rochedo,
fortaleza ilusória,
fragmentada por tempestades sem nome.

Mero grão sou eu,
varrida pela vastidão do ser que desconheço,
confundida por outros similares,
parecenças fantasiosas.

Dou-me aos elementos,
deixo-me ir,
sou mera areia perdida!




P.S. Obrigado pelos simpáticos conselhos e partilhas à cerca do problema com os seguidores. Que seria de mim sem vocês?

sexta-feira, 28 de março de 2014

No tempo . . . sem tempo . . .



O Sol nasceu tantas vezes,
tal como os teus beijos.

Vieram andorinhas que partiram,
estações giraram em tempos perdidos,
tal como o teu olhar.

As marés sucederam-se
em sorrisos e lágrimas alternados.

Viajaste tanto,
soltando recordações,
marcas entranhadas em mim.

Perdi-me em contagens inúteis,
instantes de deusa,
outros tantos de migalha.

Olha o que as órbitas terrestres me fizeram:
plantaram um coração escavado em meu peito!

E Tu!
Foste escultor, 
arquitecto do meu sentir.




segunda-feira, 24 de março de 2014

Conjuntiva




Quisera eu  . . .

          . . . cachos dos teus beijos,
impossível o contentamento  de um só.

          . . . revoada de teus desejos,
céu pintado na cor da tua vontade.

          . . . chuvada de teus olhos,
banho que me despe corpo e alma.

          . . . laçadas dos teus abraços,
nós cegos que se querem mais apertados.

          . . . loucuras desmesuradas,
doce perdição do 'sim'.

          . . . ramos do teu cheiro,
nuvens perfumadas por onde gosto de me perder.

          . . . punhado do teu corpo,
manjar com sabor a pouco.

Neste ser conjuntivo,
fora feliz na dúvida,
navegara por incertezas de ti,
apertara teu amor que se fizera meu,
sentira outro 'eu'
na ausência de outros tempos.


segunda-feira, 17 de março de 2014

Enovelada



Aturdida em espantos duvidosos
enovelo-me em fios,
atalhos da vida dramatizados por mim.

É um enredo de pontas soltas
onde o 'puxar' embaraça ainda mais
e os nós se multiplicam.

Estico-me, 
dobro-me,
escondo-me,
na dificuldade que me abraça
e chama sua.

Sem resultados no desaperto,
o novelo adensa-se 
no alimento que sou eu.

Invoco o sossego enganado,
giro na minha própria teia redonda,
esperando uma fresta no descuido.

Sou um labirinto em forma de meada,
onde, 
somente,
 a paciência tem permissão
de me desnovelar,  
de me trazer à vida.



quinta-feira, 6 de março de 2014

Escorro-me . . .



Escorro-me . . . 
em sentidos duvidosos,
sem perceber porquês.

Esvaio-me . . . 
neste gotejamento infindável
de inquietações que me desenham.

Derramo-me . . . 
dissolvida na dúvida
formando charcos de cheiro a mim.

Pendo-me . . . 
para vidas que sabem o meu nome
e perco-me no caminho.

Consumo-me . . . 
no esvaziamento das minhas nascentes
formando riachos onde a minha voz ainda se ouve.

Evaporo-me . . .
em sentires gasosos
de vontades transparentes.

Diluo-me . . . 
no deslizamento contínuo
em que minha alma se escoa.

Escondo-me . . .
nos escombros do meu corpo
soterrada no cansado 'Eu'.

Escorro-me . . . 
em  hemorragias do tempo.



terça-feira, 4 de março de 2014

No teu Abraço



Enlouquece-me a febre do teu aperto, 
desfaleço na braseira do abraço.

Tu sabes.

Por isso me acolhes na argola dos teus braços,
agigantas-me em nós cegos.

Preciso desse abraçamento,
alimento dos meus vazios,
fusão quente onde me encontro.

Peles de identidade nuas,
que se procuram em inteirezas sem corpo.

Perco-me no abandono dos teus braços,
fortes,
que aniquilam vontades de dissolução.

No teu abraço
sou eu
e isso basta (-me).



domingo, 16 de fevereiro de 2014

Quem sabe ?


Semente nua,
lançada ao vento,
com delírios de raiz.

Não !

Sou apenas mulher,
fruto do acaso
ou de desejos irreflectidos.

Quem sabe?

Nua me sinto.
Semente serei.
Fruto que amadurece em sóis passageiros.

Procuro véus que me cubram,
adornos que me embelezem,
a essência que despudoradamente reclama.

Inquieta, ao sabor do vento,
tenho as dúvidas como amigas,
a incompletude como leito.

