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quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

perco . . .



Perco o chão por entre linhas
ao acaso,
no murmúrio de palavras
que me chamam
como se eu fosse alguém.

Sorrio nesse abandono
do alheio
e até de mim
como se pudesse
não existir.

Quero pensar no caminho
com sentido,  
na vida sofrida
com visões aquecidas
no sol de querer
e ousar
o amor.

Perco a verdade de ontem
devagarinho
porque o hoje está
na página que viro
no outro livro que abro.

Sou a modos
trilho incerto,
vereda sem tino,
ar que me entra
sem saber
da respiração
que perco . . .


segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

interrogações do amor

Tenho dúvidas,
questões, incertezas,
pela vida toda
em autenticidades minhas.

Dizem-me haver duas formas 
de saber do verdadeiro amor:

 -  foste-me amigo verdadeiro
e te apaixonas (por mim)
de forma em que só pode ser Amor verdadeiro;

 -  ou te apaixonas (como pode acontecer com outra)
e tornas-te no meu melhor amigo
e será, de igual forma,
verdadeiro Amor.

São interrogações, 
meu amor, 
meras demandas para saber do amor, 
do teu amor,
por onde, 
afinal,
amizade vence a paixão.
Será?

segunda-feira, 13 de março de 2017

sempre há


Há um mundo
a convidar,
tímido,
sem conversas,
existindo,
em coloridos
que chamam,
nas formas
à espera de serem moldadas,
no coração,
soltando horizontes,
descobertas
logo ali,
despidas de fronteiras ou limites,
e tu,
cego
nas coisas do mundo.

Olhas-te
nas sombras do cinzento
troçando do convite
como se não te fosse ele
a passagem do umbral
para te seres em plenitude.

Há pó,
terra,
chão,
mares
e cores.

Atreve-te!
Sê!
Vai!

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

da vida em teia



A vida tem destas coisas:
enredos naturais,
tramas surgidas do inesperado,
telas tecidas em rede,
teias simples
ao primeiro olhar.

E porque esta complexidade
nos perturba,
gostamos de dar nós,
emaranhar fios frágeis,
instantes reais
onde basta ser
fiel a si próprio,
permitir e aceitar.

A vida tem de tudo,
é cargo pessoal
torná-la ligeira
na proteção de sopros indesejados,
ou confusa
nos cruzamentos da escolha,
trilhos e veredas
a chamarem por nós.

As balanças vêm depois
e só importam 
no peso leve
do amor próprio, 
em liberdade responsável
de ser acto e consequência,
enfim,
baraço de seda em teia brilhante
ou embaraço grosseiro enovelado
em labirintos nossos.

A escolha é tua
e minha,
nossa, 
de cada um.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

minha mão


tenho na mão

nascentes, rios e poentes;
vales espraiados
na bainha de montanhas
por acontecer;

quimeras sopradas 
na ventania 
da liberdade:

ousadias escondidas,
segredadas,
na conspiração
de energias minhas,
alheias,
ou desconhecidas;

vida minha,
frágil,
desassossegada,
brotada em humanidades 
de opostos
em equilíbrios ténues
pesados em minha mão.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

proibido



Não quero ter juízo,
razão
ou tino.

Permito-me ceder
ao corpo,
animal que mora em mim,
como instinto fatal.

Tento-me 
em pensamentos,
desvarios
e sonhos alucinados.

Livre de racionalidades
sombrias,
busca a luz
da tentação
simples dos meus sentidos,
pele e sangue na ferida
do sempre proibido.


segunda-feira, 31 de outubro de 2016

The World

Tanta diferença,
tanta cor, 
tanto mundo!


Sou,
apenas,
mais um ponto,
uma pincelada 
por escorrer,
das mãos
de um pintor 
por nascer.

Sou vida
sem ser nada,
o todo
em partícula ínfima.

Sou desigualdade
em terra fértil
de uniformidades
suprimidas
no grito do ser,
de eco mudo.

Sou diferença,
sou cor,
sou (o) mundo !

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

?... ! ; " : " .



* Gastam-se as palavras?

* Desbotam as interrogações quando lavadas em exclamações?

