Inteiras são as pessoas com várias vidas, fatias e fases,
feitas e temperadas a tempo. Desarranjadas em corpo só seu de emoções espalhadas ao vento, de sentires e gostos submersos na tona das marés. Remendam-se pedaços no cenário do todo, onde cada um é uno na diversidade e parecença da humanidade. Seres construídos em histórias, lembranças, e fragilidades que nos partem na unidade, coesão própria das pessoas em fatias.
Despes a lonjura de outras vidas, passados tatuados na pele em emoções que não queres. És corpo em muda, resolvido em mudança porque tem de ser. Entregas as feridas em memorial, na carícia das marcas que te fazem lembrar, como recluso em final de pena. Descamas-te de desamores, raivas e ingratidões, renascimento da tua essência em advento só teu. Despes roupagem em cor de rotina, feitos e fatos que já não te servem pois és homem novo, assim o queres.
Olha-se e não se vê, vê-se e não se olha. Comenta-se na cegueira, cega-se no comentário. Julga-se nos sentidos, sente-se nos julgamentos. Adivinha-se o que não se sabe, sabe-se o que se adivinha. Recebe-se o que se dá, dá-se o que se tem. E tu? Para onde olhaste primeiro? Que te prendeu o olhar? O cachorro? O homem? Um sentir qualquer nascido da pele nua?
Em Tara Road (filme mais antigo, de 2005, os anteriores são deste ano) a dor no feminino, o Amor (outra vez), ou a ausência dele.
Com esta semi-maratona cinéfila podem perguntar: '- Tu, não tens mais nada para fazer, Pérolazita?'
Bem, ter, ter, até tenho.
Quem não tem?
Há sempre a hipótese da escolha, não é?
Porém, tem dias, fases, momentos.
Dizem que é a vida.
Por muitos livros que leia, filmes que veja ou horas desperdiçadas em pensamentos labirínticos chego sempre a um beco onde sinto que as questões da humanidade são as mesmas:
agora,
na Idade Média
ou no Crescente Fértil.
Apesar das condicionantes sociais ou outras, o Homem sempre buscou (e continua em demanda d') a Felicidade.
Seja ela o que acontece quando estamos demasiado ocupados ou distraídos ou simplesmente agarrada com unhas e dentes pelos sensatos e sábios, a verdade é que o Amor está sempre lá, indispensável à Vida, crucial e enigmático como só ele sabe ( e pode ) ser.
Quem não goste de saldos (promoções, reduções, descontos incluídos) que o diga nos comentários.
Até prova em contrário, vou considerar que a maioria os aprova, os espera e até se perde por eles.
Eu confesso fazer parte da grande parte que gosta de poupar uns euros e, quase sempre, acaba gastando mais porque está barato, a valer bem a pena.
Já devia ter mais juízo, mas gosto de compras, que hei de fazer?
Desconheço se é por ser mulher.
(Pronto, já confidenciei este meu pecado agora restringido pelas contigências do saldo bancário.)
É incontornável o aspecto material nas nossas vidas.
Quase tudo vem com etiqueta agarrada e alarme incorporado.
Esta mania de saldar existe porque há preço a pagar.
Nunca ouvi falar de saldos nagratuituidade, na doação ou generosidade.
Porém, há saldos com preços muito elevados.
E estes afligem-me!
As pessoas empregados há algum tempo talvez não tenham reparado: Nos dias que correm, as pessoas, o seu esforço, o seu tempo, a sua dedicação, enfim o seu trabalho está em saldo.
Não é demagogia ou politica.
Pura realidade!
Custa-me saber do valor humano diminuido.
Eu estou em saldo e não gosto.
(Esta é uma conta a saldar.)
Resta-me saber se ainda estarei por cá quando a época dos saldos dos salários acabarem.
"Não me sinto mudar. Ontem eu era o mesmo. O tempo passa lento sobre os meus entusiasmos cada dia mais raros são os meus cepticismos, nunca fui vítima sequer de um pequeno orgasmo
mental que derrubasse a canção dos meus dias que rompesse as minhas dúvidas que apagasse o meu nome. Não mudei. É um pouco mais de melancolia, um pouco de tédio que me deram os homens.
Não mudei. Não mudo. O meu pai está muito velho.
As roseiras florescem, as mulheres partem cada dia há mais meninas para cada conselho para cada cansaço para cada bondade.
Por isso continuo o mesmo. Nas sepulturas antigas os vermes raivosos desfazem a dor, todos os homens pedem de mais para amanhã eu não peço nada nem um pouco de mundo.
Mas num dia amargo, num dia distante sentirei a raiva de não estender as mãos de não erguer as asas da renovação.
Será talvez um pouco mais de melancolia mas na certeza da crise tardia farei uma primavera para o meu coração."