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sábado, 18 de junho de 2022

orvalho



Nasce a manhã,
em aveludado começo,
promessa de um Mundo,
em vida orvalhada,
qual frescura tenra,
prenhe de flores,
sementes 
e da tua pele.

E esse Novo 
transborda de vigor,
pois 
se tua pele é corpo,
por explorar,
acabado de nascer
no orvalho.

Vem,
meu querido,
aninha-te em mim,
colhe a minha
 sede e fome de ti.

Deixa,
meu amor,
que o orvalho
seja nosso amigo,
confidente,
nesta madrugada
onde te nasces
e eu te amo.


sábado, 29 de maio de 2021

entrelaçados



No toque entremeado com o silêncio
correm brisas e ventanias,
em corpos famintos,
aquietados
muito depois do dia, 
dos instantes,
momentos e tempos 
para lá da ternura
suave da loucura.

Na pele quente,
 suada,
desenha-se o desejo de mais,
percorrem-se lonjuras
com mãos e pés,
preenchem-se vontades alargadas,
em nascentes sempre novas
de ti,
de nós.


 

sábado, 7 de outubro de 2017

Geografia



Arrepio-me no 
gelo
de meus próprios pensares.
Cerco-me duma brancura
sem calor
onde a luz persiste,
em se refletir,
em acordar-me
desabrochando minhas cores,
meu viço,
meu ardor.

Sou meu próprio pólo,
extremo que dói
em fragilidade
dessa busca sequiosa
de me encalorar
na tua floresta húmida
mais a Sul, 
noutros meridianos.

sábado, 26 de agosto de 2017

anúncio primeiro


anuncio a primavera,
nem a primeira nem a última,
tão somente a primavera.

proclamo a serenidade
do morno pelas manhãs,
a tranquilidade do desabrochar,
o permitir ser-se em
autenticidade.

afago o começo
na delicadeza
pura
do sentir
a aragem da madrugada
em inocências próprias
de anúncios primeiros
como o da inviolável
primavera.


terça-feira, 16 de maio de 2017

soltando-me


Aqui,
neste final de tarde,
escoam-se os últimos raios de sol,
escorrem estrelas
no horizonte
para lá  do olhar.

E é neste lusco-fusco
que se destapam
as vontades  sem dono,
os desejos alados.

Agora é o tempo
de soltar ternuras
e  amores proibidos,
deixá-los voar
com a aragem do sol por,
respirar
e deixar-me ser.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Ensaio para M


Passeava-se no limite
do despercebido
como quem está
e não se vê.

Era última
no desabrochar,
sozinha,
em recanto
sem história,
flor de semente
guardada
por entre pétalas
que despia.

Passeava-se no perfume
do mar,
da terra e de si,
aveludando  tempos . . .

Tempos de agora,
de antes
e por nascer.

Era despedida acabada,
(re)começo,
de mais um passo
naquele passeio.

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

poesia na vida


Repito-te na maré cheia,
quero-te mais na vazia,
sou assim,
resistente na persistência
de voltar,
mudar,
e não abdicar de ti.

Repito-te na desfolha,
atalho-te mais na floração,
sou assim,
clima sem estação,
resposta sem pergunta,
em pequenos nadas,
no tudo despejado.


Quando tu me existes
vejo poesia na vida.

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

floral

Brotam flores
do teclado
onde te escrevo.

Chove lá  fora,
primavera-se aqui.

Não sei que te diga,
as palavras soltam perfume,
as pétalas cobrem-me o olhar.

É tudo floral
na germinação da Web.

terça-feira, 15 de março de 2016

Do teu colo



Venho de longe,
de algures em parte alguma,
como brisa de bafejo em viagem,
desviada no atalho do tudo
por onde o caminho é largo.

Tardia ou vagarosa,
tenho raízes ao vento,
desembaraçada no nó do tempo
e por onde procuro.

Nascem-me cores pelo corpo,
como desabrochares desatados,
quando tu me colhes
e me dás colo.

Sou-me primavera,
perfumes e flores mais
pois se é em teu aconchego 
que me agasalho,
ganho viço 
existindo no intervalo do teu afago,
na fortaleza de te saber por aí.


domingo, 6 de março de 2016

Sou jardim ?



Perguntas-me se sou jardim,
oceano de perfumes,
verde entremeado de cores
como arco-íris semeado por ventos
e primaveras repletas de pólen, estames e óvulos.

