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domingo, 9 de dezembro de 2018

Por hoje . . .


E o dia cinzento lá fora
alheia-se das chamas
que me aquecem a pele.

Sou só eu!
Eu,
no novelo aquecido
pelo fogo,
no livro em minhas mãos
 onde as letras  se atropelam,
desfazem palavras,
quebram parágrafos
em ritmo de batalha longíqua.

Distraio-me em quietudes de lá de fora
e sobressaltos d'alma.

Medos,
Dúvidas,
Incertezas,
não me vestem,
não me servem.
A modos que se passeiam por ali
em demanda de pouso.

De nada importam.

Mergulho num suspiro,
inflamo naquele lume
do tamanho de Tudo
e sorrio.

Por Hoje,
sou só Eu!


sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

Quarto


Há um quarto por aí,
na encruzilhada
de estradas
e caminhos,
onde nascem
pérolas,
rosas,
e outras
cousas  minhas.

Há um quarto por aí,
na linha do tempo,
onde cascatas
do teu ser
se derramam
em meus olhos
e a tua pele
me sacia
a fome de amor.

Há um quarto por aí,
no rio manso
da saudade,
onde sei de mim
ao percorrer
teu corpo
morno
por entre veludos
e ganas de te querer mais.


sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Navegando



Que faço eu
a este sentir?
A estas mãos
com fome de ti?

Que faço eu?

Navego neste livro
meio escrito,
muitos mais
por desfolhar,
vontades sublinhadas
com a ternura
do teu olhar,
de teu corpo
em ânsias pelo meu.


Que faço eu,
 meu amor, 
a tanta saudade tua?


quinta-feira, 24 de agosto de 2017

promessas



fazes juras de amor
como quem oferece uma flor,
promessas perfumadas
por entre pétalas
cor de rosa.

sussurras brisa
de outro mar,
palavras de outras cores,
horizontes sem fim
e eu acredito.

Oh! Vã ilusão!

em pedaços recebo a rosa
aromas e cores prometidas.

mares e oceanos se esvaziaram,
palavras ecoaram no vazio
daquela fronteira
onde o coração despe a fantasia.

segunda-feira, 26 de junho de 2017

no limite



lá fora 
sopra uma brisa
paciente
como a esperar por mim,
chama-me
em sussurro
de desafio,
sem promessa
ou contrato por assinar.

está lá,
existe,
para além 
do que sou,
para além 
do que sinto.

chama-me
o desconhecido,
diz meu nome
sem pressas
porque
sabe de meu vazio
de eu estar aqui
na busca incerta
de outros ares,
de outro mundo,
de outros 'eus'.


sexta-feira, 2 de junho de 2017

casa fechada


Veio o vento 
e soprou
tempo 
em casa
que não era minha,
teceu
fios de saudade,
embaraços,
que me toldam o olhar
porque tu
já não moras aqui.

Chegou a madrugada
e acordou
outro dia,
outra história,
outra fechadura
de chave própria
onde eu
já não tenho morada.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

do teu colo


Meu amor não é simples,
não é linha reta
e não é frágil.
Não!

Meu amor é embaraçado,
é novelo sem ponta
e é forte.
É!

Meu amor tem dia sem hora,
ano sem começo,
contorno sem arte,
ferro sem solda.

Meu amor me faz enfrentar
 tempestades dispersas,
nesse jeito de amar,
despovoado de primaveras,
onde o fio do coração
pende no metal sem ouro,
por entre frios antigos.

Meu amor traça o ar,
em movimentos impulsivos,
oxigenados na busca 
de miragens ásperas,
na esperança da fundição morna
do teu colo.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

balada triste

Fazes ritmo na toada
em harmonias improváveis,
na textura dos sentidos,
que se bailam
por entre dedos
e solfejos soltos
em pressas demoradas.

Tocas perfumes
de outros aromas,
de outras cores,
de outros tons.

És assim,
maestro e instrumento
de esquecimentos em sinfonia,
orquestra e batuta,
de delírios meus 
ao te querer,
em filarmónica,
por pautas nossas
no dó por ti escolhido,
restando-me no refrão
por acontecer.

Racionalizas cores,
os sons da música,
pulsar do meu ser,
cadência solta 
nas lágrimas 
de nevoeiro 
por onde me cego
nesta balada triste.


terça-feira, 24 de janeiro de 2017

sou-me



Sou-me em outras eras,
outras histórias,
outras vidas,
sonhos e desejos
escritos em miragens,
ilusões,
sombras 
do que quero.

Escrevo-me em pergaminhos.
 desbotados,
com letras confundidas,
nas palavras trocadas
de tempos sem vida,
em dores mal apagadas.

Sou-me na escrita triste
de verso sem rima,
poema por escrever,
angústia na inquietação
de me alinhavar 
em rascunhos carentes
de tinta,
de caneta,
de mim.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

impressões musicais

´
São 
     Lembranças,
vestígios inscritos
em minh' alma.
    Sensações,
traços tatuadas
em minha pele,
     Ecos,
melodias pautadas
em minha medula.

É
a música da tua impressão
que me faz dançar
neste  rodopio lento
de te amar com som.


domingo, 8 de janeiro de 2017

encarcerada



Erguem-se paredes,
fecham-se jardins,
esgotam-se ares
na masmorra de me ser.

Soltam-se cheiros a bafio,
passados trancados,
entre quatro paredes
onde a respiração
se dificulta.

Sei duma nesga,
pequena janela
do lado de fora
onde o ar é puro
e o perfume das flores
me fazem sonhar.

