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domingo, 9 de dezembro de 2018

Por hoje . . .


E o dia cinzento lá fora
alheia-se das chamas
que me aquecem a pele.

Sou só eu!
Eu,
no novelo aquecido
pelo fogo,
no livro em minhas mãos
 onde as letras  se atropelam,
desfazem palavras,
quebram parágrafos
em ritmo de batalha longíqua.

Distraio-me em quietudes de lá de fora
e sobressaltos d'alma.

Medos,
Dúvidas,
Incertezas,
não me vestem,
não me servem.
A modos que se passeiam por ali
em demanda de pouso.

De nada importam.

Mergulho num suspiro,
inflamo naquele lume
do tamanho de Tudo
e sorrio.

Por Hoje,
sou só Eu!


segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

interrogações do amor

Tenho dúvidas,
questões, incertezas,
pela vida toda
em autenticidades minhas.

Dizem-me haver duas formas 
de saber do verdadeiro amor:

 -  foste-me amigo verdadeiro
e te apaixonas (por mim)
de forma em que só pode ser Amor verdadeiro;

 -  ou te apaixonas (como pode acontecer com outra)
e tornas-te no meu melhor amigo
e será, de igual forma,
verdadeiro Amor.

São interrogações, 
meu amor, 
meras demandas para saber do amor, 
do teu amor,
por onde, 
afinal,
amizade vence a paixão.
Será?

sexta-feira, 2 de junho de 2017

casa fechada


Veio o vento 
e soprou
tempo 
em casa
que não era minha,
teceu
fios de saudade,
embaraços,
que me toldam o olhar
porque tu
já não moras aqui.

Chegou a madrugada
e acordou
outro dia,
outra história,
outra fechadura
de chave própria
onde eu
já não tenho morada.

terça-feira, 16 de maio de 2017

soltando-me


Aqui,
neste final de tarde,
escoam-se os últimos raios de sol,
escorrem estrelas
no horizonte
para lá  do olhar.

E é neste lusco-fusco
que se destapam
as vontades  sem dono,
os desejos alados.

Agora é o tempo
de soltar ternuras
e  amores proibidos,
deixá-los voar
com a aragem do sol por,
respirar
e deixar-me ser.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

da vida em teia



A vida tem destas coisas:
enredos naturais,
tramas surgidas do inesperado,
telas tecidas em rede,
teias simples
ao primeiro olhar.

E porque esta complexidade
nos perturba,
gostamos de dar nós,
emaranhar fios frágeis,
instantes reais
onde basta ser
fiel a si próprio,
permitir e aceitar.

A vida tem de tudo,
é cargo pessoal
torná-la ligeira
na proteção de sopros indesejados,
ou confusa
nos cruzamentos da escolha,
trilhos e veredas
a chamarem por nós.

As balanças vêm depois
e só importam 
no peso leve
do amor próprio, 
em liberdade responsável
de ser acto e consequência,
enfim,
baraço de seda em teia brilhante
ou embaraço grosseiro enovelado
em labirintos nossos.

A escolha é tua
e minha,
nossa, 
de cada um.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Posso escolher !



E na lama mais nojenta,
no buraco mais fundo
do desespero que aceitamos . . . 

. . . Há sempre um charco
 onde lavar a pele,
uma escada por trepar.

Porque . . . afinal
tem-se este derradeiro e decisivo poder:
"- Eu escolho !"

*************

Podem vir outros,
dizerem-me que não, 
talvez até o negro tolde os meus olhos,
tenha vontade de sumir 
ou
simplesmente desaparecer.

Mas, que interessa ?

Está tudo em mim 
e só em mim,
a ninguém mais devo culpar . . .

 . . . porque eu posso escolher !




terça-feira, 25 de agosto de 2015

beijo


O BEIJO (Paul Éluard)

"Ainda toda quente da roupa tirada
Fechas os olhos e moves-te
Como se move um canto que nasce
Vagamente mas em toda a parte

Perfumada e saborosa
Ultrapassas sem te perder
As fronteiras do teu corpo

Passaste por cima do tempo
Eis-te uma nova mulher
Revelada até ao infinito."


