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quinta-feira, 8 de junho de 2023

O Vento


Estremece-me,
arrepia-me,
o vento teimoso,
esta corrente sibilante 
de semblante divertido.

Cerca-me
e
agarra-me,
desafia-me 
a procurar moradia
para lá das nuvens,
para lá do horizonte.

Conta-me do outro jeito,
do outro lado de mim
por onde as flores falam,
os sorrisos saciam
e os beijos curam.

Quer a minha mão, 
quer a minha alma
em dança ritmada,
ora leve
ora vigorosa,
sussurrando
memórias 
e
promessas
de ti. 

Em abraço ampliado,
cerro olhos
em inspiração profunda,
e
atrevo-me
a deixar ir-me...
por onde moras,
por onde o vento nasce.
 

terça-feira, 22 de agosto de 2017

com fome, com penas...


São fomes,
apetites sem Deus,
por onde me quero saciar.
São voos
de asas brancas,
imaculados
como a gula
que me consome.
São desejos
forjados na escassez do branco,
nas profundezas de mim
por onde
a vontade
é tanta,
vasta,
como o banquete
com que sonho
para lá das nuvens,
para lá de mim.

terça-feira, 11 de julho de 2017

semeio



Semeio, 
as heranças
do Sol e da Lua,
de letras,
que existiam antes de mim
em páginas brancas
seduzidas
pela passagem do tempo.

Solto,
por entre dedos,
coisas minhas,
escolhidas
sem saber como,
sementes legadas
de outros,
do mundo
e,
com elas,
escrevo minha vida,
história
de páginas
nem sempre legíveis.

Semeio-me em cada instante,
nasço e recomeço
nas linhas
e entrelinhas
do que sinto,
do que escrevo
com a pena do coração.


terça-feira, 23 de maio de 2017

em e com 'maio'


Ofereceste-me um jardim,
eu só queria uma flor,
um raio de sol
do verão imenso
que é teu calor.

Deixa-me o pequenino,
o amarelo das pétalas
húmidas
pelo orvalho da manhã,
a tua pele nua
e salgada 
depois de seres meu
e eu
sem noção de quem sou.

Deixa-me o teu perfume
por entre primaveras
com mãos pequenas
onde o despercebido 
basta
ao ser tudo.



domingo, 2 de abril de 2017

cristalinas


Bastam-me invernos e frios,
ventos e chuvas,
cinzentos e sombras.

Que venham azuis,
brancos e outras mais.

Quero Luz!
Quero Sol!

Cobiçam-me águas cristalinas,
puras,
límpidas no brilho
de tempos mornos
desapressados
no momento único
do instante,
já,
agora.

quinta-feira, 16 de março de 2017

Ensaio para uma menina


Tem essa miúda
pequena
de vida desconhecida,
caminho pela frente
embaciado 
pelo desejo
de tanto.

Garota com 
medos desnecessários,
oprimida em si
sem saber 
da dimensão do mundo,
da vastidão dela.

Que se quebre
a redoma
e a pequena se abra 
ao universo!

Tem essa criança 
dento de mim,
em espera,
da escolha de me ser.

Haja alguém
a sussurrar-lhe 
da importância
da gota no oceano,
da areia na praia,
do amor que só ela é,
sem temores ou vacilações,

Sê-te, miúda,
em liberdade,
em ação,
solta pensamentos
e sente
o sol
e o vento
cá de fora
onde habitam 
sombras a vencer.

Atreve-te!
Permite-te!

São preciosas 
a sujidade,
as dores e quedas
sem proteção,
no amparo da tua força,
determinação que nem sonhas ter.

Tem essa miúda
na hesitação
de se fazer ao mar,
pois tem...




quarta-feira, 8 de março de 2017

nascente


As algas banham-se
por entre rios
desaguados
neste mar
de olhos meus.

Revolvem-se lágrimas
na espuma
desta inquietação
que não quero minha
nem de outro qualquer.

Solto-me aos ventos,
grito às tempestades,
chamo a acalmia
de outros horizontes,
outras planícies despidas de regatos
e oceanos com nascente em mim.


domingo, 26 de fevereiro de 2017

de mim

Sou dona 
das águas,
de rios
e oceanos
onde te desaguas
de mansinho.

Sou rainha
de paralelos,
hemisférios
e litorais
de cada coordenada tua.

Sou baía
serena,
confluência de leitos,
encontro do teu mar,
da minha torrente,
ribeira a transbordar
em dias
de chuvas eternas.

Sou pérola
guardada
em profundezas
subtis,
abismo sem fim,
em que mergulhas
sem me ver.


