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quinta-feira, 27 de junho de 2019

era...


Era vida suspensa
em molas frágeis
como gelo ao amanhecer,
arrepiado,
na luz anunciadora
de novo dia,

Era olhar com tempo
entrelaçado em histórias
de aqui,
de outros dias
e sem calendário.

Histórias a morar
na fantasia,
ilusão na ponta do pensamento
como se fosse a realidade 
mais enraízada
do mundo.

Era apenas vida 
correndo
nos dedos do caminho
ora escolhido,
ora tropeçado,
deixando leve perfume
esvaído na passagem.

Pois,
 se era
e já não é!?


domingo, 9 de dezembro de 2018

Por hoje . . .


E o dia cinzento lá fora
alheia-se das chamas
que me aquecem a pele.

Sou só eu!
Eu,
no novelo aquecido
pelo fogo,
no livro em minhas mãos
 onde as letras  se atropelam,
desfazem palavras,
quebram parágrafos
em ritmo de batalha longíqua.

Distraio-me em quietudes de lá de fora
e sobressaltos d'alma.

Medos,
Dúvidas,
Incertezas,
não me vestem,
não me servem.
A modos que se passeiam por ali
em demanda de pouso.

De nada importam.

Mergulho num suspiro,
inflamo naquele lume
do tamanho de Tudo
e sorrio.

Por Hoje,
sou só Eu!


terça-feira, 22 de agosto de 2017

com fome, com penas...


São fomes,
apetites sem Deus,
por onde me quero saciar.
São voos
de asas brancas,
imaculados
como a gula
que me consome.
São desejos
forjados na escassez do branco,
nas profundezas de mim
por onde
a vontade
é tanta,
vasta,
como o banquete
com que sonho
para lá das nuvens,
para lá de mim.

segunda-feira, 26 de junho de 2017

no limite



lá fora 
sopra uma brisa
paciente
como a esperar por mim,
chama-me
em sussurro
de desafio,
sem promessa
ou contrato por assinar.

está lá,
existe,
para além 
do que sou,
para além 
do que sinto.

chama-me
o desconhecido,
diz meu nome
sem pressas
porque
sabe de meu vazio
de eu estar aqui
na busca incerta
de outros ares,
de outro mundo,
de outros 'eus'.


quarta-feira, 7 de junho de 2017

Que te posso eu dar?

Que te posso eu dar?

Apenas uma mão cheia de mim,
vida de raízes sem chão,
terra onde me semeio,
floresço
e desvaneço.


Somente uma caricia de saudade,
de outros tempos
por onde ervas 
se derramaram,
ocultando as pétalas
que te perfumaram
em minhas mãos.

Que te posso eu dar?

Tão só uma insanidade
de te querer,
vontade de matar minha
sede de ti
nesta espera muda
do teu toque,
do teu beijo,
qual seiva
correndo no meu corpo
em ânsias de saciar o teu.


domingo, 20 de novembro de 2016

já agora, chá !



Chove no meu chá
a lágrima passada,
íntima,
confidente de sempre.

Chove no meu chá
o sorriso por nascer
auspicioso,
esperança de amanhã.

Chove no meu chá
a impaciência presente,
desafiadora,
prometedora de aqui,
já agora.


segunda-feira, 31 de outubro de 2016

The World

Tanta diferença,
tanta cor, 
tanto mundo!


Sou,
apenas,
mais um ponto,
uma pincelada 
por escorrer,
das mãos
de um pintor 
por nascer.

Sou vida
sem ser nada,
o todo
em partícula ínfima.

Sou desigualdade
em terra fértil
de uniformidades
suprimidas
no grito do ser,
de eco mudo.

Sou diferença,
sou cor,
sou (o) mundo !

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

humanidades em questão


Porque sangra alguém
por decisão de outro?

Porque não dás a mão
a quem a ti suplica?

Porque a guerra 
se tornou regra?

Porque a indiferença
faz mais estragos 
do que a diferença?

Porque há tanta alma
sem corpo
e corpos sem almas?

Porque sou assim?

Porque a voz do olhar
não é suave e meiga?

Porque não escolhemos
o amor?



quinta-feira, 29 de setembro de 2016

?... ! ; " : " .



* Gastam-se as palavras?

* Desbotam as interrogações quando lavadas em exclamações?

* Desaparece o ponto final na viragem do parágrafo?

* Pode o silêncio falar mais do que qualquer verbalização, imagem ou escrita?

* Vive-se na paragem das vírgulas da vida?

* Escorremo-nos no corpo das reticências?

