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sábado, 29 de maio de 2021

entrelaçados



No toque entremeado com o silêncio
correm brisas e ventanias,
em corpos famintos,
aquietados
muito depois do dia, 
dos instantes,
momentos e tempos 
para lá da ternura
suave da loucura.

Na pele quente,
 suada,
desenha-se o desejo de mais,
percorrem-se lonjuras
com mãos e pés,
preenchem-se vontades alargadas,
em nascentes sempre novas
de ti,
de nós.


 

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Só Hoje


Só hoje,
tenho apetites
de ti,
ganas de te comer,
morder e trincar,
devagarinho,
degustando
cada pedaço teu,
sorvendo teu orvalho,
licor dos deuses,
destilado em paladar meu.

Só hoje,
ouço teus sussurros
embalados na onda
desta maré
que se enche e esvazia
ao sabor de cada garfada,
ao som da vontade
ritmada 
pela minha fome,
pelo teu desejo.

Só hoje,
deixa-me saciar-me (-te).


sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Mordida



Saltito sobre forças,
 indomáveis,
de te apertar,
de te ter,
em minha essência,
deixando-me escorrer
nos teus lábios,
pela ternura suave
de te sentir em mim.

Apeteces-me,
 em pedaços,
mordido em minha boca,
salivando em antecipação,
agarrando em minhas mãos
o prazer,
de me ser,
em intensidades sem medidas,
com ganas de te beijar,
furiosa
na eternidade 
da pele apertada,
vincada
por carícias descompostas

São inconveniências,
supostos nascidos,
de atentados
ao desejo
desventrado
em minha língua
desnorteada,
alma de vida própria
nesta busca de ti.

Viajo em velocidades
enlouquecidas,
perdidas em apeadeiros calmos
onde o teu olhar me espera
porque meu querer
te quer abocanhar
em totalidades
fragmentadas
numa mordida aqui,
noutra acolá.




quinta-feira, 22 de junho de 2017

(des)caminho


Deixa-me curvar
nesses caminhos
que são teus limites,
desculpas no teu seio,
regaço só meu.

Permite-me desbravar
esse jardim
desabrochado no desejo
a perder de vista
pois se me cegas
com tua pele
colada à minha.

Desculpa-me o rasgo
que te abro e fecho
em ritmo só nosso,
descaminho perfumado
em sinuosidades perfumadas
aqui e ali.


domingo, 28 de maio de 2017

Quando



Quando tu me apertas
com teu querer
toda eu sou pele,
esqueço-me de respirar
dissolvo-me no gemido quente.
de teu corpo,
chamando-me ainda mais
como se as mãos,
o abraço 
fossem pouco.

Quando me procuras
e eu já estou em ti
permito deixar de me ser
dissolvendo diferenças
em elevação de um todo
onde eu e tu 
sobramos em prazer
fazendo vida
na agitação doce
de mares sem praia,
de barcos sem bandeira.

Quando tu me beijas
sem decência
toda eu sou capricho,
desalinho completo
sem inicio ou fim
apenas
o instante da eternidade
do desejo sem freio,
de amor
para lá do carnal.

Quando me sussurras
tuas vontades
já as havia lido 
no teu olhar,
sentido em minha essência,
pois se somos
a plenitude de
nós dois,
apetite saciado
em harmonia
de ganas e abundância
de ti,
de mim,
de nós.


segunda-feira, 6 de março de 2017

madrugando


Aguardo o orvalho
da madrugada 
do teu despertar,
a preguiça lenta
do teu corpo
a acordar.

É húmida 
a minha espera,
o meu voo
sobre ti,
leve e doce
como a aurora.

Cuido o sono teu
em meu sonho
de te beijar,
outra vez,
no silêncio
de carícias devolvidas.

É fresco
o meu desejo,
a minha cara lavada,
polvilhada,
em chuviscos quentes
de te querer.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

carta em branco


As palavras são teus cabelos,
coam-se entre dedos,
em brincadeiras rebeldes
de suavidade presa
na ponta da pele.