Ah ! 
Como se eu soubesse . . .

Basta-me esse mar cheiroso
a extravasar minha maré de pétalas,
essa cor que me agita no balanceio do teu olhar
 e ser caule tenro
em desabrochar tingido de todas as cores do mundo.

Ah!
E a primavera!

É-me a energia, 
a luz,
a semente de quem sou,
de quem fui,
de quem serei,
o colo de todos nós.

Insistes na objetividade da resposta,
e eu só sei que sou flor,
sem o rubor das rosas,
o vigor dos arbustos,
o perfume dos jasmins,
ou o atrevimento das trepadeiras.

Sou parte no todo
ou tudo em partes,
enraizado por aí,
como se fora jardim (inacabadamente) perfeito.

Pérola




sábado, 5 de março de 2016

Somos JARDIM



Acontecemos nesse jardim
onde somos árvores plantadas
de raízes afundadas.

Nossos galhos secos reinventam-se
no fogo sem chama,
braseiro rubro com perfume de jasmim.

Existimos no beijo de lábios entreabertos,
no contorno de nossos troncos floridos
por onde a seiva escorre 
em florescências sem canteiro.

Rasgamos terras e ares em gomos do tempo, 
qual semente desabrochando
em alvoradas e crepúsculos
abraçando todas as plantas e flores do mundo.

Somos um só,
JARDIM,
onde tu és o viço 
e eu a flor.


quarta-feira, 2 de março de 2016

Flor como se fora jardim



Fui semeada em vaso partido
por onde minhas raízes 
se enlaçavam em vizinhas
de outras espécies, 
 sem pudores de semelhanças
ou ecos de
'-não podes ser'.

De chão largo fiz minha casa,
por cima da terra serpenteava
em aprendizagens próprias de flor.

Minha casa sem muros,
vedações ou cercas,
deixava-me florescer
onde distintos e vaidosos coloridos bailavam
na brisa do vento,
ou se achegavam na humidade
de chuvas e frios sem estação.

Era flor silvestre,
 livre,
sem riscos de podas
ou pétalas desfolhadas
em mãos sem tino
ou consciências simétricas.

Sob o azul do céu abrigava-me
de outros jardins,
longe de jarras ardilosas
ou jardineiros bem intencionados
por onde a beleza
era emoldurada
em embalsamentos
que não casavam comigo.

Na liberdade de me ser
ousava sentir-me jardim 
onde era apenas pequena flor
desabrochada em campo bravio.




sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Sou flor



Na preguiça morna daquele abril
soltaram-se sementes
por terra solta
como colheita prometida.

Fui flor ao acaso
em jardim de pai presente
com mãe ao sabor do vento.

Eis-me herdeira da avó margarida,
desabrochada no regato do agrião
naquela horta colorida,
uma flor única,
menina de viço inocente
pois se os cuidados eram tamanhos.

Daquelas sementes encontradas
na primavera última,
perdi-me em janeiro
rasguei mundos,
nasci 
e para sempre desassosseguei.







quinta-feira, 23 de julho de 2015

Em sonhos . . .


O sonho chama por mim
e eu vou . . .

Persigo o beijo por dar,
grito aos ventos
que te quero
como quem
traga a vida
com um só gole.

Recolho meus fragmentos
em busca de ti,
correndo no acerto da tua voz,
na plenitude do desejo.

O sonho me chama
e eu tenho de ir,
quero esse beijo demais . . .




quarta-feira, 10 de junho de 2015

. longe .



faço-me ao mar,
nesta noite de luar;

levo-me de rumo traçado,
sem desvios ou demoras;

quero-me bem perto de ti,
de boca na boca;


navego-me na cobiça
de te tocar;

encurto-me na distância
do teu corpo;


pois se há um oceano
que nos separa,
um tempo com pressa,
um desejo a queimar,
esse querer desmedido
a chamar por ti;

nessa lonjura de tudo,
assalto o pudor,
cedo a tentações
e . . . 
faço-me ao mar.



terça-feira, 10 de março de 2015

Hoje apetece-me música !


No abraço do Sol
acorda novo olhar,
vontade inesperada,
desejo pecador.

Há um novo 'eu' a despertar.

Visto-me de luz, 
sonho,
embalada nesta dança só minha.

A felicidade é a ausência de pensamento,
aquele momento onde me sou, sem mais.

