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quarta-feira, 12 de agosto de 2015

guerreiro



Trazes o gume da lâmina,
o sangue que não estanca 
nesses rios 
que atravessam teu corpo.

Tens no olhar o negrume
de gritos
e silêncios sem vida.

Persegues a cruzada, 
despida de ti,
marcada em tua alma
de guerreiro.

Estendes-me a tua mão
que me falam de outro ser,
calado em teu ventre,
em súplicas de amor.




segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Quero . . .



Quero despir esta pele de outras modas,
matar essa vida
para,
logo de seguida,
renascer noutra a estrear.


Já não me quero assim,
de silhueta deformada
na erosão de tanta maré.


Morre-se tantas vezes,
ressuscita-se outras tantas
menos uma,
quantas ainda terei?

Cansada de me ser,
por vazios só meus me extingo,
anseio por outro reflexo
no espelho do 'eu'.



Que venham os prazeres culpados,
brancas sejam as páginas
neste mar
que volta a encher.

Quero ser o primeiro olhar
pela orvalhada da madrugada,
deslumbrado na inocência do novo,
com cores de promessas
de dia inteiro por ser.

Quero apagar-me
para, 
no instante seguinte,
me voltar a escrever
por rumos de felicidade,
sem passado,
de futuro feito.


terça-feira, 22 de abril de 2014

Rasguei-me !



Fui desenhada em tela  cinzenta,
riscada a giz,
passada a régua e esquadro.

Um parco projeto de pessoa,
mistura de sonhos alheios
em pele minha.

Cansei-me do acanhamento,
da  exiguidade de mim,
da lastimosa monotonia cromática.

Enfureci-me,
gritei soltura
e rasguei-me.


Rompi por entre linhas,
tropecei em regras que me sabiam,
arranhei-me em frios desconhecidos.

Só sei da minha nudez,
perdida em vales escancarados,
onde os ecos me enlouquecem.

Alguém me chama,
por aí,
quem será?

Desconheço a voz,
a humidade tenra da erva sob  meus pés,
a vastidão que me acolhe,
a oferta do mundo.

Sinto,
tão somente,
o meu rasgo,
pedaços do que poderei ser,
não mais o que fui
nem o que sou.


quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Morro e Renasço !



Nasço e  renasço
em metamorfoses salpicadas  de dor.

As flores perfumam-me ao acaso,
o mar salga-me em ondas trocistas
e a escrita partilha-me em palavras sem sinónimo.

As tuas mãos cobrem-me o corpo,
fonte de bálsamo para esta dor em que morro.

Não te vás!
Assiste-me no último suspiro,
acolhe-me no primeiro choro.

Sou como a Lua,
de fases que se extinguem,
percorrendo tempos de fim anunciado.

Saboreio cansaços,
derrotas, vitórias,
assistindo aos meus recomeços.

Sou simplesmente eu,
incompleta, 
em busca constante,
de mim, 
do Mundo, 
do Nada ou do Tudo.

Pérola


quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Permite-me . . .



Hoje, só hoje, permite-me:

abrir livros, 
tomar banho nas palavras,
enfeitar-me de jóias, 
ser cor-de-rosa,
cheirar as flores,
andar descalça,
ser mimada,
sonhar noutro tempo,
encontrar-me em local desconhecido,
ser lamechas.

Permite-me, hoje, fantasias de diamante
pois o meu coração é carvão.

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Pesadelo


Em sonos assombrados 
o despertar era-lhe interdito.

Mergulhado em pântanos oníricos
fantasmas arrastavam-no 
em territórios tortuosos.

Puxado para pronfundezas sombrias
a resistência doía-lhe.

De consciência limitada,
incapaz de defesa,
gritou em pesadelos asfixiantes.

domingo, 26 de maio de 2013

É o teu Dia !


Hoje as palavras fogem-me!

Como gostaria de colher as mais bonitas e com elas formar um belo ramo de versos.

Para te oferecer, Pai!

Não o consigo.

Desculpa-me!


Podias estar de mãos vazias, mas o teu amor extravazava sempre.

Em forma de letras bem desenhadas oferecidas em papel que não importava a origem.

Em olhares húmidos no salgado das lágrimas que tentavas disfarçar.

Ou simplesmente ao telefone onde a tua voz se embargava e os silêncios diziam tudo.