Fogem-me vírgulas,
pausas refugiadas 
pelo teu pescoço,
sem interrogações
ou exclamações
de lugar certo.

Ressoam ecos dessas palavras
que fugiram à tinta
ritmados no cair da água,
do duche, 
em tuas madeixas molhadas
escorregando-me
na espuma do que ficou por dizer,
sem ponto final,
rimas ou métricas.

São afagos desembaraçados
nesse pentear sem letras
enleados em minhas mãos,
toque de poesia,
paixão
e amor,
tão só.

As palavras não me obedecem,
esquecem-se do meu chamamento,
do meu desejo,
deixam a carta em branco,
restando a mensagem escrita
nas linhas desarrumadas
do teu cabelo
onde rabisco
o quanto te quero.

sábado, 21 de janeiro de 2017

a ler



Leio-te, 
o sorriso a soletrar 
cada sílaba,
cada expressão tua,
como se fora a última.

Percorro-te
o corpo a pausar
cada parágrafo,
cada saliência tua,
como se fora única.

Urge-me o calor teu,
a demora tardia
de querer mais.


E de tanto querer,
perco-me
em moradas
de livros sem fim,
leituras inacabadas
de poesias e prosas,
fólios acrescentados
de magia esfaimada
de te ler.

sábado, 10 de dezembro de 2016

poeta-me


Poeta-me
como rio na foz
por entre fusões 
de águas desiguais.

Poeta-te
bem dentro de mim
por onde os versos
fluem em vagas de prazer
e as rimas se despem.

Poeta-me
como se fosse flor
em jardim selvagem,
rústica prosa com sonho
de ser poema.
Pérola



terça-feira, 22 de novembro de 2016

beijo



quero um beijo
eternizado
de sabor a musgo
húmido
em tronco vivo
desapressado
segregado em tua boca
desejado
suspenso na suavidade
vagoroso 
de crescimento cristalizado
aqui
agora

quero um beijo
do teu corpo
com textura
de tua boca
para sempre
em mim

domingo, 16 de outubro de 2016

com pérolas


Só porque sabes
do meu gosto 
por pérolas,
não me podes 
aprisionar nelas,
fazer-me refém
das tuas fantasias,
de teus desvarios,
das tuas vontades
mais secretas.
Pois, 
não podes!
Mas, eu deixo!
Prende-me,
ata-me...
... com pérolas.

domingo, 9 de outubro de 2016

sem palavras



São palavras os teus beijos,
com que me escreves,
 onde me conto.

Histórias pontuadas
em plenitudes exclamadas,
reticentes ou sem ponto final.

As interrogações fazem parte
da  ortografia que te é peculiar,
usa-las na ponta dos dedos,
de mãos cheias.

Riscas-me o ser
por entre traços
que emergem intimidades,
escondidas,
segredos desconhecidos,
em transcendências do mais além,
profundidades
que desejo.

A tua caligrafia sabe de mim,
em letras inscritas 
com o teu corpo,
nas cartas sem selo,
no teu querer manuscrito.

São livros os teus lábios,
com que me romanceias,
onde me folheio.

Pérola


sábado, 1 de outubro de 2016

... quero ...


Quero traduzir-te
sem idioma.

Quero legendar-te
sem palavras.

Quero decifrar-te
sem pudor.

Quero adivinhar-te
sem noção.

Quero descobrir-te
sem roupa.

Quero ler-te
sem fôlego.



sexta-feira, 16 de setembro de 2016

como cascata


Como gota atrás de gota
assim se cascatam sonhos
de beijos por provar,
de pele por cheirar.

São despenhos de desejos,
vontades encadeadas,
em catadupas gananciosas,
de te querer,
como rio atordoado 
na deságua do prazer.

Como fiada de pingos,
assim sou eu,
correria,
cascata sem leito,
salto no desconhecido,
buscando teu mar.

