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quinta-feira, 19 de outubro de 2017

fatias de pessoas



Inteiras são as pessoas
com várias vidas,
fatias e fases,

feitas
e temperadas a tempo.

Desarranjadas em corpo só seu
de emoções espalhadas
ao vento,
de sentires e gostos
submersos
na tona das marés.

Remendam-se pedaços
no cenário do todo,
onde cada um é uno
na diversidade
e parecença
da humanidade.

Seres construídos
em histórias,
lembranças,
e fragilidades
que nos partem
na unidade,
coesão própria das pessoas em fatias.


segunda-feira, 31 de outubro de 2016

The World

Tanta diferença,
tanta cor, 
tanto mundo!


Sou,
apenas,
mais um ponto,
uma pincelada 
por escorrer,
das mãos
de um pintor 
por nascer.

Sou vida
sem ser nada,
o todo
em partícula ínfima.

Sou desigualdade
em terra fértil
de uniformidades
suprimidas
no grito do ser,
de eco mudo.

Sou diferença,
sou cor,
sou (o) mundo !

quinta-feira, 2 de junho de 2016

Despes . . .


Despes a lonjura de outras vidas,
passados tatuados na pele
em emoções que não queres.

És corpo em muda,
resolvido em mudança
porque tem de ser.

Entregas as feridas em memorial,
na carícia das marcas que te fazem lembrar,
como recluso em final de pena.

Descamas-te de desamores,
raivas e ingratidões,
renascimento da tua essência
em advento só teu.

Despes roupagem em cor de rotina,
feitos e fatos que já não te servem
pois és homem novo, assim o queres.



sábado, 30 de abril de 2016

Um Olhar qualquer



Olha-se e não se vê,
vê-se e não se olha.

Comenta-se na cegueira,
cega-se no comentário.

Julga-se nos sentidos,
sente-se nos julgamentos.

Adivinha-se o que não se sabe,
sabe-se o que se adivinha.

Recebe-se o que se dá,
dá-se o que se tem.


E tu? 
Para onde olhaste primeiro?
Que te prendeu o olhar?
O cachorro?
O homem?
Um sentir qualquer nascido da pele nua?


sexta-feira, 18 de março de 2016

casa de 'brincadeiras'



A noite adormeceu à sombra da Lua
com requintes de canseira.

Levantam-se o moinho, 
a casa e os ovos também.

Cheira a chocolate,
amêndoas e um calorzinho
que não vem.

Cá para mim,
sopraram ventos de loucura
na companhia da preguiça.

Juntos, 
a poeira foi tamanha,
que,
o mundo ensandeceu 
o dia teve mau acordar
e eu fiquei de
pernas para o ar.

Não sei que faça,
não sei que pense.

Não quero acordar a noite,
de confusão está ela farta.

O meu planeta está doente
e crónica é a humanidade,
creio não gostar 
desta casa de 'brincadeiras'.



quarta-feira, 12 de agosto de 2015

guerreiro



Trazes o gume da lâmina,
o sangue que não estanca 
nesses rios 
que atravessam teu corpo.

Tens no olhar o negrume
de gritos
e silêncios sem vida.

Persegues a cruzada, 
despida de ti,
marcada em tua alma
de guerreiro.

Estendes-me a tua mão
que me falam de outro ser,
calado em teu ventre,
em súplicas de amor.




segunda-feira, 15 de junho de 2015

Da Diferença


Wodaabe man from Niger

Enchem-se nossos egos
em alheamento de diferenças,
soprando poeiras de outros mundos,
outros jeitos,
como se deuses pudessemos ser.

Gostam-se de semelhanças,
parecenças em tudo desiguais,
ditando leis de comparação,
assemelhações enviesadas,
como se as verdades estivessem ali.

Embrulham-se uniformidades,
padrões como caminhos a cumprir,
para sossego de muitos,
no calar de gritos
no direito de (querer) ser diferente.

