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quarta-feira, 7 de junho de 2017

Que te posso eu dar?

Que te posso eu dar?

Apenas uma mão cheia de mim,
vida de raízes sem chão,
terra onde me semeio,
floresço
e desvaneço.


Somente uma caricia de saudade,
de outros tempos
por onde ervas 
se derramaram,
ocultando as pétalas
que te perfumaram
em minhas mãos.

Que te posso eu dar?

Tão só uma insanidade
de te querer,
vontade de matar minha
sede de ti
nesta espera muda
do teu toque,
do teu beijo,
qual seiva
correndo no meu corpo
em ânsias de saciar o teu.


segunda-feira, 24 de outubro de 2016

floral

Brotam flores
do teclado
onde te escrevo.

Chove lá  fora,
primavera-se aqui.

Não sei que te diga,
as palavras soltam perfume,
as pétalas cobrem-me o olhar.

É tudo floral
na germinação da Web.

sábado, 5 de março de 2016

Somos JARDIM



Acontecemos nesse jardim
onde somos árvores plantadas
de raízes afundadas.

Nossos galhos secos reinventam-se
no fogo sem chama,
braseiro rubro com perfume de jasmim.

Existimos no beijo de lábios entreabertos,
no contorno de nossos troncos floridos
por onde a seiva escorre 
em florescências sem canteiro.

Rasgamos terras e ares em gomos do tempo, 
qual semente desabrochando
em alvoradas e crepúsculos
abraçando todas as plantas e flores do mundo.

Somos um só,
JARDIM,
onde tu és o viço 
e eu a flor.


quarta-feira, 2 de março de 2016

Flor como se fora jardim



Fui semeada em vaso partido
por onde minhas raízes 
se enlaçavam em vizinhas
de outras espécies, 
 sem pudores de semelhanças
ou ecos de
'-não podes ser'.

De chão largo fiz minha casa,
por cima da terra serpenteava
em aprendizagens próprias de flor.

Minha casa sem muros,
vedações ou cercas,
deixava-me florescer
onde distintos e vaidosos coloridos bailavam
na brisa do vento,
ou se achegavam na humidade
de chuvas e frios sem estação.

Era flor silvestre,
 livre,
sem riscos de podas
ou pétalas desfolhadas
em mãos sem tino
ou consciências simétricas.

Sob o azul do céu abrigava-me
de outros jardins,
longe de jarras ardilosas
ou jardineiros bem intencionados
por onde a beleza
era emoldurada
em embalsamentos
que não casavam comigo.

Na liberdade de me ser
ousava sentir-me jardim 
onde era apenas pequena flor
desabrochada em campo bravio.




quarta-feira, 10 de julho de 2013

Germinação



Abriu-se uma pequena janela na terra seca.

A frágil haste, sem cor, na escuridão, lutava.

Debatia-se no aperto asfixiante.

Sua mãe, Semente, tivera êxito na germinação de si.

Finalmente podia cerrar os olhos na certeza do dever cumprido.

A filha que a esventrara recomeçava novo ciclo vital.

Na debilidade incerta a pequena guia orientava-se na direção da luz.

Sorvendo todo e qualquer resquício de humidade, ganhava forças.

De crescimento lento,
 rasgou a pequena fresta 
e transformou-a em porta . . . para a Vida !




segunda-feira, 24 de junho de 2013

Preguiçando . . .

FOTO BY PÉROLA

A pedra aquecida prometia indolência. 
Um calor que esquentava o corpo encarapaçado.
Esticava os membros em imobilidade necessária.
Evitam-se sombras escuras.
Absorvem-se todos os pingos de luz.
Nesta moleza apetecida, espreguiça-se.
Em quietude lenta esforça-se na exposição solar.
Com ganas de se livrar da incómoda proteção.
Como se gostaria de desnudar e
entragar-se ao abraço do calor
preguiçando . . . 

Nada fazendo,
de pensamento oco
e sentires físicos.

A felicidade simples da natureza,
naturalmente.






segunda-feira, 13 de maio de 2013

A semente



Atirada à terra no vento intempestivo
choro na escuridão do ventre da mãe.

Sinto o cheiro da chuva que me acaricia
suavemente no corpo abandonado.

A pele seca-se-me na aridez do solo
que me aprisiona nesta masmorra sombria.

No torpor instalado deixo-me adormecer
esquecida de mim, da vida que grita ao longe.

Desperto no desabrochar manso de hastes,
filhas do ser Eu, rompendo esperanças frescas.

