segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Só tu . . .


Só tu me abres,
conheces meu código secreto,
password sem regra.

Só tu me fechas,
mergulhas em interior meu
de um só fôlego.

Só tu me viras do avesso,
decifrando cada pedaço
escondido do mundo.

Só tu me fazes falta,
em cada inspiração
em cada instante de mim.

domingo, 9 de dezembro de 2018

Por hoje . . .


E o dia cinzento lá fora
alheia-se das chamas
que me aquecem a pele.

Sou só eu!
Eu,
no novelo aquecido
pelo fogo,
no livro em minhas mãos
 onde as letras  se atropelam,
desfazem palavras,
quebram parágrafos
em ritmo de batalha longíqua.

Distraio-me em quietudes de lá de fora
e sobressaltos d'alma.

Medos,
Dúvidas,
Incertezas,
não me vestem,
não me servem.
A modos que se passeiam por ali
em demanda de pouso.

De nada importam.

Mergulho num suspiro,
inflamo naquele lume
do tamanho de Tudo
e sorrio.

Por Hoje,
sou só Eu!


sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

Quarto


Há um quarto por aí,
na encruzilhada
de estradas
e caminhos,
onde nascem
pérolas,
rosas,
e outras
cousas  minhas.

Há um quarto por aí,
na linha do tempo,
onde cascatas
do teu ser
se derramam
em meus olhos
e a tua pele
me sacia
a fome de amor.

Há um quarto por aí,
no rio manso
da saudade,
onde sei de mim
ao percorrer
teu corpo
morno
por entre veludos
e ganas de te querer mais.


quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

A Distância de Ti...


Foi na melodia
em que me perdi,
por entre teus braços,
afagos e suspiros,
enfim.

Mesmo ali,
na linha da música,
rente a ti,
voei,
soltei-me
por entre notas,
pautas
e coisas de Mestre.


Foi ainda agora
este sentir
guardado
no segredo 
da nossa música:

a distância de ti.


quinta-feira, 27 de setembro de 2018

semeando


Deixo-me tombar 
no macio
da terra húmida 
que chama por mim,
e,
onde te escondes,
tu,
desejo meu,
incontrolável, 
insano
como erva sem sementeira,
natureza selvagem.

E,
 assim,
 me quedo,
soltando-me nas profundezas,
onde sei 
que um dia
serei flor.

segunda-feira, 11 de junho de 2018

Dóis-me!



Dóis-me tanto,
mas tanto
que não há medidas
para ti.

Gosto-te ,
em cada respiração minha,
demasiado,
tanto,
que  não cabe no Amor.

És-me,
 o vício entranhado na pele,
doença sem remédio,
ferida exposta,
a ânsias de te querer esquecer.

Dóis-me por todo o lado
ontem e hoje,
aqui e além,
de noite e de dia
como se tu pudesses
saber de mim,
querer-me ...
... nem que fosse só Agora.


terça-feira, 15 de maio de 2018

Sem Toa


À toa,
por aí,
acolá,
escorro-me no tempo
devagar
ou a borbulhar
eu sei lá.

Ebulições 
e ribeiras mansas
pertencem-me
como se fossem acalmia,
portos de abrigo,
na ponta de minhas mãos,
à toa.

E quando,
 de verdade,
cheiro a primavera,
pétalas e perfumes 
transbordam-me a pele,
autorizo-me,
deixo o mundo
e sou-me.


segunda-feira, 16 de abril de 2018

deixa ...



Deixa-me ir com as ondas,
afundar-me no silêncio
das profundezas,
deixar de sentir.

Solta-me as amarras
deste querer desmesurado,
desta vontade de ti
antes que enlouqueça
na beira-mar
onde te ouço, 
te cheiro,
te adivinho.

Permite-me ser outra qualquer,
aquela 
que desconhece a tua pele,
o teu olhar,
o teu feitiço.

Permite-me fugir de mim
onde te és
na minha essência.

sexta-feira, 13 de abril de 2018

sem chão


Caminho sobre águas
soltando pegadas
que satisfazem o apetite
calmo do mar.

Passo por aí,
onde o chão se afoga
por entre lamentos 
e regozijos de mim,
frémitos invisíveis
do que fui,
do que quero.

Balanço na viagem,
sem chão,
desse oceano
que quero conhecer,
vagando norteada
pela maresia da névoa
em que te sinto,
onde te busco.

Hesito na falta
de respostas,
na fragilidade deste querer,
sem chão,
tão imenso,
tão extenso
qual umbral flutuante
derramado sobre
a vereda molhada
e fria
onde me encontro.

Esperanço-me no olhar
distante,
para lá de mim,
onde te sonho, 
onde te sei,
onde te amo.

domingo, 1 de abril de 2018

Solta-me!


Solta-me!

Deixa-me gritar ao Mundo

o quanto te quero,

as milhas percorridas
em teu encalço,

o peso de ti
na minha pele,

de que forma 
é o meu amor por ti.

Sim!
Solta-me!

