sexta-feira, 1 de junho de 2012

Amantes do Verão ( dia 1 )

O verão da minha infância...
Autor: Mário Alves Roque
Nascida e criada numa vila, pertinho do Centro Geodésico de Portugal Continental, os meus primeiros anos de existência foram felizes, com toda a sua simplicidade.
A localização, a mesma distância até beira-mar quanta a que dista da raia fronteiriça, moldaram-me nesse centro de equilibrio. Os extremos não existiam: nem montanhas, nem planicíes; nem água a perder de vista nem deserto sem fim. 
Assim como os sentimentos, sempre moderados e sem inquietações.
Os verões eram época de sair de casa. Fosse juntar-me com os amigos de rua fosse passar dias em plena natureza: à beira de rios, ribeiros, barragens.
O que importava realmente era o viver sem paredes, sem horários e restrições,  a merenda, o sair de casa cedinho para não apanhar calor e estender-me ao comprido sob as frondosas árvores que ladeavam  o leito dos regatos em questão.
Sempre presente a  água! Imprescindível para estes dias compridos, de temperaturas que faziam cantar as cigarras.
Foi precisamente no açude, que ilustra esta post, com aquelas pedrinhas (onde escorreguei e caí tantas vezes) a imitar cascata que aprendi a nadar. Tinha sete anos. Um verão inesquecivel!
'Penedo Furado' é o nome desta praia fluvial (modernices! no meu tempo era desconhecido e pouco frequentado), a poucos km de Vila de Rei.
Debaixo do olhar atento do progenitor, ia tirando o pé do chão e aguentando-me a bracejar conforme indicações.
Horas de muita dedicação, posso ser uma aluna lenta, mas compensou.
Aprendi a nadar no Penedo Furada! E, não só, também a boiar. Como gostava de me esticar na água fresca do rio, descontraindo para não ir ao fundo, olhando o azul do céu e as serras em volta.
Sempre que me falam em verão, penso logo naqueles dias longíquos, onde vivia naquela zona mediana, que se me torna essencial nos dias de extremos, onde sobrevivo.
Ser amante do verão tem raízes na infância. A água, outorgante indispensável para compensar o ardor causado pelo Sol, estrela que muito contribui para este amor.

18 comentários:

aNaMartins disse...

ai eu cá consigo imaginar o teu verão.. parece-me que foste muito feliz na tua infância! E como foi bom recordar não é? Também já respondi ao desafio.. deu-me cá umas saudades..

beijinho querida. Um feliz para ti

Rafeiro Perfumado disse...

Passei muitos verões perto de Coimbra, mas a mim não era a água que me atraía, eram os pinhais. Muito gostava eu de me "perder" no meio das matas, de inspirar aqueles cheiros tão naturais. E ainda hoje, sempre que posso, fujo das férias na praia para ir para o meio da natureza. Beijoca!

aflores disse...

O Verão para mim era sinónimo de dias quentes e fugir do calor escondendo-me debaixo da mesa ou da cama.Nunca gostei do calor exagerado. (morei muitos anos numas águas furtadas, muito, muito, muito quentes)

Mas este "teu verão"... ui, deixou cá um apetite para um mergulho, ó se deixou.

Tudo de bom.

Opinante disse...

Obrigada pela partilha :D

Era tudo muito genuíno..

✿ chica disse...

Que coisa linda teu verão de infância e como tu, adoro água! Imagino o quanto deva te sido bom m um lugar assim...Adorei ver!beijos,chica

Mona Lisa disse...

Hummmmmmmmmmmmmm...adorei o teu Verão de criança.

Precisava de um assim, agora!

O meu, em criança, foi sempre passado junto ao mar, pois apenas a estrada me separava dele.

A água tb está em mim...

Beijos.

Vic disse...

Sabes o que penso sempre, Pérola? É que o Verão da nossa infância é sempre curto demais. Devia durar pelo menos uns trinta anos :)

Alex disse...

O Verão sabe a infância. E às férias grandes que tínhamos, muito maiores do que as de agora. Beijinhos

Scarlet Red disse...

:)

Margarida Alegria disse...

Que saudades das chaadas "Férias grandes".
Gostei de "mergulhar" nestas tuas recordações e no ondular das palavras que usaste, tão bem escolhidas, num texto tão bem escrito!
Beijinhos, Pérola!

Zilani Célia disse...

OI PÉROLA!
VENDO ESTA FOTO, QUE DIGA-SE DE PASSAGEM, PENSEI SER UMA GRAVURA,NÃO TEM COMO DEIXAR DE ENTENDER TUAS SAUDADES, É UM PRIMOR MESMO, UMA DÁDIVA MARAVILHOSA DA NATUREZA, E TU, PRIVILEGIADA POR TERES AI CRESCIDO.
ABRÇS

zilanicelia.blogspot.com.br/
Click AQUI

Filipa disse...

devia ser o maximo!!!

Blackye disse...

Que linda descrição... Quase mesmo que imagino tudo (e que linda infância tiveste) :)

mfc disse...

Um texto lindo... evocativo e saudosista... e bem escrito!
A certa altura passamos inevitavelmente a sermos nostálgicos!
... e não há mal nenhum nisso.
Beijinhos,

Aileen disse...

Tiveste uma infância muito calma e feliz :) a minha foi passada na cidade, com as habituais idas ao campo para ver família. O ar campestre é tão bom! Revitaliza a mente e faz-nos reviver tantas memórias :)

Margarida Costa disse...

Meu Deus Pérola! :)
Esses Verões devem ter sido bem verdes, bem molhados, bem relaxantes e felizes!! Precisava de umas férias assim... ;)

Isa Lisboa disse...

Conheço muito bem o Penedo Furado! É um sítio muito bonito. Também nasci perto do Centro Geodésico... Mas numa aldeia no norte de Abrantes. Aprendi a nadar não no Penedo Furado, mas no Zêzere ;)

Turista disse...

Olá Pérola, consegues transmitir a felicidade dos teus Verões de infância, através das tuas palavras. :)
E que dias de liberdade se tinham nessa época!
Acredito que a maioria das crianças de agora, não falarão no futuro de como eram livres para passar dias inteiros na descoberta, tal como nós o fizemos.