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terça-feira, 18 de abril de 2023

Detenho-me

 


No diferimento de ti,
detenho-me
mais um pouco,
tanto mais,
no desenho de tuas curvas,
no calor fresco da tua pele.

Ainda trajo o teu olhar,
ainda moro na tua ilha
a palpitação não se quer acalmar.

Sinto-te em vagas saborosas
de memórias em flor,
com a vivacidade poderosa
de simplesmente estar contigo.

Acredita,
não me és exagerado,
impregnas-me de amor,
de subtilezas divinas,
o melhor de mim,
o melhor da vida,
do mundo.

Surges-me na esquina de cada segundo,
à flor da pele
e nos abismos da essência
com uma docilidade de outras dimensões,
uma querença arrebatada,
elevada
e abrangente,
qual chuva em praia sem abrigo.

Ainda hoje
te fazes presente,
te oiço a voz,
respiras no meu peito,
te abraço com força
pois se não te quero ver partir,
se te desejo aqui,
aí,
por onde andas.

Detenho-me numa vida suspensa
de encontros que transbordam no tempo
que se querem eternos,
numa permanência inacabável.

Ainda te sinto...


sábado, 18 de junho de 2022

orvalho



Nasce a manhã,
em aveludado começo,
promessa de um Mundo,
em vida orvalhada,
qual frescura tenra,
prenhe de flores,
sementes 
e da tua pele.

E esse Novo 
transborda de vigor,
pois 
se tua pele é corpo,
por explorar,
acabado de nascer
no orvalho.

Vem,
meu querido,
aninha-te em mim,
colhe a minha
 sede e fome de ti.

Deixa,
meu amor,
que o orvalho
seja nosso amigo,
confidente,
nesta madrugada
onde te nasces
e eu te amo.


quinta-feira, 7 de outubro de 2021

Quando te vais


 Para lá de mim,

acinzenta-se o horizonte,

quando tu te vais.


Deixas-me 

com o orvalho frio da ausência,

a saudade já presente no teu

derradeiro beijo.


Não te vás,

fica!

Ou leva-me contigo!

quinta-feira, 1 de julho de 2021

Por um triz


Por um triz,
coaram-se perfumes
em tuas mãos,
filtraram-se olhares,
semicerrados,
prontos a serem
devorados.

Por quase nada,
o mundo encheu-se 
de outros mundos,
estrelas
e luas cheias.

Por pouco, 
choveram flores,
pétalas e cores
sobre o tapete 
onde te abandonas
em meu regaço.

Sou feliz, por um triz.

 

sábado, 29 de maio de 2021

entrelaçados



No toque entremeado com o silêncio
correm brisas e ventanias,
em corpos famintos,
aquietados
muito depois do dia, 
dos instantes,
momentos e tempos 
para lá da ternura
suave da loucura.

Na pele quente,
 suada,
desenha-se o desejo de mais,
percorrem-se lonjuras
com mãos e pés,
preenchem-se vontades alargadas,
em nascentes sempre novas
de ti,
de nós.


 

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

Quarto


Há um quarto por aí,
na encruzilhada
de estradas
e caminhos,
onde nascem
pérolas,
rosas,
e outras
cousas  minhas.

Há um quarto por aí,
na linha do tempo,
onde cascatas
do teu ser
se derramam
em meus olhos
e a tua pele
me sacia
a fome de amor.

Há um quarto por aí,
no rio manso
da saudade,
onde sei de mim
ao percorrer
teu corpo
morno
por entre veludos
e ganas de te querer mais.


sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

vagarosas pressas



Há vagar
 no teu jeito,
em olhar estendido
para lá do visível.

São vagarosas 
as tuas pressas
no encontro
com minhas 
impaciências demoradas
ou velozes pausas.

Há pressas
no meu jeito,
em vontades à solta.
para lá do razoável.

São tardias horas
aceleradas na sofreguidão
do aperto do tempo,
pois 
as pressas são muito vagarosas...
(pelo menos para mim)

Pérola

terça-feira, 22 de novembro de 2016

beijo



quero um beijo
eternizado
de sabor a musgo
húmido
em tronco vivo
desapressado
segregado em tua boca
desejado
suspenso na suavidade
vagoroso 
de crescimento cristalizado
aqui
agora

quero um beijo
do teu corpo
com textura
de tua boca
para sempre
em mim

domingo, 3 de julho de 2016

há caminho

Rasga-se um caminho 
por entre  vontades esfaimadas,
corre-se em rota de colisão
buscando a interseção 
em pontos de corpos vulcânicos,
fusão embrulhada na pele,
no toque que arrepia só de olhar.

Abre-se passagem por entre 
umbrais de outro mundo,
abraça-se o outro como se fosse nosso
desviando estranhos seculares
em busca da totalidade do ser,
amor sagrado em momentos
de entrega,
em que tu és meu e eu sou tua.

sexta-feira, 11 de março de 2016

Partilha III


Confidência
"Diz o meu nome
pronuncia-o
como se as sílabas te queimassem os lábios
sopra-o com suavidade
para que o escuro apeteça
para que se desatem os teus cabelos
para que aconteça

Porque eu cresço para ti
sou eu dentro de ti
que bebe a última gota
e te conduzo a um lugar
sem tempo nem contorno

Porque apenas para os teus olhos
sou gesto e cor
e dentro de ti
me recolho ferido
exausto dos combates
em que a mim próprio me venci

Porque a minha mão infatigável
procura o interior e o avesso
da aparência
porque o tempo em que vivo
morre de ser ontem
e é urgente inventar
outra maneira de navegar
outro rumo outro pulsar
para dar esperança aos portos
que aguardam pensativos
No húmido centro da noite
diz o meu nome
como se eu te fosse estranho
como se fosse intruso
para que eu mesmo me desconheça
e me sobressalte
quando suavemente
pronunciares o meu nome."