Nem imaginas 
como é tamanha
esta vontade,

ânsias descontroladas,
para lá de fronteiras
de qualquer espécie,

querenças arrumadas 
em minha mente,
em meu coração,
senhoras de senso perdido.

Solta-me e vem!

Para que mais depressa
me possa encontrar
perdida por ti ...
e ...
em ti!

quarta-feira, 14 de março de 2018

De mim . ..



Não!
Não me quero equilibrada,
certinha
ou bonitinha.

Nada do bem parecer
me basta.

Encontro-me no desacerto,
entornada,
no meu transbordo,
para lá 
do que é suposto,
para além de mim.

Sou aquela
que quer sempre mais,
mais de tudo,
intimidade,
essência
ou ousadia.

Não caibo em lugares perfeitos,
arrumados e catalogados.

Quero-me em desalinhos
próprios do sorriso,
do prazer
e da fantasia
de me ser 
feliz.

Atrevo-me nas veredas
varridas pelo Sol,
por onde florescem flores selvagens,
como eu,
sem canteiros,
limites ou fronteiras.

Não!
Não quero estradas alcatroadas!

Descalça,
permito-me sentir a erva húmida,
o solo irregular,
o pulsar selvagem
da vontade
que há em mim.



quinta-feira, 8 de março de 2018

Amar ... com direitos...

"Amar é um sentir,
para lá da razão,

próprio da essência de si." (Pérola)

"Amar é sonho desperto,
arrepio sem causa." (Pérola)



"Amar é superar-se." (Óscar Wilde)

"Amar é mudar a alma de casa." (Mario Quintana)

"Amar é comprazer-se na perfeição." (José de Alencar)

"Amar é receber um vislumbre do céu." (Karen Sunde)

"Amar é saborear nos braços de um ente querido a porção de céu que Deus depôs na carne." (Victor Hugo)

"Amar é ser levado a ter prazer na perfeição, no bem, ou na felicidade do objeto amado." (Gottfried Wilhelm Leibniz)

"Amar é admirar com o coração; admirar é amar com o espírito." 
(Théophile Gautier)

"Amar é descobrirmos a nossa riqueza fora de nós." 
(Émile-Auguste Chartier, "Alain")

"Amar é uma necessidade do coração; fazer amor é uma ocupação do espírito." (Nicolas Chamfort)

"Amar é humano; e nos acontece pela força dos deuses." (Plauto)

"Amar, é ver-se como um outro ser nos vê, é estar apaixonado pela nossa imagem deformada e sublimada." (Graham Greene)

"Amarmo-nos é lutar constantemente contra milhares de forças ocultas que brotam de nós mesmos ou do mundo." (Jean Anouilh)

"Amar é uma mistura de alegria e medo; de paz por um lado e ameaça de guerra pelo outro. É pensar que a felicidade tem nome e endereço. É temer não estar à altura. É sofrer tanto quanto querer." (Bruno Campel)

"Amar é cansar-se de estar só: é uma covardia portanto, e uma traição a nós próprios." (Fernando Pessoa)

"Amar é encontrar na felicidade de outrem a própria felicidade." 
(Gottfried Wilhelm Leibniz) 

"Amar bem é amar loucamente." (André Suarès)

"Amar é fazer pacto com a dor." (Julie de Lespinasse)

"Amar é ser estúpidos juntos." (Paul Valéry)

"Amar é metade de crer." (Victor Hugo)

"Amar é também agir." (Saint-John Perse)

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

interrogações do amor

Tenho dúvidas,
questões, incertezas,
pela vida toda
em autenticidades minhas.

Dizem-me haver duas formas 
de saber do verdadeiro amor:

 -  foste-me amigo verdadeiro
e te apaixonas (por mim)
de forma em que só pode ser Amor verdadeiro;

 -  ou te apaixonas (como pode acontecer com outra)
e tornas-te no meu melhor amigo
e será, de igual forma,
verdadeiro Amor.

São interrogações, 
meu amor, 
meras demandas para saber do amor, 
do teu amor,
por onde, 
afinal,
amizade vence a paixão.
Será?

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Gulosa ... eu


Hoje sirvo-me
em delicias
com formas , 
sabores 
e cheiros 
só meus.

Dou-me a provar
em doces 
com tons de salgado
a morarem em minha pele,
nas lágrimas
que me enfeitam a face
pela emoção de te amar.

Transbordo-me
nessa gulodice
lambuzada
a viciar-te
por entre natas e morangos
onde me sou:
gulosa.


domingo, 21 de janeiro de 2018

De mim


Foto by Pérola in Navio Escola Sagres

Por entre gaivotas e marinheiros
nada mais sou,
um ponto cor de rosa
ao leme de oceanos e mares,
ondas revoltas
de correntes imprevisíveis.
E,
eu,
seguro-me na ilusão 
de chegar a porto seguro,
local sem gentes,
barcos ou bussolas,
sendo-me
no apenas
 Eu e Tu.


P.S. No dia 18/01/2018:  6 anos de blog.
Confesso a ausência fisica por aqui, mas não as lembranças quotidianas de todos vós e do bom que é ser tudo muito bom.
São instantes, fases que o tempo desiguala, 
apenas  preguiças minhas, quiçá. 

