sábado, 7 de julho de 2012

Sopro

550171_290168714399044_199068730175710_645944_1014373579_n_large
Os sentidos estão dormentes, a mente passeia-se.
No mesmo instante, sonhos são trespassados pelo arrepio morno.
O ar em movimento faz tenções despertar a preguiça.
Esta recusa-se, convicta.
Um torpor apetecido, voando na atmofesfera da fantasia.
Insiste, a alheia cobiça que sopra; nova aragem é experimentada.
Instala-se renovado calafrio que materializa a realidade.

Ah! Afinal, és só tu que me massajas o pescoço com teus lábios, soprando, de mansinho, para me dares os bons dias.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

*Abraçar*

Na enovelada literatura de 'passagem', que repousa ao lado dos rolos de papel, num artigo da Men's Health, do ano passado, deparo-me com os 69 melhores conselhos sobre sexo.
Fico curiosa.
Não esquecendo que se trata duma revista dirigida ao universo masculino, o artigo tem assinatura no feminino.
A sensação, de que os homens ainda desconhecem os terrenos do sexo oposto, é muito forte. 
Para uma caminhada confiante, com destino satisfatório, garantido, considerações várias são tecidas.
Desta forma, mapas, indicações, GPS, dicas, recomendações, pareceres, advertências serão sempre bem vindos  pelos machos no intemporal propósito de agradar às fêmeas.

Por ora, detenho-me no conselho nº 38: "Abrace-a. Segundo o Instituto Kinsey esta é uma boa forma de disparar os seus níveis de oxitocina, ou seja de bem-estar. E assim está bem, ficará mais recetiva às suas propostas desonestas".
E, que me apraz dizer à cerca deste conselho:

*Então, não sabiam? O Abraço é das formas mais universais de mostrar afeto, de qualquer cariz. Para além dos beijinhos, abraçar está no topo dos meus favoritos.

*Por outro lado, caros rapazes, nós as meninas, adoramos propostas desonestas, ou ainda não perceberam? Claro que têm de ser elegantes, dissimuladas, sem prepotências. Nada de brutidades.
Somos tão fáceis de compreender! E de agradar!

Quantos mais manuais, artigos, tratados terão, ainda, de ser redigidos?

Amizade Blogosférica

A amorosa Ana ofereceu-me este selo lindo. O meu sincero obrigado à minha querida amiga.
Regras:-Dizer pelo menos um facto sobre mim;
-Enviar a 5 pessoas.
Facto:Sou uma mulher com mais dúvidas que certezas. Nem queiram saber a proporção. 

Enviar a 5 pessoas:
Ofereço a todos os que se considerem meus amigos ou amigas blogosféricos
.

Vamos lá a ver quantos 'amigos da onça' tenho.
Fazem o favor de me virem avisar que o levaram para eu fazer a 'contabilidade' às amizades.

Veio o Edumanes e comentou:
O selinho vou levar
Mas não sou teu amigo da onça
Antes ser de Peniche,à beira mar
Amigo verdadeiro não faz bronca!

Mais um podes somar
À tua contabilidade
Desde já te vou avisar
Mais gostoso amor em liberdade!

Desculpa tudo isto
O que estou para aqui a escrever
Do selinho não desisto
Mesmo que me mandes prender!

Na mesma cela com o amor
Para frio lá não ter
Ambos debaixo do mesmo cobertor
Presos pela união do prazer!


Um amigo, de verdade, e talentoso como só ele.

