terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

carta em branco


As palavras são teus cabelos,
coam-se entre dedos,
em brincadeiras rebeldes
de suavidade presa
na ponta da pele.

Fogem-me vírgulas,
pausas refugiadas 
pelo teu pescoço,
sem interrogações
ou exclamações
de lugar certo.

Ressoam ecos dessas palavras
que fugiram à tinta
ritmados no cair da água,
do duche, 
em tuas madeixas molhadas
escorregando-me
na espuma do que ficou por dizer,
sem ponto final,
rimas ou métricas.

São afagos desembaraçados
nesse pentear sem letras
enleados em minhas mãos,
toque de poesia,
paixão
e amor,
tão só.

As palavras não me obedecem,
esquecem-se do meu chamamento,
do meu desejo,
deixam a carta em branco,
restando a mensagem escrita
nas linhas desarrumadas
do teu cabelo
onde rabisco
o quanto te quero.

9 comentários:

emanuel moura disse...

Palavras vivas que nos embalam neste lindo poema,querida amiga desejo-lhe uma terça-feira muito feliz beijinhos

Cláudia disse...

Bonitas palavras.

Beijocas

Andreia Morais disse...

Poesia brilhante, como sempre!
As palavras conseguem ser tanto. Assim como os espaços que deixamos para que a história se desenlace

Beijinhos*

Elvira Carvalho disse...

A sua poesia é como o vinho do porto. Está cada dia melhor.
Adorei.
Um abraço

Cidália Ferreira disse...

Lindo Poema! Adorei

Beijos

Francisco disse...

Gostei

Beijinhos

Sónia Miranda disse...

Desejos .... ;)

Diana Fonseca disse...

E que belas palavras estas.
Ao falar de palavras...
Um belo poema. Lindo.

Pedro Coimbra disse...

As palavras muitas vezes têm vontade própria.
Quando assim é o mais aconselhável é deixá-las fluir.