* São as aspas sombra ou luz?

* Tendemos para o equilíbrio quando somos o ponto e a vírgula?

* Explicações são precisas em pontos encavalitados?

* Não sei, ponto.



segunda-feira, 30 de maio de 2016

Dependurada



Autorizei-me a desocupar o corpo,
de pele macia e sangue quente,
para me dependurar ali.

Ausentei-me de lutas,
guerras e ilusões
para me quedar por aqui.

Permiti-me outras escolhas,
o ar repleto de outros sensos,
a consciência de me ser 
como pérola,
criada em incómodos alheios,
crescida em marés de direção trocada.

Sei-me concerto sem clave,
intuição sem bravura,
arbitro em jogo próprio,
reflexo de espelho por inventar
como se não me bastasse.

Acho-me no cabide,
dependurada em madeira viva
como se a vida me esperasse
em ternos convites
de juras e promessas.

Larguei-me por agora,
por entre suspiros já cansados.

Engole-me a desordem,
a variedade confusa
da inconstância de me ser,
limitações que não me servem,
preferências por crivar.

Dilemo-me na variação da opção,
na fronteira do que posso
ou sou . . .

sábado, 30 de abril de 2016

Um Olhar qualquer



Olha-se e não se vê,
vê-se e não se olha.

Comenta-se na cegueira,
cega-se no comentário.

Julga-se nos sentidos,
sente-se nos julgamentos.

Adivinha-se o que não se sabe,
sabe-se o que se adivinha.

Recebe-se o que se dá,
dá-se o que se tem.


E tu? 
Para onde olhaste primeiro?
Que te prendeu o olhar?
O cachorro?
O homem?
Um sentir qualquer nascido da pele nua?


terça-feira, 1 de março de 2016

Cru e Nu



Despe silêncios,
verdades e palavras ocas
como se o avesso te fosse pele.

Despoja-te de quem te disseram que eras,
de quem tu pensas que és,
de quem é suposto seres.

Livra-te do cheiro entranhado
de quereres, vontades
e sonhos que não te pertencem.

Tu És, simplesmente !

Cru e Nu no viés do tempo
que te altaneia com promessas vãs,
vestes usadas sem pudor
em inconsciência só tua.

Despe-te e Sê!


sábado, 22 de agosto de 2015

flor e dependurada



Sou flor dependurada,
perdi caule, raíz
até folhagem.

Resto-me na cor
da minha veste,
na alegria do meu perfume.

Sou flor amadurecida,
plena de cor
como só eu,
flor dependurada.

Nesse balanço da corda
assobio ao vento,
sussurro-lhe minhas vontades
como nada me tolhesse.

Ah! 
Vã Ilusão!

Sou mera flor dependurada
presa nas pinças da vida,
imaginando o quanto sou livre,
quando,
em verdade,
sou só eu,
cercada de infinidades
limitadas por fragilidades
de flor.


quarta-feira, 29 de julho de 2015

em metades


De vez em quando, perco-me !

Racho-me em metades 
que se soltam
como pétalas de flor madura.


Perco-me, de quando em vez!

Devoro-me em fragmentos desgovernados,
pedaços meus,
em busca da inteireza de mim.





quarta-feira, 17 de junho de 2015

Das malas, férias e afins . . .




Confesso gostar muito de férias.

Afinal, quem não gosta?

Contudo, tenho um problema, 
para não dizer uma doença, 
na hora de fazer as malas.

Que hei de levar?
E se chove?
E se preciso de bikini mesmo na neve?
E se houver uma ocasião que exija uma roupa mais produzida?
E se precisar de chinelos?
E se a carteira fica horrível com o calçado?
E se . . ., e se . . . ui, ui ! ! !
São imensas, as dúvidas.

Parece o Apocalipse.

Pois bem, tenho alguns truques:

* Tento focar-me na duração e no local da estadia.
*Escolho uma cor ou uma peça 'indispensável' e começo a selecionar o que poderá ser usado com o tal objeto forçado a dar o mote.
* Coloco os montes por secção em cima da cama
(casacos, tops, calças, interiores e por aí fora).

Os meus truques revelam-se sempre volumosos e incomportáveis (só para avisar).

* Faço uma segunda ronda e mais uma terceira.

Por último, toca a emalar.



Claro que nunca há espaço, as malas, sacos e necessaires são tão pequenos, mas tão minusculos, só visto.

Penso que alguém me compreenderá, não?

A bem ou a mal, lá acabo no destino.

Tem alturas que fico contente por ter exagerado 
pois tenho escolha e até empresto coisas minhas, 
porém o pior vem depois.