Saudade é pouco para expressar o que me percorre o corpo e me tolda pensamentos.

Foste, És, o Homem da minha vida.

O meu sustento, consolo e orgulho.

A minha bússula preciosa, perdida no tempo.

Simplesmente é-me impossível ser Eu sem ti, Pai.

Falta-me pedaço . . . incompleta . . .

. . . resta-me sentir-te no sabor salgado que me chega à boca.

É o meu beijo para ti !



segunda-feira, 13 de maio de 2013

A semente



Atirada à terra no vento intempestivo
choro na escuridão do ventre da mãe.

Sinto o cheiro da chuva que me acaricia
suavemente no corpo abandonado.

A pele seca-se-me na aridez do solo
que me aprisiona nesta masmorra sombria.

No torpor instalado deixo-me adormecer
esquecida de mim, da vida que grita ao longe.

Desperto no desabrochar manso de hastes,
filhas do ser Eu, rompendo esperanças frescas.

Sou recebida nos braços do Sol,
acalentando-me nas inseguranças da criação.

Cresço para florescer em perfumes renovados
invadindo chão despido no olhar do inverno.

Sou semente garota gargalhando ao cobrir campos
brilhantes na cor do alívio amansado da primavera.



segunda-feira, 25 de março de 2013

Esquece . . .

Esquece o meu nome,
o telefone, a morada.

Esquece-me o cheiro,
a forma de mim.

Esquece o som do meu sorriso,
o sabor da minha boca.

Esquece-me o tamanho,
a  forma e o espírito.

Esquece...Esquece-me.

Oferece-me esse presente: o esquecimento.
Será o último.

Caída no vazio da memória
buscarei novos caminhos.

Serei peregrina solitária,
nua de amarras.

Esqueceste-me ... permitindo lembrar-me de mim.

Não me recordes, 
não habitarei lembranças.

Esquece-me...só!

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Negro Profundo ( 20 )

Apesar da dor pela perda da mãe, Samara descobriu um contentamento inabitual em si. Voltara a embrenhar-se nos estudos, mas desta feita o Sol parecia sorrir-lhe. O exemplar aproveitamento escolar continuava. Contudo, acordava com uma boa disposição que a motivava.
Relembrava mais vezes do que desejava a mãe e toda a sua juventude conturbada.
No entanto, os telefonemas  de Luís deixavam-lhe o coração acelarado.
Em virtude dos irmãos Tavares se encontrarem todos a estudar em Lisbos bem como Matilde e Samara, os 'Cinco' da infância reuniam-se pelo menos uma vez por semana na cidade onde residiam no tempo de aulas, Lisboa. Era como o conforto e carinho de casa marcasse presença.
Haviam crescido juntos e sentiam-se família.
Matilde foi a primeira  a notar a alteração no relacionamento dos amigos. Sentia uma Samara mais envergonhada e um Luís, habitualmente grande sonhador, particularmente terreno e sempre preocupado com Samara.
Após a declaração de Luís, o comportamento de ambos tinha-se alterado como era de esperar.
Luís fragilizado, pela sua exposição, em tudo tentava cativar Samara. Esta deixava-se hipnotizar pelo seu amigo de sempre, porém a experiência conselhava-a prudência.
O ciclo académico acabou com aproveitamento e as pequenas férias serviriam para breve descanso e o retornar às Mimosas, lar sempre saudoso.
(continua)

sábado, 3 de novembro de 2012

Frágil . . . Eu !

Dissipo-me em névoas de dúvida.
Incertezas constantes me elevam
na bruma da consciência.
Balançando no sopro do vento de outrém.

Sempre os outros e a sua firmeza!

Eu desfaço-me em transparências imateriais,
delicadas substâncias que pairam.

Complicação aparente em voo calmo.

Protegida no abraço da neblina,
alada vontade impele-me.
Abandono-me em aventura involuntária
e atrevo-me no sorriso do 'ser'.

Sumindo-me em purificadas gotículas,
desvaneço-me no ar que me toma.
Ao esvair-me, em lenta desordem,
afundam-se ambiguidades, desaparecem inseguranças.

Vagueando, dispersa, na brisa
harmonizo-me ao acolher dúbios pedaços meus.

Fragilidade penetrante na minha volátil morada.

