segunda-feira, 20 de março de 2017

desculpas


Cansam-me as desculpas,
estas fendas iluminadas
a que me agarro
sem saber 
da porta de acesso.

Excluída de vontade
salto lapsos,
intervalos de mim,
que sei
serem únicos
ao ficarem trancados
nesta insanidade
a que chamam vida.

Sem chave ou fechadura,
quedo-me em voltas,
círculos angulosos,
na procura de algo,
nem compreendo o que é.

Angustio-me
na canseira de existir,
perguntas sem resposta,
vontade sem tempo,
desejo sem rumo.

Transbordo-me,
no vazio
imenso do sentir
minha dor,
fechada na imobilidade
da espera
por onde as desculpas
se chovem,
como chaves esquecidas
dependuradas em minha mão.

9 comentários:

Zulmira Romariz disse...

Olá Pérola, gostei dessa angústia de viver, é familiar, bjs boa semana

emanuel moura disse...

Triste mas belíssimo querida amiga ,desculpas sentidas nesse viver ressentido ,muitos beijinhos felicidades

Ana Bailune disse...

Estar vivo é sentir...

Francisco disse...

Muito bom

Beijinhos

PAULO TAMBURRO. disse...

OLÁ,

sou seu antigo seguidor!

No nosso blog FOTOFALADA desta semana saiba tudo sobre a bunda.

Abração carioca e seu comentário poderá aprimorar nossa publicação.

Pedro Coimbra disse...

A comemorar o Dia Mundial da Poesia??

AFlores disse...

Habituado a ouvir que «as desculpas são como as promessas. Evitam-se», não tenho desculpa alguma por pontualmente não ter palavras para comentar a tua poesia.
Delicio-me em silêncio.

Beijinhos, tudo de bom.

Élys disse...

A vida é assim nos faz sentir para que possamos de alguma forma irmos evoluindo, crescendo.
Um abraço.
Élys

Graça Pires disse...

Excelente poema em diálogo melancólico com a imagem.
Um bom fim de semana.
Beijos.