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segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Presa na Caixa !



Se abrir a minha caixa de confissões, 
ouvirás?

Quero denunciar o meu medo,
declarar-me perdida.

Expôr meus segredos.
Saberás decifrá-los?

E se me esvaziar nesta revelação,
saberás encontrar-me?

Aceito destrancar fragilidades,
vulnerabilidades escondidas.

Sou invísível, 
no tempo sobrevivente
a lágrimas secas,
 no vento indiferente.

Tenho medo!

Tremo nos sorrisos perfumados,
receio ternuras adocicadas em mel de prazer.

Alenta-me em resposta que anseio.

Ouvirás?


sábado, 27 de abril de 2013

União

❤ Endless Love ❤

O cheiro da noite
abraça o sonho.

A melodia do teu corpo
dança  no meu interior.

O sabor do amor 
escorre-me dos lábios.

A sombra do desejo
arrebata-me o fôlego.

O tacto da vontade
desarma-me em completa nudez.

A pedra fundida
no calor da entrega.

Duas almas enlevadas
no sacrifício carnal da união.

És tu que morres no meu desfalecimento.
Sou eu que renasço no teu despertar.


quinta-feira, 7 de junho de 2012

Crónic@s No Feminino ( parte XX )

Aproveitando a pausa de recuperação do folêgo, Santiago entremeou, 'Meu amor, minha querida. Quero pedir-te perdão. És a mulher da minha vida. Só o percebi ontem, quando te vi nos correios. Bem sei que sou um idiota. Portei-me como tal. Assustei-me com a vivência em comum...'
Olhando Santiago nos olhos, Madalena leu a sua sinceridade e arrependimento.
Ficou tocada e acalmou-se.
Santiago ainda não tinha solto as suas mãos. Mickael Bolton cantava 'when a man loves a woman', e rendeu-se.
Para quê tanta luta contra o amor que lhe irrompia de todo o seu ser?
Suavemente, apenas lhe murmurou, 'Não vamos falar do passado. Estás perdoado...'
Em sinal de tréguas, oferece-lhe os lábios prontamente recebidos pela ávido Santiago. Sentia-se como se estivesse no deserto com 50º e Madalena fosse o oásis com águas cristalinas. Sentiu-se refrescado, em paz.
Apesar de todo o seu corpo reclamar Madalena, Santiago recebeu essa tranquilidade como o amor, que tinha insistido em esconder e, finalmente, encontrara casa.
Amava Madalena e era correspondido.
No meio de tanto beijo sôfrego e corpos nus que encontravam prazer no reencontro, os pensamentos de ambos deambulavam pela mesma atmosfera.
Madalena, explodindo de felicidade, conduz o amante para o quarto onde repousam das canseiras amorosas.
Desgrenhados, suados, os olhos de Madalena esborratados, mas com uns sorrisos a iluminar o quarto claro.
Madalena entrança as suas pernas nas de Santiago, busca-lhe o peito e declara-se com um singelo 'Amo-te'.
Santiago, entrelaça os dedos húmidos nos de Mady e sem floreados responde, 'Eu amo-te mais, Madalena. Vamos ficar juntos?'
'Como podes perguntar? Claro que sim, meu amor!', assume, dando-se por vencida, completamente rendida a este amor que lhe dá sentido à vida .
Nessa noite não jantaram, ficaram acordados, saciando os apetites vorazes. Estavam famintos um do outro.
Devoravam-se como só  é possivel entre apaixonados no seu âmago.
Adormeceram com o nascer do Sol, que lhes trouxe a promessa  de uma vida nova.
(FIM)

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Crónic@s No Feminino ( parte XIX )

