Criança minha, do mundo e dela própria. Fogem-me as letras na maré cheia de meus olhos, pois se nos teus me acho sem querer. És-me encantamento, magia materializada, nesse teu jeito de te seres menino, petiz para sempre em mim. Foto By Pérola
- Diz-me tu! - Quem és? - Que queres? - Que pensas?
Sou invadida pela impotência de te saber, despido de mimo, carente de pão, na pele a falta de beijo. A vida reflecte-se no teu sorriso, na genuína inocência de te seres filho do mundo. Habitas uma dimensão paralela por onde a tecnologia não faz estrada, os direitos não passam de miragem. Indiferentes à tua idade, às tuas premências, os outros filhos do mundo descontentam-se na abundância de ter. Frustam-se, desesperam, desanimam e invejam-te o teu único bem: a alegria estampada em teu rosto. Pobres gentes! Ignorantes ou alheados da arte mais simples de se viver, a humanidade na sua plenitude, o gostar-se de si, bem como dos outros, sem preconceitos, de aceitação onde os 'ses' não têm morada e as diferenças deveriam ser tesouro. Responde-me se quiseres...se puderes...se souberes. Envergonhada pelo teu olhar reprimo o convite de me dares a mão, de te chamar irmão. Porque sou deformada, limitada para além do desejável, quero sempre mais e sinto-me triste.
A Magda fez um 'post' sobre uma iniciativa da revista Máxima tendo como tema a igualdade entre géneros.
"A Revista Máxima desafiou 100 homens a calçar sapatos de salto alto sem preconceito - um passo pela igualdade. Este projecto têm como objectivo alertar para as desigualdades de género, as diferentes questões e reacções que ainda nós deparamos perante uma sociedade e no mundo. Entre este projecto estão questões relacionadas como: a violência doméstica, as desigualdades perante o mercado de trabalho, o peso da contracepção que apenas é colocado em cima dos ombros das mulheres entre outros escândalos."
Ficam, pois, algumas fotografias, que considero interessantes, à cerca de colocar os homens em stilleto:
Esta história da 'igualdade' é poço sem fim e coisa de argumentos para todos os gostos.
Para mim, não há igualdade, ponto final, parágrafo.
Somos diferentes e ainda bem, acrescento com vontade.
Como costumo dizer: ' a diferença enriquece-nos'.
Porém, deixam-me de cabelos em pé injustiças e tratamentos diferenciadores baseados no sexo.
Apesar de diferentes, somos, essencialmente, todos pessoas, com os mesmos direitos e deveres.
Este tipo de campanha, ao trazer a diferenciação pelos sapatos é apelativa e talvez faça sentido.
Mas, mudará algo?
(é engraçado de constatar que se fossem mulheres a usarem calçado masculino (quase) não haveria impacto.
"Agora é científico: os homens que dividem as tarefas domésticas com a companheira contribuem para a harmonia entre o casal e podem ter uma vida sexual mais satisfatória, revela um estudo americano."
Desconheço se entretanto mais estudos foram feitos a as conclusões foram alteradas. Isto com os Americanos nunca se sabe . . .
Parece que as mulheres sentem maior atração pelos companheiros que partilham o trabalho doméstico.
Não me admira. Desta forma, sobra mais tempo livre.
Por isso, rapazes . . . toca a levantar o rabinho do sofá e estender uma roupinha ou aspirar uns ácaros. Só têm a ganhar com isso e a vossa princesa agradece.
Ainda segundo este estudo, os filhos poderão funcionar no oposto. Nada de novo. A intimidade precisa de cumplicidade, tempo, disponibilidade e momentos a dois: coisa difícil com o nascimento de rebentos que dependem durante décadas dos progenitores, que voltam 'a acordar' já na 3ª idade.
Mas, isto era para ser um 'post' divertido. Desculpem-me. Por isso, nem vou divagar no porquê do insucesso cada vez maior das relações e na insatisfação que existe na maioria das pessoas.
