Mostrar mensagens com a etiqueta Pessoas. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Pessoas. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 3 de novembro de 2021

esse mundo ...


 Tem esse mundo

à minha espera,

mesmo aqui,

no meu pensamento !?

ou

sou eu que espero

todo esse mundo,

por aí,

no meu sonho !?


Não sei

e essa ignorância

queda-me triste,

sentada nos meus próprios sentires,

anseios e vontades.


Tem esse mundo ... 

 por  onde?


Foge-me de dedos entrelaçados com o tempo,

com ares de gigante,

olhando-me de soslaio,

como se fosse coisa pouca.


Chamo-o de mansinho,

grito

e clamo,

em vão.


Tem esse mundo

que espero

ou

espera por mim ...


sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

Quarto


Há um quarto por aí,
na encruzilhada
de estradas
e caminhos,
onde nascem
pérolas,
rosas,
e outras
cousas  minhas.

Há um quarto por aí,
na linha do tempo,
onde cascatas
do teu ser
se derramam
em meus olhos
e a tua pele
me sacia
a fome de amor.

Há um quarto por aí,
no rio manso
da saudade,
onde sei de mim
ao percorrer
teu corpo
morno
por entre veludos
e ganas de te querer mais.


sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Navegando



Que faço eu
a este sentir?
A estas mãos
com fome de ti?

Que faço eu?

Navego neste livro
meio escrito,
muitos mais
por desfolhar,
vontades sublinhadas
com a ternura
do teu olhar,
de teu corpo
em ânsias pelo meu.


Que faço eu,
 meu amor, 
a tanta saudade tua?


quarta-feira, 7 de junho de 2017

Que te posso eu dar?

Que te posso eu dar?

Apenas uma mão cheia de mim,
vida de raízes sem chão,
terra onde me semeio,
floresço
e desvaneço.


Somente uma caricia de saudade,
de outros tempos
por onde ervas 
se derramaram,
ocultando as pétalas
que te perfumaram
em minhas mãos.

Que te posso eu dar?

Tão só uma insanidade
de te querer,
vontade de matar minha
sede de ti
nesta espera muda
do teu toque,
do teu beijo,
qual seiva
correndo no meu corpo
em ânsias de saciar o teu.


sexta-feira, 2 de junho de 2017

casa fechada


Veio o vento 
e soprou
tempo 
em casa
que não era minha,
teceu
fios de saudade,
embaraços,
que me toldam o olhar
porque tu
já não moras aqui.

Chegou a madrugada
e acordou
outro dia,
outra história,
outra fechadura
de chave própria
onde eu
já não tenho morada.

sexta-feira, 21 de abril de 2017

mundo meu



Em meu mundo
cabem desejos por inventar,
quereres de um sopro só,
fronteiras sem linha,
limites a serem superados.

Nele estás tu,
amor meu,
povoando minhas planícies,
banhando-te em meus rios,
navegando em oceanos de mim.

És a vastidão do sentir,
a chuva de olhares
em horizontes
para lá das cores
e tons com cheiro a longe.


Em meu mundo
sou-me entre toques,
corpos
e pele
onde o tudo
és tu
em eternidades
e excessos a que me permito
e atrevo.

terça-feira, 18 de abril de 2017

escondendo-me


coube numa caixa escura
o meu medo,
a minha alma
cortada pelas nesgas de luz
insistentes no chamamento
de outro eu.

confinei-me em espaço escasso,
pequenez definida,
no receio de outras dimensões,
da vastidão do mundo,
de flores por desabrochar
e mares por navegar.

Sabotei vontades,
quereres, desejos
e sonhos
sabendo da minha dor,
perdida algures por aí,
em mim, talvez.

sábado, 1 de abril de 2017

Desjejum


Apetece-me barrar-te
de cima a baixo,
por todos os lados,
como torrada de amor.

A noite foi longa,
vazia de ti,
horas onde se forjaram
fomes e apetites 
por entre sonhos e lençóis.

