quarta-feira, 4 de julho de 2012

Negro Profundo ( 11 )

Sim! Conhecia estas tradições de casamentos arranjados em tenras idades. Nunca se tinha apercebido, verdadeiramente, que a sua amiga fazia parte dessas tradições.
Olhos negros, quase pretos, os de Samara, pareciam-lhe, na manhã que despontava, ainda mais vivos, pela tristeza que se liam neles.
Samara, desnorteada, começava a reagir. Uma coisa tinha a certeza: não queria o casamento, pelo menos por agora. Até simpatizava com o noivo. Porém, nunca lhe ocorrera tais negociações nas suas costas de menina-mulher.
Encetaram um diálogo de mata/esfola e resolvem pedir a opinião adulta dos pais de Matilde.
Dirigem-se ao quarto dos proprietários da Herdade que já se encontram a pé. Pasmados, com as madrugadoras meninas, ficam em cuidados, querendo saber o que se passa.
Precipitam-se na narração, atrapalham-se nas palavras e não conseguem ser entendidas.
O pai de Matilde, com a calma que os anos lhe tinha trazido, pega nas meninas, pela mão, senta-as na 'chaise-longue' do quarto  e pede-lhes que lhe contem tudo, desde o início, devagar, uma de cada vez.
Matilde olha de forma compremetedora para Samara. Esta toma folêgo e começa a narração das decisões tomadas pelos progenitores que conduziram às suas.
O casal, entendendo o drama de Samara, nem se mostraram surpreendido. Encontravam-se ao corrente  destes hábitos, dos casamentos precoces e sem aprovação ou conhecimento dos envolvidos. As amigas, ao verem a reação tranquila dos adultos, indignam-se e reclamam uma qualquer ação.
O pai de Matilde, O srº Teles, homem ponderado e conhecedor da vida, promete a fala com Manolo, pai de  Samara.
Como as horas do início das aulas se aproximava, ordenaram às meninas que se preparassem. Havia o pequeno almoço a ser tomado e depressa, o Srº Tavares as levaria, de seguida, à escola secundária que frequentavam, no nono ano.
Contrariadas, mas sem alternativa, fizeram o que lhes tinha sido determinado.
(continua)

12 comentários:

apenas umas letras disse...

olá. espero que não existam muitos casamentos arranjados, hoje em dia pois iria tornar muitas pessoas infelizes. Já nos casamentos normais, as pessoas pensam que amam a pessoa com quem se casam e passado uns meses, ou dois anos, pedem o divórcio...imagina num casamento arranjado. As pessoas têm o direito de serem livres. espero que te encontres bem. a viagem correu bem. beijos

Tétisq disse...

Isto está muito bonito, com uma nova imagem...
continuo a gostar da história e continuo curiosa.*

Mona Lisa disse...

Conseguiste prender-nos ao enredo...

Que sairá da conversa entre os pais?

Esperemos!

Beijos.

manuela barroso disse...

...e a narrativa remeteu-me para Camilo C. Branco.
O estilo coloquial que prende o leitor num diálogo vivo e a trama com os casamentos fora dos tramites normais.
E se "Era tudo muito bom" , agora está bom demais!
Parabéns Pérola! Está lindo o blog!
Beijinho

Aitana disse...

Fab!!!^^
i love it ;)

xoxo

Opinante disse...

Continua o enigma :) venha a continuação!

Bom aspecto :)

Sentada na ponta da lua disse...

Ainda não li este post... mas não resisto em dizer que gostei do novo visual do teu cantinho!

Bj.

Arco Iris disse...

Bonita transformação...e a música genial, mas gostava também muito daquele mar que enchia o ecran.
Sobre este novo capítulo, é mais um que nos prende , desejando que venha a continuação.
Bjs :))

C. disse...

gosto imenso do novo visual aqui do cantinho (embora fique com saudades do som do mar). Os casamentos arranjados é das "tradições" que mais me faz confusão. Como é possivel "aprender-se a gostar de alguém?" até parece que estamos a falar de fruta ou legumes.

Aida disse...

Esta tao giro o texto, parabens!


http://placequotehere.blogspot.pt/2012/07/life-has-funny-way.html

Pretty in Pink disse...

Ainda no outro dia falava com uma amiga dessa temática...Espero por ver o desfecho :)

Beijinho*

Margarida Alegria disse...

O drama está para durar!
Esta música liga bem com ele.
Como sairá samara desta embrulhada!