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quinta-feira, 27 de junho de 2019

era...


Era vida suspensa
em molas frágeis
como gelo ao amanhecer,
arrepiado,
na luz anunciadora
de novo dia,

Era olhar com tempo
entrelaçado em histórias
de aqui,
de outros dias
e sem calendário.

Histórias a morar
na fantasia,
ilusão na ponta do pensamento
como se fosse a realidade 
mais enraízada
do mundo.

Era apenas vida 
correndo
nos dedos do caminho
ora escolhido,
ora tropeçado,
deixando leve perfume
esvaído na passagem.

Pois,
 se era
e já não é!?


sábado, 9 de fevereiro de 2019

Sonhando


Há sonho pairando
no horizonte
para lá do que vejo,
para além do que imagino.

Navega por céus
nunca antes vislumbrados,
nunca antes vistos.

Está longe,
tão longe
como minha alma
chamando o que sou.

Há sonho distante,
profundo,
viajando sem rumo
à espera de mim.

domingo, 9 de dezembro de 2018

Por hoje . . .


E o dia cinzento lá fora
alheia-se das chamas
que me aquecem a pele.

Sou só eu!
Eu,
no novelo aquecido
pelo fogo,
no livro em minhas mãos
 onde as letras  se atropelam,
desfazem palavras,
quebram parágrafos
em ritmo de batalha longíqua.

Distraio-me em quietudes de lá de fora
e sobressaltos d'alma.

Medos,
Dúvidas,
Incertezas,
não me vestem,
não me servem.
A modos que se passeiam por ali
em demanda de pouso.

De nada importam.

Mergulho num suspiro,
inflamo naquele lume
do tamanho de Tudo
e sorrio.

Por Hoje,
sou só Eu!


quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

A Distância de Ti...


Foi na melodia
em que me perdi,
por entre teus braços,
afagos e suspiros,
enfim.

Mesmo ali,
na linha da música,
rente a ti,
voei,
soltei-me
por entre notas,
pautas
e coisas de Mestre.


Foi ainda agora
este sentir
guardado
no segredo 
da nossa música:

a distância de ti.


segunda-feira, 11 de junho de 2018

Dóis-me!



Dóis-me tanto,
mas tanto
que não há medidas
para ti.

Gosto-te ,
em cada respiração minha,
demasiado,
tanto,
que  não cabe no Amor.

És-me,
 o vício entranhado na pele,
doença sem remédio,
ferida exposta,
a ânsias de te querer esquecer.

Dóis-me por todo o lado
ontem e hoje,
aqui e além,
de noite e de dia
como se tu pudesses
saber de mim,
querer-me ...
... nem que fosse só Agora.


terça-feira, 15 de maio de 2018

Sem Toa


À toa,
por aí,
acolá,
escorro-me no tempo
devagar
ou a borbulhar
eu sei lá.

Ebulições 
e ribeiras mansas
pertencem-me
como se fossem acalmia,
portos de abrigo,
na ponta de minhas mãos,
à toa.

E quando,
 de verdade,
cheiro a primavera,
pétalas e perfumes 
transbordam-me a pele,
autorizo-me,
deixo o mundo
e sou-me.


segunda-feira, 16 de abril de 2018

deixa ...



Deixa-me ir com as ondas,
afundar-me no silêncio
das profundezas,
deixar de sentir.

Solta-me as amarras
deste querer desmesurado,
desta vontade de ti
antes que enlouqueça
na beira-mar
onde te ouço, 
te cheiro,
te adivinho.

Permite-me ser outra qualquer,
aquela 
que desconhece a tua pele,
o teu olhar,
o teu feitiço.

Permite-me fugir de mim
onde te és
na minha essência.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Só Hoje


Só hoje,
tenho apetites
de ti,
ganas de te comer,
morder e trincar,
devagarinho,
degustando
cada pedaço teu,
sorvendo teu orvalho,
licor dos deuses,
destilado em paladar meu.

Só hoje,
ouço teus sussurros
embalados na onda
desta maré
que se enche e esvazia
ao sabor de cada garfada,
ao som da vontade
ritmada 
pela minha fome,
pelo teu desejo.

Só hoje,
deixa-me saciar-me (-te).


sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Doce



Ah!
Quando o Doce aflora 
em tua boca
e tu mo chamas
como se fora 
meu nome.

Acho-me e perco-me
nessa vertigem
de tanto me quereres
como se te fosse
um Doce.



sábado, 7 de outubro de 2017

Geografia



Arrepio-me no 
gelo
de meus próprios pensares.
Cerco-me duma brancura
sem calor
onde a luz persiste,
em se refletir,
em acordar-me
desabrochando minhas cores,
meu viço,
meu ardor.

Sou meu próprio pólo,
extremo que dói
em fragilidade
dessa busca sequiosa
de me encalorar
na tua floresta húmida
mais a Sul, 
noutros meridianos.

