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terça-feira, 18 de abril de 2023

Detenho-me

 


No diferimento de ti,
detenho-me
mais um pouco,
tanto mais,
no desenho de tuas curvas,
no calor fresco da tua pele.

Ainda trajo o teu olhar,
ainda moro na tua ilha
a palpitação não se quer acalmar.

Sinto-te em vagas saborosas
de memórias em flor,
com a vivacidade poderosa
de simplesmente estar contigo.

Acredita,
não me és exagerado,
impregnas-me de amor,
de subtilezas divinas,
o melhor de mim,
o melhor da vida,
do mundo.

Surges-me na esquina de cada segundo,
à flor da pele
e nos abismos da essência
com uma docilidade de outras dimensões,
uma querença arrebatada,
elevada
e abrangente,
qual chuva em praia sem abrigo.

Ainda hoje
te fazes presente,
te oiço a voz,
respiras no meu peito,
te abraço com força
pois se não te quero ver partir,
se te desejo aqui,
aí,
por onde andas.

Detenho-me numa vida suspensa
de encontros que transbordam no tempo
que se querem eternos,
numa permanência inacabável.

Ainda te sinto...


quinta-feira, 1 de julho de 2021

Por um triz


Por um triz,
coaram-se perfumes
em tuas mãos,
filtraram-se olhares,
semicerrados,
prontos a serem
devorados.

Por quase nada,
o mundo encheu-se 
de outros mundos,
estrelas
e luas cheias.

Por pouco, 
choveram flores,
pétalas e cores
sobre o tapete 
onde te abandonas
em meu regaço.

Sou feliz, por um triz.

 

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Mordida



Saltito sobre forças,
 indomáveis,
de te apertar,
de te ter,
em minha essência,
deixando-me escorrer
nos teus lábios,
pela ternura suave
de te sentir em mim.

Apeteces-me,
 em pedaços,
mordido em minha boca,
salivando em antecipação,
agarrando em minhas mãos
o prazer,
de me ser,
em intensidades sem medidas,
com ganas de te beijar,
furiosa
na eternidade 
da pele apertada,
vincada
por carícias descompostas

São inconveniências,
supostos nascidos,
de atentados
ao desejo
desventrado
em minha língua
desnorteada,
alma de vida própria
nesta busca de ti.

Viajo em velocidades
enlouquecidas,
perdidas em apeadeiros calmos
onde o teu olhar me espera
porque meu querer
te quer abocanhar
em totalidades
fragmentadas
numa mordida aqui,
noutra acolá.




domingo, 9 de outubro de 2016

sem palavras



São palavras os teus beijos,
com que me escreves,
 onde me conto.

Histórias pontuadas
em plenitudes exclamadas,
reticentes ou sem ponto final.

As interrogações fazem parte
da  ortografia que te é peculiar,
usa-las na ponta dos dedos,
de mãos cheias.

Riscas-me o ser
por entre traços
que emergem intimidades,
escondidas,
segredos desconhecidos,
em transcendências do mais além,
profundidades
que desejo.

A tua caligrafia sabe de mim,
em letras inscritas 
com o teu corpo,
nas cartas sem selo,
no teu querer manuscrito.

São livros os teus lábios,
com que me romanceias,
onde me folheio.

Pérola


domingo, 3 de julho de 2016

há caminho

Rasga-se um caminho 
por entre  vontades esfaimadas,
corre-se em rota de colisão
buscando a interseção 
em pontos de corpos vulcânicos,
fusão embrulhada na pele,
no toque que arrepia só de olhar.

Abre-se passagem por entre 
umbrais de outro mundo,
abraça-se o outro como se fosse nosso
desviando estranhos seculares
em busca da totalidade do ser,
amor sagrado em momentos
de entrega,
em que tu és meu e eu sou tua.

sexta-feira, 1 de julho de 2016

Sem medos





Não há medo que me assuste
nem tempo fantasiado 
de silêncios vazios.

Não há loucura que não viva
nem desejo apetitivo
de ausência por visitar.

Quero viver e morrer
em lagos de medos,
mergulhar nas profundidades
das suas loucuras.

Ser-me só eu,
acto e consequência,
pensamento e emoção,
sem medos,
na imprudência insana
de águas salgadas,
ares ventosos
por onde me vou.


segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

- Faço 4 anos ! ! !




Será que me esqueci?
Padeço eu de algum mal de memória?

Hum ! Não me parece.