Caprichos à sorte,
vertidos no apetite
de conhecer teu sabor.

Queda ousada,
de quem nada perde,
como cascata apaixonada.


domingo, 3 de julho de 2016

há caminho

Rasga-se um caminho 
por entre  vontades esfaimadas,
corre-se em rota de colisão
buscando a interseção 
em pontos de corpos vulcânicos,
fusão embrulhada na pele,
no toque que arrepia só de olhar.

Abre-se passagem por entre 
umbrais de outro mundo,
abraça-se o outro como se fosse nosso
desviando estranhos seculares
em busca da totalidade do ser,
amor sagrado em momentos
de entrega,
em que tu és meu e eu sou tua.

sexta-feira, 27 de maio de 2016

Só por Hoje



Só por hoje,
deixo a tinta secar
em palavras escritas por ti,
silêncios tatuados na minha pele,
desejos e vontades desenhados na ponta  da tua pena.

Só por hoje,
permito-te a ousadia de me penetrares
em íntimos ocultos,
confidências onde te sou página em branco.

Só por hoje,
abandono-me em tuas mãos,
ofereço-te o corpo virgem,
por onde te podes aventurar
e escrever o momento 
onde somos sol e lua,
terra e mar
em Todo só nosso.

Só por hoje,
quero-te como guião do meu filme,
argumento a estrear,
em falas, palavras e takes
que me viram do avesso,
marcada por ti.

Só por hoje,
desliza-te em mim,
como quiseres,
pois dei férias às amarras,
e soltei o atrevimento nu 
de me oferecer-te.


quinta-feira, 28 de abril de 2016

tua


William Oxer

Entardece, amor,
no abraço da noite 
traficante de ilusões.

Tolda-me o sentir do Sol 
que sempre nasce
e a primavera
que sempre chega.

Penumbra-se o mar
em marés que sempre vêm,
umas como quem quer engolir a terra,
outras de mansinho,
em afagos húmidos.

Deixa a névoa encastelar-se
na própria sombra
em brumas sem diferença,
importâncias de outros.

Vem, amor,
no beijo da luz,
olha-me como se fora única
aquela que se despe,,
de alma só tua
para ti.


terça-feira, 19 de abril de 2016

Leio para ti


Paul Rader (1906 -1986)

Pousa o livro e deixa-me ser o alfabeto,
as sílabas, 
e as palavras do teu novo romance.

Emociona-te na adjectivação
do meu querer,
atreve-te por entre reticências minhas,
surpreende-te na interrogação do meu calor.

Deixa o parágrafo introdutório
penetrar em ti,
fluindo ao sabor de capítulos sucessivos
nascidos de nadas 
onde sou a criadora de tudos,
inventados,
explorados
e descobertos,
no fogo dos nossos corpos
resolvidos por mim,
pelo enredo que te conto
e onde te agitas
em vãs tentativas de rumar
a outro final.

Desta feita, sou eu a contadora,
tu, pousas o livro
e absorves-me como se te fosse mestra.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

(só) Tu


Tem beijo a vincar a alma,
marcando-a a fogo
como cicatriz que não sara.

Tem boca a saber a ti,
angustiando-me a espera
como eco que ressoa.


Tem vontade a embaciar 
o espelho de mim em ti
como o banho de pele
em que mergulho
quando te penso.

Tem esse beijo a chamar
o prenúncio de outros tantos
como suspiro derradeiro
dessa loucura que és tu.




terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Gulosa



Deixa-me ser gulosa,
lambuzar-me em ti
até o doce me enlouquecer.

Deixa-me provar
cada recanto teu,
passar a minha pele 
por tuas montanhas,
cumes e vales.

Deixa-me saborear,
de língua húmida,
os teus cheiros e sabores
pelo mundo do teu corpo 
sedutor e maroto.

Deixa-me o desejo
de te querer mais,
sempre mais,
em ganâncias gostosas,
com lambidela vorazes
como gulosa que sou.