Vivemos momentos conturbados e de mudança.
Voltando à temática que hoje aqui me trouxe:
Meninas, vamos lá a pôr os homens a lavar a loicinha (deem descanso à máquina e ainda poupam na eletricidade) e no final pode ser que ele se refresque no lava loiça e aguarde que o sequemos de pano da loiça em riste, tal como o da imagem:
" Escrevo-me por palavras feridas, em língua de outros mundos, só meus. Escrevo-me com tinta desbotada, em cores esbatidas, amareladas no tempo. Escrevo-me nas letras do teu amor, em sílabas gemidas no sussurro cúmplice. Escrevo-me no corpo e alma com desejos enlouquecidos na insanidade de mim. Escrevo-me em esperas, pausas descompassadas, desvarios habitados pela fantasia. Escrevo-me com os teus dedos, moldada em silhuetas desenhadas por ti. Escrevo-me em viagens imaginadas de universos de prazer onde és a galáxia maior. Escrevo-me por mares e oceanos, onde és porto de abrigo, refúgio secreto. Escrevo-me nos teus lábios doces, desenhada em beijos sem fim, na perdição do teu abraço. Escrevo-me nas tempestades da dúvida, tormentos nublosos, feridas em cicatrizes por sarar. Escrevo-me no perfume da primavera, no teu cheiro delicioso, apetite guloso. Escrevo-me nesta vontade insaciável de infindável procura que é ser Eu.
Fruto da instabilidade outonal, ou talvez não, a realidade é que a garganta arranha-se-me. Até tenho dificuldades em adormecer com a sensação incómoda. Já nem sei que mais hei-de tomar.
Mas, pior que este desconforto doentio, é saber de situações que me arranham as vísceras fazendo-me sentir repugnância pela humanidade traduzida em usos e costumes ( de respeitar, já sei, estudei Antropologia) que não consigo tolerar.
O(a)s mais sensíveis, hoje, não leiam.
Venho falar de Waris Dirie que será conhecida de muitos, mas admito a minha ignorância.
Menina nascida no Deserto da Somália, que não sabe ao certo a sua idade. Na actualidade 45/46?.
Passou a infância a pastorear os camelos e cabritos de seu pai em pleno deserto.
Aos 5 anos foi submetida à mutilação genital. É um rito em que as meninas são cortadas, para se manterem virgens até ao matrimónio.
Não desço a pormenores porque me envergonham e arrepiam.
Fugiu aos 13 anos para escapar ao casamento forçado com um homem de 60 anos que prometeu por ela 5 camelos.
Atravessou mais de 500 km de deserto sózinha, descalça até chegar à capital Mogadíscio. Aqui uma tia, casada com um diplomata, que ia para Londres levou-a consigo.
Na capital londrina, enquanto trabalhava como empregada de limpeza foi descoberta por um fotógrafo que a lançou no mundo da moda.
Tornou-se modelo de prestígio internacional ganhando fama, êxito e dinheiro.
Depois de deixar as 'passerelles', a moda e cinema passou a dedicar-se à luta contra a mutilação genital percorrendo o mundo pela causa.
Graças ao seu trabalho de divulgação e consciencialização, 16 países africanos já proíbem tal prática. Fundou a Fundação 'Desert Dawn' para lutar contra esta violência.
Voltou à sua terra natal, onde as mulheres são meros animais sem direitos, após 22 anos. O pai já frágil e cego revelou-lhe que estava orgulhoso dela (?!). E ela chorou...
Um mundo inimaginável para os comuns portugueses.
Hoje é embaixadora da ONU para o combate à mutilação genital.
Interrogada se mudaria algo no seu corpo, as suas pernas arqueadas, responde que não. Essas pernas são fruto da desnutrição que sofreu enquanto criança e recordam-na das suas raízes.