Mostrando indignação, não sentida, Madalena vira-se, 'Afinal que pensas? Apareces assim, sem mais nem menos. Estou...'.
Antes que pudesse terminar a frase, Santiago pousa o indicador na sua boca brilhante de gloss e sussurra: ' Tem calma, desculpa! O que sinto é mais forte que todas as conveniências. Diz-me que não sentes o mesmo...'.
Lentamente, com Madalena hipnotizada pelo aroma inebriante que exalava da presença de Santiago, sentindo-lhe o corpo tão próximo, emudeceu com um beijo terno, delicado nos seus lábios.
Estreitou-a em seus braços. Madalena não ofereceu resistência. Antes lhe correspondeu. Beijo feito de saudade, de arrependimento, de desejo, de amor enclausurado.
Beijo atrás de beijo, as mãos de Santiago percorriam Madalena. Esta acariciava a face do seu ex-amor antes que a razão a chamasse à realidade.
Já a túnica tinha voado para cima da begónia, Santiago descalço e de camisa desabotoada. O sofá acabara de travar conhecimento com um novo ocupante, cheio  de energia, por sinal.
Num relance de lucidez, Madalena expele um 'Que fazemos? Tu deixaste-me porque não conseguias viver com as minhas coisas de mulher, como lhe chamavas. Que pensas agora? Já me conheces! Não sou...'
Santiago queria explicar-se, mas uma Madalena enfurecida,principalmente consigo própria, não lhe permitiu a fala.
E continuava ' Não sou caso para uma noite mais tarde recordares. Sabes perfeitamente como sou!'
(continua)

terça-feira, 5 de junho de 2012

Crónic@s No Feminino ( parte XVIII )

Espreitou pela câmara do prédio e nem queria acreditar. Santiago estava à porta.
Engoliu em seco, a cabeça esvaziou-se e ficou sem saber que pensar.
Nunca lhe tinha acontecido, nem sonhara tal.
As suas defesas apresentam-se como resposta à surpresa. Imagina que algo de similar lhe sucedia em tribunal, frente ao juíz.
Madalena não era mulher de 'brancas', de perder o auto-controle.
Tentou respirar, precisava de água, a boca secara. Enquanto se dirigia à cozinha, novo toque, impaciente, de Santiago.
Madalena ignorou, bebeu a sua água e voltou ao vídeo da portaria. Carregou no 'speek' e ralha com Santiago: 'Não tinhamos combinado no Sushi In? Como sabes da minha casa?'
'Desculpa, fiz umas investigações. Sabes que não é difícil descobrir-te. Temos amigos em comum, lembras-te? Mas, deixa-me explicar-te. Abres-me a porta, por favor? Já agora gostava de conhecer a tua nova casa', responde Santiago com voz melosa, de menino traquina que fizera asneira e só quer ser desculpado.
Madalena descontrai-se e sorri da maroteira de Santiago. 'Homens!', pensa e abre-lhe a porta.
Querendo mostrar-se senhora de si, dá uma olhada ao apartamento, tudo arrumado como era seu apanágio, põe a música a tocar.
Entreabre a porta, como fazia noutros tempos, evitando novo toque de campainha.
Anoitece e o céu pintado, de tonalidades laranja e vermelhas, despede-se do Sol cuja luz incide na sala.
Olhando pela janela, para tão belo cenário, sente uma mão na sua cintura.
Pára de respirar, adivinhando Santiago.
(continua)

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Crónic@as No Feminino ( parte XVII )

Após o calmante banho, demorou-se a espalhar loção hidratante pelo seu corpo de mulher. Já não mais menina ou jovenzinha. Reconhecia-se mulher em plenitude.
Os trinta já lhe acenavam. Indiferente, assumia o presente, situava-se na casa dos vinte e não tinha pressas. Cada idade a seu tempo. Lema de vida que extrapolava para todas as vertentes da vida.
Deu um jeito ao cabelo, nunca gostara de cabeleireiras, o ar natural assentava-lhe sempre melhor e, nua, percorreu o roupeiro com o olhar: 'Que vestir?'
Um questão, que podia assumir ares de problema, para o seu género e que havia sido uma das mesquinhices que Santiago lhe apontara. Sem paciência para aqueles 'dramas imaginários' no feminino, 'coisas de mulheres', como lhe chamara.
A roupa,  as conversas sem tema ou prazo, as justificações e explicações, o esmiuçar de todas as questões, o querer a roupa apanhada do chão, o exigir a mão entrelaçada nos passeios quando lhe apetecia estar solto. Enfim, tanta trivialidade que Madalena recordava. Toda junta dera lugar à decisão de Santiago terminar com a relação.
Abalo tormentuoso para Madalena.
Valera-lhe a sua força interior e as amizades.
Decidiu-se por um conjunto, comprado há cerca de três semanas numa das suas rondas "shopping", habitual na companhia das companheiras e amigas. Como gostava dessas tardes a entrar e sair de loja, experimentar, rir de bom grado com peças na berra que acabariam por nunca ser compradas quanto mais vestidas.
Madalena tinha um gosto jovial/clássico. Nada de trapinhos à avózinha bem como de trajes saídos de um filme futurista.
Santiago preferia vê-la de saia, porém Madalena sentia-se mais à vontade de calças.
De calças e túnica, brancos com pormenores em rosa, iria vestida para encontrar Santiago.
Vaporizou o corpo com o aroma que se tinha atrevido no banho, o preferido de Santiago, baunilha.
Maquilhou-se como de costume e ao colocar a carteira e pretences indespensáveis na mala mais casual, eis  que toca a campainha da porta.
Quem seria? Tinha combinado encontrar-se com Santiago no restaurante e este desconhecia a nova morada.
(continua)

