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sexta-feira, 19 de agosto de 2016

. . . chovo-me . . .


Fragmento-me no todo de mim,
por entre o assobio do vento,
nas asas do sonho.

Quimero-me na flor por nascer,
em semente espalhada por aí,
no acaso de acontecer.

Orvalho-me no coração descansado,
em ritmos que me ultrapassam.

Pequenizo-me no gotejar dos meus risos,
das minhas alegrias,
canseiras e maroteiras.

Chovo-me sem pensar, a dar em doida com tanta alternativa,
com tanto chão por pisar,
e ... eu,
sem saber.

Sou-me assim,
meio minha,
meio sem pertença,
errante e perdida,
no mimo do amor que procuro
para me bastar.




sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Fantasia




No rasgo do tempo
sopram saberes enrugados
ou ainda por acontecer.

São fases sem Lua,
apenas respostas com chave
de livros em branco.

É o mapa de se ser
como mar revolto
de vagas rebeldes
e marés em carrossel.

Longínquos e antigos conhecimentos
de barbas branqueadas em verões sucessivos,
pios eruditos de aves fantasiosas
navegam em ingénuas infâncias
do que está para lá da vida
com causas e efeitos por adivinhar.


segunda-feira, 30 de maio de 2016

Dependurada



Autorizei-me a desocupar o corpo,
de pele macia e sangue quente,
para me dependurar ali.

Ausentei-me de lutas,
guerras e ilusões
para me quedar por aqui.

Permiti-me outras escolhas,
o ar repleto de outros sensos,
a consciência de me ser 
como pérola,
criada em incómodos alheios,
crescida em marés de direção trocada.

Sei-me concerto sem clave,
intuição sem bravura,
arbitro em jogo próprio,
reflexo de espelho por inventar
como se não me bastasse.

Acho-me no cabide,
dependurada em madeira viva
como se a vida me esperasse
em ternos convites
de juras e promessas.

Larguei-me por agora,
por entre suspiros já cansados.

Engole-me a desordem,
a variedade confusa
da inconstância de me ser,
limitações que não me servem,
preferências por crivar.

Dilemo-me na variação da opção,
na fronteira do que posso
ou sou . . .

sábado, 30 de abril de 2016

Um Olhar qualquer



Olha-se e não se vê,
vê-se e não se olha.

Comenta-se na cegueira,
cega-se no comentário.

Julga-se nos sentidos,
sente-se nos julgamentos.

Adivinha-se o que não se sabe,
sabe-se o que se adivinha.

Recebe-se o que se dá,
dá-se o que se tem.


E tu? 
Para onde olhaste primeiro?
Que te prendeu o olhar?
O cachorro?
O homem?
Um sentir qualquer nascido da pele nua?


sexta-feira, 18 de março de 2016

casa de 'brincadeiras'



A noite adormeceu à sombra da Lua
com requintes de canseira.

Levantam-se o moinho, 
a casa e os ovos também.

Cheira a chocolate,
amêndoas e um calorzinho
que não vem.

Cá para mim,
sopraram ventos de loucura
na companhia da preguiça.

Juntos, 
a poeira foi tamanha,
que,
o mundo ensandeceu 
o dia teve mau acordar
e eu fiquei de
pernas para o ar.

Não sei que faça,
não sei que pense.

Não quero acordar a noite,
de confusão está ela farta.

O meu planeta está doente
e crónica é a humanidade,
creio não gostar 
desta casa de 'brincadeiras'.



quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Tem um lugar . . .



Tem um lugar me esperando,
uma casa só minha,
um mar que me conhece.

Tem esse espaço
onde me sou,
me basto
e me gosto.

Tem um lugar me esperando,
eu sei.

Sinto-o no neste arrepio de pele,
no nó seco de garganta
por onde se perde a voz
silenciada em medos
só meus.

Tem um lugar à minha espera,
quiça, 
dentro de mim.



sábado, 6 de fevereiro de 2016

De Mim



Aconteci no grito,
do romper do ventre de alguém,
como suspiro indiferente do Tempo.

Inquietei-me por desassossegos meus,
incertezas e dúvidas,
por onde me perdi, 
por onde me fui sendo
como flor espalhando raízes
de pétalas por desabrochar.

Permiti-me provar o desejo,
a vontade despudorada,
de outras peles,
sentires de alma nua,
em demandas
que só eu sei.

Derramo-me no sonho
de outros paralelos e hemisférios
em apetites aflitos
de me avistar,
por entre adivinhações encantadas
no eco do pensamento.