E afirma:
"A única beleza que valorizo é a da alma. Devemos estar gratos por estar vivos."
P.S. E a garganta inflamada deixou de me incomodar...
Em tempo de Jogos Olímpicos, não posso deixar passar a época sem me referir ao trabalho exaustivo que culmina no desempenho, acompanhado por milhões de pessoas, em escassos momentos.
Aconselho a lerem o post do blogueEscreva Lola sobre o Corpo Perfeito de um atleta Olímpico.
Moldados, a maioria, desde tenra idade, em determinada modalidade, com treinos intensivos, diários.
Para além da resistência fisíca, a capacidade mental e emocial têm um papel importantíssimo no desempenho dos atletas.
Encontra-se de tudo, nestas circunstâncias.
Completamente adequados ao exercício em que são peritos.
Lamento a falta de cultura pelo exercício reinante neste belo país, à beira-mar plantado.
Possuindo tantas vantagens para a prática de inúmeros desportos, não se vislumbra incentivos, de nenhuma ordem, à prática com teor mais profissional, de qualquer modalidade.
Somos povo ligado ao mar, areia e os campeões têm origem em países como a Suiça.
Dá para acreditar?
Não devia fazer parte da educação, nas escolas, o estímulo, com condições, nas escolas para a prática de desporto?
Acredito que o desenvolvimento de um país se mede nos níveis de educação, de desporto, de litercia da sua população.
E o que vejo deixa-me triste,desiludida.
Onde páram as politicas de incentivo aos nossos atletas ou também não há verba?
Sofreu cortes?
Se sofreu é porque já a teve e nunca me apercebi dessas medidas.
Passo a explicar: dirigi-me, com uma linda criancinha pela mão, ao Centro de saúde, para a vacina obrigatória.
A enfermeira, solícita, após ter vacinado a menina que se portou de forma a servir de exemplo a muitos adultos, vira-se para mim e pergunta:
-'A sua data de nascimento, por favor'.
Já sabia as consequências. Tenho o médico de família a ralhar-me com as vacinas em atraso sempre que vou à consulta. Ainda pensei em fingir um desmaio, mas poderia parar no hospital e seria pior.
Lá balbuciei os número a que correspondem a minha vinda ao mundo. Descobri que há mais duas pessoas que fazem anos no mesmo dia que eu, neste Centro.
Manda-me sentar, sempre a falar, conta-me que utiliza sempre as agulhas de bébés, mesmo nos adultos. O Estado paga e não quer as vacinas e agulhas para nada. São para serem administradas e ponto.
Eu choro, tento explicar, tenho alergia às agulhas, fico envergonhada.
Não se atrapalha a srª enfermeira, puxa da agulha de bébés, vai falando das mortes de adultos com tétano e os que não morrem podem ficar com graves problemas neurológicos. Para além do mais o tétano pode-se apanhar no alcatrão (sabiam?) e noutras coisas que se me varreram.
Já administrada e pensinho no braço, puxa de outra agulha e diz que tenho de levar a VASP (conhecem?).
Mas, já tive rubéola, tento escapar. Não interessa, morrem pessoas no Norte da Europa de sarampo, não podemos arriscar. Ainda tento argumentar que vivo mais a sul na Europa. Já de seringa em riste, lança-se ao outro braço (pois, não posso levar as duas no mesmo braço), vai falando sobre a autorização e a promessa que tive de assinar em não engravidar nos próximos três meses.
Já foi! Novo pensinho. Afinal nem dei por nada.
Limpo as lágrimas.
Elucida-me que posso e devo levar o meu boletim de vacinas (logo que o encontrar) para ser atualizado.
Excetuando a quarta feira, dia em que fecham a vacinação e vão à caça de crianças 'abandonadas' cujos progenitores não levamà vacinação.
Mostra-me uma caixa de vacina do cancro do colo do útero e o seu preço, mais de 150€. O Estado paga, investe e as pessoas têm de ser obrigadas. Não compreende.
