quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Tem um lugar . . .



Tem um lugar me esperando,
uma casa só minha,
um mar que me conhece.

Tem esse espaço
onde me sou,
me basto
e me gosto.

Tem um lugar me esperando,
eu sei.

Sinto-o no neste arrepio de pele,
no nó seco de garganta
por onde se perde a voz
silenciada em medos
só meus.

Tem um lugar à minha espera,
quiça, 
dentro de mim.



sábado, 6 de fevereiro de 2016

De Mim



Aconteci no grito,
do romper do ventre de alguém,
como suspiro indiferente do Tempo.

Inquietei-me por desassossegos meus,
incertezas e dúvidas,
por onde me perdi, 
por onde me fui sendo
como flor espalhando raízes
de pétalas por desabrochar.

Permiti-me provar o desejo,
a vontade despudorada,
de outras peles,
sentires de alma nua,
em demandas
que só eu sei.

Derramo-me no sonho
de outros paralelos e hemisférios
em apetites aflitos
de me avistar,
por entre adivinhações encantadas
no eco do pensamento.

Silencio-me neste querer sem medida,
no amor enterrado em mim,
com ganas sem trilho,
na contradição de me gostar.



domingo, 31 de janeiro de 2016

Sou música




Cruzo ares,
ventanias e tempestades que tais.

Sou navio sem âncora,
sinfonia de andamento só meu.

Não aporto em lugar algum,
levam-me as notas,
em melodia só minha,
por onde sou orquestra,
maestrina e instrumento.

Abram-me alas,
caminhos sem chão,
por onde me solto,
em voo,
como ave nos braços da vento
em que me sou música por inteiro.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Tempo de vida


Tem uma vida
no entroncar de árvores
deformadas ao sabor
do moribundo ontem,
no apressado desejo de hoje,
no apetite esfomeado do amanhã-

Tem uma vida
no tic-tac alheio
às pressas e desmandos de mim.

Tem uma vida
que me agarra,
esventra e consome
em olhar que me diz:
-És Minha !


segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

- Faço 4 anos ! ! !




Será que me esqueci?
Padeço eu de algum mal de memória?

Hum ! Não me parece.

É apenas uma garganta inflamada e a preguiça a tentar-me.


Pois é !

O Blog fez 4 anos no dia 18 de janeiro no ano de 2016.

Confesso que me lembrei da ocasião várias vezes e do quanto a Blogosfera me é importante


O querido Aflores lembrou-se desta pérola em formação e veio à festa.
Perdoa-me amigo, mas o frio deixa-me semi-hibernada.

Para ti em especial e para todos os meus amigos partilho aqui um doce, 
um bolo que tão bem me sabe na companhia de todos vós. 


A mesa está posta, 
Venham!
Façam o favor de se sentarem.

Quero celebrar o 4º aniversário do 'eereatudomuitobom.blogspot.pt' contigo.

Bem Hajas!

Muito obrigado por me acompanhares neste caminho que se solta e mostra o tanto que as palavras, as fotografias e todo o género de partilha ainda têm para nos oferecer.

Saúde!




quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Divagações . . . em sonhos.


"Não importa o quanto às vezes seja difícil, 
o quanto às vezes eu me atrapalhe, 
o quanto às vezes eu seja a densa nuvem que esconde o meu próprio sol,
 quantas vezes seja preciso recomeçar: 
combinei comigo de não desistir de mim."


________Ana Jácomo



Sou assim,
a modos que um sonho de mim,
uma lembrança,
ou mera vontade de me ser.

Sou assim,
a modos que a minha melhor amiga,
a pior inimiga,
sabotando-me 
como só eu sei.

Sou assim,
a modos que uma menina
com ganas de princesa, 
perdida no tempo,
em diálogos internos,
confusos, 
persistentes,
esperançosos
em que me dou a mão,
sem desistir de mim.




quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

* ANO NOVO *




Mais um ano,
mais um virar de página
na enciclopédia da vida.


Que cada instante
seja motivo e causa
do recomeço de nós próprios.


Mais uma maré,
no oceano da impermanência,
onde ousamos saltar paralelos,
atravessar hemisférios
em busca tão só de nós,
de outros,
com o amor como arma,
a felicidade como alvo.


Atreve-te  a ser feliz hoje,
agora e no sempre,
para lá dos calendários !






quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

nascer . . . renovar



Embrulho-me no presente,
para ser desfeita no amanhã
por onde me renovo
em fitas vermelhas
com laços de esperança,
amor e vontade.

Assim me nasço
outra e outra vez,
neste vaivém entrelaçado
de passado rasgado,
presente despido
em futuro solto 
na laçada de querer.

Há um nascimento
à minha espera,
um recomeço que me aguarda,
a renovação que me  chama.


Feliz Natal,
Blogosfera ! ! !



terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Gulosa



Deixa-me ser gulosa,
lambuzar-me em ti
até o doce me enlouquecer.

Deixa-me provar
cada recanto teu,
passar a minha pele 
por tuas montanhas,
cumes e vales.