Sou grata à Blogosfera!





quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Só Hoje


Só hoje,
tenho apetites
de ti,
ganas de te comer,
morder e trincar,
devagarinho,
degustando
cada pedaço teu,
sorvendo teu orvalho,
licor dos deuses,
destilado em paladar meu.

Só hoje,
ouço teus sussurros
embalados na onda
desta maré
que se enche e esvazia
ao sabor de cada garfada,
ao som da vontade
ritmada 
pela minha fome,
pelo teu desejo.

Só hoje,
deixa-me saciar-me (-te).


domingo, 19 de novembro de 2017

beijo


O descaminho da tua boca
encontra direção
de encontro à minha.

Nossas fronteiras,
alinham-se 
no beijo suspenso
pela vontade,
fundem-se
por entre lábios sequiosos
e línguas húmidas.

São os traços,
com que me tatuas,
meu amor,
esses beijos desvairados,
sem lei nem ordem,
perfeitos
no toque,
na intensidade,
no querer mais
outras marcas.


sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Doce



Ah!
Quando o Doce aflora 
em tua boca
e tu mo chamas
como se fora 
meu nome.

Acho-me e perco-me
nessa vertigem
de tanto me quereres
como se te fosse
um Doce.



quinta-feira, 19 de outubro de 2017

fatias de pessoas



Inteiras são as pessoas
com várias vidas,
fatias e fases,

feitas
e temperadas a tempo.

Desarranjadas em corpo só seu
de emoções espalhadas
ao vento,
de sentires e gostos
submersos
na tona das marés.

Remendam-se pedaços
no cenário do todo,
onde cada um é uno
na diversidade
e parecença
da humanidade.

Seres construídos
em histórias,
lembranças,
e fragilidades
que nos partem
na unidade,
coesão própria das pessoas em fatias.


sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Mordida



Saltito sobre forças,
 indomaveis,
de te apertar,
de te ter,
em minha essência,
deixando-me escorrer
nos teus lábios,
pela ternura suave
de te sentir em mim.

Apeteces-me,
 em pedaços,
mordido em minha boca,
salivando em antecipação,
agarrando em minhas mãos
o prazer,
de me ser,
em intensidades sem medidas,
com ganas de te beijar,
furiosa
na eternidade 
da pele apertada,
vincada
por carícias descompostas

São inconveniências,
supostos nascidos,
de atentados
ao desejo
desventrado
em minha língua
desnorteada,
alma de vida própria
nesta busca de ti.

Viajo em velocidades
enlouquecidas,
perdidas em apeadeiros calmos
onde o teu olhar me espera
porque meu querer
te quer abocanhar
em totalidades
fragmentadas
numa mordida aqui,
noutra acolá




quinta-feira, 12 de outubro de 2017

dor difusa


Na dor que não sangra
não há cura
ou olhar doente.

Permanece aquele sentir
de não querer mais,
saltar o muro
e deixar os campos pisados, 
calcorreados,
 no calcanhar da escolha.

Na ferida por suturar
não há tempo 
ou febre 
para acalmar.

Quedo-se no instante
que se quer eternizar,
contradição da vida
por onde as dores
têm de sangrar,
 as feridas carecem de sutura
em caminho
e descaminho
com muros de dor.

sábado, 7 de outubro de 2017

Geografia



Arrepio-me no 
gelo
de meus próprios pensares.
Cerco-me duma brancura
sem calor
onde a luz persiste,
em se refletir,
em acordar-me
desabrochando minhas cores,
meu viço,
meu ardor.

Sou meu próprio pólo,
extremo que dói
em fragilidade
dessa busca sequiosa
de me encalorar
na tua floresta húmida
mais a Sul, 
noutros meridianos.

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Navegando



Que faço eu
a este sentir?
A estas mãos
com fome de ti?

Que faço eu?

Navego neste livro
meio escrito,
muitos mais
por desfolhar,
vontades sublinhadas
com a ternura
do teu olhar,
de teu corpo
em ânsias pelo meu.


Que faço eu,
 meu amor, 
a tanta saudade tua?


sábado, 26 de agosto de 2017

anúncio primeiro


anuncio a primavera,
nem a primeira nem a última,
tão somente a primavera.

proclamo a serenidade
do morno pelas manhãs,
a tranquilidade do desabrochar,
o permitir ser-se em
autenticidade.

afago o começo
na delicadeza
pura
do sentir
a aragem da madrugada
em inocências próprias
de anúncios primeiros
como o da inviolável
primavera.


quinta-feira, 24 de agosto de 2017

promessas



fazes juras de amor
como quem oferece uma flor,
promessas perfumadas
por entre pétalas
cor de rosa.

sussurras brisa
de outro mar,
palavras de outras cores,
horizontes sem fim
e eu acredito.

Oh! Vã ilusão!

em pedaços recebo a rosa
aromas e cores prometidas.

mares e oceanos se esvaziaram,
palavras ecoaram no vazio
daquela fronteira
onde o coração despe a fantasia.