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terça-feira, 2 de setembro de 2014

Mãe Terra


Meu corpo é de água
donde irrompem sinais de terra,
toda eu sou paraíso de delícias.

Bebo atmosferas universais,
meu corpo se adoça ao Sol,
sempre pronta a girar,
em incessante devir,
quase pareço irmã do Tempo.

Sou mãe atenta,
doo-me na íntegra
a quem me chama,
me procura pelas vastidões de mim.



Tomem!
Aceitem!
Alimentem-se em minha pele,
adormeçam no meu regaço,
sou colo para mais um.
Sou vossa!

Sou assim,
frágil como mulher grávida,
imensidão para os distraídos,
grão cósmico em areal de estrelas
no olhar curioso.


Existo no zelo das minhas criaturas,
daquelas que sabem do meu equilíbrio,
desvelando-se em cuidados
que recebo como beijos,
prendas por demais apreciadas.

Amo-te sem te pedir amor,
acaso não é sina de mãe?



terça-feira, 15 de julho de 2014

A Carta que nunca lhe escreverei.




Em Parte Incerta, Fora de Tempo



Nem sei por onde começar!

Desconheço como lhe chamar!

Já lá vai tempo. Tempo de duração indiferente. Tempo que dói.

Sei que está bem. Pelo menos assim mo dizem. Não porque me conta ou procura, não. 
Sou eu. 
Sempre eu. 
A teimar no impossível. 
A pensar o indesejável. Seria tão mais fácil se a sensibilidade ou mariquice (como lhe devo chamar?) me abandonasse e conseguisse ser mulher forte, destemida, confiante onde as fragilidades ficassem à porta. 
Pois . . . seria . . . tão melhor!
Desgraçadamente, há traços em mim que não consigo apagar, restos duma estrutura qualquer que ruiu.

Sim! Em parte sou cinzas, restos de fogos atiçados em caldeirões de guerras que não são minhas, nunca o foram.
No entanto, aqui estou eu, às voltas com passados e traumas enovelados.
Encheu-me de fantasias, ilusões e, sem permissão, partiu meu mundo e com ele também me rasguei.
Não posso culpá-la.
Serei eu a causa de tamanho mal?
Já assim o chorei.
Com os dias me fui cosendo, colando fragmentos com cheiro a mim, apanhando cacos do que seria suposto ser e nunca fui, não sou, o que queria, o que gostaria de ser.
Ficou-me esta tristeza indefinida, própria de pessoas como eu: mulher inquieta, de dúvida na ponta do pensamento, com o sal a lambuzar o rosto vezes demais.

Pergunto-me o que gostaria da sua parte.

Talvez seja demasiado fácil, tão pouco, mas 'impedível'.

Sei que nunca me lerá, fica-se nessa imaginação onde sou má, tão má que lhe desconheço os contornos.
Não a mudarei, até me questiono se alguma vez fiz diferença na sua vida.

Está é uma carta cheia de 'nãos' que gostariam de ser 'sins'.

Vou ficar por aqui.
Tenho de enterrar este assunto, mudar-me de mim e deixá-la . . . Que seja feliz!



quarta-feira, 28 de maio de 2014

mulher (?)



Quem és tu, mulher?

Nasceste e logo te soldaram,
na forja,
em ferro de tradição,
prisioneira de costumes que chamas teus.

Arrastas filhos na bainha da saia,
somes-te por entre horas,
perdes-te no tempo,  
consomes-te em vidas alheias,
alimentas-te desse pão que sonhas amor
e nem sempre sabes de ti.


Quem és tu, mulher?

Grito debruado a rosa,
dor só tua,
 na pequenez do feminino.

Mensageira de vida,
transparência delicada,
quantas vezes renunciada,
menosprezada na essência de te seres.

O lamento é tudo que me resta,
meu molde é parecido ao teu.

Desata esse nó.
Desobriga-te de leis enfermas.
Vai . . . e leva-me contigo.


sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

- Não Chores ! ! !





Lá fora as nuvens prometem lágrimas sofridas.
- Não saias ! Fica aqui !

Palavras inesperadas ferem-te fragilidades.
- Não ouças ! Nada esperes !

Vestes tristezas desnecessárias.
- Desnuda-te ! Contempla a tua beleza crua !

O Mundo conspira contra ti,
isola-te em redoma de sombras.
- Não chores !

- Vem !
Aninha-te no meu colo,
deixa que beije os teus cabelos,
te diga como és única.

Recolhe a chuva,
faz uma dança enfeitiçada.

Reúne as palavras,
escreve os mais belos versos de amor.

Alegra-te por ti,
sem outros,
com sorrisos abotoados.

Abraça o Universo,
semeia nele as estrelas dos teus olhos,
torna-te em bússola de uso exclusivo.

- Não chores, minha querida !
Tu és o principio e fim de ti.



quarta-feira, 20 de junho de 2012

Amantes do verão ( dia 20 )

As minhas leituras de verão...
Guardado na mala, na mochila, no saco, no carro carrego sempre um livro prontinho  a ser aberto por mim.
Houve uns anos da minha vida em que não conseguia adormecer sem ler. Nem que fosse o rótulo duma embalagem.
Estava adicted, e os livros bem como a literatura e tudo o que fosse passível de ser lido, sob qualquer forma e de qualquer teor, eram o meu vício.
De momento passeio-me por vários.
Escolhi as 'Brumas de Avalon' porque as li, reli, voltei a ler.
Quatro volumes que se completam, com vidas independentes.
Já lhes conhecia as descrições mais empolgantes e as vidas das personagens, mas continuavam (continuam) a atrair-me.
O fascínio da rei Artur, o seu mago Merlin e uma Grã-Bretanha Celta eram (continuam a ser) realidades a que me rendo de boa vontade.
Todos os rituais mágicos, a força da mãe Natureza elevada à categoria de Deusa em oposição ao cristianismo primitivo, levam-me a sonhar com a misteriosa Ilha de Avalon, de difícil acesso, e a sua magia poderosa, no feminino.
A lenda de Artur é-nos, aqui, romanceada duma forma bela e doce, com a narrativa na perspetiva das mulheres, verdadeiras detentoras do poder.
A 'Grande Mãe' que gosto de revisitar em tempos de lazer.

domingo, 6 de maio de 2012

Grande Causa

 "SER GRANDE, é abraçar uma GRANDE CAUSA"
William Shakespeare
Maternity by Pablo Picasso
Ser grande (não é só abraçar uma grande causa) é:
Ser-lhe fiel
Protegê-la de todos os perigos
Dar a vida por ela
Amá-la incondicionalmente
Colocar as suas necessidades acima das próprias
Estar presente mesmo quando se é dispensada(o)
Arcar com a responsabilidade e ficar feliz
Dar-lhe liberdade, estando atenta(o)
Deixá-la crescer sem amarras
Ser porto de abrigo em tempos de tempestade
Ficar uma pessoa diferente depois do abraço
(Re)iniciar uma nova vida, mais enriquecida
Sonhar que a nossa causa é eterna, perfeita, com a humanidade inerente
Dispensar-lhe ternura, tempo, atenção a todo o tempo, sem canseiras nem reclamações
Para além do abraço, beijá-la e mimá-la, sem limites, amorosamente.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Amor de Mãe...