Aquando do regresso a casa, 
o desempacotar, 
para além da depressão pós férias, 
relembra-me como fui inconsciente e tão pouco prática.

Volto à trabalheira de (des)arrumar coisas a que não dei uso ( a maioria).


Desta vez, 
vou experimentar usar o esquema abaixo.

E contigo, como é na altura de fazer mala???



"Se todo o ano fosse de férias alegres, 
divertirmo-nos tornar-se-ia mais aborrecido do que trabalhar."
William Shakespeare


sexta-feira, 5 de junho de 2015

Encruzilhadas



Há um sonho rebelde,
aquela viagem por iniciar,
uma vida à espera.

Adivinha-se o perfume
da flor não cheirada,
o passo acorrentado à terra,
a vontade que não passa
de desejo.

Provo da dúvida
destas encruzilhadas,
dos desassossegos
onde me assusto,
me perco,
e não (me) sei.


Há outras em mim,
medos por matar,
um não sei do quê
onde moram
fragmentos precisados
para me ser,
inteira.





segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Ensaio de silêncio



I
Às cegas,

na escuridão do silêncio,

solta-se o rugido da vida,

a vontade aprisionada,

adormecida na toada do ruído.


II
Por entre barulhos que confundem,

riscam-se palavras cristalinas,

descascam-se as sementes do sorriso,

é o ser que não nasce.


III
Não quero esse toque de sino,

o ressoar de outrém,

onde deixo me de ser

na ausência do silêncio.




segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Dúvidas minhas - sem chão .



Não há nada mais banal do que a decisão, aquele impulso ou vontade que nos leva por ali.
Encontramo-nos em permanente escolha mesmo que de cariz passivo.
Por vezes desconhecemos a génese destes gestos, alheamo-nos das próprias atitudes e agimos com uma naturalidade quase divina.
Como se não pudesse ser de outra forma  . . .

O condicionamento educacional, social e o que pensamos ser consciência só nossa 
transporta-nos para consequências impensáveis.
O simples facto de por o pé fora da cama em determinado momento pode não ser coisa pouca.

Uns dizem que nada acontece por acaso, 
outros proclamam a responsabilidade individual e/ou colectiva fonte do acontecer.
Em que ficamos ?

É uma questão por demais debatida, eu sei.
Contudo, não consigo chegar-lhe 
e as dúvidas invadem-me, inquietam-me e, sem querer, 
faço viagens fora de tempo em estradas sem saída e acabo sempre no mesmo lugar.

Esta coisa de viver não é linear, os carris raramente se alinham, 
e verdades absolutas só no reino das crenças.

Continuo na tal coisa do 'só sei que nada sei'.
Será assim só para mim?

É que estou cansada de me encher de dúvidas,
gostaria de provar as certezas . . . ando esfaimada delas.

Frase Se você é capaz de ser feliz quando


segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Do Passado



Passaram-se dias, horas, instantes
e com eles
também me fui.

Restam sombras desses tempos,
recordações teimosamente guardadas,
lembranças sem corpo
e de alma distorcida.

Não se podem deitar fora?

Pois se a existência é vazia
e a mente é único espaço de morada.





Quero despir-me de quereres fora de moda,
alhear-me de desejos em desuso,
deitar fora o passado.

No frio solitário do agora,
deixa-me chorar,
tremer na inutilidade de mim,
errar por caminhos ocos,
sem eco,
por onde não me sei.

Já atravessei pretéritos,
peregrina no presente
que serei no futuro?

Sou uma falha,
erro da natureza,
por onde o tempo
não deveria ter perdido tempo.



quinta-feira, 2 de outubro de 2014

A Cru


Sei de cor
o caminho da rotina.
Deixo que os olhos
se adormeçam um pouco mais,
delegando no resto do corpo
o que tem de ser.
A cru,
enroupo a cor do dia,
adio a lavagem de cara.
Afinal ainda não acordei.
Lá fora sei de trânsito,
pessoas mais valentes do que eu,
azafamadas em gestos impacientes.
Dizem que é a vida,
obrigações encafuadas
na mala,
junto das chaves,
do telemóvel 
e dessa vontade de fugir dali.
Sonhar ser-se outro/a,
noutros hemisférios,
para lá das fronteiras
de paralelos que sufocam,
enfermam o nosso 'eu'.
A cru,
vou-me desgastando,
esfumando-me 
neste tem que ser.
Desapareço,
sem que se importem,
Afinal,
como se mede o valor de mim?