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sexta-feira, 4 de março de 2016

Partilha II



Para Ti
"Foi para ti
que desfolhei a chuva
para ti soltei o perfume da terra
toquei no nada
e para ti foi tudo
Para ti criei todas as palavras
e todas me faltaram
no minuto em que talhei
o sabor do sempre
Para ti dei voz
às minhas mãos
abri os gomos do tempo
assaltei o mundo
e pensei que tudo estava em nós
nesse doce engano
de tudo sermos donos
sem nada termos
simplesmente porque era de noite
e não dormíamos
eu descia em teu peito
para me procurar
e antes que a escuridão
nos cingisse a cintura
ficávamos nos olhos
vivendo de um só
amando de uma só vida."
Mia Couto

sábado, 12 de dezembro de 2015

Chove


Chovem lágrimas,
cada uma 
escorrendo a sua emoção,
molhando a pele
de quem se embaraça
em nós de afetos.

Chovem lágrimas
de amor,
perdidas na dor,
de quem quer 
e não tem.

Chovem lágrimas
de alegria,
perdida no riso
de se sentir,
nas pontas dos dedos
de alguém.

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

quero (meu) mar . . .



Por entre céus e mares
perco o pé de terras firmes.

Sou novelo
do fio do tempo,
emaranhada
no turbilhão 
das águas do  meu pensar.

Sou assim,
onda sem chão,
gota soprada
em ventos de 'outroras'
por onde me alheio.

Em oceanos desassossegados,
sem costa à vista,
dissolvo-me 
na tempestade molhada 
do mar alto,
onde me deixo afogar
na esperança de dar à costa,
noutros continentes,
em hemisférios por desvendar.

Por mares a que chamo meus,
nada mais sou,
mulher inquieta,
perseguida por adamastores
de pulsos adornados
com relógios
que me enlouquecem.

Pois, se entre estes
céus e mares me perco,
neste abandono de água, 
que acusação me tem o tempo
ao não desviar o seu olhar 
do nevoeiro por onde me habito?

Oh! Tempo!
Não te quero!

Solta-me das tuas correntes
e deixa-me ser no meu mar,
onde sonho a areia
da minha pegada,
o desaguar em praia 
banhada da ternura
de quem tu sabes
para morrer em maré cheia
dos beijos dele.

Pérola



quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Trago !



Trago nas mãos
o teu rasto colorido,
o vislumbre de ti 
em pinturas por começar.

Cobiço a tua cor
em matizes coroadas
do tom teu.

És-me arco-íris,
céu e tudo o mais
por onde o horizonte
se tinge no teu nome,
e eu me deslumbro
em nuances 
que insisto em agarrar.

Trago por entre dedos,
a pigmentação do teu olhar,
a textura das tuas palavras,
a vontade sem cinzentos,
o desejo de ti !

Pérola



sexta-feira, 31 de julho de 2015

tem tempo(s)



Tem tempo este vagar manso,
a suavidade de um amor paciente,
na espera, 
sem horas, 
de ti.

Tem tempo este querer sem fundo,
a ternura de um desejo sem voz,
na delonga do teu trote.

Tem tempo esta esperança enfeitiçada,
a magia de um adormecimento confiante,
na entrega que se adivinha.

Tem tempo, faz tempo,
são calendários desfolhados,
nesta minha vida em suspenso.

Porque tardas?



sexta-feira, 24 de julho de 2015

quero



Quero amar-te nesse espaço
entre nossos corpos,
na imperfeição do mundo 
na fragilidade de acontecermos.

Quero ser-me em ti,
fundir-me no calor de impossibilidades,
deixar as explicações 
esquecidas no fundo mar
para,
tão só,
te amar.

Permite-me,
amor,
cobrir essa distância,
repleta de desnecessidades
com a minha pele inacabada,
em perfeita tentação.

Quero-te no tempo fugaz,
da geração onde respiramos,
onde me dói 
só de pensar em ti.



quinta-feira, 23 de julho de 2015

Em sonhos . . .


O sonho chama por mim
e eu vou . . .

Persigo o beijo por dar,
grito aos ventos
que te quero
como quem
traga a vida
com um só gole.

Recolho meus fragmentos
em busca de ti,
correndo no acerto da tua voz,
na plenitude do desejo.

O sonho me chama
e eu tenho de ir,
quero esse beijo demais . . .




quarta-feira, 22 de julho de 2015

Doçura de receita . . .



Adiciono à nata do teu corpo
o açucar do meu desejo,
incorporo-lhe uns frutos vermelhos,
como paixão em ferida,
e eis a minha bagunça preferida:
o doce de te amar!



sábado, 18 de julho de 2015

Amor meu



O vento fez-se ao mar
e nele embarquei como clandestina.
Deixo-me levar
na ondulação uivante
como sopro vital.

Sou mar,
sou vento,
já nem sei.

Aporto noutro hemisfério,
continente desconhecido,
por onde deslizo
na respiração de ti.
como fantasma.

Abraço-te o sono,
beijo-te a respiração,
revogo-me em tua respiração,
na poeira da quietude
do vento quebrado.



quarta-feira, 10 de junho de 2015

. longe .



faço-me ao mar,
nesta noite de luar;

levo-me de rumo traçado,
sem desvios ou demoras;

quero-me bem perto de ti,
de boca na boca;


navego-me na cobiça
de te tocar;

encurto-me na distância
do teu corpo;


pois se há um oceano
que nos separa,
um tempo com pressa,
um desejo a queimar,
esse querer desmedido
a chamar por ti;

nessa lonjura de tudo,
assalto o pudor,
cedo a tentações
e . . . 
faço-me ao mar.



segunda-feira, 18 de maio de 2015

Como orvalho



Aquieta-se a noite nos primeiros raios de sol.,
antigua-se o desejo de ontem
no (re)começo de outro.