Silencio-me neste querer sem medida,
no amor enterrado em mim,
com ganas sem trilho,
na contradição de me gostar.



segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Tempo de vida


Tem uma vida
no entroncar de árvores
deformadas ao sabor
do moribundo ontem,
no apressado desejo de hoje,
no apetite esfomeado do amanhã-

Tem uma vida
no tic-tac alheio
às pressas e desmandos de mim.

Tem uma vida
que me agarra,
esventra e consome
em olhar que me diz:
-És Minha !


quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Divagações . . . em sonhos.


"Não importa o quanto às vezes seja difícil, 
o quanto às vezes eu me atrapalhe, 
o quanto às vezes eu seja a densa nuvem que esconde o meu próprio sol,
 quantas vezes seja preciso recomeçar: 
combinei comigo de não desistir de mim."


________Ana Jácomo



Sou assim,
a modos que um sonho de mim,
uma lembrança,
ou mera vontade de me ser.

Sou assim,
a modos que a minha melhor amiga,
a pior inimiga,
sabotando-me 
como só eu sei.

Sou assim,
a modos que uma menina
com ganas de princesa, 
perdida no tempo,
em diálogos internos,
confusos, 
persistentes,
esperançosos
em que me dou a mão,
sem desistir de mim.




quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

* ANO NOVO *




Mais um ano,
mais um virar de página
na enciclopédia da vida.


Que cada instante
seja motivo e causa
do recomeço de nós próprios.


Mais uma maré,
no oceano da impermanência,
onde ousamos saltar paralelos,
atravessar hemisférios
em busca tão só de nós,
de outros,
com o amor como arma,
a felicidade como alvo.


Atreve-te  a ser feliz hoje,
agora e no sempre,
para lá dos calendários !






segunda-feira, 5 de outubro de 2015

em demanda



me vou em
tempos sem história,
fico-me por lá
presa na liberdade
de tudo,
perdida em mim,
indo-me sem fim.
 
me fui em
pensares só meus,
soltando-me
em desassossegos,
inquietudes só minhas.


me sou em trilhos
com/sem escolhas
na deriva do mundo,
gotejando-me
no orvalho
de lágrimas suspensas,
intervalada em pensares,
na demanda do cristalino
de me ser.



quarta-feira, 23 de setembro de 2015

em outono


Mauvais
Randall Hobbet
2015

Definham as marcas,
dos dias longos,
do dourado beijado 
pelo sol em areias 
já baças.

Atrofiam os tempos 
de luz sem relógio,
da claridade constante
do verão que
que se esvai.

Enfraquecem as árvores
em época de colheita
na promessa de  nova semente.

Murcham as folhas
em tons quentes,
qual ironia outonal,
a abrir caminho
à frialdade
que se adivinha.

Renunciam as planícies verdejantes,
restam as mínguas desfloridas,
o hibernar na nudez crua
da espera
de nova primavera.


sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Não sei



The Flower Girl - 
Jules Cyrille Cave

Não sei quando a semente
se perdeu na terra,
o céu se derramou
ou mesmo porque 
se despem as flores maduras.

Vou secando 
no mesmo vento
que varre jardins
e colhe as flores
grávidas de nova primavera.


Inspiro os suspiros dos malmequeres
como perfume de outras eras,
de outros tempos,
porque simplesmente não (me) sei.

Já brotaram novos rebentos
na terra acolchoada
de folhas que se enlutam
na despedida do verão.

Não sei dos porquês
das estações 
que se soltam de sinónimos
e agarro-me à desfolha
de pétalas por cair.



terça-feira, 15 de setembro de 2015

em pedaços (de mim)



Percorro-me no decoro
da inteireza de mim.

Contam-me da lealdade
a me ser, 
única,
em austera unicidade.

É-me caminho penoso
pois se me perco
em fragmentos meus,
pedaços de,
e com,
 sentidos contraditórios,
como se fosse puzzle
a construir.

Insisto na vã tentativa
de me sentir inteira,
na exclusividade da pessoa.

Mas são os estilhaços,
recortes meus,
que me chamam,
 me acolhem,
de mãos cheias de porções,
moldando partes,
nunca sobejadas,
onde me vislumbro
e
abranjo a suspeição
de me ser em retalhos,
somente pedaços.


domingo, 6 de setembro de 2015

tempo e sobras


Solta-se o tempo em instantes petrificados,
afundam-se momentos neste poço em que me sou.