Desperto no desjejum
de te abocanhar,
trincar,
 sem tréguas ou dietas
onde saboreio cada migalha tua
em satisfação
de resgatar o gozo
na quietação da carência.

Lambuzo manteigas,
doces,
 e não sei que mais.
pela manhã,
na alvorada
do teu coração.

segunda-feira, 13 de março de 2017

diálogo meu



Insistes,
teimas na tua razão.

Olhas-me e vês
outra qualquer.

Eu não sou
o que tua mente quer,
o que teu coração deseja.

Continuas a mastigar 
os pensamentos
como se fosse bolo alimentar
e me pudesses processar
no teu sistema,
à tua forma,
do teu jeito.

Pois bem,
meu menino,
apenas sei que não sou reflexo de nada
e,
muito menos,
de ti.

Nasci sem espelho, 
paredes
ou imitações.

Rasguei a existência
por entre dores,
demandas,
sofrimentos só meus.

Sorvi o prazer
de me ser companhia,
adivinhar intuições
e sentires sem dono.
Só meus.

Bebi da vida
orvalhos,
tempestades que ninguém deu conta.

Perdi-me e achei-me
vezes sem conta
em labirinto por montar
como peça por encaixar.

Basta!

Pisa a terra o quanto 
te der na  gana,
enfatiza-te até ao último
abismo do planeta,
permanece em ti,
só tu sabes 
o quanto tens de te ser autêntico.

Eu floresço
em cor e cheiro de flor,
inclinada para o sol
privilegiada no veludo
de me ser.

Começo a viver
de pétalas abertas
dispensando teu calor,
tua presença,
teu tudo.

Agora sou só eu . . .


domingo, 12 de fevereiro de 2017

ao sol pôr

Dormito embalada
pelo vagar das ondas,
na carícia do sol pôr.

Espreguiço as pressas,
soltando-as no areal,
como quem quer calma.

Pouso-me no horizonte
para além de mim,
devolvendo aos céus o que não é meu,
reunindo grãos,
pedaços da minha essência.

Comungo desta respiração do mar,
da terra e do ar,
buscando-me, procurando-me
em desvario sossegado
com cheiro a maresia.




menina de ouro


Foto by Pérola

Enches meu colo
com teu sorriso,
inundando meus olhos
ao te saber 
pedaço de mim.

És ternura sem tréguas,
mimo tão bom
que a loucura
me espreita
na ausência de ti.

Fazes festa
em te seres,
encanto crescido
pelo tempo 
que sempre vem.

Contigo a luz é brilhante,
os dias vestem-se de cor,
meu coração bate mais forte
em amor 
à minha menina de ouro.




quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Ensaio para Ela


Para lá do espelho,
na dimensão funda de se ser,
ela acreditava-se.

Era tal o desplante
que o atrevimento se envergonhava
de pôr em voz,
atitudes,
ou palavras 
o que a alma lhe segredava.

Para lá do mundo,
no espaço de si,
ela autorizava-se.

Era tal a ousadia
que o receio se minguava
em vontades 
para lá do conveniente,
em apetites fora de hora,
saboreando na pele
o sentir 
(também)
de ninguém a adivinhar.

Para lá de tudo o resto,
de tudo,
de todos,
e mais 
das imagens de si,
ela avaliava-se, 
existia na palpitação
da plenitude
de se saber mulher,
exclusiva,
de singularidade a preto e branco,
sem meios tons,
na inteireza feminina.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

minha mão


tenho na mão

nascentes, rios e poentes;
vales espraiados
na bainha de montanhas
por acontecer;

quimeras sopradas 
na ventania 
da liberdade:

ousadias escondidas,
segredadas,
na conspiração
de energias minhas,
alheias,
ou desconhecidas;

vida minha,
frágil,
desassossegada,
brotada em humanidades 
de opostos
em equilíbrios ténues
pesados em minha mão.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

balada triste

Fazes ritmo na toada
em harmonias improváveis,
na textura dos sentidos,
que se bailam
por entre dedos
e solfejos soltos
em pressas demoradas.