Sou recebida nos braços do Sol,
acalentando-me nas inseguranças da criação.

Cresço para florescer em perfumes renovados
invadindo chão despido no olhar do inverno.

Sou semente garota gargalhando ao cobrir campos
brilhantes na cor do alívio amansado da primavera.



quinta-feira, 9 de maio de 2013

Chove ☁


Letras são lágrimas das nuvens que choram.

Juntam-se em palavras e provocam dilúvio.

E na inundação das frases flutuo por entre versos, prosas e saudades.

Mantenho-me à tona guiada pelo perfume das rosas que atraem  borboletas.

É o teu aroma transpirando palavras de amor.

Letras que se diluem e evaporam retornando às nuvens.

Afogo-me morrendo nestas lágrimas . . .



segunda-feira, 22 de abril de 2013

Beijinhos



Sob a copa esburacada, dormito.
Ténues raios solares depositam-me beijinhos rápidos
ao sabor da brisa que ondula os ramos espigados.

Um morno indolente abraça-me nesta preguiça que se fez de convidada.
Grata pela visita, convido-te a juntares-te a mim,
à cama de erva bordada a flores silvestres.

Aquieta-te !
Vem !
Deita-te a meu lado !
Cerra os olhos !
Deixa-te beijar pelo Sol que brinca às escondidas !

Talvez me disfarce de raio solar e te roube um beijo . . .
E tu ! No êxtase da sinfonia dos chilreos,
atento ao solo do melro, quiça me confundes, não me reconhecendo.

Dá-me a mão !

Permito ao meu impúdico corpo provocar-te.
De mansinho.
Tateio a tua silhueta,
adivinhando-te cada centímetro da pele.
Pelo toque.

Escalo a montanha do nariz
e repouso no vale húmido dos teus lábios.

És um desassossego !

Enderecei-te convite para repousante sesta.
Evento Impossível para nós !

Sentindo-te por perto,
desperto da hipnose.
Tocando-te, os sentidos alertam-se.
O teu cheiro sobrepõe-se ao aroma primaveril das plantas.

Atrevido, retribuis as carícias por mim, em mim,
oferecendo-me o teu querer.

Os dedos entrelaçam-se no estremecimento
da tua face colada à minha.

Prendes-me o olhar, fixando-me para lá das pupilas.
Lentamente, acedo ao teu convite.

Dancemos o bailado do amor
sob esta copa,
no leito da mãe Terra,
onde o Sol continua
a derramar ternos beijinhos.


quinta-feira, 11 de abril de 2013

O Paraíso . . . apetece-me!

O significado de Paraíso, de acordo com dicionário atual:

"s.m. No Antigo Testamento, jardim de delícias onde Deus colocou Adão e Eva: paraíso terrestre. (A idéia de um paraíso terrestre é comum a muitos povos da Antiguidade.)
No Novo Testamento, lugar onde permanecem as almas dos bem-aventurados.
Lugar de recompensa das almas dos homens, após sua morte, em muitas religiões. Jesus usou a palavra com este significado quando falou com o bom ladrão na cruz.
Fig. Lugar de delícias, lugar onde a gente se sente bem, em paz e sossego.
Originalmente, era uma palavra persa usada para os parques de diversões dos reis persas."
Dicionário Online


O Paraíso é Persa!
Mesmo que conheças bem a cultura iraniana, nunca deves ter feito alguma relação entre os persas e o paraíso, certo?

Porém, “paraíso” vem do persa, sim.
Mais precisamente do avéstico, que faz parte de um grupo chamado de línguas iranianas antigas.
A palavra original para “paraíso” é “pairidaeza” e o significado não tem nada a ver com 72 virgens esperando por mártires no céu.
Pairidaeza” significa “murado” e a palavra era usada para se referir aos Jardins Persas, aqueles jardins magníficos, com arquitetura e paisagismo simétricos e, claro, muros ao seu redor. O mais famoso deles provavelmente é o Taj Mahal, na Índia.

Do persa antigo, “pairidaeza” alterou-se para  “paradeisos” (grego), “paradisus” (latim) e daí seguiu para todos os cantos do mundo.

Seja como for, a origem do jardim idílico remonta a séculos A.C.

Local apetecido, desejado, sonhado onde as canseiras da vida não existam.
Utopia para uns, promessa para tantos.