sábado, 2 de junho de 2012

Crónic@s No Feminino ( parte XVI )

Sem se aperceber, Madalena transpunha para a vida, quotidiana e pessoal, tiques da profissão de advogada: a organização metódica, o aproveitamento de todos os segundos, a objectividade, a racionalização, a argumentação, a definição de estratégias, a  preparação prévia para evitar surpresas desagradáveis.
Apesar disso, esta dualidade em si: mulher ultra sensível, mas capaz de um comportamento resoluto, enérgico e decidido.
Parecera-lhe coerente a análise de Sandra. Porquê adiar ou evitar o encontro?
Bem, não tinha sido 100% sincera com a amiga. Não lhe confidenciara o quanto ainda desejava Santiago. Um segredo que pretendia manter escondido até de si própria.
Tinha-se obrigado a esquecê-lo, todavia dava conta que, bem no seu íntimo, nunca o houvera esquecido. O amor permanecia lá, intocável.
A desilusão apoderara-se dela, é certo. Arranjara uma estratagema e tinha conseguido limpá-lo da sua vida.
Mas, não podia mentir a si mesma: ao revê-lo, todos os sentimentos, todas as vontades tinham (re)surgido como se o tivesse  visto na véspera e nunca houvesse fratura.
Chegou a casa! Misto de alívio e de ansiedade. Impunha-se a serenidade. Os sentidos não a permitiam. 
Tomaria um relaxante banho na sua banheira de hidromassagem.
Usaria o aroma de baunilha que não se atrevera a cheirar desde a noite que saíra, intempestivamente da casa já não mais dela.
(continua)

Crónic@s No Feminino ( parte XV)

Madalena desligou o PC abrutamente e refugiou-se no bar, repleto de colegas de trabalho, que se encontravam por ali, já no gozo, antecipado, do fim de semana já instalado.
Tomou um chá e falou com Sandra, contando-lhe resumidamente do encontro e das duas mensagens já recebidas. Sandra nem se espantou, apesar do desassossego da amiga. Conhecia bem os o universo masculino e de como eles eram capazes de tudo.
Sensata, como sempre, lembra-a de que só ela pode decidir o que fazer. Contudo, relembra que encontrando-se Ele na cidade, e conhecendo-o, nunca mais a deixaria em paz até que Madalena aceda a falar com Ele ou então a mostrar-lhe novo amor.
Como não havia romance na vida de Madalena, não por falta de pretendentes ao cargo, a segunda hipótese ficava descartada.
Mesmo na empresa, um colega sénior, do andar de cima, cortejava-a, assediando-a duma forma quase infantil, há algum tempo. Pedro, um homem sério no trabalho, divertido entre amigos, sem grande passado conhecido. Solicitado por muitas meninas, mas só Madalena o encantava, tinha-o enfeitiçado, dizia à laia de desculpa.
Estava certa a sua amiga. 
Iria enfrentar o 'bicho' de frente e não se acobardaria. Tal como no tribunal, seria objectiva, concisa, profissional e no final do jantar, o capítulo «S» teria um 'THE END'.
Resoluta, liga o computador e envia-lhe uma resposta em breves palavras dizendo que tinha muito trabalho e precisava de descansar, todavia poderiam jantar no restaurante 'Deles' (não lhe agradava voltar a usar a expressão, contudo era assim que se referia ao 'Sushi In', por ser o local onde se sentia como numa segunda casa).
Agendou o encontro para daí a três horas, pelas 20 horas.
Daria tempo de ir a casa, trocar de roupa e alinhavar uma estratégia.
(continua)