Cansam-me tais conexões,
submissões convenientes,
quando é tão mais fácil
ser mais um(a).

Habito na contramão,
navego em desarmonias,
de diversidades universais,
sem permissão,
da diferença consumada.




sábado, 14 de fevereiro de 2015

Je t'aime com Pablo Neruda


Para não Deixar de Amar-te Nunca

"Saberás que não te amo e que te amo 
pois que de dois modos é a vida, 
a palavra é uma asa do silêncio, 
o fogo tem a sua metade de frio. 

Amo-te para começar a amar-te, 
para recomeçar o infinito 
e para não deixar de amar-te nunca: 
por isso não te amo ainda. 

Amo-te e não te amo como se tivesse 
nas minhas mãos a chave da felicidade 
e um incerto destino infeliz. 

O meu amor tem duas vidas para amar-te. 
Por isso te amo quando não te amo 
e por isso te amo quando te amo. "

Pablo Neruda, in "Cem Sonetos de Amor" 




terça-feira, 30 de dezembro de 2014

É sempre tempo . . .



Sonhe-se um mundo florido,
novo ano,
renovados desejos,
em miragens logo ali.

Sonhe-se magia planisférica,
beijos inercontinentais,
um abraço só.

Sonhe-se na tela branca,
marés por acontecer
em dias a estrear.

É sempre tempo de sonhar,
crer  em sonhos
depositados em calendário por desfolhar:
o Ano Novo se aproxima:

Que se sonhe, pois então!
É sempre tempo . . .



domingo, 28 de dezembro de 2014

Mima-te !






Por hoje basta:

Cuidar-se !

Amar-se!

( já experimentaram serem o/a vosso/a melhor amigo/a ? )





quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Food, Fome . . . parecidos só no som!



Há um Mundo de diferenças,
egoísmos ou simples individualidade.

Não sei!

Falam de Amor,
Paz,
Solidariedade,
Respeito,
Liberdade.

Onde estão?

Enquanto houver 
uma pessoa sem o poder ser
na falta de dignidade,
na incapacidade de se ser,
com fome,
de alimento 
ou afeto,
então 
o Mundo é oco
e o Natal não passa de mais uma palavra
de calendário.

Quero acreditar na aproximação
pelas diferenças,
onde Food é inquestionável
para todos
e fome é opção.



sábado, 6 de dezembro de 2014

Fitas, Cenas, Magia e Vida


Com o frio como desculpa, e um fim de semana de  três dias por cúmplice,  já vi estes filmes e ainda só vamos no sábado.
Confesso que me perco na leitura, mas o cinema também me apaixona e dispenso os trailers, comentários ou resumos.

Gosto de me sentar e sentir, simplesmente . . .

Depois, se me interessar, vou à procura das pontuações e outras informações.

Nada de confusões com os blogers que postam sobre o cinema, nada disso.
Já me tem acontecido ter procurado um filme na senda de um post e ficar, agradavelmente, agradecida à blogosfera.


  • Magia ao Luar

  • Direção: Woody Allen
  • Elenco: Colin FirthEmma StoneAntonia ClarkeNatasha Andrews
  • Nome Original: Magic in the Moonlight
  • Ano: 2014
  • Duração: 97 min
  • País: EUA
  • Classificação: 12 anos
  • Gênero: Comédia romântica


Woody Allen é daqueles realizadores que se detesta ou ama. 
A pesar de ainda estar por compreender alguns dos primeiros filmes dele, creio que se fez magia, com ou sem luar.

A vida, a crença, a dúvida, a inquietude humana são presença constante e eu gosto.
Ah! Já me esquecia: e  . . . o Amor!



If I Stay

Titulo Original: If I Stay
Elenco: Chloë Grace Moretz, Mireille Enos, Jamie Blackley, Joshua Leonard, Liana Liberato, Aisha Hinds e Stacy Keach
Direção: R. J. Cutler
Gênero: Drama, Romance
Duração: 107 min.
Distribuidora: Warner Bros. Pictures
Ano: 2014


Por aqui, numa mistura do real e do além, também a vida é posta em causa.
Afinal que andamos a fazer por aqui?