Para mim apeteciam-me férias em local paradisíaco.
Com requisitos adequados a gostos próprios:
soalheiro,
com mar morno e areias brancas,
temperaturas nos 25º,
comida fresca e sempre pronta,
silencioso,
natureza amigável e presente na vida animal e vegetal,
outros itens em separata,
(. . .)
tão somente onde pudesse descansar
e . . . esquecer-me de mim.

Alguém conhece o Paraíso?


domingo, 7 de abril de 2013

O Lago


Existe um Lago
dentro de mim.

Onde as águas turvam
com a enchente das minhas lágrimas.

Onde a transparência me permite
vislumbrar fundos inacessíveis.

Onde me banho
despindo-me de poeiras entranhadas.

Onde na neblina da madrugada
me visitam sentimentos que por lá deixei.

Existe este Lago . . .

Que me serve de repouso
no silêncio das suas correntes.

Que me atormenta
no reflexo das recordações.

Que me é cúmplice
consentindo-me no ser inteira.

Que me corre nas veias
ao soltar-me no seu espelho

Existe um Lago
dentro de mim.

Orlado pelas flores perfumadas que nela semeio,
Assombrado pelos fantasmas que nele me são inquilinos.

Esvazio no Lago
o que sou,
o  que penso ser,
o que gostaria de ser,
o que temo ser.

Local,
de paisagem contraditória,
   vulcânico, glaciar.

Já não sei
se me abandono,
se me perco,
se me encontro,
neste lago dentro de mim!

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Caminho para o Bom . . .


Sentada no alpendre senti calor nos pés.
Seria dos três (3) pares de meias grossas e peludas que calço?
Talvez da camisola interior soterrada em gola alta e dois polares sobrepostos.
Não sei.
Confesso que ando cansada do frio, do vento, da chuva.
Sou rapariga mais virada para o clima ameno.
Das vestes leves, dos pés descalços, do cabelo apanhado para não encalorar o pescoço.
Na invernia enterro-me em roupa, aqueço-me junto de qualquer fonte de calor e semi-hiberno.
Já passei pela fase da garganta inflamada - obrigatória todos os anos.
O carnaval já se foi e finalmente vi a 'Luz'.
Nesta minha pausa campestre os passarinhos vêm pousar junto de mim.
Andam tão embrenhados nas lides amorosas que até ficam desatentos à minha presença.
Gosto do seu chilrear, do namoro incessante e principalmente da vivacidade.
Sempre atarefados.
Não há crise que lhes chegue.
Bastam-lhes umas ervas, uns ramitos e ei-los, fazendo o ninho, acasalando, somente preocupados com a descendência obrigatória.
Senti-me bem. Muito bem, mesmo!
Já provei o calor deste ano nos raios solares que absorvi neste meu recanto.
Os dias já estão maiores.
Fico feliz!
Estou contente nesta caminhada que se começa a povoar de pequenas flores, de dias sorridentes e repletos de natureza a despertar.
Aproxima-se a primavera.
Ainda continuo camuflada com tanta roupagem, mas é por pouco.
Os chinelos...o bikini...a praia...a pele à mostra já estão próximos.
Que poderei desejar mais?
Bem! É melhor nem perguntar...

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Silvestre


Silvestre é meu querer
à razão não gosta de obedecer.

Silvestre é meu palavrório
que se escapa de sensato território.

Silvestre é meu corpo desenfreado
sem defesas fica desamparado.


Sou florzinha silvestre.
Singela.
Sózinha.
Sem cuidados de jardineiro.
Nasci, cresci nos cuidados dos vendavais, do Sol abrasador.
Sou perfume bravio,
de toque rude.
Aguardo cuidados desbravados,
ternuras sonhadas
nas pétalas do meu ser.
Balouçando ao sabor da liberdade,
esboço sonhos...
Sem amarras ou entraves
alcanço vertigem selvagem.
E na vulnerabilidade do bravio
finco raízes
aguardando a colha do amor.

terça-feira, 24 de julho de 2012

O meu Jardim !