Agradeço-lhe todas as rimas com que me presenteou.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Instante

* I N S T A N T E *
São parcas as ocasiões em que me deleito com a tua companhia. Momentos que agarro com  fúrias de egoísmo.
O teu olhar não o solto, teimo na persistência do contacto visual.
Eternizo as eminentes súplicas do teu corpo suado.
Abraços veementes persistem na minha lembrança, intensos, quase doridos. Quero sempre mais!
O tempo pode contá-lo em segundos, escassos momentos. Contudo, para mim és a eternidade que me vivificas e manténs a respirar.
Cada toque, cada carícia, cada beijo, cada suspiro, cada palavra, cada gesto são representações de uma vida completa, cheia, plena de amor irrepetível.
O teu instante é todo o meu ser.
Basta-me!
Bastas-me!
Clamo por ti, por cada instante, onde o meu âmago se torna deveras genuíno, em que me dissipo em ti.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Negro Profundo ( 11 )

Sim! Conhecia estas tradições de casamentos arranjados em tenras idades. Nunca se tinha apercebido, verdadeiramente, que a sua amiga fazia parte dessas tradições.
Olhos negros, quase pretos, os de Samara, pareciam-lhe, na manhã que despontava, ainda mais vivos, pela tristeza que se liam neles.
Samara, desnorteada, começava a reagir. Uma coisa tinha a certeza: não queria o casamento, pelo menos por agora. Até simpatizava com o noivo. Porém, nunca lhe ocorrera tais negociações nas suas costas de menina-mulher.
Encetaram um diálogo de mata/esfola e resolvem pedir a opinião adulta dos pais de Matilde.
Dirigem-se ao quarto dos proprietários da Herdade que já se encontram a pé. Pasmados, com as madrugadoras meninas, ficam em cuidados, querendo saber o que se passa.
Precipitam-se na narração, atrapalham-se nas palavras e não conseguem ser entendidas.
O pai de Matilde, com a calma que os anos lhe tinha trazido, pega nas meninas, pela mão, senta-as na 'chaise-longue' do quarto  e pede-lhes que lhe contem tudo, desde o início, devagar, uma de cada vez.
Matilde olha de forma compremetedora para Samara. Esta toma folêgo e começa a narração das decisões tomadas pelos progenitores que conduziram às suas.
O casal, entendendo o drama de Samara, nem se mostraram surpreendido. Encontravam-se ao corrente  destes hábitos, dos casamentos precoces e sem aprovação ou conhecimento dos envolvidos. As amigas, ao verem a reação tranquila dos adultos, indignam-se e reclamam uma qualquer ação.
O pai de Matilde, O srº Teles, homem ponderado e conhecedor da vida, promete a fala com Manolo, pai de  Samara.
Como as horas do início das aulas se aproximava, ordenaram às meninas que se preparassem. Havia o pequeno almoço a ser tomado e depressa, o Srº Tavares as levaria, de seguida, à escola secundária que frequentavam, no nono ano.
Contrariadas, mas sem alternativa, fizeram o que lhes tinha sido determinado.
(continua)

Acaso


Foi um acaso. Nada fiz, nada planeei.
Surgiste, fortuitamente.
Sem aviso, sem apresentações.
De início, conversas pueris. Sem objetivos, isentas de finalidades.
A dinâmica da comunicação conduziu-me a sentires não estreados.
Mescla de físico e espiritual.
Improvisei uma defesa.
De nada me serviu, não a consegui erigir.
Rendi-me, sem lutas, ao teu sorrisso, a Ti.
Roubaste-me um beijo.
De bom grado me despojei deles e coisas mais.
Era tudo teu, é tudo teu, sou toda tua...por Acaso!