É apenas uma garganta inflamada e a preguiça a tentar-me.


Pois é !

O Blog fez 4 anos no dia 18 de janeiro no ano de 2016.

Confesso que me lembrei da ocasião várias vezes e do quanto a Blogosfera me é importante


O querido Aflores lembrou-se desta pérola em formação e veio à festa.
Perdoa-me amigo, mas o frio deixa-me semi-hibernada.

Para ti em especial e para todos os meus amigos partilho aqui um doce, 
um bolo que tão bem me sabe na companhia de todos vós. 


A mesa está posta, 
Venham!
Façam o favor de se sentarem.

Quero celebrar o 4º aniversário do 'eereatudomuitobom.blogspot.pt' contigo.

Bem Hajas!

Muito obrigado por me acompanhares neste caminho que se solta e mostra o tanto que as palavras, as fotografias e todo o género de partilha ainda têm para nos oferecer.

Saúde!




quinta-feira, 3 de setembro de 2015

gosto. . . (-me)


Gosto de rodopiar 
nesse abraço que dói,
silenciar-me no teu riso,
ser feliz, 
mesmo assim.

(Podes ser sonho meu,
banda desenhada
em biblioteca monástica,
mas não me peças 
para cair 
no abismo do real.)



Não!
Não te solto 
dos meus braços sem força,
do meu corpo sem juízo,
dos meus pensamentos inconvenientes.

Brilho na fantasia
de me quereres,
gosto-me no romance
de me gostares também.



sexta-feira, 7 de agosto de 2015

coisas do mar



Trazes coisas do mar,
palavras perfumadas na maresia
em voo de gaivota.

Tens nas mãos o mundo
que me entontece,
deixas-me à deriva
ao sabor do teu tempo,
da tua vontade,
moderadamente.

Já te disse
o quanto anseio a loucura?

Junta a essas coisas do mar
a imprudência sem limites,
a anarquia de outras terras,
outros cheiros,
desejos inconfessáveis.

Vem !
Carrega-te em pleno
e oferta-te (só) a mim.

Leva-me contigo
por entre essas coisas de mar . . .



quinta-feira, 16 de julho de 2015

Para o teu fundo



Desço-me por degraus
que me chamam,
oceanizo-me na descida
do abismo que és tu.

Para o teu fundo
é meu tempero,
sal da minha vida,
exigida no desejo
de tuas águas.

Dissolvo-me em fogos molhados,
 toques sem pudor,
onde és mar meu
e eu,
tua naufraga,
presa no querer-te
aqui e agora.

Adoço-me na escala decrescente
onde te sei,
para o teu fundo
é minha fortuna.



sábado, 13 de junho de 2015

Tem um fio . . .



Tem um fio de vida
escapando-me por entre respirações,
no novelo de histórias por contar.

Tem um fio de cabelo,
tecendo-me a aparência em caracóis,
na espera do teu deslizar de dedos.

Tem um fio sem prumo,
equilibrando-me por breves intermitências,
no instante em que sonho seres meu.

Tem um fio de ligação,
agarrando-me em nós de desejo,
no querer ser teu destino.

Tem um fio com nós,
alisando-me em (em)baraços de amor,
por onde as palavras ganham sentido,

Tem um fio que não se vê,
que me acorrenta a ti.



segunda-feira, 25 de maio de 2015

Provocadora



Teu jeito invasivo,
teu olhar disposto,
tua palavra semeada,
deixa-me sem limites.

És assim,
como ponto sem retorno,
um pretexto sem argumento,
uma interrogação sem pergunta.

Ai, quem me dera!
Saber ler tua mensagem,
decifrar teus códigos,
matar tuas fronteiras,
desatar teu nó,
em enleamentos só nossos
como se fora provocadora.
Ai!
Quem dera! 



sábado, 25 de abril de 2015

Por acontecer . . .



Na loucura de imaginar teu beijo,
balanço na vontade de mais.

Acolho a vertigem do quase real,
sei-te neste equilíbrio de desejo comum,
perco o rumo 
em ânsias de ti.

Vem!
Não temas!

O Mundo, 
lá fora, 
não é pertença nossa.

Quero essa fusão
de almas,
de corpos,
de insuspeitáveis apetites,
só nossos.

Desfaleço no abismo 
de te saber,
na espera do teu beijo
que me apetece.




domingo, 19 de abril de 2015

Depois de ti . . .