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Já tinha saudades. O meu jardim a carecer dos meus cuidados e, eu, preguiçosa...
As ervas silvestres foram-se instalando e foi um sarilho para as remover.
Teimosas, lançaram raízes, como quem não quer a coisa, e a força foi necessária. Fizeram-me cair. Afinal, o vigor nunca foi o meu forte.
 Ri, enchi-me de terra e pó, mas nunca me rendi.
Com a tesoura podei, aparei até a nudez dos troncos aparecerem.
Gosto assim!
As trapadeiras que plantei  em forma de hastes, tão frágeis, robusteceram e fazem frente aos troncos de árvores mais velhas.
Que grande susto!
Plantei um cacto, deixou-me 'picos' microscópicos nos dedos.
Doem-me quando lhes toco. Para os retirar mil cuidados tenho de empreender.
Assemelham-se às minhas dores de alma, de culpa, que reagem ao contacto puramente mental. Para estas não possuo pinça que as expugne.
Uma canseira trabalhosa, cuidar deste oásis privado.
No entanto, quem dera que o meu canteiro interior fosse de tão fácil trato, onde houvesse utensílios apropriados e o discernimento das ervas daninhas a olho nu fosse feito.
É bem mais desorganizado, até ininteligível.
Bem, já chega de divagações, ainda há o lixo para juntar.
O Sol impiedoso teima em aquecer e o suor já me ensopa.
Quero que o meu jardim fique lindo, pode ser que me contagie.
Apresso-me na finalização, por ora, claro está.
Amanhã virei, de novo! Desta feita sem a inércia como companhia.
Promessas, projectos, porque me dou ao trabalho?

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Amantes do verão ( dia 21 )

Uma coisa que vi no verão...
Foto by Pérola
A transparente água, azulada, manchara-se de coisa indefinida.
Pelos pequenos círculos que se formavam, a partir da pincelada escura que se desenhava na superfície, depreendi que seria ser vivo.
 Chamei por quem sabia, que me fizessem chegar um salva-vidas. 
Não me apresentaram nenhum rapagão musculado de calção laranja.
Lamentei, mas aquela vida precisava do meu socorro, dispensava fantasias minhas.
Com o auxílio de um camaroeiro (palavra aprendida) consegui resgatar o morceguinho meio molhado.
Mostrava vida, assustado.
Sem conseguir ver, deduzo eu, pelo que sei da fauna.
Fez-me lembrar pessoas que se passeiam pela vida, inconscientes das suas limitações e protagonizam aventuras fora do seu alcance.
Teve sorte!
Senti-me mais viva  por ter salvo uma.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Cadelas Minhas!

E, porque já aqui falei dos meus animais de estimação, na versão canina, hoje venho propôr que as conheçam através de fotografia.
Ambas adotadas e elementos da  familia.


 
A Daisy, cadela de 4 anos, foi-me oferecida, à laia  de presente de aniversário. Gosto deste tipo prendas! Porém, a minha fiel amiga tem-se mostrado de temperamento indecifrável. Nutro por ela um sentimento amor-ódio.
Tanto sou capaz de lhe desinfetar as feridas com betadine, arrancar-lhe uma carracita como também sou capaz de a castigar fisicamente. Vocês desconhecem, mas este ar angelical já foi capaz duma crueldade que me fez odiá-la. Ficarão as histórias de horror para outra oportunidade. 
 Uma relação pacífica, mas desconfiada.


 A minha mais pequenita. Completou ontem 1 mês de vida (dia 9). Inicio de vida atribulado, a progenitora morreu na cesariana.  Amamentada a biberão, após um mesinho de desvelos de vária ordem, começou a comer, a brincar, enfim, cresce a olhos vistos. Um peluche com vida! A nossa Amora!


Muitos outros 'pets' já moraram por aqui e fizeram presença ao longo da minha vida. Sou uma fã de seres viventes, que hei-de fazer? De ratos a coelhos, passando por tartarugas, gatos, peixes, plantas, canários e outros que não vale a pena  enumerar.  Já daria para um livro as experiências vividas neste dominio.

Os seres humanos que têm ocupado espaço na minha existência são um caso à parte. Únicos, como seria de esperar. Nem sei porque os referencio neste post de cadelas! Talvez tenha encontrado pessoas que estão um nível abaixo das minhas amorosas cadelinhas.

domingo, 4 de março de 2012

O Meu Jardim!

                                            

Já vos falei do meu jardim? É um lugar mágico, onde os sonhos acontecem e ... tudo é possível!
Tenho de lá ir. Tanta jardinagem para fazer!
Vou trocar as orquídeas por flores mais singelas, margaridas, talvez.
Plantarei uns pézinhos de buxo, de lento crescimento, mas de permanente verde e que poderei moldar com a impiedosa tesoura.
Arrancarei as ervas daninhas. Daninhas, porquê? As suas flores são igualmente belas, tal é a sua simplicidade.
Vou arranjar espaço para os cactos que de nada reclamam. Basta uma pinginha de água de quando em vez, e é só vê-los como agradecem.
Vou alí, ao Meu Jardim. É só um instantinho. Já volto!