terça-feira, 3 de julho de 2012

Serviço Nacional de Saúde

RECOMENDO!
Pelo menos na vacinação!
Passo a explicar: dirigi-me, com uma linda criancinha pela mão, ao Centro de saúde, para a vacina obrigatória.
A enfermeira, solícita, após ter vacinado a menina que se portou de forma a servir de exemplo a muitos adultos, vira-se para mim e pergunta:
-'A sua data de nascimento, por favor'.
Já sabia as consequências. Tenho o médico de família a ralhar-me com as vacinas em atraso sempre que vou à consulta. Ainda pensei em fingir um desmaio, mas poderia parar no hospital e seria pior.
Lá balbuciei os número a que correspondem a minha vinda ao mundo. Descobri que há mais duas pessoas que fazem anos no mesmo dia que eu, neste Centro.
Manda-me sentar, sempre a falar, conta-me que utiliza sempre as agulhas de bébés, mesmo nos adultos. O Estado paga e não quer as vacinas e agulhas para nada. São para serem administradas e ponto.
Eu choro, tento explicar, tenho alergia às agulhas, fico envergonhada.
Não se atrapalha a srª enfermeira, puxa da agulha de bébés, vai falando das mortes de adultos com tétano e os que não morrem podem ficar com graves problemas neurológicos. Para além do mais o tétano pode-se apanhar no alcatrão (sabiam?) e noutras coisas que se me varreram.
Já administrada e pensinho no braço, puxa de outra agulha e diz que tenho de levar a VASP (conhecem?).
Mas, já tive rubéola, tento escapar. Não interessa, morrem pessoas no Norte da Europa de sarampo, não podemos arriscar. Ainda tento argumentar que vivo mais a sul na Europa. Já de seringa em riste, lança-se ao outro braço (pois, não posso levar as duas no mesmo braço), vai falando sobre a autorização e a promessa que tive de assinar em não engravidar nos próximos  três meses.
Já foi! Novo pensinho. Afinal nem dei por nada.
Limpo as lágrimas.
Elucida-me que posso e devo levar o meu boletim de vacinas (logo que o encontrar) para ser atualizado.
Excetuando a quarta feira, dia em que fecham a vacinação e vão à caça de crianças 'abandonadas' cujos progenitores não levamà vacinação.
Mostra-me uma caixa de vacina do cancro do colo do útero e o seu preço, mais de 150€. O Estado paga, investe e as pessoas têm de ser obrigadas. Não compreende.
Eu, atordoada, com as picas e informação que não cessava, venho com a certeza de que afinal algo funciona neste país: Há enfermeiras profissionais que fazem valer a pena dizer que sou portuguesa.
E, viva a vacinação!
Prometo não falhar mais nenhuma...quer dizer, conhecendo-me, é melhor não prometer nada.
Mas, fica o registo do bom funcionamento do serviço.
Não devemos só falar quando as coisas correm menos bem.
Otimismo precisa-se neste paraíso à beira-mar plantado.
E, vocês, têm as vacinas em dia?

Omissão

De olhos baixos, cruzo passeios de pedras desniveladas.
Pesados, os ombros descaem.
Arrasto culpas pouco dignas.
Pecados confessados no silêncio do monólogo.
Olhar ausente, vislumbrando ocasiões delituosas.
Humilhação de corpo e mente, necessárias,  escusadas?
Rojo o meu eu por espaços lamacentos, nublados, aguardando expiação justa.
Ensaio remição do penhor pesado que me curva, que me tolhe, que me esvazia, que me desumaniza, que me faz soltar gemidos não consentidos.
Fatigada, exaurida, fatigo quem não devo.
Esmero-me em vãs  tentativas de salvamento que derivam em enfados acrescidos.
Sinto-te distante.
Como te poderás aproximar de sombra fugidia, sobrecarregada com fantasmas indecifráveis?
Não me conheço, tarefa inglória para outro qualquer.
Com desenlace inexistente, retomo trilho, prolongando a jornada  custosa.
Por minha culpa, por omissão.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Negro Profundo ( 10 )

