RECOMENDO!
Pelo menos na vacinação!
Passo a explicar: dirigi-me, com uma linda criancinha pela mão, ao Centro de saúde, para a vacina obrigatória.
A enfermeira, solícita, após ter vacinado a menina que se portou de forma a servir de exemplo a muitos adultos, vira-se para mim e pergunta:
-'A sua data de nascimento, por favor'.
Já sabia as consequências. Tenho o médico de família a ralhar-me com as vacinas em atraso sempre que vou à consulta. Ainda pensei em fingir um desmaio, mas poderia parar no hospital e seria pior.
Lá balbuciei os número a que correspondem a minha vinda ao mundo. Descobri que há mais duas pessoas que fazem anos no mesmo dia que eu, neste Centro.
Manda-me sentar, sempre a falar, conta-me que utiliza sempre as agulhas de bébés, mesmo nos adultos. O Estado paga e não quer as vacinas e agulhas para nada. São para serem administradas e ponto.
Eu choro, tento explicar, tenho alergia às agulhas, fico envergonhada.
Não se atrapalha a srª enfermeira, puxa da agulha de bébés, vai falando das mortes de adultos com tétano e os que não morrem podem ficar com graves problemas neurológicos. Para além do mais o tétano pode-se apanhar no alcatrão (sabiam?) e noutras coisas que se me varreram.
Já administrada e pensinho no braço, puxa de outra agulha e diz que tenho de levar a VASP (conhecem?).
Mas, já tive rubéola, tento escapar. Não interessa, morrem pessoas no Norte da Europa de sarampo, não podemos arriscar. Ainda tento argumentar que vivo mais a sul na Europa. Já de seringa em riste, lança-se ao outro braço (pois, não posso levar as duas no mesmo braço), vai falando sobre a autorização e a promessa que tive de assinar em não engravidar nos próximos três meses.
Já foi! Novo pensinho. Afinal nem dei por nada.
Limpo as lágrimas.
Elucida-me que posso e devo levar o meu boletim de vacinas (logo que o encontrar) para ser atualizado.
Excetuando a quarta feira, dia em que fecham a vacinação e vão à caça de crianças 'abandonadas' cujos progenitores não levamà vacinação.
Mostra-me uma caixa de vacina do cancro do colo do útero e o seu preço, mais de 150€. O Estado paga, investe e as pessoas têm de ser obrigadas. Não compreende.
Eu, atordoada, com as picas e informação que não cessava, venho com a certeza de que afinal algo funciona neste país: Há enfermeiras profissionais que fazem valer a pena dizer que sou portuguesa.
E, viva a vacinação!
Prometo não falhar mais nenhuma...quer dizer, conhecendo-me, é melhor não prometer nada.
Mas, fica o registo do bom funcionamento do serviço.
Não devemos só falar quando as coisas correm menos bem.
Otimismo precisa-se neste paraíso à beira-mar plantado.
E, vocês, têm as vacinas em dia?