Sou pó cósmico,
respiro existência de sentido incerto,
desapareço-me em mim.

E o sopro desta brisa,
que me faz sonhar,
deita-me entre mantos transparentes.

De silhueta definida,
continuo nua,
de interiores  vazios . . . à espera.





quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Intemporal



Vieram as tardes e as manhãs.

Passaram nuvens e o Sol se cansou.

Um vaivém na arena das estações
onde orvalhadas se achavam de razões.

Abriram-se botões germinadas
em tempos consumidos de folhas caídas.

Na ferrugem da sabedoria
a azáfama não dava tréguas.

A respiração marcava o ritmo
onde as horas e a deshoras 
se regava a vida.

Atravessaram outros por caminhos,
onde eu passo, 
de mofos sacudidos
e  cotão cosido na  pele que me aquece.

Há um bafio perdido em relógios
que marcam nascimentos,
recomeços e cheiro a novo.

Despertaram sorrisos adormecidos
em promessas com cheiro a rosas,
filhas repetidas na intemporalidade.

Futuro perdido em passados
tornados presente,
de conjugação desnecessária,
em mescla de padrões de sempre.



quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Sou Mágoa



Parto-me em pedaços,
que abrem vazios cheios de nada,
de preenchimentos incertos.

Despojo-me do sonho,
quiméricas fantasias de mim,
sombras turvas do  ser.

Dispenso-me na vontade,
querer doente,
que me transforma em fantasma.

Perco-me em fragmentos,
pedaços frágeis,
pétalas levadas na brisa.

Adormeço-me na canção do choro,
melodia sem pauta,
sabores de minha boca.

Afundo-me em mares de tristeza,
imensidão descolorida,
casa que me abriga.

Abandono-me, 
a forças alheias,
como cinza de fogos de outrora,
pó derramado em lágrimas.




terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Escrevo-te



Escrevo-te, 
desalmadamente,
como quem não quer perder vírgula.

De tanto escrever
as mensagens não acharam destino
e tornei-me livro sem paginação.

Alteraste o endereço
ou mudei-me de mim.

Não sei.

Os meus dedos continuam,
agarrados ao vício da caneta,
em escriturações de destinatário ausente.

Escrevo-te,
com palavras doentes,
no medo que não te lembres de mim.

Esvaio-me na tinta,
percorro papel em branco,
sou letra ou mulher.

Já não sei.

Apenas te escrevo . . .


quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Além no Aquém


Frank Mellech

Aquém da fantasia, 
paira um bafio gélido.

Sentem-se assomos de lembranças,  
ecos de outrora.

Em prisão sem chave, 
o tempo evade-se por rios de instantes.

A ternura desenrola-se do colo do amor,
deixando o seu lugar morno sem dono.

No sonho passante, 
recolho a tristeza desembrulhada.

Escorrem-me líquidos de cristal
pelo rosto refém do passado.

Esqueço bagagens, 
destinos e caminhos.

Cubro-me no véu  do infinito,
vacilo ante a imensidão do incondicionado.

Atrevo-me no além do abismo
e voo no fantástico desconhecido.


segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Quantas vezes . . .




Quantas vezes . . . a olhar o mar,
quando  as marés se sucedem,
deixo a saudade ir-se na espuma.

Quantas vezes . . . de noite,
quando o sono se vai,
adormeço em pensamentos despertos.

Quantas vezes . . . na sombra,
quando a luz se esconde,
enrolo-me em mim.

Quantas vezes . . . na ternura,
quando o calor do amor se acende,
invadem-me arrepios de prazer.

Quantas vezes . . . com desamores,
quando a melancolia se agiganta,
reduzo-me em poeiras carentes..

Quantas vezes . . .no desvario,
quando sou mais do que eu,
pairo em nuvens chorosas.

Quantas vezes . . .  no limite,
quando as fronteiras perdem as suas linhas,
transformo-me em apátrida sem tempo.

Quantas vezes . . . no imprevisto,
quando as surpresas me aprisionam,
sorrio nas mudanças desassossegadas.

Quantas vezes . . . nas palavras,
quando os sinónimos desconhecem dicionários,
perco-me em anárquicos versos.

Quantas vezes . . . na tentação,
quando o desejo me visita,
digo-lhe que sim.

Pérola

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Nas mãos




Tenho nas mãos um sopro,
uma vertigem,
a madrugada desenhada em orvalhos.

Seguro um querer desmesurado
pintado de vontades incontroláveis.

Agarro horizontes que me olham
em chamamentos gulosos,
promessas irrecusáveis.

Mãos minhas!

Onde cabe o mundo apetecido,
sentires de pele,
toques reveladores.