Samara não percebeu à primeira. Todos a rodeavam, dando-lhe os parabéns. Felicitavam-na. Tinha sido disputada entre dois pretendentes. Ganhara o mais abastado. Que sorte a dela! Catorze anos e já noiva, quase casada. A família não podia estar mais feliz. 
A pequena sentou-se, atordoada. Levou tempo a digerir a informação, no intervalo dos beijos e abraços.
Quando deu cor de si, levanta-se e dirige-se  ao pai dizendo que é muito nova, não quer casar. Tão simples: quer continuar a estudar e deixar o casamento, talvez, para mais tarde. O pai não entendendo a filha, embriagado pelos festejos, despede-se, dando-lhe ordens para se deitar. De manhã teria tempo para se aconselhar com as mulheres da família. Que procurasse apoio na irmã mais velha.
Sob o efeito do transe, foi conduzida à sua cama, no meio de vivas e palmas.
Não se lembrava de ter adormecido ou acordado.
Recordava-se de se ter levantado com o Sol e dirigiu-se à casa principal das Mimosas.
Entrou pela porta da cozinha, como era hábito e dirigiu-se ao quarto de Matilde. Ainda era cedo para a escola, Matilde acorda mal humorada. Quando vê a amiga pergunta se está atrasada.
Desde os seis anos que Samara a acompanha todos os dias à escola, tendo aproveitamento em todas as matérias. No Outono recuperava as lições que havia perdido na última primavera. Desta forma, Samara não ficava atrás da inteligente amiga.
Sem deixar Matilde  levantar-se, Samara atira-lhe com um 'vou-me casar' que fez cair Matilde nas almofadas, de surpresa.
Matilde, não acreditando, começa  a rir e a acusá-la 'porque me acordas com parvoíces? Podia estar a dormir!'.
O silêncio de Samara traz Matilde à realidade.
(continua)

Sem Cor


Atônita, reparo que o verde sumiu nos teus olhos,
o azul evaporou-se nas copas das árvores,
o Sol retirou o amarelo do horizonte, das flores,
o vermelho tingiu balões de  sonho que voaram,
com o roxo, fizeram uma execução sumária.
Pouco a pouco, sem avisos, todas as cores desapareceram.
Restam-me os cinzas e as suas nuances. Meras réstias, sobras de sentimentos corados.
Despida de cor, empalideço, miro sombras de realidades com existência finda.
Pasmada, continuo, na vã procura, duma esperança, de sobejos de cor.

domingo, 1 de julho de 2012

Lançamento Colectânea

Satisfeita a minha curiosidade, eis-me prontinha para vos contar o que se passou no lançamento de um livro com dezenas de autores.

A Fábrica de braço de Prata foi  pequena para receber tantos autores, familiares e amigos.
A Pastelaria Studios aproveitou para promover as suas edições ao mesmo tempo que a colectânea 'Cor Bamba' era lançada. Como já referi, sou uma das co-autoras. Foi com um sorriso que (re)descobri quão pequeno é o Mundo. Teresa Queiróz conhecia quase todos os presentes bem como se conheciam entre si. Um novo Mundo que espreitei e onde gostei de me sentir misturada.

Não posso deixar passar a ocasião para anunciar o meu contentamento ao conhecer o Rafeiro Perfumado em carne e osso.
Um verdadeiro senhor, em todos os sentidos da palavra.
Para além do mais, duma simpatia não espectável.
Só este novo amigo fez valer a pena a viagem.

Findo o Desafio das amantes, após o lançamento da minha crónicazita, com o conhecimento real duma referência blogosférica, posso resumir, estes meus 5 meses por estas esferas, como uma entrada extremamente positiva.
Não menos importante, ainda há a acrescentar as amigas e amigos que tenho vindo a conhecer e que são umas/uns amorosa(o)s e querida(o)s para lá do bom.
Não os vou mencionar: sabes que me dirido a ti, específicamente.
Já tens um lugar cativo no meu coração! 

Enquanto falo de mim, fica à vontade. Pergunta o que quiseres e mata a tua curiosidade. Depois vem cá espreitar a resposta.

P.S. Não há lugar a agradecimentos, porque, entendo, que a amizade, como forma de amor, é gratuita, livre e expontânea.

