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domingo, 1 de janeiro de 2017

jardim meu


Em cada instante de mim
vou pisando trilho 
sem marca,
fazendo caminho
por entre mundos
desconhecidos.

Tem curvas,
pedras
e a marca de meus pés.

Tem o meu nome a história
pavimentada em chão,
dobrado
uma e outra vez
em inquietações solitárias,
traçado
na passada do desejo,
ganhando forma
o jardim meu.


quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

histórias


Desenrola-se a narrativa
como pergaminho antigo,
enrolado sob pedaço de cordel,
atada no fio do tempo.




Sou uma vida
de começos vários,
recomeços ainda mais
sem me faltarem inquietações,
dúvidas e falta de chão.

Falto-me a mim,
meu maior medo,
sobro-me em aparas de arrependimentos,
escorro-me no não
quando me apetece sim.

Oh! História da minha vida!
Vem contar-ma outra vez!



sábado, 28 de maio de 2016

No meu vale ... há uma casa



Há uma casa
plantada no meu vale
manso e de águas correntes.

Essa casa fez morada
em meu chão,
bebeu do meu rio,
plantando-se no meu vale
como peregrino
ou hóspede sem prazo.

Há uma casa engraçada 
por aqui,
com jeito de letra, enfim,
e meu vale soltou-se de mim.



quarta-feira, 12 de agosto de 2015

guerreiro



Trazes o gume da lâmina,
o sangue que não estanca 
nesses rios 
que atravessam teu corpo.

Tens no olhar o negrume
de gritos
e silêncios sem vida.

Persegues a cruzada, 
despida de ti,
marcada em tua alma
de guerreiro.

Estendes-me a tua mão
que me falam de outro ser,
calado em teu ventre,
em súplicas de amor.




quinta-feira, 26 de março de 2015

Com saudades . . .


O tempo trouxe o pó das recordações,
o cheiro de rio na minha pele,
aqueles anos onde cresci,
sem o saber,
sendo feliz na aventura.

Na sombra do tempo,
vieram as saudades,
a consciência do que sou
pelo que fui
ou deixei de ser.

Lavei o presente desse tempo,
sacudi o pó das suas botas,
limpei o seu caminho
e por ele me embrenhei,
destemida,
em demanda de voltar a ser.

Uma vez mais,
dependuro a infância,
a secar do banho de nostalgia,
ainda a escorrer lembranças
da menina que sou.


segunda-feira, 15 de setembro de 2014

O filme da minha vida


"Nós aceitamos o amor que acreditamos merecer."

Frase do Filme: As Vantagens de Ser Invisível 
(The Perks of Being a Wallflower)



Como gostaria de ser argumentista, realizadora, produtora e, talvez, princesa ou heroína fatal no filme da minha vida!

Em vez disso:


No filme da vida,
assisto-me como protagonista,
de papel central
lá por alturas do nascimento.

Nas voltas do enredo,
relego-me a figurante,
nas fantasias do crescimento,
em mundo de faz de conta.

Confiante na produção,
ainda me iludo
nas falas convenientes,
no dever a cumprir,
no guarda-roupa a usar,
por entre os sussurros do 'ponto'.

Por agora,
perdi o fio à meada,
o écran se escureceu,
o 'happy end' não se avista.

Sem heróis galantes,
beijos escaldantes,
restam-me cenários,
cenas por esquecer,
filme desinteressante,
um 'eu' desajeitado
no filme da minha vida.



sábado, 23 de novembro de 2013

Sou Filha !



Sou Filha de amores intensos,
de pai presente em ausência sofrida.

O  orvalho da madrugada,
pelas estação fria,
esfriou-me a pele, gelou-me os ossos.
No calor do verão,
 sombras e águas frescas,
refrescaram-me a tez morena.

Sou Filha de calores e frios,
beijos e indiferenças,
lutas e abraços.
Pétalas de flores silvestres me criaram,
os grilos me divertiram,
na natureza a que chamo mãe.

Sou Filha inquieta
em obediências com ponto de interrogação,
de crescimento tardio.
Sem idade,
as árvores chamam-me de irmã.
Afilhada das nuvens 
que tomam a forma de sonhos meus.