Tocas perfumes
de outros aromas,
de outras cores,
de outros tons.

És assim,
maestro e instrumento
de esquecimentos em sinfonia,
orquestra e batuta,
de delírios meus 
ao te querer,
em filarmónica,
por pautas nossas
no dó por ti escolhido,
restando-me no refrão
por acontecer.

Racionalizas cores,
os sons da música,
pulsar do meu ser,
cadência solta 
nas lágrimas 
de nevoeiro 
por onde me cego
nesta balada triste.


quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

realidade sem poesia


foto by Pérola

vivi sem filhos,
só era filha.
vivi sem telemóvel,
escrevia cartas.
vivi sem Net,
percorria a enciclopédia.
vivi sem mãe,
e ainda aqui estou.
vivi sem pai, 
porto de abrigo
ou amor incondicional
e não morri.
vivi de solidão,
refugiava-me em mim.
vivi acampada,
fui feliz.

Já vivi com tantos 'sem'
que a memória se esqueceu.
Foi-me realidade sem poesia,
a meus olhos,
no meu sentir.

Basta-me!
Transbordei-me de ausências.

Quero os 'com'
mesmo que vazios,
disponíveis para preencher
ou deixar dessa forma.

Quero ser a minha realidade,
eu, 
tão só!



terça-feira, 24 de janeiro de 2017

sou-me



Sou-me em outras eras,
outras histórias,
outras vidas,
sonhos e desejos
escritos em miragens,
ilusões,
sombras 
do que quero.

Escrevo-me em pergaminhos.
 desbotados,
com letras confundidas,
nas palavras trocadas
de tempos sem vida,
em dores mal apagadas.

Sou-me na escrita triste
de verso sem rima,
poema por escrever,
angústia na inquietação
de me alinhavar 
em rascunhos carentes
de tinta,
de caneta,
de mim.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

ensaio para S


Engarrafei aquele amor de outrora,
os beijos roubados
e outros tantos por dar.

Foram oceanos de ti,
trazidos em marés sem gaivotas,
de horizontes rasgados
com lâminas de inocência.

Guardei-te em lágrimas
salgadas como
embargos enfrascados
nas inquietações
do meu (nosso) querer.

Selei o teu corpo no meu,
a humidade da tua pele na minha boca
em eternidade fechada a sete chaves
de acesso restrito.

Fui flor colhida,
seiva derramada no viço
desse amor de outrora.

Tapei ousadias,
atrevimentos e partes de mim,
restando-me no todo
sem ti.


domingo, 8 de janeiro de 2017

encarcerada



Erguem-se paredes,
fecham-se jardins,
esgotam-se ares
na masmorra de me ser.

Soltam-se cheiros a bafio,
passados trancados,
entre quatro paredes
onde a respiração
se dificulta.

Sei duma nesga,
pequena janela
do lado de fora
onde o ar é puro
e o perfume das flores
me fazem sonhar.

Quero rasgar 
esse pequeno nada,
esventrar a brecha
com unhas,
dentes,
e tudo o que me restar.

Viro-me do avesso,
procuro forças
em busca desse lado de  fora,
porque,
por aqui,
tudo é escuro,
tudo é fechado,
em asfixias
onde perco a consciência,
a vontade de me ser.

Fechadas portas,
acessos
e travessias,
há que transcender 
a ausência de luz,
tem de ser . . .


sábado, 7 de janeiro de 2017

dança com flores


Oferece-me flores,
brancas,
harmonia perfumada
enlaçada
nas tuas mãos.

Simples,
como meus balanceios
desassossegados,
seguros em teu corpo.

Oferece-me flores,
belas,
como a música
entoada ao ritmo  
da nossa private dance.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

com fome e sede



É rosa o teu desejo
em que latejo 
com pequenas mãos
deslizando 
em veludos teus,
maciezas tatuadas
no apetite
de me aconteceres.

É a improbabilidade
da ânsia
que me aporta
por mares e oceanos
revoltos
na sede de te amar.