Quero esse beijo
sem tempo,
perdido,
por entre folhas do calendário,
de relógios parados.

Renasço na ânsia
da desordem
de teus lábios,
de tua boca,
onde o caos se organiza
e o abismo 
me tenta.

Quero esse beijo
multiplicado
vezes sem conta,
somado
a tantos outros,
em eternas intemporalidades.

Quero esse beijo
onde me despedaço
e remendo no fio 
da tua saliva.

Pérola



domingo, 21 de junho de 2015

D' Paz e d' Amor



"Certos graus de amor só são perceptíveis 
a partir da impossibilidade de se exercerem 
ou da ameaça de não poderem jamais vir à tona."
Artur de Távola




Bilhete

"Se tu me amas, ama-me baixinho

Não o grites de cima dos telhados
Deixa em paz os passarinhos
Deixa em paz a mim!
Se me queres,
enfim,
tem de ser bem devagarinho, Amada,
que a vida é breve, 
e o amor mais breve ainda..."

Mário Quintana


segunda-feira, 15 de junho de 2015

Da Diferença


Wodaabe man from Niger

Enchem-se nossos egos
em alheamento de diferenças,
soprando poeiras de outros mundos,
outros jeitos,
como se deuses pudessemos ser.

Gostam-se de semelhanças,
parecenças em tudo desiguais,
ditando leis de comparação,
assemelhações enviesadas,
como se as verdades estivessem ali.

Embrulham-se uniformidades,
padrões como caminhos a cumprir,
para sossego de muitos,
no calar de gritos
no direito de (querer) ser diferente.

Cansam-me tais conexões,
submissões convenientes,
quando é tão mais fácil
ser mais um(a).

Habito na contramão,
navego em desarmonias,
de diversidades universais,
sem permissão,
da diferença consumada.




sábado, 18 de abril de 2015

Rosa e coral



Floresço no rosa,
perco-me nas profundezas do coral,
sou assim,
menina de cabeça nas nuvens,
de fantasias recortados
em contornos renovados.

Perco-me nos finais,
pinto os recomeços,
de coral,
de rosa,
como rapariga de sempre.

Quero ser esse balão,
sorriso cheio
de contágios cor de rosa.

Apetece-me o coral,
o oceano de cor,
por onde me sonho
e sei ser feliz.




quarta-feira, 5 de novembro de 2014

". . . A tristeza tem sempre uma esperança De um dia não ser mais triste não . . ."


Por aqui, hoje, rendo-me à sabedoria, otimismo e aquele saber ser, saber estar, próprio dos mestres:





Samba da Bênção

Vinicius de Moraes
É melhor ser alegre que ser triste
Alegria é a melhor coisa que existe
É assim como a luz no coração
Mas pra fazer um samba com beleza
É preciso um bocado de tristeza
É preciso um bocado de tristeza
Senão, não se faz um samba não
Senão é como amar uma mulher só linda
E daí? Uma mulher tem que ter
Qualquer coisa além de beleza
Qualquer coisa de triste
Qualquer coisa que chora
Qualquer coisa que sente saudade
Um molejo de amor machucado
Uma beleza que vem da tristeza
De se saber mulher
Feita apenas para amar
Para sofrer pelo seu amor
E pra ser só perdão
Fazer samba não é contar piada
E quem faz samba assim não é de nada
O bom samba é uma forma de oração
Porque o samba é a tristeza que balança
E a tristeza tem sempre uma esperança
A tristeza tem sempre uma esperança
De um dia não ser mais triste não
Feito essa gente que anda por aí
Brincando com a vida
Cuidado, companheiro!
A vida é pra valer
E não se engane não, tem uma só
Duas mesmo que é bom
Ninguém vai me dizer que tem
Sem provar muito bem provado
Com certidão passada em cartório do céu
E assinado embaixo: Deus
E com firma reconhecida!
A vida não é brincadeira, amigo
A vida é arte do encontro
Embora haja tanto desencontro pela vida
Há sempre uma mulher à sua espera
Com os olhos cheios de carinho
E as mãos cheias de perdão
Ponha um pouco de amor na sua vida
Como no seu samba
Ponha um pouco de amor numa cadência
E vai ver que ninguém no mundo vence
A beleza que tem um samba, não
Porque o samba nasceu lá na Bahia
E se hoje ele é branco na poesia
Se hoje ele é branco na poesia
Ele é negro demais no coração
Eu, por exemplo, o capitão do mato
Vinicius de Moraes
Poeta e diplomata
O branco mais preto do Brasil
Na linha direta de Xangô, saravá!
A bênção, Senhora
A maior ialorixá da Bahia
Terra de Caymmi e João Gilberto
A bênção, Pixinguinha
Tu que choraste na flauta
Todas as minhas mágoas de amor
A bênção, Sinhô, a benção, Cartola
A bênção, Ismael Silva
Sua bênção, Heitor dos Prazeres
A bênção, Nelson Cavaquinho
A bênção, Geraldo Pereira
A bênção, meu bom Cyro Monteiro
Você, sobrinho de Nonô
A bênção, Noel, sua bênção, Ary
A bênção, todos os grandes
Sambistas do Brasil
Branco, preto, mulato
Lindo como a pele macia de Oxum
A bênção, maestro Antonio Carlos Jobim
Parceiro e amigo querido
Que já viajaste tantas canções comigo
E ainda há tantas por viajar
A bênção, Carlinhos Lyra
Parceiro cem por cento
Você que une a ação ao sentimento
E ao pensamento
A bênção, a bênção, Baden Powell
Amigo novo, parceiro novo
Que fizeste este samba comigo
A bênção, amigo
A bênção, maestro Moacir Santos
Não és um só, és tantos como
O meu Brasil de todos os santos
Inclusive meu São Sebastião
Saravá! A bênção, que eu vou partir
Eu vou ter que dizer adeus
Ponha um pouco de amor numa cadência
E vai ver que ninguém no mundo vence
A beleza que tem um samba, não
Porque o samba nasceu lá na Bahia
E se hoje ele é branco na poesia
Se hoje ele é branco na poesia
Ele é negro demais no coração


sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Da Mudança


Qualquer transformação carrega em si mudanças, nas pessoas e no mundo em geral.



Seria extremamente prático podermos mudar de destino como quem muda de roupa como diz o poeta.
Cansativo para alguns, para outros nem tanto.

Porque isto de mudar ou querer mudar é tão subjetivo e pessoal quanto tudo o mais que se refere à humanidade.
Possuimos um determinado alcance nas nossas decisões, mas a maioria das coisas estão fora do nosso controle.

A verdade é que mudamos, seja por mote próprio ou ao abrigo de contigências várias ( e nem sempre do nosso agrado).



Dizem que mudar é bom.
Creio que é teoria nascida na inevitabilidade da mudança.
Gostamos sempre de arranjar argumentos, explicações para este emaranhado de emoções, sentires, pensares que é ser pessoa.

Tendo como ponto assente que mudar é obrigatório, temos de ser participantes activos nesses saltos da existência ou . . . pelo menos tentar.

É que não podemos viver a vida dos outros.
A nossa basta.




segunda-feira, 7 de julho de 2014

Homens e Mulheres : Pensamentos


"Os homens conseguem não pensar, por isso vivem mais dias."
Luísa Castelo Branco



Se há coisa que não consigo é deixar de pensar.
Em qualquer local, a qualquer hora é incessante a 'conversa' da minha cabecita.
Por vezes, nem sei o que penso, porém sei que o faço.
Confesso que muito gostaria de atingir aquele estádio de esvaziamento mental próprio dos meditadores e outras pessoas de (auto) controle invejável.
Eu não consigo.
E, isso cansa-me.
Há alturas em que me farto de mim própria e já nem me posso ouvir.
Umas férias 'fora de mim' seriam recomendáveis e um sonho.
Ah !
Por falar em sonhos: aqui prosseguem pensamentos . . . com forma de pesadelos, fantasias, realidades a cruzarem  dimensões sonhadoras ou meras ilusões.
Tudo depende do estado de vigília em que me encontro.
Tudo isto a propósito dos homens possuirem menor actividade cerebral e atingirem o feito de não pensar.
Como tive o previlégio de nascer menina também peço a benção de uma espécie de interruptor e poder 'desligar'.