Sou Filha do tempo,
refém da infância que não quero deixar.
Regatos de memórias 
caem-me em cascatas de saudade.
Abrem-se as mãos 
em vã tentativa de agarrar pais desaparecidos.

Sou Filha Orfã!

Pérola


quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Do Virtual ao Real.





O nervoso atrevia-se a tentar dominá-la.
Até podia ser natural, porém tinha de recusar tal companhia.
Recusava-se a ficar toldada e de reflexos e pensamentos diminuídos.
Fez um trato consigo: só poria o motor a trabalhar se ficasse calma.
Condição indispensável.
Inspirações várias e fez-se à estrada.
Gostava da sensação de liberdade que a estrada em movimento lhe proporcionava.
A auto-estrada permitia-lhe uma tranquilidade apenas interrompida nas paragens das portagens.
Na auto-imposição de calma, deu conta da sua eminente chegada ao encontro combinado.
Prestou maior atenção à sinalética e recordou-se dos pontos de referência.
Havia chegado.
Deparou-se com o ostensivo nome do café que a fez sobressaltar.
Procurou as horas.
Estava adiantada, como era hábito.
Passou os olhos em redor.
Será que o reconheceria das fotografias?
Até ali, as mensagens trocadas na web tinham-lhe aumentado a curiosidade e o fascínio pelo desconhecido.
Expressões faciais e corporais que se adivinhavam em pontuações propositadas.
O virtual aguçara-lhe a vontade e ali estava ela.
Prestes a olhar para o rosto real.
O momento aproximava-se.
Voltou-se e um sorriso acolheu-a.
Sentiu-se em casa.
Finalmente, passara do Virtual para o Real !

Mar.Maria

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Patricia - ( 2 )


O magnetismo do olhar foi quebrado pelo empregado que cumpria a tarefa de distribuir os pedidos ordeiramente.
A conversa animada das amigas trouxe Patricia à realidade. Falava-se um pouco de tudo: compras, maquilhagem, projetos, ex-namorados e affairs, mas acima de tudo permitiam-se à diversão. 
A proteção do grupo desinibia em boa disposição.
Patty, sem planos para aquela temporada de lazer, ouvia, distraidamente, as viagens de data marcada ansiadas e programadas ao pormenor.
Entre risos, diálogos cruzados e garfadas no peixe grelhado olhou o veleiro. O homem que  vira anteriormente am azáfama encontrava-se em pleno duche ao ar livre. Parecia apressado. Desapareceu na cabine.
A sobremesa gelada causava-lhe calafrios saborosos. Entre olhares ao cair da noite, reparou em algo branco que se movimentava onde observara a embarcação de há pouco. Arregalando os olhos, habituou-se à luminosidade externa e reconheceu-o.
Sim!
Era o mesmo homem tisnado pelo Sol que agora envergava uma camisa por abotoar e esvoaçava na brisa marítima. O cabelo aprisionado em penteado para trás, revelavam um rosto anguloso. Apesar da distância Patricia podia apostar que as calças fluidas seriam de linho, igualmente branco.
Um contraste enorme que a deixara surpresa.
Entre a divisão da conta e idas ao WC para  retocarem a maquilhagem, a saída acabou por saber muito bem. 
A temperatura mais amena e o cheiro do mar ajudavam na digestão que acusava rotinas de trabalho. 
Sentia-se um pouco cansada, afinal trabalhara o dia inteiro. Não tinha hábitos de notivaga. Sempre que precisara de fazer horas extras, preferia a madrugada, o amanhecer. 
Como o nascer do Sol lhe era agradável!
Como a música do bar já se ouvia, apressaram o passo. Nessa noite, haveria um concurso de dança e algumas amigas treinavam há algumas semanas para o evento. 
A banda tocava uma balada que se ajustava ao ritmo dos barcos próxmos e dos pares que passeavam.
Patricia sente um ligeiro toque no braço. Vira-se e o homem do veleiro sorria-lhe.
Estava certa. Os olhos não podiam ser mais azuis e como ficavam bem com a sua pele morena e vestes brancas. Um bon vivant, pensou.
'Desculpe a ousadia. Destacou-se na mesa do restaurante. Tinha de vir conhecê-la' - disse-lhe com desenvoltura. - 'Perdão . . . sou o Miguel, posso saber o seu nome?'