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

promessas



fazes juras de amor
como quem oferece uma flor,
promessas perfumadas
por entre pétalas
cor de rosa.

sussurras brisa
de outro mar,
palavras de outras cores,
horizontes sem fim
e eu acredito.

Oh! Vã ilusão!

em pedaços recebo a rosa
aromas e cores prometidas.

mares e oceanos se esvaziaram,
palavras ecoaram no vazio
daquela fronteira
onde o coração despe a fantasia.

terça-feira, 11 de julho de 2017

semeio



Semeio, 
as heranças
do Sol e da Lua,
de letras,
que existiam antes de mim
em páginas brancas
seduzidas
pela passagem do tempo.

Solto,
por entre dedos,
coisas minhas,
escolhidas
sem saber como,
sementes legadas
de outros,
do mundo
e,
com elas,
escrevo minha vida,
história
de páginas
nem sempre legíveis.

Semeio-me em cada instante,
nasço e recomeço
nas linhas
e entrelinhas
do que sinto,
do que escrevo
com a pena do coração.


segunda-feira, 26 de junho de 2017

no limite



lá fora 
sopra uma brisa
paciente
como a esperar por mim,
chama-me
em sussurro
de desafio,
sem promessa
ou contrato por assinar.

está lá,
existe,
para além 
do que sou,
para além 
do que sinto.

chama-me
o desconhecido,
diz meu nome
sem pressas
porque
sabe de meu vazio
de eu estar aqui
na busca incerta
de outros ares,
de outro mundo,
de outros 'eus'.


terça-feira, 16 de maio de 2017

soltando-me


Aqui,
neste final de tarde,
escoam-se os últimos raios de sol,
escorrem estrelas
no horizonte
para lá  do olhar.

E é neste lusco-fusco
que se destapam
as vontades  sem dono,
os desejos alados.

Agora é o tempo
de soltar ternuras
e  amores proibidos,
deixá-los voar
com a aragem do sol por,
respirar
e deixar-me ser.

sábado, 13 de maio de 2017

Sou-me


Sou-me no amarelo do Sol,
no cinzento da estrada,
na terra castanha
que me alimenta.

Sou-me cor
em mundo desbotado,
no limiar de cinzentos escondidos,
tropeços
que me fazem sangrar
como pétalas caídas.

Sou-me sozinha,
em trilho meu,
buscando a luz,
persistindo em dúvidas
e crenças da possibilidade de tudo,
até de mim.

sexta-feira, 12 de maio de 2017

No 28


A preto e branco,
ou talvez,
no reflexo de cinzentos
viajo no 28
cerrando os olhos,
balançando nos carris,
sem desvio,
por onde é suposto ir.

São-me viagens obliteradas
na pele estendida
ao sol 
e à chuva 
do tempo.

O 28, 
na sua Lisboa,
é pedaço de mim,
de cores  e sensações
presentes,
tatuagem linda.

domingo, 2 de abril de 2017

cristalinas


Bastam-me invernos e frios,
ventos e chuvas,
cinzentos e sombras.

Que venham azuis,
brancos e outras mais.

Quero Luz!
Quero Sol!

Cobiçam-me águas cristalinas,
puras,
límpidas no brilho
de tempos mornos
desapressados
no momento único
do instante,
já,
agora.

segunda-feira, 20 de março de 2017

desculpas


Cansam-me as desculpas,
estas fendas iluminadas
a que me agarro
sem saber 
da porta de acesso.

Excluída de vontade
salto lapsos,
intervalos de mim,
que sei
serem únicos
ao ficarem trancados
nesta insanidade
a que chamam vida.

Sem chave ou fechadura,
quedo-me em voltas,
círculos angulosos,
na procura de algo,
nem compreendo o que é.

Angustio-me
na canseira de existir,
perguntas sem resposta,
vontade sem tempo,
desejo sem rumo.

Transbordo-me,
no vazio
imenso do sentir
minha dor,
fechada na imobilidade
da espera
por onde as desculpas
se chovem,
como chaves esquecidas
dependuradas em minha mão.

quarta-feira, 8 de março de 2017

nascente


As algas banham-se
por entre rios
desaguados
neste mar
de olhos meus.

Revolvem-se lágrimas
na espuma
desta inquietação
que não quero minha
nem de outro qualquer.

Solto-me aos ventos,
grito às tempestades,
chamo a acalmia
de outros horizontes,
outras planícies despidas de regatos
e oceanos com nascente em mim.


domingo, 19 de fevereiro de 2017

teu último beijo



Guardo teu último beijo
a sete chaves,
poção de amor
húmida,
sabor de mim
na tua boca.

Não me chames louca
pois 
se não me deixas escolha,
ou te guardo
ou te odeio.

Ajeito este meu tesouro
em minha mão,
frágil cristal,
cravado na memória
de meu ser.

Fecho a caixa
de outros dias,
outras vezes
onde me fui
louca,
quiçá.

Arrumo o liquido
do meu olhar,
amor salgado,
o mar,
 teu último beijo.