Seria mais feliz . . . penso !


sexta-feira, 25 de abril de 2014

Da Mudança: "Não me sinto mudar. Ontem eu era o mesmo . . ."






Não Me Sinto Mudar


"Não me sinto mudar. Ontem eu era o mesmo.
O tempo passa lento sobre os meus entusiasmos
cada dia mais raros são os meus cepticismos,
nunca fui vítima sequer de um pequeno orgasmo

mental que derrubasse a canção dos meus dias
que rompesse as minhas dúvidas que apagasse o meu nome.
Não mudei. É um pouco mais de melancolia,
um pouco de tédio que me deram os homens.

Não mudei. Não mudo. O meu pai está muito velho.

As roseiras florescem, as mulheres partem
cada dia há mais meninas para cada conselho
para cada cansaço para cada bondade.

Por isso continuo o mesmo. Nas sepulturas antigas
os vermes raivosos desfazem a dor,
todos os homens pedem de mais para amanhã
eu não peço nada nem um pouco de mundo.

Mas num dia amargo, num dia distante
sentirei a raiva de não estender as mãos
de não erguer as asas da renovação.

Será talvez um pouco mais de melancolia
mas na certeza da crise tardia
farei uma primavera para o meu coração."

Pablo Neruda, in 'Cadernos de Temuco'







sábado, 30 de novembro de 2013

Dos Melhores Amigos !



Os melhores amigos nem precisam que diga nada . . .

 - O silêncio.
 - A ausência.
- O toque.
- O olhar. . .

Fartam-se de falar e . . . Bastam!



domingo, 17 de novembro de 2013

Algures . . .



Algures . . . em mim . . . 

Há uma entrada secreta,
código encriptado,
de acesso restrito.

Terra de ninguém,
jardim de prazeres,
fonte de águas doces.

Palco sem dramas,
paragem acolchoada, 
de erva fresca,
em cenário paradisíaco.

Algures . . . em mim . . . 

Existe este esconderijo,
de oceanos mansos
ou atmosferas revoltas.

Enigma para muitos,
mera brincadeira
em que tu entras, 
descaradamente,
a teu bel-prazer.

Fecho teu
de abertura minha,
em sistema complexo
onde és chave-mestra.

Algures . . .  em mim . . 

Moram segredos,
fadas, duendes,
e fantasias
na realidade que sou eu.

Erguem-se castelos,
sonhos inimagináveis,
e deleites saborosos
 onde és rei.

Algures . . .  em mim . . .

Pérola

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Morro e Renasço !



Nasço e  renasço
em metamorfoses salpicadas  de dor.

As flores perfumam-me ao acaso,
o mar salga-me em ondas trocistas
e a escrita partilha-me em palavras sem sinónimo.

As tuas mãos cobrem-me o corpo,
fonte de bálsamo para esta dor em que morro.

Não te vás!
Assiste-me no último suspiro,
acolhe-me no primeiro choro.

Sou como a Lua,
de fases que se extinguem,
percorrendo tempos de fim anunciado.

Saboreio cansaços,
derrotas, vitórias,
assistindo aos meus recomeços.

Sou simplesmente eu,
incompleta, 
em busca constante,
de mim, 
do Mundo, 
do Nada ou do Tudo.

Pérola


domingo, 25 de agosto de 2013

Do Ser



"Quem insiste em julgar os outros sempre tem alguma coisa pra esconder."
 Renato Russo

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Da Perfeição



Sinto-me aliviada em perceber que a perfeição é utópica.

Como seria o mundo perfeito?

Um grande árido deserto de aborrecimento, quase na certa.


Depois o Amor tem de estar sempre presente, mesmo em coisas (im)perfeitas.

A sabedoria é alvo a atingir. 

Se para tal tivermos de vestir a Loucura . . .

. . . Sejamos Loucos na entrega às insanidades amorosas!


E para contrariar temos os abstémios.

A perfeição nada tem a ver com sentimentos românticos.

Dispenso pensamentos tão cinzentos.

Quero uma vida colorida, onde:



quarta-feira, 19 de junho de 2013