Eu, atordoada, com as picas e informação que não cessava, venho com a certeza de que afinal algo funciona neste país: Há enfermeiras profissionais que fazem valer a pena dizer que sou portuguesa.
E, viva a vacinação!
Prometo não falhar mais nenhuma...quer dizer, conhecendo-me, é melhor não prometer nada.
Mas, fica o registo do bom funcionamento do serviço.
Não devemos só falar quando as coisas correm menos bem.
Otimismo precisa-se neste paraíso à beira-mar plantado.
Eis um Cartoon expressivo da queridíssima Margarida Alegria do blog Alegrias e Alergias.
Aqui fica o meu grande agradecimento à talentosa autora do humoristico e propositado desenho.
Como o calor da saga 'Pingo Doce' parece já ter arrefecido, aguardando novo episódio que faça as delícias do povo português, apetece-me tecer opinião sobre o assunto.
* Ninguém me avisou dos saldos das couves, alfaces, arroz, entrecosto, carapau e familiares. Ouçam lá, não sabem que sou distraída e não ligo para as noticias? Fiquei zangada!
*Quando soube da iniciativa desloquei-me, vagarosamente, ao Pingo Doce a horas tardias, tinha acbado de fechar. Não podiam ter esperado por mim? Senti-me Enganada!
*Só me apercebi da magnitude do evento no dia seguinte. Os 'media' estavam cheios de imagens e noticias, a Blogosfera entupiu com tanto 'post' Doce. Não se falava de outra coisa. Parecia-me que a crise, Troikas e problemas similares tinham desaparecido por artes mágicas. Entrei em Estado de Choque!
*Após ler umas coisas sobre o assunto, ouvido o que se comentava, obrigaram-me a pensar no ocorrido. Tanta repetição, meu Deus! Onde pára a imaginação fértil do português? Comecei a debruçar-me sobre o assunto!
*Uma constatação: não vi ninguém com uma pistola apontada à cabeça, ou sob qualquer outro tipo de ameaça ou coação, nas filas do supermercado em apreço.
Tudo gente voluntária, a usufruir da sua liberdade, em pleno. Fiquei contente ao ter como Pátria um País livre!
*Porém (porque será que tem de haver sempre uma adversativa?), o que se dizia no pós-promoção não era nada bonito, pelo menos, para mim não o foi.
Então, os cidadãos que decidiram optar por gastar o seu dinheiro ( a pronto ou crédito-quem tem a ver com isso?-) são uma cambada de deficientes e não sabem o que fazem? Senti solidariedade!
*Interesses económicos, capitalistas, aproveitamento politico,..., como lhe queiram chamar (tanto me faz), à parte, a verdadinha é que há milhares de pessoas em sérias dificuldades neste País à beira mar plantado. Pergunta: os 50% de desconto não são de aproveitar? Ainda por cima em bens essenciais! Roída de inveja de quem soube aproveitar e desiludida pelo exercício da democracia!
*Senti uma falta de respeito pelas opções do alheio. Será que as pessoas só têm comportamentos adequados se pensarem igual a nós? Em suma, a liberdade não é isso mesmo: podermos escolher estar ou não estar na fila do supermercado bem como nas outras filas todas? (excepção aberta para Loja do Cidadão, Hospitais e colaterias). O Respeito e a liberdade, dois conceitos que não senti presentes!
*Resumindo (eu sei que já ninguem me lê nesta altura): porque o povo português não se une, desta forma ferverosa, nas causas que estrangulam o nosso País?
Fiquei com a sensação que enquanto persistirmos na nossa tacanhez, mesquinhez mesmo, nunca iremos passar da cepa torta.
Afinal, não há quem diga que se tem o País, os governantes, que se merece? Não é Portugal um reflexo de cada um de nós, dos nossos pensamentos, comportamentos e atitudes?