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sexta-feira, 7 de agosto de 2015

coisas do mar



Trazes coisas do mar,
palavras perfumadas na maresia
em voo de gaivota.

Tens nas mãos o mundo
que me entontece,
deixas-me à deriva
ao sabor do teu tempo,
da tua vontade,
moderadamente.

Já te disse
o quanto anseio a loucura?

Junta a essas coisas do mar
a imprudência sem limites,
a anarquia de outras terras,
outros cheiros,
desejos inconfessáveis.

Vem !
Carrega-te em pleno
e oferta-te (só) a mim.

Leva-me contigo
por entre essas coisas de mar . . .



domingo, 2 de agosto de 2015

teus beijos




Gosto dos teus beijos crus
como cereja madura.

Doces como polpa sumarenta,
vermelhos como teus lábios
no descanso após
visitarem os meus.

Gosto dos teus beijos nus
como fruta de época.

Marotos na desfaçatez 
da colheita,
carentes como perdição
em vício do pior que há.

Por eles me perco,
por eles me encontro.
Teus beijos, meu amor,
são delícias com que sonho.


sexta-feira, 31 de julho de 2015

tem tempo(s)



Tem tempo este vagar manso,
a suavidade de um amor paciente,
na espera, 
sem horas, 
de ti.

Tem tempo este querer sem fundo,
a ternura de um desejo sem voz,
na delonga do teu trote.

Tem tempo esta esperança enfeitiçada,
a magia de um adormecimento confiante,
na entrega que se adivinha.

Tem tempo, faz tempo,
são calendários desfolhados,
nesta minha vida em suspenso.

Porque tardas?



quinta-feira, 23 de julho de 2015

Em sonhos . . .


O sonho chama por mim
e eu vou . . .

Persigo o beijo por dar,
grito aos ventos
que te quero
como quem
traga a vida
com um só gole.

Recolho meus fragmentos
em busca de ti,
correndo no acerto da tua voz,
na plenitude do desejo.

O sonho me chama
e eu tenho de ir,
quero esse beijo demais . . .




quarta-feira, 22 de julho de 2015

Doçura de receita . . .



Adiciono à nata do teu corpo
o açucar do meu desejo,
incorporo-lhe uns frutos vermelhos,
como paixão em ferida,
e eis a minha bagunça preferida:
o doce de te amar!



sábado, 18 de julho de 2015

Amor meu



O vento fez-se ao mar
e nele embarquei como clandestina.
Deixo-me levar
na ondulação uivante
como sopro vital.

Sou mar,
sou vento,
já nem sei.

Aporto noutro hemisfério,
continente desconhecido,
por onde deslizo
na respiração de ti.
como fantasma.

Abraço-te o sono,
beijo-te a respiração,
revogo-me em tua respiração,
na poeira da quietude
do vento quebrado.



quinta-feira, 16 de julho de 2015

Para o teu fundo



Desço-me por degraus
que me chamam,
oceanizo-me na descida
do abismo que és tu.

Para o teu fundo
é meu tempero,
sal da minha vida,
exigida no desejo
de tuas águas.

Dissolvo-me em fogos molhados,
 toques sem pudor,
onde és mar meu
e eu,
tua naufraga,
presa no querer-te
aqui e agora.

Adoço-me na escala decrescente
onde te sei,
para o teu fundo
é minha fortuna.



sábado, 11 de julho de 2015

Corte e Costura



Entorno este desejo 
na ponta da agulha 
a olhar-me por entre dedos.

Alinhavo humidade de beijo
no fio com que teço
a costura de te querer.

Vejo-te no fundo da linha
em que me debato
por coser.

Nasço em cada fiada
na sutura do teu corpo
que me visita 
por entre cortes e costuras.



sábado, 13 de junho de 2015

Tem um fio . . .



Tem um fio de vida
escapando-me por entre respirações,
no novelo de histórias por contar.

Tem um fio de cabelo,
tecendo-me a aparência em caracóis,
na espera do teu deslizar de dedos.

Tem um fio sem prumo,
equilibrando-me por breves intermitências,
no instante em que sonho seres meu.

Tem um fio de ligação,
agarrando-me em nós de desejo,
no querer ser teu destino.

Tem um fio com nós,
alisando-me em (em)baraços de amor,
por onde as palavras ganham sentido,

Tem um fio que não se vê,
que me acorrenta a ti.



terça-feira, 9 de junho de 2015

DesejosTalvez




Tem esse chão sem fim,
o horizonte muito para
além de mim.

Tem esse desejo dorido,
o mundo que
se quer colorido.

Tem meu grito mudo,
minha dor controlada,
até um dia.

Não quero ter !

Basta-me ser !

Talvez o olhar turvo
de paixão,
quiçá o instante
do êxtase
em que existes em mim.

Talvez a loucura
sem fronteiras,
peias ou correntes,
de sorrir,
por entre marés felizes,
onde tu e eu 
nos consumimos.





sexta-feira, 5 de junho de 2015

Encruzilhadas



Há um sonho rebelde,
aquela viagem por iniciar,
uma vida à espera.

Adivinha-se o perfume
da flor não cheirada,
o passo acorrentado à terra,
a vontade que não passa
de desejo.

Provo da dúvida
destas encruzilhadas,
dos desassossegos
onde me assusto,
me perco,
e não (me) sei.


Há outras em mim,
medos por matar,
um não sei do quê
onde moram
fragmentos precisados
para me ser,
inteira.





segunda-feira, 18 de maio de 2015

Como orvalho



Aquieta-se a noite nos primeiros raios de sol.,
antigua-se o desejo de ontem
no (re)começo de outro.