* Desaparece o ponto final na viragem do parágrafo?

* Pode o silêncio falar mais do que qualquer verbalização, imagem ou escrita?

* Vive-se na paragem das vírgulas da vida?

* Escorremo-nos no corpo das reticências?

* São as aspas sombra ou luz?

* Tendemos para o equilíbrio quando somos o ponto e a vírgula?

* Explicações são precisas em pontos encavalitados?

* Não sei, ponto.



terça-feira, 20 de setembro de 2016

permitir-se


Não sei se ouse, não.
Atrevo-me e depois vem de lá
o dedo apontado, o juízo
sem contar com a culpa.


No verbo permitir habita
a coragem, a audácia 
e o sorriso.

Há caminho aberto,
eventualidades
e aventuras anfitriãs.

Viver sem permitir-se
é como rio sem foz,
ave em gaiola,
mar sem maré,
sol sem dia.

Permito-me.

Há que permitir-se
sob pena do vazio
do aconchego,
 da acomodação,
de se ser por inteiro.

Dou-me permissão 
para permitir . . . ouso, pois claro.


sexta-feira, 16 de setembro de 2016

como cascata


Como gota atrás de gota
assim se cascatam sonhos
de beijos por provar,
de pele por cheirar.

São despenhos de desejos,
vontades encadeadas,
em catadupas gananciosas,
de te querer,
como rio atordoado 
na deságua do prazer.

Como fiada de pingos,
assim sou eu,
correria,
cascata sem leito,
salto no desconhecido,
buscando teu mar.

Caprichos à sorte,
vertidos no apetite
de conhecer teu sabor.

Queda ousada,
de quem nada perde,
como cascata apaixonada.


sábado, 30 de abril de 2016

Um Olhar qualquer



Olha-se e não se vê,
vê-se e não se olha.

Comenta-se na cegueira,
cega-se no comentário.

Julga-se nos sentidos,
sente-se nos julgamentos.

Adivinha-se o que não se sabe,
sabe-se o que se adivinha.

Recebe-se o que se dá,
dá-se o que se tem.


E tu? 
Para onde olhaste primeiro?
Que te prendeu o olhar?
O cachorro?
O homem?
Um sentir qualquer nascido da pele nua?


segunda-feira, 28 de março de 2016

Dos Homens


Há traços, curvas,
texturas, cheiros
e toques de diferença,
fronteiras invisíveis ou 
de muros impenetráveis.

São homens,
a humanidade em género
que se sabe diferente
e se gosta
em desigual modo.

Pois venham feministas,
sexistas
ou até machistas,
que interessa?

A essência mora 
nas grutas de cada um,
cavernas escondidas
em corpos de superfície mascarada
de bem pareceres 
ou rebeldias ostentadas.

São desigualdades necessárias,
próprias de se ser,
por onde mulher 
só é desirmanada 
em costumes,
preconceitos permitidos
por cada um.


terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Da Normalidade


De perto ou de longe,
foge a normalidade
por entre olhares
e juízos de valor.

Não te conheço
e muito menos reconheço.

Chego a pensar 
se é coisa minha
ou se me ignoras
só para me inquietares.

Na ausência de certezas,
deixo-me de procuras
e quedo-me no encanto da dúvida.

sábado, 22 de agosto de 2015

flor e dependurada



Sou flor dependurada,
perdi caule, raíz
até folhagem.

Resto-me na cor
da minha veste,
na alegria do meu perfume.

Sou flor amadurecida,
plena de cor
como só eu,
flor dependurada.

Nesse balanço da corda
assobio ao vento,
sussurro-lhe minhas vontades
como nada me tolhesse.

Ah! 
Vã Ilusão!

Sou mera flor dependurada
presa nas pinças da vida,
imaginando o quanto sou livre,
quando,
em verdade,
sou só eu,
cercada de infinidades
limitadas por fragilidades
de flor.


quarta-feira, 29 de julho de 2015

em metades


De vez em quando, perco-me !

Racho-me em metades 
que se soltam
como pétalas de flor madura.


Perco-me, de quando em vez!

