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quinta-feira, 7 de outubro de 2021

Quando te vais


 Para lá de mim,

acinzenta-se o horizonte,

quando tu te vais.


Deixas-me 

com o orvalho frio da ausência,

a saudade já presente no teu

derradeiro beijo.


Não te vás,

fica!

Ou leva-me contigo!

quarta-feira, 9 de outubro de 2019

divagando



Caminho por aí,
no acaso de querer,
 e de tanto querer
me perco.

Persigo sonhos,
colho flores
como se o amanhã
não me chegasse.

Estendo futuros por secar
em brisas doces
nascidas de ventanias
por conhecer.

Sou-me assim,
a modos menina cor de rosa
envolta em viagens de outras cores
porque a vida é assim.

sábado, 1 de abril de 2017

Desjejum


Apetece-me barrar-te
de cima a baixo,
por todos os lados,
como torrada de amor.

A noite foi longa,
vazia de ti,
horas onde se forjaram
fomes e apetites 
por entre sonhos e lençóis.

Desperto no desjejum
de te abocanhar,
trincar,
 sem tréguas ou dietas
onde saboreio cada migalha tua
em satisfação
de resgatar o gozo
na quietação da carência.

Lambuzo manteigas,
doces,
 e não sei que mais.
pela manhã,
na alvorada
do teu coração.

segunda-feira, 6 de março de 2017

madrugando


Aguardo o orvalho
da madrugada 
do teu despertar,
a preguiça lenta
do teu corpo
a acordar.

É húmida 
a minha espera,
o meu voo
sobre ti,
leve e doce
como a aurora.

Cuido o sono teu
em meu sonho
de te beijar,
outra vez,
no silêncio
de carícias devolvidas.

É fresco
o meu desejo,
a minha cara lavada,
polvilhada,
em chuviscos quentes
de te querer.

domingo, 26 de fevereiro de 2017

de mim

Sou dona 
das águas,
de rios
e oceanos
onde te desaguas
de mansinho.

Sou rainha
de paralelos,
hemisférios
e litorais
de cada coordenada tua.

Sou baía
serena,
confluência de leitos,
encontro do teu mar,
da minha torrente,
ribeira a transbordar
em dias
de chuvas eternas.

Sou pérola
guardada
em profundezas
subtis,
abismo sem fim,
em que mergulhas
sem me ver.


Sou corpo imerso,
afogo na sede
de te receber.

sábado, 25 de fevereiro de 2017

na tela



Talvez seja desejo,
talvez seja delírio
este sonho
de te pintar.

Saber-te a meu gosto,
de linhas
e contornos 
decorados
em minha mão.

Sentir-te o cheiro
a novo
como paixão por consumar,
antecipação 
de tela por pintar,
desassossegos
que me implodem.

Oxalá seja amor,
oxalá seja carinho
os rabiscos coloridos
desenhados com meu corpo,
com minh'alma.


terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

carta em branco


As palavras são teus cabelos,
coam-se entre dedos,
em brincadeiras rebeldes
de suavidade presa
na ponta da pele.

Fogem-me vírgulas,
pausas refugiadas 
pelo teu pescoço,
sem interrogações
ou exclamações
de lugar certo.

Ressoam ecos dessas palavras
que fugiram à tinta
ritmados no cair da água,
do duche, 
em tuas madeixas molhadas
escorregando-me
na espuma do que ficou por dizer,
sem ponto final,
rimas ou métricas.

São afagos desembaraçados
nesse pentear sem letras
enleados em minhas mãos,
toque de poesia,
paixão
e amor,
tão só.

As palavras não me obedecem,
esquecem-se do meu chamamento,
do meu desejo,
deixam a carta em branco,
restando a mensagem escrita
nas linhas desarrumadas
do teu cabelo
onde rabisco
o quanto te quero.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Ensaio para Ela


Para lá do espelho,
na dimensão funda de se ser,
ela acreditava-se.

Era tal o desplante
que o atrevimento se envergonhava
de pôr em voz,
atitudes,
ou palavras 
o que a alma lhe segredava.

Para lá do mundo,
no espaço de si,
ela autorizava-se.

Era tal a ousadia
que o receio se minguava
em vontades 
para lá do conveniente,
em apetites fora de hora,
saboreando na pele
o sentir 
(também)
de ninguém a adivinhar.

Para lá de tudo o resto,
de tudo,
de todos,
e mais 
das imagens de si,
ela avaliava-se, 
existia na palpitação
da plenitude
de se saber mulher,
exclusiva,
de singularidade a preto e branco,
sem meios tons,
na inteireza feminina.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

de meus pés



Dizes que são a minha cara,
e eu,
só me desequilibro
perco o chão,
vacilo por entre
sedas e brilhantes.

São charmosas,
as tuas escolhas!

Fantasias-me
em vagarosas caminhadas
esvoaçando acima da calçada
com pés de púrpura calçados.