Quero rasgar 
esse pequeno nada,
esventrar a brecha
com unhas,
dentes,
e tudo o que me restar.

Viro-me do avesso,
procuro forças
em busca desse lado de  fora,
porque,
por aqui,
tudo é escuro,
tudo é fechado,
em asfixias
onde perco a consciência,
a vontade de me ser.

Fechadas portas,
acessos
e travessias,
há que transcender 
a ausência de luz,
tem de ser . . .


sábado, 7 de janeiro de 2017

dança com flores


Oferece-me flores,
brancas,
harmonia perfumada
enlaçada
nas tuas mãos.

Simples,
como meus balanceios
desassossegados,
seguros em teu corpo.

Oferece-me flores,
belas,
como a música
entoada ao ritmo  
da nossa private dance.

domingo, 1 de novembro de 2015

Como sobreviver sem PC ? ? ?



Quis o destino, o Universo ou simplesmente o acaso que o meu portátil se avariasse.
E agora ? ? ?
Como sobreviver . . .

Por um lado, 
venho justificar a minha ausência na Blogosfera
e, por outro,
manifestar as enormes saudades 
(sim, saudades, bem à portuguesa)
de te visitar,
de teclar palavras que ecoam e sempre encontram respostas
e muito carinho.

Por agora, aguardo que que o meu computadorzinho se recupere depressa.

Voltarei depresssinha, assim o espero.

Beijinhos !!!






quarta-feira, 23 de setembro de 2015

em outono


Mauvais
Randall Hobbet
2015

Definham as marcas,
dos dias longos,
do dourado beijado 
pelo sol em areias 
já baças.

Atrofiam os tempos 
de luz sem relógio,
da claridade constante
do verão que
que se esvai.

Enfraquecem as árvores
em época de colheita
na promessa de  nova semente.

Murcham as folhas
em tons quentes,
qual ironia outonal,
a abrir caminho
à frialdade
que se adivinha.

Renunciam as planícies verdejantes,
restam as mínguas desfloridas,
o hibernar na nudez crua
da espera
de nova primavera.


terça-feira, 26 de maio de 2015

O Mundo és Tu !



O mundo és tu,
nele me sei
ao perder-me
por não saber de ti.

Levaste-me 
para parte incerta
ao soltares a resignação
do mal acorrentado
em teu respirar.

Partiste,
quebrando meu chão,
deixando-me só
na deriva de me tentar ser.

O mundo ainda és tu
por onde te procuro,
te busco,
em pescarias de outrora,
sem a paciência 
de me igualar a ti.

Na ausência
de teu farol,
resto-me na saudade,
desisto-me,
em renúncias
que nunca aprovarias.

Amo-te tanto!

Foste, 
és 
e serás 
o meu grande amor.
(Não possuo outra forma de amar.)

Aguardo o teu resgate,
o teu sinal,
por mim,
onde o mundo és tu.


Margarida Farinha





quinta-feira, 26 de março de 2015

Com saudades . . .


O tempo trouxe o pó das recordações,
o cheiro de rio na minha pele,
aqueles anos onde cresci,
sem o saber,
sendo feliz na aventura.

Na sombra do tempo,
vieram as saudades,
a consciência do que sou
pelo que fui
ou deixei de ser.

Lavei o presente desse tempo,
sacudi o pó das suas botas,
limpei o seu caminho
e por ele me embrenhei,
destemida,
em demanda de voltar a ser.

Uma vez mais,
dependuro a infância,
a secar do banho de nostalgia,
ainda a escorrer lembranças
da menina que sou.


sexta-feira, 13 de março de 2015

Mergulho de mulher



No instante mais veloz
que o pensamento
viajo no salto das sensações.

Sou assim,
como velocidade furiosa,
percebendo
que já lá não estou,
sempre adiante,
mais à frente.

Puxada pelo tempo,
ainda olho para trás,
chamando-me,
vendo os arrastados pensamentos
na minha sombra,
lá atrás.


Quedo-me,
mas já mergulhei,
sem saber,
em mim.





quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Ilusão



Por aqui me perco,
solto estas cordas que me prendem
e me querem inteira.
Deixo os fragmentos
com meu nome
subirem no ar quente da maresia.

Por aqui me sou,
mais inteira
quando dividida,
na imensidão do mar,
na liberdade azul.

Por aqui me sonho,
sugada nesse raio de sol,
de alma morna à deriva,
sem passados tortos
somente com instantes de mim.

Por aqui a felicidade
não é quimera,
ilusão de quem se amordaça
como a vida  que escolhi.

Por aqui quero ir,
mas desconheço o caminho,
o traçado que sei existir,
restam-me os ecos do meu grito
de querer . . . me perder.





terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Tem dias



Tem dias em que o céu chora,
derrama seu pranto sobre nós,
esconde o sol,
esvai-se em lágrimas sem sal.

Tem dias em que a morte suspira,
estende seu manto sobre nós,
recolhe a vida,
espraia-se em recomeços sem final.

Tem dias em que o nascimento acontece,
sopra seus ventos sobre nós,
usurpa a felicidade,
oferece-se em sorrisos sem sinal.




quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Dramática



Quando te foste
veio-me à boca o doce
de te pedir para ficares.

Quando te foste
o vazio tomou conta de mim
como se a vida parasse.

Quando te foste
lancei-te um feitiço
para que te lembrasses de nós.

Quando te foste
esfumei-me na ausência do que sou 
quando estás aqui.

Quando te foste
catei as migalhas no lençol
do teu amor que desejo.

Quando te foste
desvairei nas sombras
tornei-me reflexo,
dramática amante
com nada.