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Crónic@s No Feminino ( parte XIV )

O fim do dia aproximava-se e permitiu-se um intervalo para ver o correio eletrónico e, quiça, dar dois dedos de conversa com os colegas de trabalho da firma. 
Ao abrir a sua conta, no meio de publicidade variada, eis outra mensagem de Santiago.
O dia fora tão ocupado e produtivo que Santiago, sempre que se lhe apresentava na mente, era relegado para segundo plano. Não queria desperdiçar as suas energias com uma pessoa que colocava no passado.
Claro que a sua racionalidade (tão proveitosa no exercício da sua profissão) não conseguia liderar as outras emoções.
Tinha de ser verdadeira consigo e admitir que Santiago, longe de lhe ser indiferente, ainda mexia, e muito, com ela. A todos os níveis, reconhece.
Sempre que a figura de Santiago lhe passava na cabeça, o corpo adquiria identidade própria, rebelde, com vontade própria, a reivindicar-lhe encontro. A pele arrepiava-se-lhe ao sentir-lhe o toque fantasioso. O coração rogava que extravazasse aqueles sentimentos e corresse ao seu encontro como se rutura nunca tivesse existido.
Pois era esse mesmo o conteúdo da petição de Santiago, insistia num reencontro já para esa noite. Precisavam de conversar, argumentava, com calma.
Deviam essa última conversa um ao outro, quanto mais não fosse em nome do passado.
Dizia-se desesperado, arrependido e declarava-se um tolo ao ter  terminado com Madalena, baseando-se em razões tão pantanosas como tinham sido os motivos que invocara.
Desculpava-se e por um triz não mendigava umas horas de atenção.
(continua)

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Crónic@s No Feminino ( parte XIII )

De manhã, Madalena acordou, como de costume, com o chilrear alegre de passarinhos que tinha escolhido de entre os múltiplos sons e melodias do seu despertador novo.
Era sexta feira. Apetecia-lhe o fim de semana. Não obstante a surpresa, imprevisível, de véspera, conseguira progredir no trabalho de casa e sentia-se bem disposta.
Enquanto sentia a água morna do duche percorrer-lhe o corpo, transportou-se no tempo. Sem dar conta, encontrava-se a jantar (o primeiro encontro com «S») na companhia do atrevido Santiago. De inicio, tinha aceite a contragosto. 
Não fazia o jeito dela. Sempre fora uma rapariga e uma mulher decidida, sem problemas em usar a palavra 'não'. No entanto, com Santiago balanceou e a indecisão conduziu-a a um 'sim' à proposta de jantar.
Após aquele rendez-vous, muitos outros se lhe seguiram. De conversa fluida e agradável, depressa escorregou para o apaixonar-se, perdidamente, e não viu motivos para contrariar tais sentimentos.
Sentia-se correspondida e sem impedimentos à vista, entregou-se ao amor, sem reservas, em forma de Santiago.
Foram cerca de três anos de namoro, até Santiago lhe propor viver com ele. Mais três anos de vidas partilhadas, em espaço comum.
Madalena era cautelosa e sempre controlara as suas relações amorosas anteriores. Desgostos de amor? Não o tinha permitido.
Com Santiago era diferente. Confiava e doava-se como nunca o fizera. 
Ele era o Homem da vida dela. 
Planeavam a vida em conjunto até Santiago começar a manifestar alguns sinais de irritação por coisas minímas, sem importância. Pelo menos para Madalena, visto do que ele se queixava eram banalidades, meras trivialidades.
O shampoo a arder nos olhos recuperou-a do tempo e trouxe-a para a realidade. Reparou, pelo canto do olho, que já estava atrasada.
Secou rápidamente o cabelo castanho, da cor dos seus olhos, vestiu o conjunto branco de linho, delineou os olhos, engoliu os cereais mais depressa do que gostaria e pôs-se a caminho. O trabalho não podia esperar.
(continua)