Devoro-me em fragmentos desgovernados,
pedaços meus,
em busca da inteireza de mim.





terça-feira, 14 de abril de 2015

Confusa



Há dias em que os minutos se transformam em infância, sonho ou em surrealidade inesperada.
Dizem-me que o tempo, refletido na idade, ensina, é mestre, traz paciência, compreensão, quiçá sabedoria.

Eu não sei . . . desconfio.

Ele há dias estranhos, em que tudo parece ser possível de acontecer. O estranho toma conta do que nos cerca e, pouco a pouco, somos nós a ficarmos 'fora do normal'.

Tenho passado, últimamente, por instantes, dias, deste teor.

Confundem-me, o controle é coisa longíqua e de nada valem os meus pensamentos, as minhas decisões.

Os acontecimentos atropelam-se e quedo-me espetadora surpreendida da vida que não precisa de convite ou explicação.

A vida acontece, eu não entendo e talvez seja assim mesmo.

Há em mim uma procura, a tal demanda das verdades, das regras universais que me confortariam.

Na sua ausência, vivo na sobrevivência do que me deixam ser, do que me permito ou sei ser..., somente.

Não sei...mesmo, de verdade.




quinta-feira, 26 de março de 2015

Com saudades . . .


O tempo trouxe o pó das recordações,
o cheiro de rio na minha pele,
aqueles anos onde cresci,
sem o saber,
sendo feliz na aventura.

Na sombra do tempo,
vieram as saudades,
a consciência do que sou
pelo que fui
ou deixei de ser.

Lavei o presente desse tempo,
sacudi o pó das suas botas,
limpei o seu caminho
e por ele me embrenhei,
destemida,
em demanda de voltar a ser.

Uma vez mais,
dependuro a infância,
a secar do banho de nostalgia,
ainda a escorrer lembranças
da menina que sou.


quarta-feira, 4 de março de 2015

Perdida



Hoje vou mesmo por aí . . .
perder-me . . .
sem norte . . .
alhear-me de mim . . .
só vou!




sábado, 21 de fevereiro de 2015

Sempres e Nuncas


A partida


"Ao partir, 
disseram-me: voltarás sempre. 

Parecia um consolo.

Era uma condenação.

Odeio o sempre.

Nos lugares
da vida carecidos, 
o sempre é o pior dos nuncas."

                                                                  Mia Couto
                                                                  "Vagas e Lumes"


De tanto querer Sempre
Nunca me basto,
Sempre me sobro.

Sempre de mãos vazias
busco sem Nunca me querer,
por primaveras Sempre ansiadas.

Sou eu,
com Sempre e Nuncas,
sem Nuncas e Sempres.

Por saciar,
Sempre na inquietação 
de Nunca me saber,
projeto inacabado de Sempre me ser
sem Nunca entender.

Pérola


sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

O Acaso + A Coincidência + O Destino = ? ? ?

(No título, o traço - é para ser um sinal de igual  = , porque não entra?)

Acaso? Coincidência?


A preto e branco, mas de ideias cinzentas.

Sou eu, quem mais???

Para ser sincera, não acredito que a vida seja única e exclusiva consequência de mim.
Nasci, cresci, escolhi, vivi e ainda aqui estou sob determinadas circunstâncias que me condicionaram e, de alguma forma, limitam.


A coincidência, o acaso, o destino são temas sobre os quais penso, questiono sem conclusão fechada.

Não preciso de verdades científicas, não.
Tão somente gostaria de sentir que o acaso não existe.

Tudo tem um significado: Não é tão belo?!


Na realidade, ou melhor, na realidade de cada um, vai correndo o tempo qual rio em ciclo da água e cada qual mergulha, ou apenas lava as mãos, nesse curso conforme lhe aprouver, apetecer, conseguir ou for obrigado.


No meio de tudo isto, ficamos com o Acaso em nossas mentes, a Coincidência aparece vezes demais e então entra o Destino.


Não sei!
O enigma assemelha-se a código indecifrável.

Apenas sei que acasos me acontecem, coincidências também,
será o meu destino?
Ou será apenas o aleatório a provocar-me?

Alguém conhece a equação?