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segunda-feira, 13 de março de 2017

sempre há


Há um mundo
a convidar,
tímido,
sem conversas,
existindo,
em coloridos
que chamam,
nas formas
à espera de serem moldadas,
no coração,
soltando horizontes,
descobertas
logo ali,
despidas de fronteiras ou limites,
e tu,
cego
nas coisas do mundo.

Olhas-te
nas sombras do cinzento
troçando do convite
como se não te fosse ele
a passagem do umbral
para te seres em plenitude.

Há pó,
terra,
chão,
mares
e cores.

Atreve-te!
Sê!
Vai!

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Ensaio para M


Passeava-se no limite
do despercebido
como quem está
e não se vê.

Era última
no desabrochar,
sozinha,
em recanto
sem história,
flor de semente
guardada
por entre pétalas
que despia.

Passeava-se no perfume
do mar,
da terra e de si,
aveludando  tempos . . .

Tempos de agora,
de antes
e por nascer.

Era despedida acabada,
(re)começo,
de mais um passo
naquele passeio.

sábado, 10 de dezembro de 2016

poeta-me


Poeta-me
como rio na foz
por entre fusões 
de águas desiguais.

Poeta-te
bem dentro de mim
por onde os versos
fluem em vagas de prazer
e as rimas se despem.

Poeta-me
como se fosse flor
em jardim selvagem,
rústica prosa com sonho
de ser poema.
Pérola



domingo, 16 de outubro de 2016

com pérolas


Só porque sabes
do meu gosto 
por pérolas,
não me podes 
aprisionar nelas,
fazer-me refém
das tuas fantasias,
de teus desvarios,
das tuas vontades
mais secretas.
Pois, 
não podes!
Mas, eu deixo!
Prende-me,
ata-me...
... com pérolas.

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Partilha I

O Amor, Meu Amor
"Nosso amor é impuro
como impura é a luz e a água
e tudo quanto nasce
e vive além do tempo.

Minhas pernas são água,
as tuas são luz
e dão a volta ao universo
quando se enlaçam
até se tornarem deserto e escuro.

E eu sofro de te abraçar
depois de te abraçar para não sofrer.

E toco-te
para deixares de ter corpo
e o meu corpo nasce
quando se extingue no teu.

E respiro em ti
para me sufocar
e espreito em tua claridade
para me cegar,
meu Sol vertido em Lua,
minha noite alvorecida.

Tu me bebes
e eu me converto na tua sede.
Meus lábios mordem,
meus dentes beijam,
minha pele te veste
e ficas ainda mais despida.

Pudesse eu ser tu
E em tua saudade ser a minha própria espera.

Mas eu deito-me em teu leito
Quando apenas queria dormir em ti.

E sonho-te
Quando ansiava ser um sonho teu.

E levito, voo de semente,
para em mim mesmo te plantar
menos que flor: simples perfume,

lembrança de pétala sem chão onde tombar.
Teus olhos inundando os meus
e a minha vida, já sem leito,
vai galgando margens
até tudo ser mar.
Esse mar que só há depois do mar."

Mia couto

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

* ANO NOVO *




Mais um ano,
mais um virar de página
na enciclopédia da vida.


Que cada instante
seja motivo e causa
do recomeço de nós próprios.


Mais uma maré,
no oceano da impermanência,
onde ousamos saltar paralelos,
atravessar hemisférios
em busca tão só de nós,
de outros,
com o amor como arma,
a felicidade como alvo.


Atreve-te  a ser feliz hoje,
agora e no sempre,
para lá dos calendários !






quarta-feira, 17 de junho de 2015

Das malas, férias e afins . . .




Confesso gostar muito de férias.

Afinal, quem não gosta?

Contudo, tenho um problema, 
para não dizer uma doença, 
na hora de fazer as malas.

Que hei de levar?
E se chove?
E se preciso de bikini mesmo na neve?
E se houver uma ocasião que exija uma roupa mais produzida?
E se precisar de chinelos?
E se a carteira fica horrível com o calçado?
E se . . ., e se . . . ui, ui ! ! !
São imensas, as dúvidas.

Parece o Apocalipse.

Pois bem, tenho alguns truques:

* Tento focar-me na duração e no local da estadia.
*Escolho uma cor ou uma peça 'indispensável' e começo a selecionar o que poderá ser usado com o tal objeto forçado a dar o mote.
* Coloco os montes por secção em cima da cama
(casacos, tops, calças, interiores e por aí fora).

Os meus truques revelam-se sempre volumosos e incomportáveis (só para avisar).

* Faço uma segunda ronda e mais uma terceira.

Por último, toca a emalar.



Claro que nunca há espaço, as malas, sacos e necessaires são tão pequenos, mas tão minusculos, só visto.

Penso que alguém me compreenderá, não?

A bem ou a mal, lá acabo no destino.

Tem alturas que fico contente por ter exagerado 
pois tenho escolha e até empresto coisas minhas, 
porém o pior vem depois.

Aquando do regresso a casa, 
o desempacotar, 
para além da depressão pós férias, 
relembra-me como fui inconsciente e tão pouco prática.