Desdobro o cheiro ainda enlaçado pelo branco do lençol enrugado.

Que lhe importa?


A indiferença do seu poder cresce na impaciência da minha inalação.


O odor é tudo.


Percorre-me sem autorização, torna-me refém, prisioneira, ao sabor da minha entrega.


Nesta posse evaporada por entre dedos, sou-me no leito do ainda há pouco.


O cheiro não se alisa, mas continuo a desdobrá-lo . . .






sábado, 18 de abril de 2015

Rosa e coral



Floresço no rosa,
perco-me nas profundezas do coral,
sou assim,
menina de cabeça nas nuvens,
de fantasias recortados
em contornos renovados.

Perco-me nos finais,
pinto os recomeços,
de coral,
de rosa,
como rapariga de sempre.

Quero ser esse balão,
sorriso cheio
de contágios cor de rosa.

Apetece-me o coral,
o oceano de cor,
por onde me sonho
e sei ser feliz.




quinta-feira, 26 de março de 2015

Com saudades . . .


O tempo trouxe o pó das recordações,
o cheiro de rio na minha pele,
aqueles anos onde cresci,
sem o saber,
sendo feliz na aventura.

Na sombra do tempo,
vieram as saudades,
a consciência do que sou
pelo que fui
ou deixei de ser.

Lavei o presente desse tempo,
sacudi o pó das suas botas,
limpei o seu caminho
e por ele me embrenhei,
destemida,
em demanda de voltar a ser.

Uma vez mais,
dependuro a infância,
a secar do banho de nostalgia,
ainda a escorrer lembranças
da menina que sou.


segunda-feira, 16 de março de 2015

Tudo !




Não te disse já?
Quão tola sou!?

Agarro a lua,
sou o sol,
nada mais que o teu tudo.

Tolice minha,
a de querer ter-te
como luz dona das trevas,
devorar-te por inteiro,
ser buraco negro
de onde não queres voltar.

Fazes-me enlouquecer,
esquecer-me de ciclos,
fases ou tempos
pois se és o  meu tudo,
mundo sem fim,
por onde sou senhora de ti.

Deixa-me que te diga!
Ouve de mansinho!

Minha pele fala-te,
meu corpo te sussurra,
meu coração ecoa 
pelo infinito.

Não ouves?

Sou tudo
onde tu me és tudo.



domingo, 1 de março de 2015

Por entre Intermitências . . .


"Não chegamos realmente a viver durante a maior parte da nossa vida.
Desperdiçamo-nos numa espraiada letargia a que, 
para nosso próprio engano e consolo, 
chamamos existência.
No resto, vamos vagalumeando, acesos apenas por breves intermitências."
Mia Couto


Lampejas-me em momentos
iluminados de prazer,
em que me amas,
chamas tua,
me ateias por completo.

Vens carregado de promessas,
fogo devastador
em que me envolves,
devorando-me inteira
como faúlha em palha seca.

Existo nessas intermitências,
no calor desse ardor,
em que me consomes
de ânsias apressadas,
em que somos fogueira,
queimadura que dói.

Acordas-me da vida fria,
em ousada impaciência,
ao tornar-me viva
na explosão dos sentidos,
no abismo de me ser.

Acendes-me o olhar,
o brilho de desejo,
a vontade despida 
de me consumir em ti,
por entre intermitências . . .




quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

São gostos . . .



Gosto do olhar que me despe,
das palavras que me extasiam,
do húmido do teu corpo.

Gosto desses dedos marotos,
do que ainda ficou por fazer,
do tanto que me dás.

Gosto de desejos loucos,
vontades doidas,
alheias à sensatez,
do momento prolongado
nesse 'quero mais'.

Gosto do teu gosto,
das tuas conversas carnais,
dos sentires por onde me perco
e me sei.

Gosto do amor com cheiro,
sabor a pele
por entre bocas ávidas,
em bailado desvairado,
ao ritmo da nossa luxúria.

Gosto-te tanto . . .



segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Do teu beijo !

Diz-me o teu beijo
tudo aquilo que preciso saber.

Conta-me do barulho do mar,
do voo do sonho
que é preciso conhecer.

O teu beijo sussurra-me
o quão sou especial,
que nada é vão.

Mostra-me o mundo,
deixa-me escolher
quando só quero 
ser aprendiza do teu beijo.

Diz-me o teu beijo
a depuração de me ser,
inteira, solta no estremecimento
da tua boca.

Pérola