Negro Profundo ( 9 )

De rompante, encontra-se no acampamento, lendo as folhas, manuscritas, com os seus poemas prediletos. Ainda há pouco os deconhecia. Como a vida pode ser engraçada, pensava para si.
A mãe vem avisá-la de que o pai quer falar com ela. O semblante transfigura-se-lhe.
Para quase tudo a autoridade da mãe bastava. Só os casos especiais e de suma importância estavam reservados à alçada do pai.
Levanta-se, volta a entrançar os longos cabelos negros e dirige-se à tenda principal, onde os mais velhos estão reunidos.
Apesar de preocupada, a sua altura e porte de mulher permitem-lhe o desembaraço.
O pai chama-a para perto de si. Prega-lhe um sermão, em poucas palavras, sobre as virtudes da família, como era seu apanágio e acrescenta que tem um presente para ela. Samara cora, não era habitual ser alvo de mimos e atenções especiais, muito menos da parte paterna.
A sua irmã mais velha, casada e grávida, nos seus inexperientes dezasseis anos, sorri-lhe e dá-lhe a mão. Samara ainda lhe lança um olhar interrogativo. A irmã devolve-lhe um nervoso risinho cúmplice.
A menina/mulher começa a não achar piada ao clima que se respira e sente. Vozes sussurradas, enfim, uma festa em surdina.
Samara, julgando-se motivo de chacota, reclama explicações, mostrando uma faceta nada habitual,  no seu comportamento.
A mãe põe-lhe as mãos sobre os ombros, acalma-a, dizendo que estão todos muito felizes, para não se alarmar.
O pai, chamado ao seu papel de mensageiro e chefe da trupe, anuncia o que todos já sabem exceto Samara: "Parabéns! Filha, tens noivo. Vais casar daqui a dois meses."
(continua)

sábado, 30 de junho de 2012

Amantes do verão ( dia 30 )

Uma palavra que defina o verão...e este desafio!

Chegada ao último post das 'Amantes', fico surpreendida: comigo e com a militância de tantas meninas.
Sobrevivi e mais do que isso, cumpri, quotidianamente, o que era proposto.
Melhor, pior, uma parvoíce, um despropósito, uma brincadeira, não me interessam catalogações.
O que nesta hora interessa realçar é, à laia de análise e balanço, tanto do verão como do desafio:
a DIVERSÃO
Encontrada a palavra mais apropriada para definir o Verão, em geral, e simultâneamente, este Desafio, em particular, posso entrar na farra do encerramento.
Diversão: Sinónimo de festa, calor, pouca roupa, música, conversas, troca de mimos, surpresas, suor, paródia, dança, copos, praia, amor,... e porque não trabalho?
Let'go go Party!!!
 
P.S. Não posso deixar a ocasião sem sugerir, no evento do próximo ano, uma participação dos meninos da blogosfera, na versão de amantes no masculino.
-The End-

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Convite

É já HOJE!
Aos Amigos e Amigas Blogosféricos e arredores!
Como uma das dezenas de  autores, dos contos desta colectânea, penso vir a estar presente na apresentação do livro, conforme o convite acima.
Sintam-se convidados!
Com presença confirmada do Canídeo mais bem cheiroso da Blogosfera, O Rafeiro Perfumado , o sucesso está garantido.
Finalmente terei um autógrafo.
Aguardo o evento, é tudo novidade para mim.
Apareces?

Amantes do verão ( dia 29 )

Uma paisagem de verão...

iguatemiportoalegre.com.br
E porque já é verão e ninguém leva a mal, não resito a escolher uma paisagem nuito verão e vintage. Não podia ser mais trendy.
Como podem verificar a 'onda' vintage invadiu as passereles. Não posso deixar de mergulhar nela e apreciar as tendências.
Há para todos os gostos, tudo depende das inclinacações de cada um(a).
Cá por mim, fico-me pela avaliação dos items que desfilam e mais logo direi quais os panoramas ganhadores.
P.S. Repararam, certamemte, que o desfile se encontra dentro duma onda, literalmente?
Pois, a onda é uma paisagem, por mim, muito apreciada.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Negro Profundo ( 8 )