Outra vez, a mesma resposta: o Amor!


Tara Road - Vidas Cruzadas


Título OriginalTara Road
Ano de Lançamento
GêneroDrama
País de OrigemIrlanda
Duração97 minutos
DireçãoGillies Mackinnon
Estúdio/Distrib.Focus Filmes
Idade Indicativa18 anos


Em Tara Road (filme mais antigo, de 2005, os anteriores são deste ano) a dor no feminino, o Amor (outra vez), ou a ausência dele.



Com esta semi-maratona cinéfila podem perguntar: '- Tu, não tens mais nada para fazer, Pérolazita?'

Bem, ter, ter, até tenho.
Quem não tem?
Há sempre a hipótese da escolha, não é?

Porém, tem dias, fases, momentos.
Dizem que é a vida.

Por muitos livros que leia, filmes que veja ou horas desperdiçadas em pensamentos labirínticos chego sempre a um beco onde sinto que as questões da humanidade são as mesmas:
agora, 
na Idade Média 
ou no Crescente Fértil.

Apesar das condicionantes sociais ou outras, o Homem sempre buscou (e continua em demanda d') a Felicidade.

Seja ela o que acontece quando estamos demasiado ocupados ou distraídos ou simplesmente agarrada com unhas e dentes pelos sensatos e sábios, a verdade é que o Amor está sempre lá, indispensável à Vida, crucial e enigmático como só ele sabe ( e pode ) ser.




quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Pessoas em Saldo



Quem não goste de saldos (promoções, reduções, descontos incluídos) que o diga nos comentários.
Até prova em contrário, vou considerar que a maioria os aprova, os espera e até se perde por eles.

Eu confesso fazer parte da grande parte que gosta de poupar uns euros e, quase sempre, acaba gastando mais porque está barato, a valer bem a pena.
Já devia ter mais juízo, mas gosto de compras, que hei de fazer?
Desconheço se é por ser mulher.
(Pronto, já confidenciei este meu pecado agora restringido pelas contigências do saldo bancário.)



É incontornável o aspecto material nas nossas vidas.

Quase tudo vem com etiqueta agarrada e alarme incorporado.



Esta mania de saldar existe porque há preço a pagar. 
Nunca ouvi falar de saldos na gratuituidade, na doação ou generosidade.

Porém, há saldos com preços muito elevados.
E estes afligem-me!

As pessoas empregados há algum tempo talvez não tenham reparado: Nos dias que correm, as pessoas, o seu esforço, o seu tempo, a sua dedicação, enfim o seu trabalho está em saldo.

Não é demagogia ou politica.
Pura realidade!

Custa-me saber do valor humano diminuido. 
Eu estou em saldo e não gosto.
(Esta é uma conta a saldar.)

Resta-me saber se ainda estarei por cá quando a época dos saldos dos salários acabarem.





segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Ensaio sobre a tatuagem

  
Quem és tu?

Homem marcado
nos pensamentos que te definem,
no engrandecimento por traços e desenhos julgados maiores.

Doas o corpo 
à pena de outros,
sonhando seres,
somente,
tu próprio.

Deixas-me confusa,
com vontade de ver tua pele nua
e saber do teu olhar.

Seria diferente?

Acaso a tua masculinidade cresce
no labor da agulha?

Homem tatuado na carne,
que dizem as cicatrizes
sem tinta? A alma, a essência 
do que se não vê?


domingo, 29 de junho de 2014

Dirk Dzimirsky



A querida Afrodite quis presentear.-me com uma publicação que teve origem num envio de mail sobre a obra de Dirk Dzmirsky
Obrigado, amiga blogger !