Volto à trabalheira de (des)arrumar coisas a que não dei uso ( a maioria).


Desta vez, 
vou experimentar usar o esquema abaixo.

E contigo, como é na altura de fazer mala???



"Se todo o ano fosse de férias alegres, 
divertirmo-nos tornar-se-ia mais aborrecido do que trabalhar."
William Shakespeare


terça-feira, 30 de dezembro de 2014

É sempre tempo . . .



Sonhe-se um mundo florido,
novo ano,
renovados desejos,
em miragens logo ali.

Sonhe-se magia planisférica,
beijos inercontinentais,
um abraço só.

Sonhe-se na tela branca,
marés por acontecer
em dias a estrear.

É sempre tempo de sonhar,
crer  em sonhos
depositados em calendário por desfolhar:
o Ano Novo se aproxima:

Que se sonhe, pois então!
É sempre tempo . . .



sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Desejos (de rosa)



Apetecem-me rosas,
meu amor.

Brancas como a luz,
cheirosas como tu.

Apeteces-me 
com sabor a bom,
de cheiro a flor.

Desalinhado no teu jeito,
tirando-me para fora de pé,
rendo-me na perdição florida.

Traz-me um jardim,
um canteiro
ou mero caule florido.

Vem, meu amor
e traz-me o botão de rosa
que és tu.



quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

É NATAL!!!




Pergunto-me porque associamos o Natal à neve, 
ao trenó com o Pai Natal e as suas renas!?

Será cultural, terá a ver com a tradição ou simplesmente por habitar no Hemisfério Norte?

Na realidade, também por outros Hemisférios, 
o Natal é celebrado ao calor de um Sol radioso e de pele à mostra.

Venho confessar que gostaria de passar um Natal na praia,
de tez morena e bikini vermelho.
Piroso?
Pois . . . talvez.
(mas, como gostos não se discutem . . .)

Será que o meu sonho se realizará?

Fica o desejo.

Feliz Natal!

Qualquer que seja o teu Hemisfério ou paralelo.



terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Natal é vermelho



Como uma visão,
sorrias em cenário
preenchido por tuas mãos
a transbordar flores.

Flores vermelhas,
túlipas,
como sabes que me emudecem,
enlaçadas no calor do teu olhar.

Acordei,
o Natal é-me garrido,
encarnado,
como no sonho
em que acordei
e tu
me trazias flores . . .






terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Ajuda blogueira...Precisa-se.



Alguém me explica porque aparece o pedido de verificação de palavras na minha caixa de comentários?
Eu já defini o 'Não' há tanto tempo e já confrmei, mas continua a aparecer.

Quem me ajuda a eliminá-lo de vez?




quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Em tons de cinzento


- Porque te acizentas, pequena flor?

Abre tuas pétalas,
sorve o orvalho oferecido,
pinta-te de cores mil,
vai,
liberta teu perfume por aqui, 
por aí,
no acaso da vida.


Olha a luz,
a ternura que te acena,
a paleta colorida dos afetos,
que te aguardam 
em improvisadas aventuras,
atreve-te,
abusa do esplendor das vestes 
do ser único que és tu!

- Despede-te do cinzento, pequena flor!

Solta a sombra que te diminui,
deixa ir,
agiganta-te em cor tua,
só tua.



terça-feira, 14 de outubro de 2014

Hannah Arendt




O Google tem destas coisas boas: relembra pessoas, factos, enfim História que deve ser reconhecida ou aprendida.

Quanto a mim, agradeço a possibilidade de saber desta pensadora fascinante. Possui ideias que me fazem refletir, filosofias a explorar.

Fiquei fã!

E tu? Já a conhecias?



Escravo de Si Mesmo

"A suposição de que a identidade de uma pessoa transcende, em grandeza e importância, tudo o que ela possa fazer ou produzir é um elemento indispensável da dignidade humana. (...) Só os vulgares consentirão em atribuir a sua dignidade ao que fizeram; em virtude dessa condescendência serão «escravos e prisioneiros» das suas próprias faculdades e descobrirão, caso lhes reste algo mais que mera vaidade estulta, que ser escravo e prisioneiro de si mesmo é tão ou mais amargo e humilhante que ser escravo de outrem. "

Hannah Arendt, in 'A Condição Humana'




sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Pedido . . . com pérolas



Deita-te a meu lado,
cobre-me com tua pele,
amado meu.


Descobre-me por entre lençóis,
atreve-te em mim,
faz-me tua.


Beija-me como só tu,
ama-me sem pudor,
mas não me dispas as pérolas.





sábado, 23 de agosto de 2014

A Culinária também passa por aqui . . .



O paladar, o olfacto, a audição têm memória. 
E de que tamanho . . .
Falar, pensar ou comer arroz doce leva-me de imediato para o colo da minha avó.
Era ela, a matriarca, que sempre o fazia e eu lutava com os meus irmãos para a raspadela do tacho.