Deixa-me saborear,
de língua húmida,
os teus cheiros e sabores
pelo mundo do teu corpo 
sedutor e maroto.

Deixa-me o desejo
de te querer mais,
sempre mais,
em ganâncias gostosas,
com lambidela vorazes
como gulosa que sou.



quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Partilha musical


Apesar de portuguesa, o fado nunca me foi música próxima, confesso

Partilho 'O Melhor de Mim' da Marisa porque algo me tocou bem cá dentro.

Também eu sei que o melhor de mim está p'ra chegar . . . 
há um renascer constante onde a luz me seduz
e a tormenta não passa de trapolim
neste cair e levantar de me ser.

Espero que gostem !


Hoje a semente que torna na terra
E que se esconde no escuro que encerra
Amanha nascerá uma flor.
Ainda que a esperança da luz seja escassa
A chuva que molha e passa 
Vai trazer numa luta amor.
 
Também eu estou à espera da luz
Deixou-me aqui onde a sombra seduz.
Também eu estou à espera de mim
Algo me diz que a tormenta passará.
 
REFRÃO:
É preciso perder para depois se ganhar
E mesmo sem ver, acreditar.
É a vida que segue e não espera pela gente
Cada passo que demos em frente
Caminhando sem medo de errar.
Creio que a noite sempre se tornará dia
E o brilho que o sol irradia
Há-de sempre me iluminar.
 
Quebro as algemas neste meu lamento,
Se renasço a cada momento,
Meu destino na vida é maior.
 
Também eu vou em busca da luz
Saio daqui onde a sombra seduz.
Também eu estou à espera de mim
Algo me diz que a tormenta passará.
 
REFRÃO:
É preciso perder para depois se ganhar
E mesmo sem ver, acreditar.
É a vida que segue e não espera pela gente
Cada passo que demos em frente
Caminhando sem medo de errar.
Creio que a noite sempre se tornará dia
E o brilho que o sol irradia
Há-de sempre me iluminar.
 
Sei que o melhor de mim está pr'a chegar!
Sei que o melhor de mim está por chegar.
Sei que o melhor de mim está pr'a chegar."


terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Da Normalidade


De perto ou de longe,
foge a normalidade
por entre olhares
e juízos de valor.

Não te conheço
e muito menos reconheço.

Chego a pensar 
se é coisa minha
ou se me ignoras
só para me inquietares.

Na ausência de certezas,
deixo-me de procuras
e quedo-me no encanto da dúvida.

sábado, 12 de dezembro de 2015

Chove


Chovem lágrimas,
cada uma 
escorrendo a sua emoção,
molhando a pele
de quem se embaraça
em nós de afetos.

Chovem lágrimas
de amor,
perdidas na dor,
de quem quer 
e não tem.

Chovem lágrimas
de alegria,
perdida no riso
de se sentir,
nas pontas dos dedos
de alguém.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Posso escolher !



E na lama mais nojenta,
no buraco mais fundo
do desespero que aceitamos . . . 

. . . Há sempre um charco
 onde lavar a pele,
uma escada por trepar.

Porque . . . afinal
tem-se este derradeiro e decisivo poder:
"- Eu escolho !"

*************

Podem vir outros,
dizerem-me que não, 
talvez até o negro tolde os meus olhos,
tenha vontade de sumir 
ou
simplesmente desaparecer.

Mas, que interessa ?

Está tudo em mim 
e só em mim,
a ninguém mais devo culpar . . .

 . . . porque eu posso escolher !




sábado, 5 de dezembro de 2015

Inapropriado



Povoas o meu sonho,
no desejo impudico que não me larga.

És tentação, 
pecado com perdão,
por onde me desonesto
em apetites por saciar.

Fizeste morada em mim
no atrevimento dos teus silêncios,
nas entrelinhas do teu dizer
e . . .
 . . . eu . . .
deixei.

Agora,
aguardo-te com ganas 
de animal esfaimado,
predadora paciente
do banquete 
de nós,
por onde me quero consumir
ao te engolir inteiro.


quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Desassossegos meus



Busco lá fora,
onde só o eco me responde,
desespero no silêncio
de tanto querer.

Algo me sussurra,
me aconselha a aquietação
deste desassossego 
de não me amar.

Solto fragilidades minhas,
simplifico-me em emoções 
de me ser, 
como fantasia real.

Parece guerra perdida,
luta sem tréguas,
pois a busca não  cessa
e,
 muito menos,
a tranquilidade vem.



domingo, 29 de novembro de 2015

Trilhando



Piso as fendas deste chão estéril,
procuro as estrelas da ponta do teu indicador,
a vida adivinhada nas tuas palavras
ou no deserto delas.

Vinco-me nas rugas do tempo,
alheia à vastidão de outros céus,
trilhos húmidos por onde te encontras.

Cicatrizo-me neste vão de bainha descosida,
querendo a água fresca que se descortina,
 mais ali,
como prémio desta míngua.

Esgueiro-me em dobras tuas,
sinto-te o fôlego,
a frescura dos teus lagos,
e sei da minha chegada.



quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Alucinando


Ser Mulher também é ser Deusa.


