segunda-feira, 20 de junho de 2022

nada Querer


 O reparo descia-lhe pelo regaço

em espera descuidada,

como criança inocente

lambuzada por doces proibidos.


Que lhe importava?


Pois se tudo 

nunca bastava,

quedava-se 

em imperfeições,

de moldes múltiplos.


Permitia as vozes oferecidas,

os humores de outros,

tamanhos que não lhe serviam,

águas de fontes forasteiras.


Até aquele último reparo 

foi acolhido,

na sua indiferença cuidada.


Era ferida em sangue

zelada pela firmeza

de não aquietar-se

com receios estéreis,

envolta numa serenidade saudável

de tudo esperar e nada querer.

5 comentários:

Cidália Ferreira disse...

Grande verdade a do postit.
Adorei o poema. Obrigada pela partilha!
Voltei a este cantinho que tinha perdido de vista!:)
-
Coisas de uma vida |A ilusão...

Beijos, e uma excelente semana.

José Carlos Sant Anna disse...

Deixai estar aqui entre os seus versos!
Beijo de Tão Preto!

AFlores disse...

Divagações...
Continua a ser bom passar por aqui. :)
Tudo de bom querida amiga.

Francisco disse...

Bem verdade

Belo poema e boa semana

Beijinhos

Pedro Coimbra disse...

Nada querer é triste.
Bjs