Mal tu sabes
das minhas ganas
de me despir
e,
de pés nus,
correr no areal húmido
de beijos salgados.
onde cada grão,
colado nos meus pequenos pés,
é sensação guardada
em oceanos de vontades
de te envolver
na pele
que insistes em adornar.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

ensaio sem letra


É vã minha busca
do tempo,
da palavra,
da letra
a condizer com minh'alma.

Percorro cada recanto
da página branca,
cada fresta que possa abrir,
cada segundo fugidio.

Solto a pena
por entre dedos perdidos
em eras de outrora
onde o tempo 
segredava às palavras
a poesia do encontro.

Sobra-me o eco
desse tanto
onde escrevia nas linhas do teu corpo
a rima codificada.

É vá minha busca...

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Ensaio para M


Passeava-se no limite
do despercebido
como quem está
e não se vê.

Era última
no desabrochar,
sozinha,
em recanto
sem história,
flor de semente
guardada
por entre pétalas
que despia.

Passeava-se no perfume
do mar,
da terra e de si,
aveludando  tempos . . .

Tempos de agora,
de antes
e por nascer.

Era despedida acabada,
(re)começo,
de mais um passo
naquele passeio.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

sunshine

Há dias assim,
em rosa,
cinzentos
ou simplesmente
estúpidos.
Nesses 
e em tantos outros dias
és-me raio de sol,
carícia de pele,
calor revolto,
vida em mim.

Há dias assim,
húmidos 
como teu prazer,
ou noutras línguas
sunshine you are
(for me).


quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Ensaio para F


Prendi-me em tuas palavras
qual borboleta em teia de seda.
Foi assim,
de mansinho,
como segundos a escorrer 
por entre os grãos do tempo.
Tapei-me e reduzi-me
a tamanho meu
querendo mais,
muito mais,
o Tudo para lá de meu mundo,
o Tu que me entorna
em mares salgados
destes e outros hemisférios
no tempo 
sem tempo
de sempre te amar.


terça-feira, 22 de novembro de 2016

beijo



quero um beijo
eternizado
de sabor a musgo
húmido
em tronco vivo
desapressado
segregado em tua boca
desejado
suspenso na suavidade
vagoroso 
de crescimento cristalizado
aqui
agora

quero um beijo
do teu corpo
com textura
de tua boca
para sempre
em mim

domingo, 20 de novembro de 2016

já agora, chá !



Chove no meu chá
a lágrima passada,
íntima,
confidente de sempre.

Chove no meu chá
o sorriso por nascer
auspicioso,
esperança de amanhã.

Chove no meu chá
a impaciência presente,
desafiadora,
prometedora de aqui,
já agora.


domingo, 6 de novembro de 2016

há


Há uma luz por acender,
um fogo a atear,
um desejo por saciar,
um beijo por provar,
um sonho a concretizar,
uma mão a dar.

Há novo
em cada segundo,
começo
e recomeço,
no êxtase do desafio,
nas cinzas por acontecer.


segunda-feira, 24 de outubro de 2016

floral

Brotam flores
do teclado
onde te escrevo.

Chove lá  fora,
primavera-se aqui.

Não sei que te diga,
as palavras soltam perfume,
as pétalas cobrem-me o olhar.

É tudo floral
na germinação da Web.

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

em bicos de pés


Aclara-se o som,
solta-se a melodia,
no balanço do teu ritmo.

Cresço,
em bicos de pés,
sobrando-me
em peso
que já não é meu.

De extremidades frias,
arrepio-te um sorriso,
estremeço-te um olhar
em dança só nossa.

Ensaia-se o tom,
cristalino,
 como poesia
em forma de ti.

Deslindam-se intimidades
na pauta sem claves,
página branca,
por onde rodopiamos
escrevendo toadas
no calor do teu corpo.



domingo, 16 de outubro de 2016

com pérolas


Só porque sabes
do meu gosto 
por pérolas,
não me podes 
aprisionar nelas,
fazer-me refém
das tuas fantasias,
de teus desvarios,
das tuas vontades
mais secretas.
Pois, 
não podes!
Mas, eu deixo!
Prende-me,
ata-me...
... com pérolas.

terça-feira, 20 de setembro de 2016

permitir-se


Não sei se ouse, não.
Atrevo-me e depois vem de lá
o dedo apontado, o juízo
sem contar com a culpa.


No verbo permitir habita
a coragem, a audácia 
e o sorriso.

Há caminho aberto,
eventualidades
e aventuras anfitriãs.

Viver sem permitir-se
é como rio sem foz,
ave em gaiola,
mar sem maré,
sol sem dia.

Permito-me.

Há que permitir-se
sob pena do vazio
do aconchego,
 da acomodação,
de se ser por inteiro.

Dou-me permissão 
para permitir . . . ouso, pois claro.