Sou corpo imerso,
afogo na sede
de te receber.

sábado, 25 de fevereiro de 2017

na tela



Talvez seja desejo,
talvez seja delírio
este sonho
de te pintar.

Saber-te a meu gosto,
de linhas
e contornos 
decorados
em minha mão.

Sentir-te o cheiro
a novo
como paixão por consumar,
antecipação 
de tela por pintar,
desassossegos
que me implodem.

Oxalá seja amor,
oxalá seja carinho
os rabiscos coloridos
desenhados com meu corpo,
com minh'alma.


quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

da vida em teia



A vida tem destas coisas:
enredos naturais,
tramas surgidas do inesperado,
telas tecidas em rede,
teias simples
ao primeiro olhar.

E porque esta complexidade
nos perturba,
gostamos de dar nós,
emaranhar fios frágeis,
instantes reais
onde basta ser
fiel a si próprio,
permitir e aceitar.

A vida tem de tudo,
é cargo pessoal
torná-la ligeira
na proteção de sopros indesejados,
ou confusa
nos cruzamentos da escolha,
trilhos e veredas
a chamarem por nós.

As balanças vêm depois
e só importam 
no peso leve
do amor próprio, 
em liberdade responsável
de ser acto e consequência,
enfim,
baraço de seda em teia brilhante
ou embaraço grosseiro enovelado
em labirintos nossos.

A escolha é tua
e minha,
nossa, 
de cada um.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

do teu colo


Meu amor não é simples,
não é linha reta
e não é frágil.
Não!

Meu amor é embaraçado,
é novelo sem ponta
e é forte.
É!

Meu amor tem dia sem hora,
ano sem começo,
contorno sem arte,
ferro sem solda.

Meu amor me faz enfrentar
 tempestades dispersas,
nesse jeito de amar,
despovoado de primaveras,
onde o fio do coração
pende no metal sem ouro,
por entre frios antigos.

Meu amor traça o ar,
em movimentos impulsivos,
oxigenados na busca 
de miragens ásperas,
na esperança da fundição morna
do teu colo.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Ensaio para Ela


Para lá do espelho,
na dimensão funda de se ser,
ela acreditava-se.

Era tal o desplante
que o atrevimento se envergonhava
de pôr em voz,
atitudes,
ou palavras 
o que a alma lhe segredava.

Para lá do mundo,
no espaço de si,
ela autorizava-se.

Era tal a ousadia
que o receio se minguava
em vontades 
para lá do conveniente,
em apetites fora de hora,
saboreando na pele
o sentir 
(também)
de ninguém a adivinhar.

Para lá de tudo o resto,
de tudo,
de todos,
e mais 
das imagens de si,
ela avaliava-se, 
existia na palpitação
da plenitude
de se saber mulher,
exclusiva,
de singularidade a preto e branco,
sem meios tons,
na inteireza feminina.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

de meus pés



Dizes que são a minha cara,
e eu,
só me desequilibro
perco o chão,
vacilo por entre
sedas e brilhantes.

São charmosas,
as tuas escolhas!

Fantasias-me
em vagarosas caminhadas
esvoaçando acima da calçada
com pés de púrpura calçados.

Mal tu sabes
das minhas ganas
de me despir
e,
de pés nus,
correr no areal húmido
de beijos salgados.
onde cada grão,
colado nos meus pequenos pés,
é sensação guardada
em oceanos de vontades
de te envolver
na pele
que insistes em adornar.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Ensaio para M


Passeava-se no limite
do despercebido
como quem está
e não se vê.

Era última
no desabrochar,
sozinha,
em recanto
sem história,
flor de semente
guardada
por entre pétalas
que despia.

Passeava-se no perfume
do mar,
da terra e de si,
aveludando  tempos . . .

Tempos de agora,
de antes
e por nascer.

Era despedida acabada,
(re)começo,
de mais um passo
naquele passeio.

realidade sem poesia


foto by Pérola

vivi sem filhos,
só era filha.
vivi sem telemóvel,
escrevia cartas.
vivi sem Net,
percorria a enciclopédia.
vivi sem mãe,
e ainda aqui estou.
vivi sem pai, 
porto de abrigo
ou amor incondicional
e não morri.
vivi de solidão,
refugiava-me em mim.
vivi acampada,
fui feliz.

Já vivi com tantos 'sem'
que a memória se esqueceu.
Foi-me realidade sem poesia,
a meus olhos,
no meu sentir.

Basta-me!
Transbordei-me de ausências.

Quero os 'com'
mesmo que vazios,
disponíveis para preencher
ou deixar dessa forma.