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Crónic@s No Feminino ( parte XII )

Madalena respirou fundo. A sua vida  transformara-se. Situava-se na era depois de «S» (ds), como costumava gracejar.  A verdade é que Santiago tinha sido um poderoso marco na sua existência.
O primeiro encontro ocorrera numa exposição de escultura de uma amiga em comum, a Isabel. À primeira impressão nem tinha simpatizado com ele. Economista, conhecido no meio, apresentava como cartão de visita a auto confiança e a desenvoltura, inatas, como viria a confirmar, posteriormente.
Parecera-lhe arrogante,com ares a roçar o presunçoso, até.
No meio dos comentários às peças em exposição, Santiago palrava como peixe na água. Ria sedutoramente, sabia ouvir e sempre de resposta adequada e pronta nos lábios. 
O grupinho de meia dúzia de pessoas, em que se encontravam, estava animado. Madalena notou uns olhares de soslaio de Santiago, no entanto magicava que deviam ser truques da sua fértil imaginação.
Ao fazer tenções de abandonar o evento, Santiago seguiu-a até ao bengaleiro, parando-a com um 'desculpa, será que poderiamos encontrar-nos? Tens um gosto pela arte revelador de muita sensibilidade. Coisa rara  nos dias que correm. Queres jantar? Já se vai fazendo tempo. Isto é se não tiveres outro programa ou se o namorado estiver à espera' - concluia Santiago, sorrindo.
Apanhada de surpresa, Madalena balbuciou um 'Não sei!', desconcertada e incomodada. desagradavam-lhe os convencidos e Santiago parecia-lho.
Estas lembranças perturbavam Madalena que resolveu pôr mãos no trabalho e deixar o caso Santiago para mais tarde. Sem pressas em responder-lhe.
(continua)   

terça-feira, 29 de maio de 2012

Crónic@s No Feminino ( parte XI )

O jantar, tomado no recanto da varanda, era sempre motivo de descontração. Sandra era uma boa amiga, extrovertida, optimista e sempre disponível. Só não tinha tido 'sorte' com os homens. 'Vou tropeçar nele, não te preocupes', costumava parodiar Sandra quando focavam a sua vida amorosa.
Já se fazia tarde e Madalena ainda tinha de agarrar-se ao processo que trouxera para casa, organizando-o para lhe dar adiantamento, avançando o trabalho dos próximos dias.
Após as efusivas despedidas, Madalena voltou ao portátil e releu a mensagem de Santiago. Era uma missiva curta, mas inesperada, tanto no tempo como no conteúdo.
Para além do 'Olá Amor!' inicial que a transportara ao passado, numa viagem alucinante, supostamente enterrado, dizia-lhe como a gostara de rever. Declarou-se culpado ao  tê-la cumprimentado daquela forma, tão íntima, mas, no momento, tinha tido a sensação que, ainda, se encontravam juntos.
Pedia desculpa por ter ousado, até porque desconhecia se Madalena tinha outro amor, contudo a espontaneidade tomara conta dele e não pudera evitar.
Para rematar, solicitava, em jeito de incitamento, um jantar para porem a conversa em dia. Tinha saudades! Despedia-se com um Beijo Doce (como era habitual nos tempos em que foram um casal cumplice e apaixonado).
(continua)

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Crónic@s No Feminino ( parte X )