(continua)

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Pérolas da Gruta Na Arrábida



Descobri que existem Pérolas da Gruta na Serra da Arrábida (Setúbal).

Já moro por aqui há algum tempo e desconhecia estas pérolas de gruta.

Nem sabia da existência de grutas lindíssimas na região.

Por vezes precisamos de ser turistas para apreciar e conhecer as raridades de uma região. '- Mea Culpa' -

Pois bem, e o que são estas preciosidades ? Como se formam?

Uma coisa é certa, não resultam de inflamação na ostra.

Explicação: A água goteja com força nas poças, precipitando a calcita que vai revestir pedaços de matéria estranha, como areia, fragmentos de ossos, ou até mesmo canudos para refrigerante. Assim, com a aderência gradual da calcita, forma-se uma pérola.

Tal como acontece na referida ostra, há uma matéria estranha como um grão de areia que vai sendo revestido pela natureza com tempo...muito tempo.

Seja lá como for, a pérola é sempre a intrusão transformada em algo belo, cujo valor tem por base o tempo. 

Ostra Feliz Não Faz Pérola.
Rubem Alves
Não sei bem o porquê, mas parece-me que o meu nome não é à toa. 
Sou uma felizarda por gostar tanto assim da minha denominação.



segunda-feira, 15 de abril de 2013

"Estás Bonita !"



Desajeitas-me !

No olhar inesperado que ofereces no Depois e me dizes "Estás bonita!".

Não!

Não me elogias ou tampouco constatas uma inverdade.

Naquele momento "sou bonita" a teus olhos porque mo sinto.

Gosto!

Gosto tanto quando te revelas, não a meu pedido.

Tão somente lês a nudez do meu ser.

Adivinhas-me!

E . . . Eu?

Eu fico sem jeito !   [[f9.shy]] 




sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Que Calor ☀ ! ! !