Mia Couto

sábado, 5 de março de 2016

Somos JARDIM



Acontecemos nesse jardim
onde somos árvores plantadas
de raízes afundadas.

Nossos galhos secos reinventam-se
no fogo sem chama,
braseiro rubro com perfume de jasmim.

Existimos no beijo de lábios entreabertos,
no contorno de nossos troncos floridos
por onde a seiva escorre 
em florescências sem canteiro.

Rasgamos terras e ares em gomos do tempo, 
qual semente desabrochando
em alvoradas e crepúsculos
abraçando todas as plantas e flores do mundo.

Somos um só,
JARDIM,
onde tu és o viço 
e eu a flor.


quinta-feira, 3 de setembro de 2015

gosto. . . (-me)


Gosto de rodopiar 
nesse abraço que dói,
silenciar-me no teu riso,
ser feliz, 
mesmo assim.

(Podes ser sonho meu,
banda desenhada
em biblioteca monástica,
mas não me peças 
para cair 
no abismo do real.)



Não!
Não te solto 
dos meus braços sem força,
do meu corpo sem juízo,
dos meus pensamentos inconvenientes.

Brilho na fantasia
de me quereres,
gosto-me no romance
de me gostares também.



sábado, 18 de julho de 2015

Amor meu



O vento fez-se ao mar
e nele embarquei como clandestina.
Deixo-me levar
na ondulação uivante
como sopro vital.

Sou mar,
sou vento,
já nem sei.

Aporto noutro hemisfério,
continente desconhecido,
por onde deslizo
na respiração de ti.
como fantasma.

Abraço-te o sono,
beijo-te a respiração,
revogo-me em tua respiração,
na poeira da quietude
do vento quebrado.



terça-feira, 9 de junho de 2015

DesejosTalvez




Tem esse chão sem fim,
o horizonte muito para
além de mim.

Tem esse desejo dorido,
o mundo que
se quer colorido.

Tem meu grito mudo,
minha dor controlada,
até um dia.

Não quero ter !

Basta-me ser !

Talvez o olhar turvo
de paixão,
quiçá o instante
do êxtase
em que existes em mim.

Talvez a loucura
sem fronteiras,
peias ou correntes,
de sorrir,
por entre marés felizes,
onde tu e eu 
nos consumimos.





domingo, 19 de abril de 2015

Depois de ti . . .


Desdobro o cheiro ainda enlaçado pelo branco do lençol enrugado.

Que lhe importa?


A indiferença do seu poder cresce na impaciência da minha inalação.


O odor é tudo.


Percorre-me sem autorização, torna-me refém, prisioneira, ao sabor da minha entrega.


Nesta posse evaporada por entre dedos, sou-me no leito do ainda há pouco.


O cheiro não se alisa, mas continuo a desdobrá-lo . . .






segunda-feira, 16 de março de 2015

Tudo !




Não te disse já?
Quão tola sou!?

Agarro a lua,
sou o sol,
nada mais que o teu tudo.

Tolice minha,
a de querer ter-te
como luz dona das trevas,
devorar-te por inteiro,
ser buraco negro
de onde não queres voltar.

Fazes-me enlouquecer,
esquecer-me de ciclos,
fases ou tempos
pois se és o  meu tudo,
mundo sem fim,
por onde sou senhora de ti.

Deixa-me que te diga!
Ouve de mansinho!

Minha pele fala-te,
meu corpo te sussurra,
meu coração ecoa 
pelo infinito.

Não ouves?

Sou tudo
onde tu me és tudo.



quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

São gostos . . .



Gosto do olhar que me despe,
das palavras que me extasiam,
do húmido do teu corpo.

Gosto desses dedos marotos,
do que ainda ficou por fazer,
do tanto que me dás.

Gosto de desejos loucos,
vontades doidas,
alheias à sensatez,
do momento prolongado
nesse 'quero mais'.

Gosto do teu gosto,
das tuas conversas carnais,
dos sentires por onde me perco
e me sei.

Gosto do amor com cheiro,
sabor a pele
por entre bocas ávidas,
em bailado desvairado,
ao ritmo da nossa luxúria.

Gosto-te tanto . . .



quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Dramática



Quando te foste
veio-me à boca o doce
de te pedir para ficares.

Quando te foste
o vazio tomou conta de mim
como se a vida parasse.

Quando te foste
lancei-te um feitiço
para que te lembrasses de nós.

Quando te foste
esfumei-me na ausência do que sou 
quando estás aqui.

Quando te foste
catei as migalhas no lençol
do teu amor que desejo.

Quando te foste
desvairei nas sombras
tornei-me reflexo,
dramática amante
com nada.


terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Diz-me . . .



Diz-me que o amor é molhado,
como tua boca,
 regando meus lábios,
levando humidade tropical
por toda a superfície que sou.

Regas meus sulcos,
planicíes, planatos,
percorrendo minha geografia integral
com esse amor 
que sinto molhado.

És como chuva 
em terra fértil,
rastilho de explosão ensadecida,
por onde brotam sementes precoces,
desvairadas germinações.

Deixa-me desenhar-te
em gotas de suor,
minhas,
tuas,
o fogo molhado
que nos consome.

Vem uma vez mais . . .
diz.me que o amor é molhado!




sábado, 10 de janeiro de 2015

Como flor . . .


Trouxeste-me a simetria das flores
no eixo da tua boca molhada,
o perfume delas
no teu corpo que me inebria.

Trouxeste-me a suavidade das pétalas
na tela da tua pele
por onde me pintas
e me fazes flor.

Trouxeste-me a loucura da primavera
na explosão do teu olhar,
o silêncio do desejo
nas tuas mãos
com que me prendes
e chamas tua.