Pérola


P'ra Você
Paula Fernandes

" Eu quero ser p'ra você
A alegria de uma chegada
Clarão trazendo o dia
Iluminando a sacada

Eu quero ser p'ra você
A confiança, o que te faz
Te faz sonhar todo dia
Sabendo que pode mais

Eu quero ser ao teu lado
Encontro inesperado
O arrepio de um beijo bom
Eu quero ser sua paz, a melodia capaz
De fazer você dançar

Eu quero ser p'ra você
A lua iluminando o sol
Quero acordar todo dia
Pra te fazer todo o meu amor

Eu quero ser p'ra você
Braços abertos a te envolver
E a cada novo sorriso teu
Serei feliz por amar você

Eu quero ser p'ra você
A alegria de uma chegada
Clarão trazendo o dia
Iluminando a sacada

Eu quero ser p'ra você
A confiança, o que te faz
Te faz sonhar todo dia
Sabendo que pode mais e mais e mais

Eu quero ser ao teu lado
Encontro inesperado
O arrepio de um beijo bom
Eu quero ser sua paz, a melodia capaz
De fazer você dançar

Eu quero ser p'ra você
A lua iluminando o sol
Quero acordar todo dia
Pra te fazer todo o meu amor

Eu quero ser p'ra você
Braços abertos a te envolver
E a cada novo sorriso teu
Serei feliz por amar você

Se eu vivo p'ra você
Se eu canto pra você
P'ra você

Eu quero ser p'ra você
A lua iluminando o sol
Quero acordar todo dia
P'ra te fazer todo o meu amor

Eu quero ser p'ra você
Braços abertos a te envolver
E a cada novo sorriso teu
Serei feliz por amar você

Eu quero ser p'ra você
Eu quero ser p'ra você
P'ra você"


quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Assim sou eu . . .



Embrulho-me no aconchego de mim
em prolongada hibernação.

Esquecida pela vida,
pela primavera
que tarda a dar sinais de si.

Assim sou eu,
perfume guardado
para especiais ocasiões,
flor congelada no tempo.

Deixo a letargia 
chamar-me sua,
porém, 
a espera de novo viço alenta-me,
sei do Sol que me derreterá
e a ele me entregarei.

Cobrem-me gelos de tristeza
para serem motivos de troça
de raios de alegria.

Assim sou eu.
Flor que acredita !




segunda-feira, 26 de maio de 2014

Da polinização



Quisera eu
vestir vermelho,
ser estigma paciente,
viscoso,
açucarado na espera.

Embargado pela troca  de cor,
quis o pólen alhear-se de mim.

Neste desencontro,
de estames levados no vento,
e carpelos meus,
protegidos pelo azul que vesti,
sou diferente.

Ventura triste,
a desdita de querer ser mar,
céu sem horizonte.

Infecunda no desuso do tom,
teimando sonhar outras tintas,
fiquei só,
na demora que me secou
na polinização que me rejeitou.




terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

A Despertar !



Os atrevidos raios solares traziam lembranças de outras estações. Escaldavam-lhe a alma fria e conformada.  Acomodou-se no tapete verde permitindo que as pernas tomassem pose. Maldizia uma qualquer nuvem que espreitava o horizonte e tinha a desfaçatez de passar em frente do  astro rei. Enquanto comungava do calor, o seu interior transbordava sorrisos hibernados, escondidos no refúgio calmo da paciência.
Espreguiçava-se.
De olhos cerrados deixava que a pele absorvesse a luz inesperada, em saudades mortas.
Esquecia os últimos tempos e renovava-se no momento presente feito de coloridas aparições.
Despertara da existência cinzenta, finalmente.
Adornou os cabelos com grinaldas de flores, perfumou-se no chilreio da passarada e sentiu-se Viva.




quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

amores (quase) perfeitos




Não havendo amores-perfeitos,
podemos torná-los especiais.

Eles instalam-se,
sem pedirem licença,
em acolhimentos  nossos,
nas fronteiras do nosso jardim.


Ajustamos  os seus contornos,
desenhamos marcas  só nossas.

Desbastamos excessos,,
permitimos que a luz entre.

Sem amores-perfeitos,
somos jardineiros 
que transplantam,
podam na perfeição.

Refazemos,
retocamos, 
ajustamos
e  desabrocham 
amores mais que perfeitos.