Navegar com ventos contrários,
ser naufraga em areia salgada
e,
ainda assim,
dar a mão sem género
na essência nua.

Partilhar tesouros de nada,
olhar os mares revoltosos,
sorrir às tormentas,
enfrentar esse mundo
que ruge e se enfurece
e,
ainda assim,
ser Deusa Mulher
porque sim.




quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Faz Tempo . . .


Faz tempo
que o teu silêncio me chama,
a sombra do teu desejo me despiu.

Faz tempo
que o teu beijo me falta,
a ribeira do teu ser me entornou.


Faz tempo,
meu amor,
que me suspiro e anseio . . .de ti.


domingo, 1 de novembro de 2015

Como sobreviver sem PC ? ? ?



Quis o destino, o Universo ou simplesmente o acaso que o meu portátil se avariasse.
E agora ? ? ?
Como sobreviver . . .

Por um lado, 
venho justificar a minha ausência na Blogosfera
e, por outro,
manifestar as enormes saudades 
(sim, saudades, bem à portuguesa)
de te visitar,
de teclar palavras que ecoam e sempre encontram respostas
e muito carinho.

Por agora, aguardo que que o meu computadorzinho se recupere depressa.

Voltarei depresssinha, assim o espero.

Beijinhos !!!






segunda-feira, 5 de outubro de 2015

em demanda



me vou em
tempos sem história,
fico-me por lá
presa na liberdade
de tudo,
perdida em mim,
indo-me sem fim.
 
me fui em
pensares só meus,
soltando-me
em desassossegos,
inquietudes só minhas.


me sou em trilhos
com/sem escolhas
na deriva do mundo,
gotejando-me
no orvalho
de lágrimas suspensas,
intervalada em pensares,
na demanda do cristalino
de me ser.



quarta-feira, 23 de setembro de 2015

em outono


Mauvais
Randall Hobbet
2015

Definham as marcas,
dos dias longos,
do dourado beijado 
pelo sol em areias 
já baças.

Atrofiam os tempos 
de luz sem relógio,
da claridade constante
do verão que
que se esvai.

Enfraquecem as árvores
em época de colheita
na promessa de  nova semente.

Murcham as folhas
em tons quentes,
qual ironia outonal,
a abrir caminho
à frialdade
que se adivinha.

Renunciam as planícies verdejantes,
restam as mínguas desfloridas,
o hibernar na nudez crua
da espera
de nova primavera.


sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Não sei



The Flower Girl - 
Jules Cyrille Cave

Não sei quando a semente
se perdeu na terra,
o céu se derramou
ou mesmo porque 
se despem as flores maduras.

Vou secando 
no mesmo vento
que varre jardins
e colhe as flores
grávidas de nova primavera.


Inspiro os suspiros dos malmequeres
como perfume de outras eras,
de outros tempos,
porque simplesmente não (me) sei.

Já brotaram novos rebentos
na terra acolchoada
de folhas que se enlutam
na despedida do verão.

Não sei dos porquês
das estações 
que se soltam de sinónimos
e agarro-me à desfolha
de pétalas por cair.



terça-feira, 15 de setembro de 2015

em pedaços (de mim)



Percorro-me no decoro
da inteireza de mim.

Contam-me da lealdade
a me ser, 
única,
em austera unicidade.

É-me caminho penoso
pois se me perco
em fragmentos meus,
pedaços de,
e com,
 sentidos contraditórios,
como se fosse puzzle
a construir.

Insisto na vã tentativa
de me sentir inteira,
na exclusividade da pessoa.

Mas são os estilhaços,
recortes meus,
que me chamam,
 me acolhem,
de mãos cheias de porções,
moldando partes,
nunca sobejadas,
onde me vislumbro
e
abranjo a suspeição
de me ser em retalhos,
somente pedaços.


domingo, 6 de setembro de 2015

tempo e sobras


Solta-se o tempo em instantes petrificados,
afundam-se momentos neste poço em que me sou.


Sobro-me tanto!
E, 
ainda assim,
vou sendo consumida
nas franjas do quotiano,
vincada nas dobras do banal,
como pedra erodida 
por elementos de circunstância.

Sobejo-me
nos intervalos da vida,
onde sou mulher
em rota labirintica,
perdida e achada,
no chão de ninguém
como estátua de mim.

Resto-me no trilho
do outro,
ou,
talvez não.

Afinal sou orfã da escolha,
filha de mim mesma,
e,
permito ao tempo
esculpir a minha forma
em mármores 
onde me continuo a sobrar
na terra de
 inevitabilidades temporais.

Pérola



quinta-feira, 3 de setembro de 2015

gosto. . . (-me)


Gosto de rodopiar 
nesse abraço que dói,
silenciar-me no teu riso,
ser feliz, 
mesmo assim.

(Podes ser sonho meu,
banda desenhada
em biblioteca monástica,
mas não me peças 
para cair 
no abismo do real.)



Não!
Não te solto 
dos meus braços sem força,
do meu corpo sem juízo,
dos meus pensamentos inconvenientes.

Brilho na fantasia
de me quereres,
gosto-me no romance
de me gostares também.