Quero ser a minha realidade,
eu, 
tão só!



quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Ensaio para F


Prendi-me em tuas palavras
qual borboleta em teia de seda.
Foi assim,
de mansinho,
como segundos a escorrer 
por entre os grãos do tempo.
Tapei-me e reduzi-me
a tamanho meu
querendo mais,
muito mais,
o Tudo para lá de meu mundo,
o Tu que me entorna
em mares salgados
destes e outros hemisférios
no tempo 
sem tempo
de sempre te amar.


terça-feira, 20 de setembro de 2016

permitir-se


Não sei se ouse, não.
Atrevo-me e depois vem de lá
o dedo apontado, o juízo
sem contar com a culpa.


No verbo permitir habita
a coragem, a audácia 
e o sorriso.

Há caminho aberto,
eventualidades
e aventuras anfitriãs.

Viver sem permitir-se
é como rio sem foz,
ave em gaiola,
mar sem maré,
sol sem dia.

Permito-me.

Há que permitir-se
sob pena do vazio
do aconchego,
 da acomodação,
de se ser por inteiro.

Dou-me permissão 
para permitir . . . ouso, pois claro.


terça-feira, 19 de abril de 2016

Leio para ti


Paul Rader (1906 -1986)

Pousa o livro e deixa-me ser o alfabeto,
as sílabas, 
e as palavras do teu novo romance.

Emociona-te na adjectivação
do meu querer,
atreve-te por entre reticências minhas,
surpreende-te na interrogação do meu calor.

Deixa o parágrafo introdutório
penetrar em ti,
fluindo ao sabor de capítulos sucessivos
nascidos de nadas 
onde sou a criadora de tudos,
inventados,
explorados
e descobertos,
no fogo dos nossos corpos
resolvidos por mim,
pelo enredo que te conto
e onde te agitas
em vãs tentativas de rumar
a outro final.

Desta feita, sou eu a contadora,
tu, pousas o livro
e absorves-me como se te fosse mestra.

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Desafio Blogger





A amorosa Andreia Morais convidou-me para um desfio blogosférico.

Já algum tempo que não respondia a nenhum e resolvi aceitar.

Afinal, como resistir a tanto carinho com que me tem presenteado, 
ao longo destes meses na troca de comentários, 
e presença assídua da minha modesta ostra???

Como todos os desafios, 
este tem as suas regras que, 
aviso desde já, 
não vou respeitar na íntegra pois gosto de ser 'rebelde'.



Regras:
1º- Agradece e coloca o link da pessoa que te nomeou;
2º- Coloca as regras e o prémio;
3º- Partilha 7 factos sobre ti;
4º- Nomeia 15 blogs inspiradores e comenta nos seus posts para eles saberem que foram nomeados;
5º- Podes por, opcionalmente, o logo do prémio e segue o blog que te nomeou (vejam o logo aqui).


Claro que agradeço à Andreia por se ter lembrado de mim, mas especialmente por ser a menina doce retratada nas suas escritas, imagens e músicas partilhadas. Visitem-na, não se arrependerão.


Agora 7 factos sobre mim:

* Choro a ouvir música, a ver um filme. Sou uma piegas lamechas.
* Dava dias de vida para ver certa pessoa.
* Tenho saudades de algo que nunca aconteceu.
* Deixei de roer as unhas porque as pinto. Ultimamente, fiquei fã do tal de gelinho.
* Gostava de ser financeiramente independente.
* Odeio passar dos 48 kg.
* Há coisas que não conto a ninguém, tenho vergonha.


Quanto aos blogues: não consigo nomear 15, seria injusto para tantos...

Deixo à vossa liberdade a decisão se querem mimar-me ou não.

Por favor, quem quiser, faça o favor de pegar no selo e responder.

Fico à espera que me avisem para saber mais de vocês,amigos blogueiros!



segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Atenta-te !



Atenta-te!
Que nada te perturbe e nada te espante.
Não te deixes enganar.

Olha-te!
Não deixes cair teus olhos.
Vê por onde corre a maré,
de onde sopra o vento.

Vai-te!
Impele a tua canoa com remadas determinadas,
não te plantes em moradas assombradas.
Abre as tuas janelas.
deixa que a brisa do desconhecido te renove.
Não queiras ficar no cais.

Atreve-te!
A vida é deserto e floresta chuvosa,
desfruta a plenitude.
Confronta teus fantasmas,
desarma teus medos.

Permite-te!
Perde o pé em rumo certo,
abandona-te em ti,
se queres ser feliz.

Atenta-te!
Decide-te onde vais!

Pérola