Querido Diário,


Com as previsões a apontarem para temperaturas a aquecerem os termómetros para além dos 40º resolvi procurar a frescura marítima.
De bikini já vestido, enfiei o vestido de alças, bem leve, e de fresquidão encerrada em recipiente apropriado, atrevi-me até à beira-mar.
O areal morno massajava os pés descalços, saudosos de tais mimos.
Procurei poiso ligeiramente inclinado, bem juntinho da zona de rebentação. 
Sabes como gosto de sentir os salpicos das brincadeiras das ondas.
O dia mostrava-se luminoso e nada fazia prever as tais temperaturas abrasadoras que a meteorologia teimava em repetir nos locais informativos.
Entre visitas ao mar, com arrepios pelas gotículas salgadas que me enfeitavam ao refletirem a luminosidade solar, os passeios sem destino onde apanhava conchas e búzios que a maré me presenteava, o tempo decorria.
Num dos momentos de 'relax, lendo viciante autor... já sabes como sou quando me entusiasmo pela leitura...de difícil contenção, eis que começo a sentir ardor invulgar. 
Um calor incendiário.
Procuro o protector, guardado na geladeira, e em forma de spray, refresco-me ao mesmo tempo que acarinho a minha pele. 
Queimaduras são para evitar a todo o custo. Sei que concordas comigo.
Apesar do 'Pilates' que tanto tem contribuído para o meu bem estar físico, há certas zonas do meu corpo a que não consigo chegar com as minhas esforçadas mãos. Limitações.
Sondo em volta buscando alguém disposto a socorrer-me em tarefa simples.
A uns escassos metros olhei para o  meu vizinho de toalha e território da orla, um rapaz pela minha faixa etária, mais ano menos mês ou vice -versa.
Não é meu forte adivinhar idades, já sabes.
Sem problemas pedi-lhe assistência nesta minha incapacidade de espalhar o spray por  todos os centímetros do meu orgão maior.
Com um sorriso, levanta-se sem pressas.
Reparei na sua altura, deitados somos mais nivelados, não achas? 
Para além disso, o corpo movimentava-se harmoniosamente, bem constituído, sem nada a apontar. Até do calção desportivo gostei.
Passei-lhe o spray. Ele reparou na sua temperatura fresquinha. Geralmente estão quentes, as pessoas têm-nos à mão. Não é o meu caso, como já to disse.
Com mãos duma suavidade indescritível começa a espalhar o liquido. Não sem antes me borrifar por inteiro o que me arrepiou. Afinal o produto estava gelado.
Ainda lhe tentei explicar que só não alcançava certas zonas...
Novo sorriso.
Indiferente às minhas indicações, passeou-se pelos meus ombros, costas, desceu nas costas. Empenhou-se nos braços e nem esqueceu as minhas mãos, afinal também têm pele.
Desconheço se a temperatura exterior me elevou a interior. Dos normais 37,5º comecei a sentir-me entrar em ebulição. Fiquei febril.
 A sério! Não acreditas?
Um incêndio interior ateara-se e espalhava-se rapidamente a todo o meu ser. Inflamara-me.
Precisava de socorro. talvez dos bombeiros...
Incapaz de me mover, o 'meu' auxiliador compenetrava-se na total proteção da minha cútis.
Entretanto descera às coxas e zelozamente prosseguia, dando integral cumprimento ao meu banal pedido.
Sem informar, guardou o protector na fresquidão resguardada e sentou-se na ponta da minha toalha.
Olhando o azul da água perguntou-me se não tinha calor, porventura o queria acompanhar num mergulho.
Completamente incandescente só tinha uma resposta possível. Corremos lado a lado nos escassos metros que nos separavam do oceano.
Mergulhámos e agarrou-me pela cintura.
A febre não tinha descido. Penso que piorara.
Agarrei-lhe a mão e conduzindo-o até às toalhas, enfiei o vestido por cima do corpo ainda molhado e . . .  trouxe-o para casa.
Meu amigo diário, que querias que fizesse?
Bem sei que todo o cuidado é pouco com estranhos.
Porém, nunca o senti como um intruso.
Os olhos demonstravam uma ternura nunca vista.
Li-lhe confiança.

Pois...desta vez para além das habituais pedrinhas e conchas trouxe um tesouro maior.
Faz-se tarde. Já estou com sono...depois conto-te mais.
A história encalorada não se ficou por aqui...

Um beijinho da amiga,

(♥‿♥)

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

100 história ( s ) . . .


O passo apressado denunciava ansiedade. A escuridão pedia-lhe cautela, coisa imprestável neste momento.
Cair, tropeçar, nagoar-se fisicamente não era nada, comparado com os sentimentos que a torturavam.
Um sentido desconhecido guiava-a por onde onde os olhos não a podiam ajudar.
Necessitava, com urgência, de chegar ao destino. Determinada o receio não tinha lugar na sua companhia.
Avançando sem dar conta, vislumbrou o local combinado.
O banco da alameda já estava ocupado. Não a surpreendia. Sabia da pontualidade que lhe era característica. Ele gostava de se adiantar. Previdente, racional, metódico e prático demais para o seu gosto.
Afinal tinham sido estas peculiaridades que os tinham conduzido até ali.
Abrandou o passo. Ajeitou o cabelo. Retocou o 'gloss' por instinto. Inspirou e vestiu-se de si própria. Feminina, confiante.
Desta vez estava decidida. Ou a conversa a satisfaria ou o rumo seria outro, na certa.
Fartíssima de parcas palavras, de racionalidade comprovada, apenas queria letras juntas com o afeto como cúmplice.
Desejava emoção e bem explicada.
Ânsias de diálogo sem pontuação, conversa de olhos, enfim a dissecação daquela relação tinha de ser feita.
Precisava do detalhe, dos pequenos 'nada'. Enfim, de todas as 'inutilidades' como ele lhe chamava.
Continuar a viver da forma como ele queria estava fora de questão.
Necessitava de  esclarecimentos como do ar que lhe custava a tragar.
Naquele momento, o som da sua passada virou-lhe a cabeça.
Olhou-a, cumprimentando-a, e sorriu...