Voando, dispo frágil descrença,
vencendo-me ao olhar-me no rosto do céu.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Outono


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O outono brinda-nos com transformações perceptíveis.
O dia deita-se mais cedo. A noite espreguiça-se, alongando-se no tempo.
A natureza entra num semi-adormecimento, cansada das trabalheiras da primavera e verão. Precisa de repousar, retemperar forças.
Os dias que se vestem de cinzento arrastam-se mostrando os seus amigos nublosos e chuvosos.
O morno ou mesmo a caloraça dá lugar ao fresquinho. Entra de mansinho, primeiro nas madrugadas e entardeceres, depois absorve horas completas, folhas de calendário.
Associado ao fim, a morreres vários não faz as minhas preferências.
Inserido num ciclo que não faria sentido sem o seu tempo, dou por mim a desejar outras ocasiões. De florescimento, de frutificação, de  vidas novas.
Felizmente os meus desejos não são levados em linha de conta.
Reduzindo-me à minha insignificância, resta-me aceitar e desfrutar de cada instante deste outono imposto.



quarta-feira, 5 de setembro de 2012

E se...

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E se . . . estiver cansada?
E se . . . as responsabilidades são fardo incomportável?
E se . . . não me apetecer?
E se . . . o mundo me parece injusto?
E se . . . a inquietação se apossou de mim?
E se . . . já não me suporto?
E se . . . o amor me faz chorar?
E se . . . as dúvidas povoam meus pensamentos?
E se . . . sonho impossibilidades?
E se . . . o meu coração definha?
E se . . . as palavras de encorajamento fazem ricochete na minha angústia?
E se . . . balanço nas ondas do mar da indecisão?
E se . . . nem sei para onde vou?
E se . . . a minha existência é vã?
E se . . . me afogo nas águas turvas?
E se . . . não tenho resgate?
E se  . . . morro?




sábado, 18 de agosto de 2012

Morres ?

E porque 'estar morto é o contrário de estar morto', parece-me ser esta a frase da 'nossa' pensadora do jet-set, pergunto-me: quem morre?
A querida amiga Blackye partilhou a resposta da Martha Medeiros comigo.
Como nunca conseguiria expresar-me tão bem deixo que fale por mim e para mim:
(E tu! Morres?)

"QUEM MORRE?

Morre lentamente
Quem não viaja,
Quem não lê,
Quem não ouve música,
Quem não encontra graça em si mesmo.

Morre lentamente
Quem destrói seu amor próprio,
Quem não se deixa ajudar.

Morre lentamente
Quem se transforma em escravo do hábito
Repetindo todos os dias os mesmos trajeto,
Quem não muda de marca,
Não se arrisca a vestir uma nova cor ou
Não conversa com quem não conhece.

Morre lentamente
Quem evita uma paixão e seu redemoinho de emoções, Justamente as que resgatam o brilho dos
Olhos e os corações aos tropeços.

Morre lentamente
Quem não vira a mesa quando está infeliz
Com o seu trabalho, ou amor,
Quem não arrisca o certo pelo incerto
Para ir atrás de um sonho,
Quem não se permite, pelo menos uma vez na vida, Fugir dos conselhos sensatos...

Viva hoje !
Arrisque hoje !
Faça hoje !
Não se deixe morrer lentamente !

NÃO SE ESQUEÇA DE SER FELIZ"
Martha Medeiros

Chegou o amigo aflores e enriqueceu a temática:

Morre lentamente,
quem evita uma paixão,
quem prefere o negro sobre o branco e
os pontos sobre os "is" em detrimento de um redemoinho de emoções, justamente as que resgatam o brilho dos olhos,
sorrisos dos bocejos,
corações aos tropeços e sentimentos.

Morre lentamente,
quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho,
quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho,
quem não se permite pelo menos uma vez na vida fugir dos conselhos sensatos.

Morre lentamente,
quem passa os dias queixando-se da sua má sorte ou da chuva incessante.

Morre lentamente,
quem abandona um projeto antes de iniciá-lo,
não pergunta sobre um assunto que desconhece,
ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.


Evitemos a morte em doses suaves,
recordando sempre que estar vivo
exige um esforço muito maior que o simples facto de respirar.

.....
(Pablo Neruda?)

Obrigado!