A noite já ía alta, perdera a noção do tempo. Os lamentos, espaçados, fizeram-na voltar ao presente. Doía-lhe o corpo da posição em que se mantivera nas últimas horas. O combustível tinha acabado nas lâmparinas sem vida. O ambiente ainda era mais tétrico  do que se lembrara.
As pessoas presentes, identificava-as pelos vultos. Eram-lhe familiares. Apenas a avó Aurora lhe dirigira a palavra, mostrando carinho, até.
Faltava muito tempo para o funeral.
Acomoda-se, sente os olhos pesados, doridos, a arder, consequência de tanta lágrima derramada. Ensaia um abandono ao colocar sua cabeça perto do ventre inerte de sua mãe. Vencida pelo cansaço, dormita e flashes do passado atormentam-na. Volta à Herdade, aos seus catorze anos.
Esse dia tinha-lhe sido especial. Na reunião diária dos 'Cinco das Mimosas', João partilhara a descoberta da Lírica Camoniana. Temporão, as hormonas já lhe tinham despertado instintos adultos. Na aula de português as palavras de Camões tinham-lhe falado ao coração e nunca estivera tão atento a uma lição.
Enquanto declamava " Amor é um fogo que arde sem se ver", na penumbra da adega onde se refugiaram nessa noite de Fevereiro, o irmão, Luís absorvia cada sílaba bem como Samara. Apenas Matilde e o pequeno António se encontravam distraídos na caça a uma família de aranhas que teimava em não se desalojar.
Luís olhava Samara duma forma nova enquanto o mano entoava as palavras "...É querer estar preso...".
Os frémitos que sentia, não os sabia explicar. Seria o poema do grande poeta? Seriam os olhos de  Luís? Não se percebia. Já tinha lido muito sobre a adolescência, mas não associou. Estava demasiado envolvida.
(continua)

Amantes do verão ( dia 28 )

Uma sombra no verão...
Uma fonte de luz pode dar origem às sombras se houver uma interposição de um qualquer objeto.
Com o  Sol e a sua claridade escaldante é impossivel viver sem sombra, principalmente no verão!
O que nos vale é a imaginação para inventar objetos que promovam sombras sem as quais pereceríamos.

Por outro lado, a sombra pode significar ' Cosmético destinado a dar cor à zona das pálpebras'.
Aqui, entra-se em terrenos mais estéticos e de fácil delineação.

A escolher uma sombra no verão, opto pela sombra do que sou, do que fui...
Uma silhueta de mim...

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Negro Profundo ( 7 )

Samara vivia bem integrada na sua família e tradições intrínsecas. Porém, o convívio alargado com outras realidades, bem como a escola, proporcionavam-lhe pensamentos incomuns para a sua idade e no meio dos seus.
Precoce, tudo aceitava com um ponto de interrogação. Não provocava conflito, mas não era passiva.
As brincadeiras do Quinteto eram as suas favoritas. Disposta a todos os desafios, apresentava-se sem reservas, sendo elemento não dispensável.
Matilde costumava troçar  da sua nítida preferência por Luís. Até lhe costumava cantar um 'Gostas do Luís!!!', numa música improvisada e com letra repetitiva.
Samara não mentia. Na sua inocência, sentia-se incomodada com as provocações ingénuas da amiga. Custava-lhe admitir a sua atração pela maneira de ser do Tavares do meio. Nem a sabia explicar.
Replicava a Matilde, argumentando que ele a compreendia como ninguém. Esta, inocentemente, acatava as desnecessárias explicações e esquecia-se da implicância, até a cantilena lhe voltar  ao pensamento.
Quando as brincadeiras se esgotavam, João, na sua tendência de  líder, logo propunha uma série de atividades que levava a votação. O mano 'Cabeça no Ar' não lhe dava importância e armava-se se espada, improvisada, em cavaleiro numa qualquer demanda imaginária.
Samara arrepiava-se com os ares  do amigo, deixando-se levar pela imaginação. Juntos formavam, sempre, o par romântico se a 'peça', em questão, o requeresse.
E, com estes amigos, tinha passado os melhores momentos da sua infância e juventude.
(continua)

* Nada *


Indolente,  a preguiça instala-se.
Cai dengosamente  em cama sem dono.
Apática, faz tenções de nada ouvir.
Horas de ócio pela frente.
Entre vagares, escorre-se de si.
Desliga-se, entrando em mundificações, só dela.