Trata-se de pintura hiper realista onde a obra se assemelha a verdadeiras fotografias.
Para os amantes da blogosfera deixo o link do seu blog: http://dzimirsky.blogspot.pt/

Espero que gostem.
O que pode nascer de um simples lápis e talento trabalhado !?
Espantoso, não achas?




sábado, 21 de junho de 2014

Do Acaso


Confesso que isto  do Acaso, Coincidência, Destino e familiares destes me confundem.


Há opiniões para todos os gostos,
como é habitual a algo que é de difícil comprovação ciêntifica.


Nascendo nós em sítio e família não escolhida, terá começado, logo aí, o nosso Acaso?
Serão incompatíveis as decisões,o livre arbítrio com o azar ou sorte que moram para lá das nossas vontades?


Pois...não sei.
Desta forma, aguardo pelas vossas opiniões.
Quem sabe não me iluminam à cerca da temática?


Em que acreditam?
Na sorte?
No fado da inevitabilidade?
Na sina?
Ou, por outro lado:
Na vontade?
Na persistência,
Na total liberdade?
Na responsabilização de tudo o que acontece ao sujeito?
Ou haverá por aí meios termos e
cada caso será único?


quarta-feira, 11 de junho de 2014

. . . menino . . .



Se tu perguntasses!?
Oh! Meu menino de oiro!
Se tu soubesses!?

Há mundo diferente . . .

Nem todo o ventre se rasga
em fome de beijos,
nem todo o olhar se perde no aqui.

Há flor de outra cor . . .

Nem todo o céu te cobre
de dias iguais,
nem toda a estrada vai dar ali.

Oh! Meu menino de oiro!
Se tu soubesses!?
Se tu perguntasses!?

Há infância diferente . . .

Nem todo o tempo se esvai
na repetição do tem que ser,
nem o nascer tem de ser assim.

Há dia diferente . . .

Nem o Sol só é despertador
no ritmo que te faz crescer,
nem a noite é coisa ruim.


Quem dera ofertar-te 
outro mundo,
outra flor,
outra infância,
outro dia
para perguntares e saberes 
o como é bom ser menino de oiro.


sábado, 31 de maio de 2014

Do Blog



Fico sem jeito, pois fico.
Fico contente, pois então.
Fico a sorrir e muito.

E não é que o Super Mega Querido Alberto me consegue surpreender?


Que não restem dúvidas: Ser Blogger pode ser muito Bom.
Pode ser ? Não.
É muito bom !

Não é que o meu amigo virtual (com esperanças na realidade) postou um poema meu?
Vão lá espreitar, vão . . .
Faz parte do meu livrinho e nasceu aqui mesmo.


Nunca saberei como te agradecer, Aflores, nunca.



quinta-feira, 15 de maio de 2014

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Da Mudança: "Não me sinto mudar. Ontem eu era o mesmo . . ."






Não Me Sinto Mudar


"Não me sinto mudar. Ontem eu era o mesmo.
O tempo passa lento sobre os meus entusiasmos
cada dia mais raros são os meus cepticismos,
nunca fui vítima sequer de um pequeno orgasmo

mental que derrubasse a canção dos meus dias
que rompesse as minhas dúvidas que apagasse o meu nome.
Não mudei. É um pouco mais de melancolia,
um pouco de tédio que me deram os homens.

Não mudei. Não mudo. O meu pai está muito velho.

As roseiras florescem, as mulheres partem
cada dia há mais meninas para cada conselho
para cada cansaço para cada bondade.

Por isso continuo o mesmo. Nas sepulturas antigas
os vermes raivosos desfazem a dor,
todos os homens pedem de mais para amanhã
eu não peço nada nem um pouco de mundo.

Mas num dia amargo, num dia distante
sentirei a raiva de não estender as mãos
de não erguer as asas da renovação.

Será talvez um pouco mais de melancolia
mas na certeza da crise tardia
farei uma primavera para o meu coração."

Pablo Neruda, in 'Cadernos de Temuco'