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Sinfonia

Compunha uma sinfonia de instrumentos vários. A melodia suponha-se harmoniosa, sem desafinações.
Fluindo, os acordes em consonância com a vida. O tempo certo, o ritmo campassado, tal como a pauta exigia.
Com a subida de tom, as rédeas desta orquestra foram-se tornando lassas.
As notas entraram num despenhadeiro, impossíveis de ser resgatadas.
Antevi a profundeza da ruína.
Abismo desmedido se me abriu.
O piano perdeu a  tecla do tom da felicidade, sentindo-se perdido,
mergulhou na perdição.
    
          Desfalcada, a sinfonia teimava em continuar.
De seguida, foi a vez das cordas, da confiança, dos violinos se desgraçarem.
Desarticulada, de batuta em riste, teimava na liderança de tons monocórdicos, desagradáveis ao ouvido.
O sopro esganiçou-se e da sinfonia, restavam sons tenebrosos.
As lágrimas saltavam, numa energia que contrastava com a minha impotência.
Sem refúgio à vista, rendo-me ao precipício, entregando-me, de corpo e alma, onde já presenciara o desaparecimento da minha sinfonia.

domingo, 1 de julho de 2012

Negro Profundo ( 9 )

De rompante, encontra-se no acampamento, lendo as folhas, manuscritas, com os seus poemas prediletos. Ainda há pouco os deconhecia. Como a vida pode ser engraçada, pensava para si.
A mãe vem avisá-la de que o pai quer falar com ela. O semblante transfigura-se-lhe.
Para quase tudo a autoridade da mãe bastava. Só os casos especiais e de suma importância estavam reservados à alçada do pai.
Levanta-se, volta a entrançar os longos cabelos negros e dirige-se à tenda principal, onde os mais velhos estão reunidos.
Apesar de preocupada, a sua altura e porte de mulher permitem-lhe o desembaraço.
O pai chama-a para perto de si. Prega-lhe um sermão, em poucas palavras, sobre as virtudes da família, como era seu apanágio e acrescenta que tem um presente para ela. Samara cora, não era habitual ser alvo de mimos e atenções especiais, muito menos da parte paterna.
A sua irmã mais velha, casada e grávida, nos seus inexperientes dezasseis anos, sorri-lhe e dá-lhe a mão. Samara ainda lhe lança um olhar interrogativo. A irmã devolve-lhe um nervoso risinho cúmplice.
A menina/mulher começa a não achar piada ao clima que se respira e sente. Vozes sussurradas, enfim, uma festa em surdina.
Samara, julgando-se motivo de chacota, reclama explicações, mostrando uma faceta nada habitual,  no seu comportamento.
A mãe põe-lhe as mãos sobre os ombros, acalma-a, dizendo que estão todos muito felizes, para não se alarmar.
O pai, chamado ao seu papel de mensageiro e chefe da trupe, anuncia o que todos já sabem exceto Samara: "Parabéns! Filha, tens noivo. Vais casar daqui a dois meses."
(continua)

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Negro Profundo ( 8 )

A noite já ía alta, perdera a noção do tempo. Os lamentos, espaçados, fizeram-na voltar ao presente. Doía-lhe o corpo da posição em que se mantivera nas últimas horas. O combustível tinha acabado nas lâmparinas sem vida. O ambiente ainda era mais tétrico  do que se lembrara.
As pessoas presentes, identificava-as pelos vultos. Eram-lhe familiares. Apenas a avó Aurora lhe dirigira a palavra, mostrando carinho, até.
Faltava muito tempo para o funeral.
Acomoda-se, sente os olhos pesados, doridos, a arder, consequência de tanta lágrima derramada. Ensaia um abandono ao colocar sua cabeça perto do ventre inerte de sua mãe. Vencida pelo cansaço, dormita e flashes do passado atormentam-na. Volta à Herdade, aos seus catorze anos.
Esse dia tinha-lhe sido especial. Na reunião diária dos 'Cinco das Mimosas', João partilhara a descoberta da Lírica Camoniana. Temporão, as hormonas já lhe tinham despertado instintos adultos. Na aula de português as palavras de Camões tinham-lhe falado ao coração e nunca estivera tão atento a uma lição.
Enquanto declamava " Amor é um fogo que arde sem se ver", na penumbra da adega onde se refugiaram nessa noite de Fevereiro, o irmão, Luís absorvia cada sílaba bem como Samara. Apenas Matilde e o pequeno António se encontravam distraídos na caça a uma família de aranhas que teimava em não se desalojar.
Luís olhava Samara duma forma nova enquanto o mano entoava as palavras "...É querer estar preso...".
Os frémitos que sentia, não os sabia explicar. Seria o poema do grande poeta? Seriam os olhos de  Luís? Não se percebia. Já tinha lido muito sobre a adolescência, mas não associou. Estava demasiado envolvida.
(continua)

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Fantasmas...