E desta forma, a receita perdeu-se porque nunca tive necessidade, ou vontade de a aprender.
Já para não falar das broas escuras de erva doce bem como os 'fritos' do Natal'.

A semana passada ofereceram-me arroz doce.
Como por magia, recuei nos anos e senti aquele gostinho de avó.
Descarada, pedi logo a receita e ontem foi noite de meter mãos à obra.

Afinal, é tão fácil.
Arroz (300g), água para a cozedura, manteiga, sal, casca  de limão, paus de canela.
Depois de cozido é ir juntando leite (até 3l) quente e açucar (600g) amarelo para bolos.
Depois de muita mexidela, e provas que não engordam nada, basta juntar as gemas  bem batidas.

Não esquecer a canela por cima da cremosidade e Voilá.

Uma receita nunca é apenas um prato, um sabor.
É vida, família, uma parte de nós.

Somos constituidos, essencialmente, por sensações que nos abrem caminho a emoções,
ao nosso 'Eu' mais íntimo.

E, isso, é bom, muito bom!



P.S. Sendo o arroz doce uma antiguidade, basta ler a http://pt.wikipedia.org/wiki/Arroz-doce e ficar a saber que vem desde tempos de Buda.



domingo, 20 de julho de 2014

Elvira Carvalho



Isto de blogar é um mundo. 
Mundo por onde navegamos, aprendemos, rimos e encontramos amigos/as.
Com a Elvira Carvalho o encontro de gostos e troca de visitas tornou-nos cúmplices nesta odisseia que é ser  mulher também na poesia.

A Elvira tem um papel de destaque na divulgação da poesia no feminino para além de escrever muito bem.

E não é que me quis surpreender com a publicação de um poema meu?
Quis adquirir o meu simples livrito e fez-me esta surpresa que me deixa de coração acelerado e de palavras escassas.
Não mereço tanto carinho.

Obrigada, minha querida!

Aqui  vos deixo poesia da blogger que referencio e insisto que visitem: 


POEMA DO NOSSO AMOR NASCIDO


"Ainda me recordo do tempo de solidão
quando na estação do meu desejo
embarquei ao encontro de ti.
Era Primavera? Não. Era ainda Inverno.
Mas o tempo não contava. Era um montão
de horas encerradas
na penitenciária do passado.
E foi justamente nessa altura
que te encontrei.
Trazias a noite agonizante
em teus cabelos,
enquanto nos teus olhos dourados
raiava a aurora.
Nunca te tinha visto e no entanto
soube logo que eras tu. No teu sorriso
- branco malmequer que desfolhaste,
me perdi. Com a força do desespero
que agoniza em silêncio,
o nosso amor nasceu. Depois...
bem, depois, não estava previsto
-mas aconteceu...a maçã do saber
adormeceu em nós.
A cidade, o rio, as gentes,
a vida e até a própria morte
deixaram de nos importar.
Há alguma coisa mais importante que
um homem e uma mulher que se amam?...
Lembras-te? Era o tempo dos beijos
a saber a pôr-do-sol,
das madrugadas amanhecendo
nos sorrisos sem palavras.
Era o tempo em que os nossos corpos,
prenhes de Amor, cavalgavam
pelas montanhas da Ilusão."

Elvira Carvalho




domingo, 29 de junho de 2014

Da Arco Íris




Hoje estou assim . . .
a modos que ARCO ÍRIS.

Não é que a minha querida amiga me presenteou?

Visitem-na!

É um amor de pessoa e blogger.


Fazem-me bem as cores, gosto do colorido.
Hoje ? Ainda mais.
Tenho andado meio cinzenta e esta ternura tornou-se alento que me comoveu deveras.

Bem hajas, Arco Íris ! ! !


Dirk Dzimirsky



A querida Afrodite quis presentear.-me com uma publicação que teve origem num envio de mail sobre a obra de Dirk Dzmirsky
Obrigado, amiga blogger !

Trata-se de pintura hiper realista onde a obra se assemelha a verdadeiras fotografias.
Para os amantes da blogosfera deixo o link do seu blog: http://dzimirsky.blogspot.pt/

Espero que gostem.
O que pode nascer de um simples lápis e talento trabalhado !?
Espantoso, não achas?




quarta-feira, 25 de junho de 2014

Gosto ... de banho de imersão



 Gosto quando me despes no olhar,
me preparas um banho de prazer,
convidando-me à entrega.

Então, aclaro na humidade 
dos teus beijos molhados,
lavo-me em tuas mãos húmidas,
 permito o abandono na imersão.

E, gosto de me perder 
em tuas águas,
desejos que harpejam
a minha fantasia,
tão límpidas como 
a paixão partilhada.

São tantos os líquidos trocados
peles soltas em êxtase,
 refregas sôfregas,
por onde deixo de me saber
neste tina onde mergulhei.

Então, fazes-te presente,
no instante,
como oferenda dos deuses,
resgatando-me em abraço ensaboado.

Gosto quando de esponja te vestes,
preparando-te para nova barrela
onde tua língua é esfoliante total.

Gosto deste gosto
de gostar 
de banhar-me (em ti)
em imersão total.