Desdobro a ânsia de te ver acordado,
quedo-me como bicho
na espera de luz.

Os teus braços amornam-me a pele,
vestem-me como o orvalho da manhã
que adorna o lá fora.

Olho-te na fresquidão do regaço 
que aurora,
no colo oferecido por entre
palavras por dizer.

Escorro-me como gota matinal
nos jeitos de teu cabelo,
macio,
 como o desabrochar tenro 
de semente longe do fruto.

Faz-se o dia,
na poeira da noite,
como orvalho de prazer,
em madrugada por acontecer,
onde tu és meu.




domingo, 10 de maio de 2015

Descansada



Descanso no aperto de garganta
nesse nó que abraça,
na vontade de saltar 
a poça do tempo.

Repouso em tuas palavras,
verbo escorregadio,
mensagens sem garrafa.

Demoro-me na velocidade
de lentidões perdidas,
leito do que sonhei,
por entre mantas enroladas,
de rosto marcado
em descanso . . .



domingo, 3 de maio de 2015

É a vida !


Brotou a vida
sem porquês ou incertezas.

Veio no rio sem rumo,
galgou margens 
e disse que sim.

Viajou no tempo,
não olhou para trás
ao ritmo do coração.

Sulcou esperanças,
plantou lágrimas,
por entre vales,
mares e oceanos.

Ajeitou o olhar,
dobrou as lembranças,
abriu mão do sonho
e deixou-se ser.


domingo, 19 de abril de 2015

Depois de ti . . .


Desdobro o cheiro ainda enlaçado pelo branco do lençol enrugado.

Que lhe importa?


A indiferença do seu poder cresce na impaciência da minha inalação.


O odor é tudo.


Percorre-me sem autorização, torna-me refém, prisioneira, ao sabor da minha entrega.


Nesta posse evaporada por entre dedos, sou-me no leito do ainda há pouco.


O cheiro não se alisa, mas continuo a desdobrá-lo . . .






sexta-feira, 17 de abril de 2015

. . . teu olhar . . .



Derramaste teu olhar sobre mim,
viraste-me do avesso
viajando em contradições
que nem o tempo lembra.

Despiste meu corpo, 
minha mente,
minha alma,
com teus olhos,
à revelia das palavras.

Trocaste o curso do rio
por onde me sou,
desinquietaste-me vontades,
julgadas adormecidas,
surpreendeste-te em mim,
eu sei.

Vestiste o olhar 
que se me colou,
o qual não consigo despir
muito menos lavar,
em pele a chamar por ti.

Derramaste o teu olhar sobre mim,
quente,
em avassaladoras recordações
de hoje, 
quiçá,
de sempre.




quinta-feira, 26 de março de 2015

Com saudades . . .


O tempo trouxe o pó das recordações,
o cheiro de rio na minha pele,
aqueles anos onde cresci,
sem o saber,
sendo feliz na aventura.

Na sombra do tempo,
vieram as saudades,
a consciência do que sou
pelo que fui
ou deixei de ser.

Lavei o presente desse tempo,
sacudi o pó das suas botas,
limpei o seu caminho
e por ele me embrenhei,
destemida,
em demanda de voltar a ser.

Uma vez mais,
dependuro a infância,
a secar do banho de nostalgia,
ainda a escorrer lembranças
da menina que sou.


terça-feira, 24 de março de 2015

Lá . . . onde moro.



Habito irregularidades
de outro mundo
onde visões de cores,
 por etiquetar,
me assombram,
me deixam no abismo da loucura.

Por lá deixo correr a imaginação,
tudo é possível 
no faz de conta
da minha verdade.

São enredos que me transformam,
projetos de vontades,
sonhos por cumprir
a chamarem-me,
lá, 
da outra parte de mim.

Minha casa é a fantasia,
pensamentos que me escapam,
segredos só meus,
onde sou anjo, 
demónio e sei lá que mais,
mas, 
sempre na ilusão de me ser,
de poder ser-me.





segunda-feira, 16 de março de 2015

Tudo !




Não te disse já?
Quão tola sou!?

Agarro a lua,
sou o sol,
nada mais que o teu tudo.

Tolice minha,
a de querer ter-te
como luz dona das trevas,
devorar-te por inteiro,
ser buraco negro
de onde não queres voltar.

Fazes-me enlouquecer,
esquecer-me de ciclos,
fases ou tempos
pois se és o  meu tudo,
mundo sem fim,
por onde sou senhora de ti.

Deixa-me que te diga!
Ouve de mansinho!

Minha pele fala-te,
meu corpo te sussurra,
meu coração ecoa 
pelo infinito.

Não ouves?

Sou tudo
onde tu me és tudo.



quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Ilusão



Por aqui me perco,
solto estas cordas que me prendem
e me querem inteira.
Deixo os fragmentos
com meu nome
subirem no ar quente da maresia.

Por aqui me sou,
mais inteira
quando dividida,
na imensidão do mar,
na liberdade azul.

Por aqui me sonho,
sugada nesse raio de sol,
de alma morna à deriva,
sem passados tortos
somente com instantes de mim.

Por aqui a felicidade
não é quimera,
ilusão de quem se amordaça
como a vida  que escolhi.

Por aqui quero ir,
mas desconheço o caminho,
o traçado que sei existir,
restam-me os ecos do meu grito
de querer . . . me perder.