Com o decorrer da vida vamos passando por situações, encontrando e conhecendo pessoas, percorrendo um caminho, mais ou menos, escolhido. 
Cada história sendo única, irrepetível, torna-nos especiais.
Como em todas as coisas, ser exclusivo tem o verso da medalha.
Seja em que fase da vida estejamos, há sempre acontecimentos que nos podem condicionar o futuro.
O mais gravoso são os pensamentos e as atitudes em que permitimos à culpa tomar conta de nós.
Castradora, auto-infligida, não há pior castigo ou julgamento.
Podemos ser (e somos, frequentemente) os nossos piores carrascos.
É como se, ao passarmos pela vida, déssemos boleia a fantasmas que, pela sua invisibilidade material, açambarcam o nosso eu, tornando-se em convidados indesejáveis, desmerecedores e permanentes. Contudo, não são passíveis de serem despejados numa qualquer estação ou apeadeiro.
Quantas vezes sacrificamos a nossa unicidade em prol da educação, do que fomos ensinados a considerar correto.
A nossa obrigação primeira deveria ser para nós próprios, a vida em si.
Existir e fazer parte da maravilha que é o Universo, em todas as suas dimensões, deveria chegar.
Mas, nunca é suficiente...

domingo, 20 de maio de 2012

"Q U E R O ✙ D E S A P A R E C E R "

Quero sair da vista das censuras...
Quero ocultar-me da luz, da vida,...
Quero fugir de mim, dos outros, do Mundo...
Quero abalar para terra incerta...
Quero sumir-me  e consumir-me no meu próprio ser...
Quero levar descaminho pois os trilhos que percorro conduzem a lugar nenhum...
Quero morrer e com isto acabar todos os sentires...
Quero ofuscar-me ficando sem definições...
Quero apagar-me lentamente como um pavio sem combustivel...
Quero perder-me do confortávelmente conhecido...
Quero afastar-me de todo o humano e inumano...
Quero esvair-me no fluido vital esvaziando-me...
Quero retirar-me deste envoltório que me asfixia...
Quero esconder-me e nunca mais ser achada...
Quero faltar a todos os preceitos e constrangimentos...
Quero cessar de existir sem deixar pegada...
Quero desaparecer...
Maria Mar in 'Ser'

sexta-feira, 27 de abril de 2012

F A N T A S M A S

  
Terrores,
Assombrações,
Tormentos,
Medos,
Tormentas,
Frustações,
Alucinações,
Fobias,
Pânico,
Stress,
Ansiedades,
Psicoses,
Ilusões,
Inseguranças,
Ódios,
Raivas,
Impaciências,
Irresponsabilidades,
Maldades,
Vilezas,
Vícios,
Obnóxio,
Miséria,
Pavores,
Terrores,
Desemprego,
Insolvência,
Hipocrisia,
Vazios,
Inexistências,
Manias,
Taras,
Desequilíbrios,
Ganâncias,
Torturas,
Invejas,
Dores,
Mortes,
Tristezas,
Escuridão,
Solidão,
Esqueletos,
Fins,
Fomes,
Doenças,
Desconhecidos,
Inesperados,
Guerras,
Impotências,
Desagregacões,
Humilhações,
Egoísmos,
Violências,
Desilusões,
Infelicidades,
Desarmonias,
Desencontros,
Despropósitos,
Estupidez,
Ingenuidades,
Ignorâncias,
Insensatez,
Parvoíces,
Crenças,
Desprezíveis,
Inconstâncias,
Julgamentos,
Deseducação,
Limitações,
...,
Tantas as roupagens que podem vestir os nossos FANTASMAS!
'Quem me leva os meus Fantasmas?'