São abismos e serranias,
onde me perco por entre frescos labirintos,
com cheiro silvestre
de amores livres.

Falam-me de ti,
dos segredos,
esconderijos do teu corpo,
dos gemidos do teu desejo.

Tenho nas mãos encantos,
desfalecimentos suspirados,,
delírios errantes,
o apetite de ti.



domingo, 29 de dezembro de 2013

Com frio . . .



A aridez húmida da praia desencorajava-o. Na proximidade do oceano, inspirava afagos de maresia. Sozinho caminhava enterrando as emoções que teimavam ensurdece-lo. Triste, desiludido, Ele fora mais uma vez vítima de si, da sua credulidade.
O seu tempo era incondicional, a sua forma abrangente. Não conseguia conceber que doutra maneira fosse.
A dor não se gastava na perda de energia, no trilho arenoso do afastamento.  Desejava o entorpecimento do cansaço. Desistir seria saída fácil. 
Demasiado sensível para a indiferença, aguardava o tempo como cura de cicatrização. Sucumbido pelo desgosto tentava encontrar algum conforto num qualquer sinal.
Nada.
As gaivotas recolhiam-se em terra, protegendo-se do arrefecido ar.
O Amor também tinha frio . . .

domingo, 15 de dezembro de 2013

Triste



Com os músculos doridos a reclamarem, despertou. O  passeio forçado prolongara-se no tempo bem como  o sentimento torturado da rejeição que a asfixiava. 

Ainda não percebera o que lhe doía mais, a sua credulidade ou o desamor alheio. Estava irritada, furiosa, consigo, com o mundo e principalmente com Ele. 

Bem, as prioridades estavam trocadas. 
A bem da verdade, Ela era a principal responsável. 
Nos outros não tinha controle e só lhe restava a opção de aceitar ou optar por qualquer outro tipo de relação, inclusive a indiferença.

Deixou-se levar pelo trilho de madeira enquanto o cansaço aguardava pelo tempo. Desanimada, parou no final do pontão e absorveu aquele fim de tarde. 
Como se fosse a última inspiração!

A baía perfumada de maresia convidava-a a juntar-se-lhe. Banhar-se de tal forma que a limpeza lhe levasse as tristezas.

Descalçou-se e ao sentar-se os pés foram acariciados pelo veludo gélido do mar. O arrepio veio de imediato e fê-la esquecer-se, por instantes, da mágoa tatuada em si. Uma marca que transportaria para sempre. Cicatriz ainda em chaga, arrependimento sem volta.

À dor insuportável respondeu com um arrancar de vestido.
Mergulhou e deixou de sentir . . . penas amorosas.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Là-bas, Je Ne Sais Où...




(...)Partir!

Nunca voltarei.

Nunca voltarei porque nunca se volta.

O lugar a que se volta é sempre outro.

A gare a que se volta é outra.

Já não está a mesma gente,
nem a mesma luz,
nem a mesma filosofia.


Partir! Meu Deus, partir! Tenho medo de partir!...

Álvaro de campos


quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

O teu Sim !



De mãos vazias,
despida de vãs necessidades:
Leva-me contigo!

Por entre voos livres,
de essência cristalina:
Vem-me buscar!

Lavada pela chuva,
de ser húmido e cabelo molhado:
Espero  por ti!

Com a dor adormecida,
mágoas e lágrimas ausentes:
Aguardo o teu Sim!

Pérola

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Descanso



A lentidão morna espreguiça-se
no gozo do tempo.

A macieza do conforto tarda-se
em ócios ímpios.

A placidez serena dormita
nos colchões da imaginação.

Há um sossego que se respira
em ares calmos.

Adiam-se despertares desalinhados
com vontades passivas.

É o descanso que faz uma visita.

Acolho a imprevisão
em campos repousados.

Observo sem pressas,
sinto em vagares.

Hibernação vulnerável
em necessidade sem motivos.

Descanso ... apenas.

Pérola


quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Morro e Renasço !



Nasço e  renasço
em metamorfoses salpicadas  de dor.

As flores perfumam-me ao acaso,
o mar salga-me em ondas trocistas
e a escrita partilha-me em palavras sem sinónimo.

As tuas mãos cobrem-me o corpo,
fonte de bálsamo para esta dor em que morro.

Não te vás!
Assiste-me no último suspiro,
acolhe-me no primeiro choro.

Sou como a Lua,
de fases que se extinguem,
percorrendo tempos de fim anunciado.

Saboreio cansaços,
derrotas, vitórias,
assistindo aos meus recomeços.

Sou simplesmente eu,
incompleta, 
em busca constante,
de mim, 
do Mundo, 
do Nada ou do Tudo.

Pérola