Desdobro a ânsia de te ver acordado,
quedo-me como bicho
na espera de luz.

Os teus braços amornam-me a pele,
vestem-me como o orvalho da manhã
que adorna o lá fora.

Olho-te na fresquidão do regaço 
que aurora,
no colo oferecido por entre
palavras por dizer.

Escorro-me como gota matinal
nos jeitos de teu cabelo,
macio,
 como o desabrochar tenro 
de semente longe do fruto.

Faz-se o dia,
na poeira da noite,
como orvalho de prazer,
em madrugada por acontecer,
onde tu és meu.




sábado, 18 de abril de 2015

Rosa e coral



Floresço no rosa,
perco-me nas profundezas do coral,
sou assim,
menina de cabeça nas nuvens,
de fantasias recortados
em contornos renovados.

Perco-me nos finais,
pinto os recomeços,
de coral,
de rosa,
como rapariga de sempre.

Quero ser esse balão,
sorriso cheio
de contágios cor de rosa.

Apetece-me o coral,
o oceano de cor,
por onde me sonho
e sei ser feliz.




domingo, 8 de março de 2015

Trago nas mãos


Trago nas mãos
o voo da andorinha,
o sol a prometer-me dia.

Abro mão,
solto as mortes da saudade,
vida passada de mim.

Pelas mãos
sou vontade, desejo,
ao sentir cada vez mais.

Trago nas mãos
o nada de ser algo,
o tudo de ser mulher.


Abro mão de quem fui
pelas mãos do que sou,
trazendo nas mãos
a esperança de agarrar o  mundo.


domingo, 15 de fevereiro de 2015

Smplesmente



Como raíz em procura de outra terra,
atrevo-me,
faço-me ao caminho
e abraço-te, só.
Deixo a minha seiva
escorrer pelo teu  universo sem fim,
floresço no abrir caminho,
por aí,
em céus estrelados,
galáxias por conhecer.
Sou vida,
respiração vital,
o mundo que reclama ser,
pulsar intenso,
em demanda de ti,
meu tudo,
a casa que quero habitar.
Simplesmente, abraço-te
como toque de firmamento
entre a terra e o ar.



quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

São gostos . . .



Gosto do olhar que me despe,
das palavras que me extasiam,
do húmido do teu corpo.

Gosto desses dedos marotos,
do que ainda ficou por fazer,
do tanto que me dás.

Gosto de desejos loucos,
vontades doidas,
alheias à sensatez,
do momento prolongado
nesse 'quero mais'.

Gosto do teu gosto,
das tuas conversas carnais,
dos sentires por onde me perco
e me sei.

Gosto do amor com cheiro,
sabor a pele
por entre bocas ávidas,
em bailado desvairado,
ao ritmo da nossa luxúria.

Gosto-te tanto . . .



segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Do teu beijo !

Diz-me o teu beijo
tudo aquilo que preciso saber.

Conta-me do barulho do mar,
do voo do sonho
que é preciso conhecer.

O teu beijo sussurra-me
o quão sou especial,
que nada é vão.

Mostra-me o mundo,
deixa-me escolher
quando só quero 
ser aprendiza do teu beijo.

Diz-me o teu beijo
a depuração de me ser,
inteira, solta no estremecimento
da tua boca.

Pérola




sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Chamas-me


Como gosto quando me chamas de querida!

Olhas-me por entre linhas 
de um jeito só teu,
desarmas-me,
arrepio-me e sou-me
nessa palavra querida!

Sob o bafo do Sol,
na chuva das folhas de dias que se foram,
com o frio do caminho curto,
não me importo.

Sei do calor das tuas palavras,
do teu corpo que que me aguarda,
da vontade (des)coberta no tempo,
do teu chamado de querida e basta(-me)!


terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Como uma borboleta



Sopras o desejo nesse olhar,
vergando-me com o silêncio
das tuas palavras.

Sou embarcação
com borboletas no porão,
ou serei apenas rapariga
com impressões na barriga?

Vês?
Até me fazes rimar
na vibração da tua respiração
que me deixa à deriva, 
por aí,
onde tu moras
e me encontras.

Nesse mar de margens distantes,
na baía calma que me chama.

Tremo,
arrepio-me,
cerro os olhos,
em disfarce de quietação
pois sei que me soprarás,
outra vez.

Deixas-me entrar no vapor,
no chão da neblina,
o teu olhar de desejo,
onde navego
 e me sou.




domingo, 28 de dezembro de 2014

Mima-te !






Por hoje basta:

Cuidar-se !

Amar-se!

( já experimentaram serem o/a vosso/a melhor amigo/a ? )





terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Natal é vermelho



Como uma visão,
sorrias em cenário
preenchido por tuas mãos
a transbordar flores.

Flores vermelhas,
túlipas,
como sabes que me emudecem,
enlaçadas no calor do teu olhar.

Acordei,
o Natal é-me garrido,
encarnado,
como no sonho
em que acordei
e tu
me trazias flores . . .