Racionalmente, leu, em primeiro lugar, os mail do trabalho a que respondeu se careciam de tal. 
Por fim, respirou fundo e pensou, 'não deve ser nada de mais. Não faças filmes!'. Abriu a mensagem e a primeira coisa com que se deparou foi com um 'Olá Amor' que a deixou petrificada. Arriscou continuar. Não percebeu coisa nenhuma. Releu umas dez vezes.
Entretanto, Sandra, estranhando o silêncio e a demora da amiga, veio ter com ela. 'Então o big boss enviou a ordem do tribunal?', pergunta Sandra.
'Hã?... Sim! Enviou. Demoro-me porque aproveitei e pus o correio em dia. Pronto já está e são horas de jantar-allons-y-', simulava Madalena um à vontade que não experimentava.
Não estava em condições de falar sobre o assunto «S». Teria de pensar no que acabara de ler, de decifrar todas aquelas comoções e perceções. Acima de tudo, teria de ser sensata, circunspeta, coerente bem como todos os sinónimos de 'respeitar-se' do seu dicionário.
Merecia-o! No topo das suas prioridades, encontrava-se o seu 'eu'  (deliberação tomada após muitas lutas, guerras, batalhas, lágrimas e sofrimento), do qual não abriria mão, nem que a torturassem.
(continua)

domingo, 27 de maio de 2012

Crónic@s No Feminino ( parte IX )

Arrumou a sua pasta e o processo que trouxera para 'dar um avanço', mais logo. Trocou o tailleur (um dos requisitos do trabalho) por um vestido floral, pintalgado de cores pastel. Ah! Agora Sim! Estava no seu Habitat!
A campainha tocou e Sandra apareceu de sacos na mão dizendo: 'Que bom ver-te! Estou estafada! Ainda bem que saiste mais cedo.Um cliente novo...' antes de terminar a frase reparou que a jovialidade de Madalena estava assombrada, apesar desta sorrir. 'Mas que se passa, Mady?'-questionava carinhosamente Sandra.
'Oh! Nada de especial', replicou Madalena. 'Só me encontrei com Santiago, pensava que já estava tudo resolvido e afinal fiquei uma barata tonta, gaseada de insecticida...(sorriu com a imagem que lhe surgira, de relance, em pensamentos). Não ligues! Isto já passa. É que foi há pouco, nos correios. Vamos, passa-me os sacos, a nossa salada 'nouvelle cuisine' espera-nos', tentava brincar, disfarçando.
'Se não queres falar, estás à vontade. Estarei sempre aqui, já sabes. Bem, vamos então á paparoca', anuiu Sandra, compreensiva.
Embrenham-se na cozinha, decorada com apontamentos em amarelo a fazer lembrar o Sol, a Luz.
Após algum tempo, colocada a salada no frigorífico, aguardando as horas de jantar, decidem ouvir uma música, conversar sem tema. Após alguns minutos de alegre converseta, Madalena lembrou-se: 'o chefe ficou de me enviar o mail do tribunal, vou só dar uma espreitadela ao portátil. Fica aí sentada, eu já venho!'.
Desenvolta, liga o computador no escritório (tinha decidido que o trabalho não invadiria mais nenhuma divisão da sua casa) e arregalando-se, deparou com uma mensagem de Santiago.
(continua)

sábado, 26 de maio de 2012

Crónicas no Feminino ( parte VIII )

Durante o percurso até casa, intentava fazer umas 'limpezas' aos seus 'sentires'. Buscava a sensação de ser 'senhora de si mesma', tal como se havia sentido há escassa hora.
"Como nuns minutos podemos variar de humor, de perspectiva,..., de tudo", pensava para os seus botões.
Obrigou-se a voltar à realidade. Tinha combinado um jantar com a sua amiga e colega, também advogada, Sandra. Seria uma salada fresca, de que tinha retirado a receita  na net.
Sandra tinha-se responsabilizado pela compra dos ingredientes.
Aqueles serões entre mulheres eram-lhe um bálsamo. Tinham sido um dos remédios, eficaz, na cura da sua doença «S», como lhe chamava, evitando, assim, pronunciar o nome de Santiago.
Apressou o passo, fazia questão de não fazer esperar a sua amiga, não a queria no desconforto do hall do prédio, esperando por si.
Como lhe tinha sabido bem a mudança para aquele apartamento, cheio de luz, no centro da cidade, contudo, muito pacífico já que a rua, sem saída, e o  pequeno jardim envolvente, davam-lhe a sensação de morar no campo.
"Não podia estar melhor", recordava-se, esquivando-se ao fantasma de Santiago que teimava aparecer-lhe em pensamentos, tentando-lhe o corpo.
Chegada a casa, respirou fundo, olhando em redor como se da primeira vez se tratasse. Ainda faltavam muitos pormenores, mas considerava a sua casa PERFEITA, um espelho, um reflexo de si própria. Reino de cores claras, plantas espalhadas estratégicamente, até o escritório transpirava feminilidade.
Gostava assim, queria assim e estava determinada que nada viesse ofuscar esse equilíbrio.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Crónic@as No Feminino ( parte VII )