Amantes do verão ( dia 27 )

Os meus óculos de sol...
pt.aliexpress.com

Não li, em nenhuma regra do Desadio das Amantes, restrições ao tempo verbal da posse dos meus óculos de Sol.
Tenho alguns que não uso. O motivo não será a falta que me fazem. Detesto andar catrapisca com a intensidade luminosa do Sol, no verão.
Talvez por falta de hábito e porque começam a incomodar-me com o calor.
Ao deparar-me com estes, de mp3 incorporado, parecerei uma Et, não dúvido, mas feliz, ouvindo musiquinha que me transporta para outras dimensões.
Desconheço se serão desconfortáveis ou pesados.
Assim, conto com as opiniões dos instruídos expert na matéria.
Farei uma boa aquisição com estes óculos kitados? Ou é melhor cingir-me aos clássicos Ray Ban?
Aceito sugestões, que aconselhas?

terça-feira, 26 de junho de 2012

Negro Profundo ( 6 )

A pequenada do acampamento preferia os afazeres próprios dos mais velhos, modelos a seguir. Não tardaria muito e seriam eles a dar continuidade às tradições.
Samara, no entanto, adivinhava outras vidas, outros sentires e sonhava acordada, encarnando personagens com vida própria. A de dentista era a sua eleita. Gostava de se imaginar, com bata branca e instrumentos vários, dar vida saudável às bocas desdentadas dos velhos do clã.
Matilde, menina curiosa, apreciava a companhia de Samara naqueles meses de noites longas. Os pais permitiam-lhe o convívio e incentivavam a sua faceta  protetora ao abrirem as portas da intimidade de sua casa aos olhos ávidos de Samara.
Uma amizade partilhada onde se desconhecia quem ficaria a ganhar mais. Matilde, conhecia, pelas histórias simples de Samara, outros modos de enfrentar  os pequenos dilemas  do quotidiano e, esta, aproveitava a veia de professora da amiga absorvendo tudo o queMatilde lhe ensinava.
As duas pequenas costumavam juntar-se aos filhos do caseiro da Herdade. Da família Tavares, como gostavam, orgulhosamente, de ser apelidados. Três rapazes com um ano de diferença. Com as duas meninas formavam os "Cinco das Mimosas", auto batismo, originado numa das tardes em que se reuniam para ler à vez. Uma singela homenagem à sua escritora de eleição, Enid Blyton, e à saga dos famosos Cinco, que conheciam  de trás para a frente.
João, o mais velho, assumia a responsabilidade do grupo com ares, afetados, de adulto. Luís, o 'Cabeça no Ar' do grupo, sempre sonhador. António, o 'Benjamim', qual amuleto, protegido, reclamando atenção, chamava Luís à Terra.
(continua)

? Casamento ?

Impõe-se um esclarecimento:
A minha amiga blogosférica vai-se casar e quero  parabenizá-la em primeira mão.
Pretendia pesquisar vestidos de casamento para discutirmos detalhes, rendas, decotes,  folhos, adereços, enfim coisas de mulheres.
Para meu espanto, a net, o Google estão nesta onda, também. Vestidos, noivas, há-os aos milhares. A dificuldade está na escolha.
Quanto aos noivos, ou aparecem o par (noiva+noivo) ou noivos (homens) cartoonados.
O casamento, coisa comum aos dois sexos até há pouco (com a liberalização do casamento aos homosexuais pode-se tornar pertença de um só género), sempre foi, e ainda é, domínio do e no feminino.
Nem sei porque me espanto. Aos casamentos a que já assisti, as noivas são as protagonistas. Até se costuma ter um pouco de piedade para com as mães dos noivos por casarem seu filho muito amado e quase ninguém lhes ligar pevide.
Nunca me tinha debruçado muito sobre o assunto, mas há estudos que explicam estes fenómenos sociais.
À falta de maior originalidade aqui ficam uns noivos minhotos, em Portugal no seu melhor. Aconselho-a a seguir o modelo. Os ouros dão jeito para vender em épocas que não se adivinham de bonança e a roupita com uns arranjos podem ter outros usos.
 
