quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Prazo de Validade

O prazo de validade é coisa recente!
Os mais novos não pensem que existe desde sempre tal como a net e coisas similares.
Dantes, assumia-se que  as coisas se estragavam e os sentidos ajudavam a detetar alguma deterioração. Quase parecia que tudo duraria para sempre.
Ou, pelo menos, fazia-se de conta que era o percurso 'normal'.
A todos os níveis, partia-se do princípio de que as coisas se gastavam até ao fim. E este fim era um processo a que nos habituávamos.
Como tudo muda, surgiu o fascinante conceito do 'prazo de validade'.
Como todos sabem, os produtos, os serviços, os costumes e até, as pessoas têm prazos de validade.
De prazo curto, como os iogurte, até mais dilatados como os dos carros, dos cursos superiores, por exemplo.
Tudo tem o seu tempo e fruto de modas mais ou menos massificadas.
Veja-se o exemplo do 'jogging', casar, ter filhos, amamentar, ser virgem, os sapatos, eu sei lá...o que imaginarem.
No panorama humano as coisas não são muito diferentes.
Tempo para ser criança, para ser adulto e todas as outras fases em que teimamos emprateleirar-nos.
Temos de estar atentos porque podemos passar à fase seguinte e se os estereótipos não se cumprirem podemos ser penalizados (socialmente e não só). Perdemos a validade e fica-se desadequado ou imprestável.
Como o tempo é impiedoso, os tempos são curtos e se hoje já podemos votar, amanhã seremos velhos para mudar (ou arranjar) de emprego.
No meio  desta emaranhado de datas e prazos que se esgotam e caducam num piscar de olhos, estão as relações amorosas.
Estas também vivem marcadas pelo efémero.
Ninguém espera ter uma relação para sempre, um marido, um filho, um amigo para sempre. Sabe-se de, forma intuitiva, que as coisas duram o que duram.
Então o amor gasta-se, o divórcio acontece, o filho antipático e ingrato encaminha-se  para o outro progenitor ou familiar e se os amigos deixarem de ser divertidos arranjam-se outros.
Não vale a pena discutir muito, continuar amante de velharias e sentimentos ultrapassados.
Eu remo contra esta maré.
Sou dinossauro.
Acredito que os prazos de validade só fazem sentido nos produtos alimentares e medicamentos.
Apesar da ideia generalizada de que as coisas se gastam depressa e desta forma, é dispensável o esforço para que seja doutra forma, eu acredito que as pessoas não possuem prazo de validade e muito menos os afetos.


As pessoas mudam, os sentimentos alteram-se, a vida é uma constante mudança!
Mas, sem prazos de validade, por favor!



16 comentários:

Tétisq disse...

Não gosto nada de empratelamentos...
Os prazos de validade de alguns produtos também é só indicativo. Por vezes as pessoas decretam o fim de alguma coisa pela data indicada mas ela ainda está muito boa...*

✿ chica disse...

Os prazos para pessoas e relacionamentos não são pré determinados, acredito, como tu! Lindo texto! beijos,chica

Cláudia disse...

Ai, gostei muito do texto!
A "pequena explicação" do início e esse desenvolvimento a rematar.. Muito bom!

Beijocas

Arco Iris disse...

Subscrevo, aliás um texto fantástico.
Pois é mais uns anitos...e também o meu prazo de validade começa a preocupar-me.
Bjs :)))))

AvoGI disse...

Prazos de validade? u nem olho ao prazo mas há quem siga À risca a validade.
kis .=)

Mona Lisa disse...

Belo e real texto.

Não há prazos determinados para as fases da vida...ela encarrega-se disso...

Acredito no amor eterno, tanto a dois como só de um (que viverá mergulhado em recordações)...

Beijos.


Francisco disse...

A realidade é que chegámos ao "prazo de validade" quando termina?! Eterna questão...

Beijinhos Grandes

AC disse...

A vida encarrega-se de estabelecer os prazos que quer.. não determinamos nada, não escolhemos o fim. Ele acontece e pronto. Nada é eterno.

É bom saber que remas contra a maré e que lutas contra o demasiado óbvio..

Força, admiro-te!

beijo*

LUZ disse...

Olá, querida Pérola!

Não somos nós, que estabelecemos prazos de validade, em minha opinião.
Acho, que tudo acontece, naturalmente.
Os afetos, genericamente falando, são eternos.
Especificamente, que sejam eternos, enquanto verdadeiros.

Beijinho da Luz.

Margarida Alegria disse...

Eu também penso como tu, querida Pérola!
Acho que o que é bom e do bem deve ser para durar. Até mesmo alguns objectos, mas sobretudo os afectos. Ou se gosta, ou não. Há é matizes que obviamente vão colorindo essas relações, tornando-as sempre e sempre mais ricas e profundas, se forem verdadeiras.
Num mundo de prazos de validade, concordo em pleno contigo, também tento remar contra a maré.
Será que estamos ..."em extinção", ou pelo menos... fora de moda?
Beijinhos muitos para ti!

PINTA ROXA disse...

Lindo texto.
O prazo de validade é aquilo que nós podemos ou queremos fazer com ele...

O Blog da S. disse...

Minha querida, tudo muda ao longo do tempo. Mudam as coisas más ma stambém mudam as boas. Temos que aprender a adequar-nos a cada dia ao meio envolvente, pelo menos minimamente.

Bjs.

lena disse...

Olá Pérola.
Mais um texto fantástico. Para mim os prazos de validade também são para os alimentos e concordo plenamente com a sua ultima frase.
Beijinhos grandes.

Farruskinha disse...

Acho que todos nós já nascemos com um prazo de validade. E por mais que não queiramos essa é a realidade.

Blackye disse...

Hoje em dia é uma ajuda o prazo de validade dos produtos, e estes são fruto dos testes que sofrem. Mas prazos hoje em dia nas pessoas, causa muita pressão à sociedade. Custa ser diferente num mundo em que é toda a gente igual.
Beijinho

Isa Lisboa disse...

Tens razão, o prazo de validade hoje em dia aplica-se a praticamente tudo na vida. Tudo é demasiado, rápido, efémero, incerto...
É uma pena, mas talvez consigamos voltar a conseguir viver mais devagar...

Beijo