Suspirando de alívio, Madalena, apressava-se, desejando, únicamente, mergulhar nas centenas de traseuntes que àquela hora aproveitavam o dia luminoso para uns últimos afazeres antes de se recolherem a casa.
Estava furibunda! Primeiro, zangava-se consigo própria. O seu diálogo interior apenas era visível pelo seu olhar apático do que a circundava. Alheada da frenesim real, o turbilhão interior não cessava.
Mas, porque carga de água havia de se  experimentar, assim, daquela forma desgovernada?
Já haviam passado seis meses desde a última ocasião que vira Santiago.
Após alguns relacionamentos (simpatizava com a fantasia de ser namoradeira), mais ou menos duradouros, Santiago fora o 'TAL'. Mexera com ela de tal feição que se imaginara 'para todo o sempre' do lado Dele.
O que tinha sonhado: viverem em conjunto, quiça terem filhos, viajarem à descoberta de outros lugares, outras gentes, outras culturas, partilharem a cama, sempre muito juntinhos, mão na mão,..., enfim, já tinha passado.
No presente, encontrava-se recomposta do rompimento abrupto Dele e refletia-se, pensava-se, estabilizada, sem mágoas, bem consigo própria, de coração aberto para receber o que a vida lhe quisesse ofertar.
Pensava, 'passado!' Remoía Madalena nos seus pensamentos desorganizados. Não podia ser! Tinha-lhe custado horrores a sobrevivência àquela bomba atómica, repleta de radiações várias, e até tinha um certo brio de como a tinha alcançado.
Sózinha e com muita palestra íntima com o seu 'eu'.
É claro que as suas amigas de escritório a tinham ajudado e muito. Todas as semanas faziam muitos programas cinéfilos, idas a bares acolhedores, sempre com música ao vivo (era das poucas actividades em que fazia questão), os tempos livres estavam sempre ocupados com lazeres aprazíveis.
Para além do mais, tinha conseguido mudar-se para a casa que sonhara, à custa da sua recente promoção e não se atrevia a pedir mais à vida.
Porém, o fresco reeencontro com Santiago não permitia a serenidade, percebia-se desassossegada.
(continua)

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Crónic@s No Feminino ( parte VI )

Que contrasenso! Santiago, um homem a transpirar confiança, revelava vulnerabilidade, inesperada, com aquele encontro.
Sentia-se desconfortável por ter omitida algumas verdades. É certo que decidira continuar na cidade pela proposta que lhe tinha sido dirigida. Contudo, nem sequer lhe passara pela cabeça reencontrar Madalena, ainda por cima com tão pouco tempo decorrido. Uns meros seis meses!
Para além do mais, a cidade albergava milhares de cidadãos e a remota hipótese de reencontrar Madalena nunca lhe havia surgido.
A verdade é que, para seu espanto, o corpo tinha-lhe pregado uma partida inimaginável. Toda a paixão que o avassalara, tempos atrás, marcava presença: era inegável!
Sim! Tinha sido Ele a romper com Madalena. Não aguentava aquelas picuinhices, as conversas sem fim das mulheres, como costumava dizer, em jeito de brincadeira.
À distância e analisando, concluía que tivera saudades daqueles tiques no feminino.
Recordava o momento em que se virara, olhando para a retaguarda, na fila e olhado para a figura tão familiar de Madalena. Todo o seu ser a recordava e aquele instante assemelhou-se a um passe mágico, de puro deslumbramento e encantamento.
Não a tinha esquecido  e queria-a, desejava-a, como pensava não ser, de todo, possível.
Deu conta de que ainda não se movera do lugar onde vira Madalena escapulir-se pela porta fora e resolveu enfrentar a luz crua da tarde soalheira.
Naquele dia, perdera a disposição e motivação para voltar ao gabinete.
(continua)