 feitoria.com.pt
Por outro lado, apesar das taxas de divórcio estarem em crescendo e ser  fácil o seu acesso, bastando aceder ao Portal do Cidadão onde tudo lhe é explicado tim tim por tim tim, eu recomendo um casamento mais do género:
 
Com praia e muito amor à mistura onde não se vislumbrem sombras.
P.S. Desculpa, querida, vou tentar fazer um post mais animador.

Amantes do verão ( dia 26 )

Um outfit de verão...

Revolvi o roupeiro.
Como objetivo: roupa prática, fresca, pronta para veraneio.
Tudo 'Made in Portugal', como convém.
* Camisa Ana de Sousa em rosa feminino. Pelo acabamento do decote dispensa colares ou fios.
* Calças justas, brancas,da Lanidor, com elastina para maior conforto.
* Sandálias em madeira, com tiras, branco, rosa e dois tons de verde, em pele, Seaside.
* Mala verde, leve, da Lanidor. Grande para caberem todas as tralhas indispensáveis a uma mulher.
P.S. Depois desta experiência, é maior o meu apreço pelos  fashionist blogers. Escolher e fotografar roupas é tarefa árdua, de forma a que resulte. O que não é o meu caso, mas Desafio oblige.
 

Porvir...

Lança-se a semente.
Deposita-se esperança.
Nascem realidades inesperadas.
Ao sabor das ventanias da vida, crescem ilusões.
Somam-se vãs certezas.
Trancafiam-se verdades, anos desperdiçados.
Vislumbram-se porvires fantasmagóricos.
Agarrando pó, vai-se mais além.
Fustigados pela realidade, perde-se forças.
Migalhas desorganizadas de gente arrastam-se em agonia.
Sonham-se máscaras fantasiosas de projetos quiméricos.
Sem rumo, o horizonte usurpado  e sementes equivocadas.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Negro Profundo ( 5 )

As primeiras lembranças remontavam ao nascimento do seu irmãozinho, Igor. Tinha quatro anos. Proibida de entrar na tenda, ouvia os gritos da parturiente até que uma amostra de bébé lhe foi apresentada como membro da família. A pele avermelhada, as caretas inumanas, tinham-na impressionado. Recusara o convite de lhe pegar ao colo e refugiara-se na árvore centenária da herdade onde acampavam todos os finais de verão até por alturas do regresso do bom tempo.
Perdia-se nas brumas da memória coletiva o ínicio de tal tradição.
A Herdade das Mimosas dispensava, todos os anos, amplo prado, na zona de um monte, com casario em ruínas, onde se chamava lar durante meses. Preferia este lugar ao mais a norte, onde eram acolhidos nos meses mais quentes.
É verdade que as sombras, em maior número que tornavam suave o calor estival, o curso de água, cristalino e abundante,  fonte de intermináveis brincadeiras, eram uma escolha sensata.
Mas, para Samara nada se comparava à extensão, sem fim, da paisagem alentejana. 
A preferência da menina, contudo, prendia-se, mais, com as amizades que travara com a filha dos proprietários da Herdade, Matilde, de idade próxima da sua, e com os filhos dos caseiros.
Os pais permitiam-lhe o acesso à escola durante a permanência por terras de Mimosa e Samara tirava proveito dos livros emprestados pela sua grande amiga. Com eles aprendera a ler, a saber de outras vidas, a conhecer animais exóticos e até a saborear palavras, sem sentido, das poesias,  que declamavam com encenados jeitos teatrais, no meio de vacas que as olhavam com indiferença.
(continua)