Aqui fica o meu grande agradecimento à talentosa autora do humoristico e propositado desenho.
Como o calor da saga 'Pingo Doce' parece já ter arrefecido, aguardando novo episódio que faça as delícias do povo português, apetece-me tecer opinião sobre o assunto.
* Ninguém me avisou dos saldos das couves, alfaces, arroz, entrecosto, carapau e familiares. Ouçam lá, não sabem que sou distraída e não ligo para as noticias? Fiquei zangada!
*Quando soube da iniciativa desloquei-me, vagarosamente, ao Pingo Doce a horas tardias, tinha acbado de fechar. Não podiam ter esperado por mim? Senti-me Enganada!
*Só me apercebi da magnitude do evento no dia seguinte. Os 'media' estavam cheios de imagens e noticias, a Blogosfera entupiu com tanto 'post' Doce. Não se falava de outra coisa. Parecia-me que a crise, Troikas e problemas similares tinham desaparecido por artes mágicas. Entrei em Estado de Choque!
*Após ler umas coisas sobre o assunto, ouvido o que se comentava, obrigaram-me a pensar no ocorrido. Tanta repetição, meu Deus! Onde pára a imaginação fértil do português? Comecei a debruçar-me sobre o assunto!
*Uma constatação: não vi ninguém com uma pistola apontada à cabeça, ou sob qualquer outro tipo de ameaça ou coação, nas filas do supermercado em apreço.
Tudo gente voluntária, a usufruir da sua liberdade, em pleno. Fiquei contente ao ter como Pátria um País livre!
*Porém (porque será que tem de haver sempre uma adversativa?), o que se dizia no pós-promoção não era nada bonito, pelo menos, para mim não o foi.
Então, os cidadãos que decidiram optar por gastar o seu dinheiro ( a pronto ou crédito-quem tem a ver com isso?-) são uma cambada de deficientes e não sabem o que fazem? Senti solidariedade!
*Interesses económicos, capitalistas, aproveitamento politico,..., como lhe queiram chamar (tanto me faz), à parte, a verdadinha é que há milhares de pessoas em sérias dificuldades neste País à beira mar plantado. Pergunta: os 50% de desconto não são de aproveitar? Ainda por cima em bens essenciais! Roída de inveja de quem soube aproveitar e desiludida pelo exercício da democracia!
*Senti uma falta de respeito pelas opções do alheio. Será que as pessoas só têm comportamentos adequados se pensarem igual a nós? Em suma, a liberdade não é isso mesmo: podermos escolher estar ou não estar na fila do supermercado bem como nas outras filas todas? (excepção aberta para Loja do Cidadão, Hospitais e colaterias). O Respeito e a liberdade, dois conceitos que não senti presentes!
*Resumindo (eu sei que já ninguem me lê nesta altura): porque o povo português não se une, desta forma ferverosa, nas causas que estrangulam o nosso País?
Fiquei com a sensação que enquanto persistirmos na nossa tacanhez, mesquinhez mesmo, nunca iremos passar da cepa torta.
Afinal, não há quem diga que se tem o País, os governantes, que se merece? Não é Portugal um reflexo de cada um de nós, dos nossos pensamentos, comportamentos e atitudes?
*Conclusão: Merecemo-nos?
Bora lá! "Anda comigo ver as promoções!"
Ouçamos o relato mixórdico dum "freguês":