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Crónic@s no Feminino ( parte V )

Aproveitou para se sentar, num banco deixado livre. Pelo menos as pernas não lhe tremeriam, com o descanso possivel.
Já despachado, Santiago voltou a abeirar-se dela. Em jeito de convite pergunta-lhe se está livre para um jantar e porem a conversa em dia.
Madalena, consciente dos seus temores e dos seus sentimentos esquiva-se, argumentando que já tem encontros marcados, festas de aniversário, compras, arrumações que urgem em serem feitas.
Apressando o desfecho da conversa, ela pede-lhe o mail para eventual contacto, ele insiste em ficar com o dela. Ela anuiu, contrariada, sabendo que estava a adiar nem sabia bem o quê. Desconcertada, trocam informações, sentindo-lhe a respiração próxima, tão sua conhecida. O suave odor do corpo masculino inebriam-na e os seus sentidos reclamam pela sua aquietação.
Nem pensar! Desta feita o racional, triunfará! Pensava resoluta Madalena não se achando credível bem lá no fundo. Vamos a ver do que uma mulher é capaz.
Chamam pelo número dela, aliviada, despede-se com um até breve, esquivando-se a novo beijo que Santiago lhe fazia questão de oferecer.
'Depois, ligo!' Lança para o ar, deixando um Santiago de semblante enigmático, imóvel, olhando para a sua silhueta que o seduzia duma forma inexplicável.

(continua)

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Crónic@s no Feminino # 8 ( parte IV )

Santiago não se fez rogado no diálogo, que teimava em continuar:
'Bem, sempre o mesmo, não sei, contudo uma coisa é certa, tive saudades tuas. Ainda não tive oportunidade de te ligar ou enviar mail. Esta nova função não me deixa tempo livre, dá-me muito que fazer. Aproveitei a folga da secretária para vir até aos correios e respirar um pouco de ar. Não tenho tempo, nem são da minha responsabilidade, contudo hoje apeteceu-me...e, em boa hora que o fiz! Estes pequenos afazeres dão-me uma certa nostalgia...'.
Aproveitando os pensamentos em voz alta Dele, Madalena, começava a reagir, inventando uma maneira de se escapulir daquele encontro inusitado.

Parecia que o cérebro queria explodir com tanto pensamento cruzado, o coração não dava sinais de abrandar. O ar livre, estar consigo própria tornava-se premente sob pena de enlouquecer naquele instante.
Salva pela 'vez' de Santiago que tinha chegado. Antes de se dirigir ao balcão ainda lhe dirigiu um olhar que a estonteou, sentido-se desfalecer.
Resolução tomada: respirar fundo e não dar aso a que os sentires se manifestassem. Teria de arranjar forças para se aguentar até ao adeus que esperava ser breve. Sentindo-se fora de si, despedaçada, esgravatava, dentro de si, uma postura de que não se viesse a arrepender.
(continua)

sábado, 19 de maio de 2012

Crónic@s no Feminino # 8 ( parte III )


Com o ar mais mais tranquilo do mundo, esboçou um sorriso.
Ele dirigia-se-lhe, com os olhos mais brilhantes do que nunca. Parecia desembaraçado, feliz, até. Abordou-a com um 'Olá, mas que prazer em ver-te. Estás linda!'
Antes que pudesse balbuciar o que quer que fosse, já Ele a tinha agarrado pela cintura e depondo-lhe um suave beijo nos lábios, continuou :

'Mas que agradável surpresa! Sabes,.., tenho pensado em ti. Mas, conta-me: que tens feito?'
Ela ensaiou um à vontade genuíno e respondeu-lhe simplesmente :

'Estou bem, muito bem! E, tu! Não tinhas ido morar para Bragança?'
Ágil, retorqiu-lhe:

'Oh! Abriu uma vaga na empresa, irrecusável. Só as trabalheiras a que me poupei com as mudanças. E, o clima! Nada como viver à beira-mar! Assim, por cá fiquei.' Acrescentando 'Realmente tu estás bonita, radiosa!
Madalena não conseguiu conter o rubor nas faces e responde: 'Lá estás tu com as tuas coisas, Santiago, sempre o mesmo!'

(continua)