Em Parte Incerta, Fora de Tempo
Nem sei por onde começar!
Desconheço como lhe chamar!
Já lá vai tempo. Tempo de duração indiferente. Tempo que dói.
Sei que está bem. Pelo menos assim mo dizem. Não porque me conta ou procura, não.
Sou eu.
Sempre eu.
A teimar no impossível.
A pensar o indesejável. Seria tão mais fácil se a sensibilidade ou mariquice (como lhe devo chamar?) me abandonasse e conseguisse ser mulher forte, destemida, confiante onde as fragilidades ficassem à porta.
Pois . . . seria . . . tão melhor!
Desgraçadamente, há traços em mim que não consigo apagar, restos duma estrutura qualquer que ruiu.
Sim! Em parte sou cinzas, restos de fogos atiçados em caldeirões de guerras que não são minhas, nunca o foram.
No entanto, aqui estou eu, às voltas com passados e traumas enovelados.
Encheu-me de fantasias, ilusões e, sem permissão, partiu meu mundo e com ele também me rasguei.
Não posso culpá-la.
Serei eu a causa de tamanho mal?
Já assim o chorei.
Com os dias me fui cosendo, colando fragmentos com cheiro a mim, apanhando cacos do que seria suposto ser e nunca fui, não sou, o que queria, o que gostaria de ser.
Ficou-me esta tristeza indefinida, própria de pessoas como eu: mulher inquieta, de dúvida na ponta do pensamento, com o sal a lambuzar o rosto vezes demais.
Pergunto-me o que gostaria da sua parte.
Talvez seja demasiado fácil, tão pouco, mas 'impedível'.
Sei que nunca me lerá, fica-se nessa imaginação onde sou má, tão má que lhe desconheço os contornos.
Não a mudarei, até me questiono se alguma vez fiz diferença na sua vida.
Está é uma carta cheia de 'nãos' que gostariam de ser 'sins'.
Vou ficar por aqui.
Tenho de enterrar este assunto, mudar-me de mim e deixá-la . . . Que seja feliz!