Sobro-me tanto!
E, 
ainda assim,
vou sendo consumida
nas franjas do quotiano,
vincada nas dobras do banal,
como pedra erodida 
por elementos de circunstância.

Sobejo-me
nos intervalos da vida,
onde sou mulher
em rota labirintica,
perdida e achada,
no chão de ninguém
como estátua de mim.

Resto-me no trilho
do outro,
ou,
talvez não.

Afinal sou orfã da escolha,
filha de mim mesma,
e,
permito ao tempo
esculpir a minha forma
em mármores 
onde me continuo a sobrar
na terra de
 inevitabilidades temporais.

Pérola



sábado, 22 de agosto de 2015

flor e dependurada



Sou flor dependurada,
perdi caule, raíz
até folhagem.

Resto-me na cor
da minha veste,
na alegria do meu perfume.

Sou flor amadurecida,
plena de cor
como só eu,
flor dependurada.

Nesse balanço da corda
assobio ao vento,
sussurro-lhe minhas vontades
como nada me tolhesse.

Ah! 
Vã Ilusão!

Sou mera flor dependurada
presa nas pinças da vida,
imaginando o quanto sou livre,
quando,
em verdade,
sou só eu,
cercada de infinidades
limitadas por fragilidades
de flor.


quarta-feira, 29 de julho de 2015

em metades


De vez em quando, perco-me !

Racho-me em metades 
que se soltam
como pétalas de flor madura.


Perco-me, de quando em vez!

Devoro-me em fragmentos desgovernados,
pedaços meus,
em busca da inteireza de mim.





sábado, 11 de julho de 2015

Corte e Costura



Entorno este desejo 
na ponta da agulha 
a olhar-me por entre dedos.

Alinhavo humidade de beijo
no fio com que teço
a costura de te querer.

Vejo-te no fundo da linha
em que me debato
por coser.

Nasço em cada fiada
na sutura do teu corpo
que me visita 
por entre cortes e costuras.



quarta-feira, 17 de junho de 2015

Das malas, férias e afins . . .




Confesso gostar muito de férias.

Afinal, quem não gosta?

Contudo, tenho um problema, 
para não dizer uma doença, 
na hora de fazer as malas.

Que hei de levar?
E se chove?
E se preciso de bikini mesmo na neve?
E se houver uma ocasião que exija uma roupa mais produzida?
E se precisar de chinelos?
E se a carteira fica horrível com o calçado?
E se . . ., e se . . . ui, ui ! ! !
São imensas, as dúvidas.

Parece o Apocalipse.

Pois bem, tenho alguns truques:

* Tento focar-me na duração e no local da estadia.
*Escolho uma cor ou uma peça 'indispensável' e começo a selecionar o que poderá ser usado com o tal objeto forçado a dar o mote.
* Coloco os montes por secção em cima da cama
(casacos, tops, calças, interiores e por aí fora).

Os meus truques revelam-se sempre volumosos e incomportáveis (só para avisar).

* Faço uma segunda ronda e mais uma terceira.

Por último, toca a emalar.



Claro que nunca há espaço, as malas, sacos e necessaires são tão pequenos, mas tão minusculos, só visto.

Penso que alguém me compreenderá, não?

A bem ou a mal, lá acabo no destino.

Tem alturas que fico contente por ter exagerado 
pois tenho escolha e até empresto coisas minhas, 
porém o pior vem depois.

Aquando do regresso a casa, 
o desempacotar, 
para além da depressão pós férias, 
relembra-me como fui inconsciente e tão pouco prática.

Volto à trabalheira de (des)arrumar coisas a que não dei uso ( a maioria).


Desta vez, 
vou experimentar usar o esquema abaixo.

E contigo, como é na altura de fazer mala???



"Se todo o ano fosse de férias alegres, 
divertirmo-nos tornar-se-ia mais aborrecido do que trabalhar."
William Shakespeare


sexta-feira, 5 de junho de 2015

Encruzilhadas



Há um sonho rebelde,
aquela viagem por iniciar,
uma vida à espera.

Adivinha-se o perfume
da flor não cheirada,
o passo acorrentado à terra,
a vontade que não passa
de desejo.

Provo da dúvida
destas encruzilhadas,
dos desassossegos
onde me assusto,
me perco,
e não (me) sei.


Há outras em mim,
medos por matar,
um não sei do quê
onde moram
fragmentos precisados
para me ser,
inteira.